quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

As desculpas do PSDB a Luiz Eduardo e Virgílio (11/01)

Aqui e ali, líderes tucanos dizem que o partido tende a aceitar o critério da proporcionalidade na escolha da Mesa da Câmara dos Deputados. Esse tema será objeto de um post após a definição do PSDB sobre quem vai apoiar, Arlindo Chinaglia (PT-SP) ou Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Eu acho que esse negócio de proporcionalidade é só um biombo, que esconde aspirações legítimas e democráticas dos partidos. Mas o PSDB falar em proporcionalidade é uma coisa boa. Até porque o PSDB foi o partido que iniciou a moda de romper com a proporcionalidade. Aconteceu numa madrugada, em 15 de fevereiro de 2005, quando os tucanos e o resto da oposição ajudaram a derrotar os dois candidatos do maior partido da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e Virgílio Guimarães (PT-MG). O primeiro era o candidato oficial do petismo. O segundo era na época um dissidente petista. Ambos petistas, portanto. Mas o PSDB preferiu jogar-se de corpo e alma na candidatura de Severino Cavalcanti. Hoje, com o PSDB derrotado na eleição presidencial e com Severino Cavalcanti não reeleito (renunciou para não ser cassado), talvez seja o caso de trazer aqui os versos da canção famosa:

Triste madrugada foi aquela
Que eu perdi meu violão
Não fiz serenata prá ela
E nem cantei uma linda canção
Uma canção para quem se ama
Que sai do coração dizendo assim:
Abre a janela
Abre a janela, amor
Dê um sorriso
E jogue uma flor para mim.

Numa certa política não exitem o "obrigado" ou o "peço desculpas". Mas vocês vão me permitir a licença. Eu posso, pois num blog (quase) tudo é permitido. Vamos esperar pela decisão do PSDB. Arlindo ou Aldo. Qualquer que seja ela, uma coisa já me deixa contente. Entendo a renascida preocupação tucana com a proporcionalidade como um tardio pedido de desculpas do PSDB a Luiz Eduardo Greenhalgh e Virgílio Guimarães. O segundo foi reeleito, o primeiro não. Mas acho que, para os dois, chegou a hora de virar essa página. Com honra. Ambos merecem.

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8 Comentários:

Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Boa lembrança. Vamos lá. Severino elegeu-se com a "promessa de campanha (que)foi o aumento do salário dos deputados com direito à equiparação com os rendimentos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal)." (FSP) Curioso, não acha?

1.Houve sim uma briga de foice e martelo entre petistas que também está na origem da derrota. E essa história ainda resta ser contada nos seus detalhes, não é? Lembro que Virgílio perdeu para Severino por 117 a 124. Especulando, eu aposto na arrogância petista. Explico: Greenhalgh temia muito mais um segundo turno com Vírgilio do que com Severino, o rei do "baixo-clero". Será que APENAS o PSDB trabalhou para descarregar alguns votinhos decisivos para levar Severino ao segundo turno?

2.A $base aliada$, como sempre, aliou-se em grande parte à causa severínica do aumento de salário e equiparação.

3.Lembro que Reinaldo Azevedo, num contraponto à afirmação de que o PSDB levou Severino à presidência (isso seria a versão que o
"fontismo" veiculou pela imprensa)mostrou com números que não se podia atribuir APENAS ao PSDB a vitória severínica. Posso estar enganado porque faz tempo. Se a memória não falha, Greenhalgh teria perdido mesmo com os votos do PSDB.

4.Essa "recuperação" da causa da proporcionalidade foi uma grande sacada dos os primos irmãos PT e PSDB. Quem quiser que compre. Não é mesmo, Aldo?

Enfim, vamos aos números da derrota:
"Na votação do primeiro turno, Greenhalgh teve 207 votos; Severino Cavalcanti somou 124 votos; o canditato avulso do PT, Virgilio Guimarães (MG) teve 117 votos. José Carlos Aleluia (PFL-BA) contou com 53 votos e Jair Bolsonaro (PFL-RJ), com 2 votos. Votaram em branco três deputados e nulo, outros quatro.

No segundo turno, Greenhalgh só teve 195 votos --menos que os 207 obtidos no primeiro turno, três horas antes. Já Severino Cavalcanti recebeu 300 votos."

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 13:23:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,não me ligo muito nessas disputas parlamentares, mas acho que quem iniciou essa história de não aceitar a proporcionalidade foi o PT na Câmara Municipal de São Paulo. Isso, bem antes do episódio severino, ao apoiar um candidato dissidente tucano.
A conferir, afinal você é o especialista.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 15:36:00 BRST  
Anonymous Paulo disse...

Eu ia comentar sobre a câmara dos vereadores de São Paulo, mas o leitor anterior já comentou.

Eu me lembro que o clima na câmara dos deputados era de vingança pelo que tinha acontecido em São Paulo. O pioneirismo dessa quebra de tradição é petista, portanto...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 15:44:00 BRST  
Anonymous Silas Brito disse...

Está errado. Na Câmara de SP o PT havia apoiado um dissidente do PSDB. E não alguem de fora do PSDB, de fora do partido majoritário.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 15:49:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Não acho que a opção (se é verdadeira, porque a consulta foi por "telefone", feita pelo líder Jutahy) do PSDB tenha realmente a ver com proporcionalidade, mas com a promessa da primeira secretaria da Câmara. E com impor o que julgam ser uma derrota a Lula, que, dizem, prefere o Aldo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 18:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Saiu hoje que você tem o quinto blog de política mais popular do país!
Parabéns!

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=45860

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 20:14:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Realmente, o PT de outrora, quando era minoria e estava na oposição, nem sempre aceitou a proporcionalidade. Se não me engano Mercadante já foi candidato (anti-candidato) à presidência da Câmara. Como eram minoria nunca venceram. E ficavam fora da composição da mesa da câmara.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 21:11:00 BRST  
Blogger rafael disse...

Não brigue com os fatos, Alon! José Augusto disse bem.

"Quando haviam sido contados 479 votos válidos o resultado parcial para a eleição para presidente da Câmara era: Aécio Neves em 1° com 283 votos, Inocêncio Oliveira (PFL-PE) 117, ALOIZIO MERCADANTE(PT-SP) 81, Valdemar Costa Neto (PL-SP) 21 e Nelson Marquezelli (PTB-SP) 3 votos. Votos nulos 5 e brancos 2."

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007 23:37:00 BRST  

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