domingo, 28 de janeiro de 2007

Democracia, mas não no meu quintal (28/01)

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), notou hoje, em entrevista a O Estado de S.Paulo, que:

Não adianta mais eu me reunir com Fernando Henrique, Serra, Aécio, e tomarmos uma decisão, porque agora os temas perpassam as várias outras forças, que terão de ser ouvidas. Esse episódio foi o último suspiro de um partido que tomava decisões a partir de poucas pessoas.

O presidente falava sobre como o PSDB enfiou os pés pelas mãos na sucessão da Câmara dos Deputados [Uma aliança em que ninguém perde nada. Só perdem o discurso ou O jabuti alado do PSDB ou A placa para Fruet, o marujo à procura de sobreviventes e uma eleição indefinida ou Um anúncio fúnebre e a "peemedebização"]. Na entrevista, Tasso defende prévias para escolher o candidato do partido a presidente em 2010:

Eu estou preparando um projeto para entregar ao partido, mudando o processo de escolha do nosso candidato a presidente. Ainda não tenho ele todo desenhado...(...) Em linhas gerais, uma prévia, uma escolha com participação muito mais ampla. (...) O formato ainda não está desenhado e também não sabemos qual será a escolha do partido. Eu, pessoalmente, acho que deveríamos adotar o sistema das eleições primárias americanas, mas quem vai decidir o formato final é o partido. O que é certo é que acabou o sistema de três ou quatro pessoas escolherem o candidato.

Saudações à glasnost tucana. Mas ela não será tão radical assim:

Os governadores devem continuar sendo escolhidos pelas convenções estaduais. Não faz sentido que o novo processo se estenda a governadores e prefeitos.

Alguém poderia explicar por que "não faz sentido que o novo processo se estenda a governadores e prefeitos"? Infelizmente, o repórter não perguntou. Eu estou curioso. Por que o senador acha bom ampliar a democracia partidária nacionalmente e acha ruim fazer a mesma coisa local ou regionalmente?

Escrevi sobre isso em Uma providência prática é democratizar os partidos; se preciso, à força, de julho passado. Comentava uma entrevista do ex-ministro da Justiça (governo Collor) Célio Borja, um liberal de carteirinha, ao mesmo Estadão. O que eu penso está ali:

(...) a liberdade absoluta aos partidos não é garantia de democracia para os cidadãos, mais parece um caminho para a partidocracia, que é o que temos hoje. Vivemos no pior dos mundos. Os partidos recebem dinheiro público, diretamente e por meio do horário gratuito em rádio e TV, mas não têm obrigação de serem democráticos. O presidente do partido pode intervir quando quiser em qualquer diretório e as legendas podem disputar as eleições mesmo que tenham apenas comissões provisórias. (...) Deveria haver leis que obrigassem os partidos à democracia interna. Seus dirigentes deveriam ser eleitos diretamente pelos filiados, em eleições internas organizadas pela Justiça Eleitoral. Onde houvesse apenas comissão provisória, o partido deveria ser proibido de concorrer. Deveriam ser vetadas por lei a intervenção e a dissolução de diretórios.

Senador Tasso Jereissati, sua proposta só ficará de pé (e só será útil ao país) se for estendida a todos os níveis.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

4 Comentários:

Blogger Pedro Lamarão disse...

O senador não disse que acha ruim fazer a mesma coisa localmente, mas sim que não fazia sentido.

É impossível entender essa opinião sendo que nós não sabemos exatamente que coisa é essa que ele pretende propor.

domingo, 28 de janeiro de 2007 20:32:00 BRST  
Blogger cid disse...

Alon

O senador tucano não está propondo nada de novo, pois esse é o velho estilo dos caciques políticos do país. O raciocínio é o seguinte: se não tenho espaço para comandar ou influenciar as decisões nacionais, vamos alargar a base de deliberação para ver se ainda dá para tirar uma casquinha aí.

Nos estados e nos municípios - e ele está mirando no seu Ceará - o atual sistema ainda dá pé; portanto, "não faz sentido" mudá-lo. Alon, sejamos francos, quantas vezes não vimos isso na história da política brasileira?

Diz a sabedoria popular que lobo velho perde o pelo mas não perde o vício. A fala de Tasso Jereissati é exemplo escarrado disso.

cid cancer
mogi das cruzes -sp

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 08:37:00 BRST  
Blogger Ricardo disse...

É que Tasso quer continuar sendo Cirista, podendo leiloar o PSDB em troca de sua hegemonia no Ceará. Só isso.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007 11:16:00 BRST  
Anonymous Luiz Cláudio Ferreira Barbosa disse...

O senador Tasso Jereissati é sem dúvida político hábil compreender nova realidade ao seu redor. Após a derrota interna seu Estado, há nova compreensão da política de constrói alianças, perca de qualquer traço de déspota, esse homem ainda tem suas cartas na manga.
Luiz Cláudio Ferreira Barbosa
Fortaleza-Ceará.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007 01:24:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home