terça-feira, 31 de outubro de 2006

Inaceitável (31/10)

A revista Veja relata em seu site o constrangimento por que passaram três de seus jornalistas que foram depor hoje na Polícia Federal na condição de testemunhas. A PF nega as acusações. A descrição dos fatos publicada no site da Veja mostra um cenário de pressão e intimidação. Coisa inaceitável, no tratamento de jornalistas ou quaisquer outros cidadãos. Mas a minha dúvida é anterior. Por que um jornalista deve ser obrigado a ir à polícia prestar esclarecimentos sobre circunstâncias em que produziu ou editou uma reportagem? Está tudo errado. Se a polícia estiver interessada no conteúdo da reportagem, que a leia. Se estiver interessada em fontes eventualmente omitidas, a Constituição garante ao jornalista o direito de mantê-las em segredo. O endeusamento acrítico da atividade policial leva a coisas assim. A polícia não está acima das leis e do Estado de Direito. Aliás, ninguém está acima das leis e do Estado de Direito.

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Políticos e jornalistas (31/10)

Vejo, aqui e ali, jornalistas reclamando de a maioria do eleitorado ter optado por Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo. Têm todo o direito de reclamar. Têm até o direito de propor a troca do povo, por um mais sensível aos argumentos deles. Jornalistas não precisam estar bem com a maioria, precisam estar confortáveis é com as próprias convicções. Por quê? Porque jornalistas não dependem do apoio da maioria para cumprirem bem a sua missão. O jornalista convicto de que Lula é um desastre para o país pode ser apenas um entre muitos, mas cumprirá bem a sua missão se trabalhar dia e noite fiscalizando, questionando, fuçando para encontrar e divulgar coisas negativas do governo. Já o jornalista que não pensa assim, que não acha que Lula é a nova encarnação de Satanás, também deveria se sentir confortável para trabalhar em ambientes nos quais a maioria dos colegas (e dos chefes) acham o contrário. Essa é a minha utopia pluralista. Mas este post não é sobre utopias pluralistas, é sobre uma diferença essencial que há entre políticos e jornalistas. Diferentemente dos jornalistas, políticos dependem do apoio da maioria do eleitorado para sobreviver na carreira, pelo menos os políticos com pretensões mais altas. Daí a minha conclusão. Todo mundo sabe que o bom jornalista desconfia do que lhe dizem os políticos. A novidade trazida por esta eleição é que a recíproca mostrou-se 100% verdadeira. Os melhores políticos -viu-se- são os capazes de desconfiar das verdades absolutas que lhes vendem os jornalistas. Especialmente os jornalistas que torcem por eles.

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A Era Palocci só começou, ministro (31/10)

De volta à velha vidinha depois de um ano e meio de emoções fortes, crise política e uma duríssima refrega eleitoral. Vai ser difícil se conformar com a modorra das pautas de sempre. O PT aceitará ceder poder para que Luiz Inácio Lula da Silva amplie a base de apoio? O PMDB conseguirá unir-se para fazer o que quer que seja? E o PSDB, vai alcançar algum consenso interno, essencial para se manter como alternativa nacional? O agora reeleito presidente vai continuar se irritando com as declarações do antecessor? Fernando Henrique Cardoso vai continuar se esmerando em declarações que irritam Lula? Mas não nos desesperemos: enquanto o PT estiver aí, firme, sempre haverá quem nos forneça matéria-prima para emoções fortes. E essa agora dos ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff, de tentar surfar na onda da vitória de Lula para decretar o fim da Era Palocci na economia? Já tratei do assunto em post anterior [no qual previ que teriam que recuar], mas volto a ele. O PT convive com uma esquizofrenia. O partido montou ao longo de duas décadas um portfólio econômico que foi para o lixo quando a legenda chegou ao poder. Lula preferiu, com sabedoria, apostar todas as fichas na responsabilidade fiscal e na geração de superávits operacionais que estabilizassem a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto. Deu também total prioridade ao controle da inflação. Foram decisões políticas 100% corretas. Sem a economia totalmente estabilizada e sem a inflação inteiramente sob controle o presidente provavelmente não teria conseguido resistir às pressões da crise. Possivelmente não teria sequer terminado o mandato. Quanto mais obtido a reeleição. Esqueçam as fantasias, senhores. Abandonem as ilusões. O núcleo que segura Lula no poder são os pobres que encontram comida barata no mercado e material de construção barato na loja. É aquele pessoal que nos piores momentos respondia "Lula" quando perguntado pelos pesquisadores em quem iria votar para presidente. O petista só vai aceitar abrir mão disso se tiver endoidecido. Lula dará livre curso aos debates sobre a necessidade de crescimento mais acelerado, para oferecer carne aos seus próprios leões e para não deixar essa bandeira nas mãos da oposição. O entorno de Lula vai até acreditar que ele está disposto a romper com as idéias do hoje deputado federal eleito e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Sonhar não custa nada, desde que se controle a língua. Mas quem acredita na ruptura entre Lula e Palocci está a um passo de acreditar também em Papai Noel e na Cegonha.

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segunda-feira, 30 de outubro de 2006

As ações de Alckmin e uma corda balançando longe demais (30/10)

Se a candidatura Geraldo Alckmin fosse uma empresa de capital aberto, poderíamos concluir que suas ações estavam artificialmente infladas ao final do primeiro turno e voltaram para um preço realista no segundo turno. Afinal, essa proporção de 3 para 2 entre os votos dados a Luiz Inácio Lula da Silva e ao tucano é antiga e relativamente constante. Leia Muito barulho por (quase) nada. No fim do primeiro turno abriu-se uma janela de oportunidade para Alckmin, que a desperdiçou. Ele cometeu algum erro muito grave no momento mesmo em que o eleitor flutuante começava a pensar mais seriamente em apoiá-lo. Cada um tem a sua opinião sobre qual tenha sido esse erro. O que eu acho? Penso que Alckmin foi como uma corda que balançou longe demais do eleitor que não rejeitava a possibilidade de abandonar Lula. Quando o eleitor flutuante pensou em agarrar a corda, não conseguiu. A volta do eleitor flutuante ao ninho petista/lulista começou ainda antes do primeiro turno. Lembrem-se de que a primeira pesquisa do segundo turno já mostrou Lula numa posição razoavelmente confortável. A corda de Alckmin estava balançando muito à direita. O debate na TV Bandeirantes foi emblemático dessa opção do tucano. Alguns classificam aquele como o melhor momento de Alckmin. Pois eu acredito que tenha sido o seu maior equívoco. Os que já eram entusiastas da candidatura dele adoraram. E daí? É muito amadorismo você passar quatro semanas chamando Lula de ladrão e acreditar que o eleitor de Lula vai achar isso bonito. Lula, que não é bobo, aproveitou a chance e jogou a corda de Alckmin para mais longe ainda, ao introduzir na pauta as privatizações e o corte de investimentos sociais.

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Blá, blá, blá (30/10)

Antes de seguir em frente, um balanço rápido das eleições. Se você quer um mais detalhado, percorra este blog de um ano e meio para cá. Está tudo nos arquivos. Você me acha pretensioso? Então me ajude a corrigir esse defeito. Releia o que escrevi e diga onde errei. Com franqueza, acho que errei pouco. Certamente bem menos do que a oposição. O desastre eleitoral de Geraldo Alckmin e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva [vejam que escrevi nessa ordem, aparentemente ilógica; mas o naufrágio do ex-governador é jornalisticamente bem mais saboroso que o "landslide" do petista] tem algumas explicações simples. O PSDB-PFL jamais compreendeu que iria enfrentar nas urnas um bom governo. Não se prepararam para isso. O PSDB-PFL jamais compreendeu que o ponto de equilíbrio da hegemonia cultural hoje no Brasil está à esquerda do centro. Para ganhar uma eleição você precisa ter maioria. Portanto, tentar hoje no Brasil ganhar eleição de presidente com um discurso de viés liberal é um problema de solução não trivial. E que fica mais difícil se você não o enfrenta, se você se esconde. Ou se acredita que vai ganhar a guerra só com a aviação, sem infantaria. Só com denúncias e mídia, sem articulação social. Aliás, o PSDB-PFL demonstrou que não tem a menor idéia de como se forma opinião na era da Internet. É uma vítima do colapso da teoria da pedra no lago. Tomaram um show de bola do PT na Internet. Mas tudo isso é história. O título deste post é sobre o noticiário a respeito de um suposto desenvolvimentismo que, dizem, vai prevalecer a partir de janeiro. Pois eu acho que nada vai mudar na macroeconomia. Até porque Lula é mais esperto e mais competente politicamente do que o entorno. Quando o presidente estava no osso, quem o segurou na sela foram os mais pobres, os maiores beneficiados pela baixa inflação. Achar que Lula vai aceitar mais inflação em troca de um ponto percentual a mais de crescimento é ilusão. Mas, fazer o quê? É preciso ter assuntos novos para fazer girar a maquininha da informação.

Clique aqui para ver os resultados (se é que voê ainda não viu).

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domingo, 29 de outubro de 2006

Sarney, FHC e Lula governaram para os pobres (29/10)

Arrisco-me a dizer que o PSDB nunca mais vai ganhar eleição para presidente da República se não der um jeito de conseguir defender o governo Fernando Henrique Cardoso. Claro que é uma previsão. Previsões definitivas são sempre arriscadas, mas se essa minha estiver errada já terá passado tanto tempo que você nem vai lembrar do dia em que a fiz. De todo jeito, fico sempre espantado com o grau de intimidação de tucanos e pefelistas quando o assunto "governo FHC" entra na pauta. Aliás, a indigência intelectual da candidatura PSDB-PFL nesta eleição alimenta-se, entre outras coisas, de uma dupla covardia: falta-lhes de coragem para defender teses que cheirem a liberalismo e falta-lhes coragem para defender o que fizeram quando estiveram no poder. A foto de Geraldo Alckmin envergando boné e camiseta com dísticos de estatais é uma espécie de símbolo dessa dupla capitulação. Eu não sou tucano nem pefelista, mas defendo FHC mais do que todos eles somados. Faço-o pela pretensão de ser honesto intelectualmente e também para pôr um freio nas mistificações. Dizer que a Era FHC foi essencialmente negativa para o Brasil é tão verdadeiro quanto afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva nomeou 40 mil petistas para cargos de livre provimento ou que o provavelmente reeleito presidente vá privatizar a Amazônia. As proibições materiais desta eleição vão aliviar a vida dos garis, mas o trabalho de limpeza realizado pelos profissionais das idéias terá que ser redobrado, tamanho o volume de lixo intelectual despejado pelos dois candidatos [uma coisa boa de esta eleição ter terminado é que amanhã ficaremos livres das mistificações de um deles]. Voltemos a FHC. Uma crítica ao tucano é ter aumentado a dívida pública. Nem vou perder tempo com a bobagem de que sob o PSDB a dívida aumentou mais de dez vezes. Até quem diz isso sabe que é mentira, que a dívida federal no final do governo tucano não pode ser comparada com a do começo, pela simples razão de que entre 1995 e 2002 a União consolidou no seu passivo diversos esqueletos de outros. Mas é verdade que a dívida mais ou menos triplicou. E por que isso aconteceu? Por uma razão simples: foi o preço que o Brasil pagou ao longo dos anos 90 para matar a hiperinflação sem ter que fazer um fortíssimo ajuste fiscal. Em outras palavras, para matar a hiperinflação sem mergulhar o país na recessão. O Brasil tinha capacidade de endividamento e se endividou. Qual era a alternativa? Quero ver alguém do PT ter a desfaçatez de defender, por exemplo, que FHC deveria ter apostado todas as suas fichas num aperto fiscal já em 1995. Seria uma cara de pau excessiva, até para os padrões da política atual. Como o PT pode cobrar de FHC que tivesse aderido à responsabilidade fiscal em 1995 se ele próprio, PT, só aderiu em 2002, movido pelo medo de perder a eleição presidencial? A verdade é que o país só aceitou a responsabilidade fiscal depois de quebrar em 1999. Ali se viu que não tinha mais jeito, que o paciente não mais poderia fugir da mesa de operação. O Plano Cruzado morreu no final de 1986 porque o presidente José Sarney não dispunha de apoio para fazer uma política fiscal dura. Pesquisem sobre uma tal reunião de Carajás em meados daquele ano. Pelo mesmo motivo também morreram os Planos Bresser e Verão. Foram-se os planos mas Sarney sobreviveu, está aí firme e forte. Depois veio Fernando Collor, que promoveu o maior enxugamento de liquidez da História do Brasil [saudado na época em prosa e verso por muitos que hoje execram o ex-presidente pelo "confisco da poupança"]. A inflação mergulhou, mas poucos meses depois já punha a cabeça de fora. Por que? Por causa da frouxidão fiscal. Collor não teve a mesma sorte (ou competência) de Sarney. Acabou impichado. A seguir veio Itamar Franco, que foi espremido como uma laranja até aceitar passar o poder ao seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Que por sua vez evitou a eleição de Lula em 1994 cavalgando o consenso da elite, uma ampla coalizão partidária e o sucesso do seu Plano Real. Tudo isso já é História. O Plano Real foi uma grande conquista do povo brasileiro, especialmente da população mais pobre. Assim como tinha sido o Cruzado. Assim como é a política econômica de Lula, que nos dá inflação baixa com crescimento. Poderíamos crescer mais? Sim, poderíamos, mas o pobre não troca o certo pelo duvidoso, como ficou claro neste segundo turno. A causa primeira da gigantesca concentração de renda no Brasil é uma inflação crônica que durou quase meio século. Presidentes que combateram a inflação governaram principalmente para os pobres. Os que não o fizeram governaram principalmente para os demais. Sarney, FHC e Lula [sem esquecer de Itamar Franco, mas acho que posso encaixá-lo na Era FHC] governaram principalmente para os pobres. O resto é (má) ideologia (existe a boa?).

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sábado, 28 de outubro de 2006

A utilidade do cadastro de indecisos (28/10)

Certo leitor habitual me manda email com uma observação bem-humorada, e pede para eu fazer este post. Vamos lá. Ele teve a idéia depois de ler no post anterior sobre o cadastro nacional de indecisos. Ele propõe que uma lista recheada de indecisos seja colocada à disposição do próximo governo para o preenchimento dos cargos de confiança, se a oposição derrotar Luiz Inácio Lula da Silva. O raciocínio do meu leitor é simples e lógico. A oposição diz que vai despetizar o governo. Mas o meu leitor acha que, por coerência, as vagas abertas pela demissão em massa de petistas e quetais não deveriam ser preenchidas por tucanos e pefelistas, pois isso seria repetir uma das coisas que Geraldo Alckmin mais critica em Lula. Meu leitor diz que uma alternativa seria indicar apenas quadros ligados a Heloísa Helena ou Cristovam Buarque, mas reconhece que isso poderia gerar tensões políticas entre os que apoiaram o tucano na campanha. Daí ele chega à conclusão de que o mais prático seria indicar gente que não tenha simpatia por nenhum candidato. A dificuldade seria achar essas pessoas. Por isso a animação dele quando falei no cadastro nacional de indecisos.

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Prefeitos e presidentes (28/10)

Vou propor que no próximo debate da Globo com o formato de ontem os indecisos sejam advertidos a respeito das atribuições do Presidente da República. Ou então que a emissora escolha pessoas com indecisões do seguinte tipo:

1) O orçamento federal deve ser impositivo ou autorizativo?

2) As medidas provisórias devem continuar existindo ou não?

3) O Brasil deve fazer um acordo de livre comércio com os Estados Unidos ou deve negociar com os americanos em bloco, acompanhado dos colegas de Mercosul?

4) A Desvinculação de Receitas da União (DRU) deve ser mantida, ampliada ou reduzida (extinta)?

5) A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) deve ser mantida, extinta ou permanecer apenas com valor simbólico, como um rastreador?

6) O tripé metas de inflação, câmbio flutuante e aperto fiscal deve ser mantido ou não?

7) O Conselho Monterário Nacional (CMN) deve ser ampliado com representantes da chamada sociedade ou não? O Banco Central deve perseguir ou não outras metas além da de inflação?

8) Fixar uma idade mínima para a aposentadoria é necessário ou não para controlar o déficit da Previdência?

9) O voto para o Legislativo deve ser distrital puro, distrital misto, proporcional uninominal (é assim que chama?) ou proporcional em lista? Nesse ultimo caso, a lista deve ser estadual ou nacional?

10) O país deve ou não flexibilizar regionalmente a legislação tributária e trabalhista, para promover a industrialização forçada das regiões menos desenvolvidas, por meio de zonas especiais de exportação?

Eu mesmo tenho dúvidas sobre vários desses pontos. Estou, portanto, completamente capacitado a participar de um debate presidencial na condição de indeciso. Tomara que um dia a gente volte a ter debates presidenciais. Era legal quando os candidatos discutiam os assuntos nacionais olho no olho. Quando voltar a acontecer talvez eu apareça lá, sentado e fazendo perguntas do tipo das que listei neste post. Vou já me inscrever no cadastro nacional de indecisos. Quem sabe não sou chamado daqui a dois anos, na eleição municipal? Por que não? Se candidato a presidente se comporta como candidato a prefeito, por que não acreditar que o inverso também possa acontecer?

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sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Salvando a própria pele (27/10)

Os que buscam, com sofreguidão, um bode expiatório na campanha do provavelmente derrotado Geraldo Alckmin devem ir com calma no linchamento dos responsáveis pelo programa eleitoral de tevê do tucano. De texto publicado hoje no Valor Econômico:

A pesquisa [Ipespe/Valor de 24/10] mostra que o eleitor dá grande importância aos debates entre os presidenciáveis. Dos pesquisados, 43% afirmaram que este é o principal fator para a decisão de voto. Somente 19% disseram que o noticiário a respeito dos contendores é um elemento mais importante. O programa eleitoral e os comerciais exibidos na mídia eletrônica são citados apenas por 15% dos entrevistados.

Clique aqui para ler a íntegra do texto de César Felício. Só 15% dizem definir o voto pela propaganda eleitoral. Claro que, por outro lado, ela pode influenciar a pauta jornalística e os próprios debates. Mas os caçadores de culpados da campanha de Alckmin deveriam se voltar principalmente para a política, não para o marketing. Acho que eles não vão fazer isso. Pois buscar culpados é só a face visível de sua movimentação. O que querem mesmo é salvar a própria pele.

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quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Ibope: empate técnico entre os mais escolarizados (26/10)

Ibope do Jornal Nacional de hoje: Lula 58% (+1), Alckmin 35% (-1). Votos válidos continuam como na pesquisa anterior: Lula 62%, Alckmin 38%. O detalhe interessante é que Lula chegou a um empate técnico, no limite da margem de erro, entre os que têm curso superior (Alckmin 47%, Lula 43%). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Mais um elemento novo nos necessários debates pós-eleitorais sobre a validade ou não da teoria da pedra no lago.

Clique aqui para ler Milhares, milhões de pedrinhas no lago.

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Duas formas de roubo e uma aula de jornalismo (26/10)

O Brasil vai ser um país melhor no dia em que as duas maneiras habituais de roubar dinheiro público merecerem taxas iguais de indignação e repúdio. Hoje há muita indignação e muito repúdio contra quem pega para si o dinheiro que já chegou aos cofres do Estado. Ainda bem que as pessoas ficam cada vez mais revoltadas com isso. Vamos esperar que um dia essa mesma indignação e esse mesmo repúdio alcancem também os que seguram para si o dinheiro que deveria ser recolhido em impostos. Mas há toda uma construção ideológica para impor a assimetria da abordagem dos dois casos. Procurem, nem que seja por curiosidade, saber como são tratados nos Estados Unidos os sonegadores de impostos [de vez em quando recorro a exemplos americanos para mostrar como o nosso liberalismo é de mentirinha; o liberalismo americano nasceu de uma revolução nacional e democrática, o brasileiro se alimenta das tentativas de evitá-la]. A Receita vai lá e toma do sujeito o que tiver que tomar. Não tem conversa. No Brasil a sonegação de impostos é muitas vezes tratada, respeitosamente, como o legítimo movimento de resistência civil contra a sanha arrecadatória de um Estado que só sabe desperdiçar o dinheiro do povo. Mas há desperdícios e "desperdícios", claro. Assim como há povo e "povo". Ninguém é de ferro. Os grandes agricultores que sistematicamente deixam de pagar empréstimos tomados em bancos públicos são mais bem tratados: costumam ter a seu favor campanhas também sistemáticas pela renegociação dessas dívidas. Aliás, um parêntese. Quando o preço da soja e outras commodities estava lá em cima em 2003-2004, não me recordo de ter havido movimentos no campo para socializar os gigantescos (e legítimos) lucros do agronegócio. Uma pena, pois isso daria hoje mais legitimidade aos movimentos pela socialização dos prejuízos decorrentes da queda de preço das commodities e da valorização do real. Como Martin Luther King, eu tenho um sonho. Sonho com o dia em que a exigência do pagamento das dívidas do agronegócio com o Banco do Brasil vai merecer tantos textos de jornal quanto a exigência de fiscalização das contrapartidas do Bolsa Família. Por falar em jornalismo, hoje tem uma aula da disciplina no Sítio do Sergio Leo, jornalista do Valor Econômico [essa coisa de "sítio" é uma frescura do Sergio Leo; ele não faz blog, faz "sítio", pois possivelmente quer ser melhor do que nós até no Português; ou então está querendo fazer uma média com o Aldo Rebelo]. O Sergio comenta a reportagem que gerou a manchete de hoje da Folha de S.Paulo. A fonte da matéria é o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. Eu estou mesmo ficando velho. Sou do tempo em que, no jornalismo, ensinava-se que "planejamento tributário" era o outro nome da sonegação.

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Aos meus amigos (26/10)

Ainda em viagem, um post curto. Um dia desses o ex-presidente José Sarney escreveu que a bala que Getúlio Vargas disparou contra o próprio coração matou junto a União Democrática Nacional (UDN). O texto do senador reeleito pelo Amapá saiu na Folha de S.Paulo. Uma coisa a observar no cenário eleitoral é a correlação entre radicalismo político e desempenho na urna. Não vou citar aqui nomes (por pretensão de elegância), mas o próprio leitor poderá listar: os adversários mais radicais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado foram ou caminham para serem derrotados na disputa de poder nos seus estados. Está bem, vou listar pelo menos os estados. Bahia, Ceará, Amazonas, Piauí, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Goiás. São os fatos. É claro que contra os fatos pode haver argumentos, ao contrário do que diz o ditado. Mas fatos são fatos. Essas derrotas não provam matematicamente a existência de correlação entre as duas coisas (radicalismo oposicionista a Lula e rejeição popular), mas tampouco podem ser ignoradas. O que Sarney quis dizer quando lembrou que a UDN morreu junto com Getúlio? Não que ela tenha deixado de existir. A UDN viveu até o Ato Institucional nº2. Mas depois que Getúlio se matou ela deixou de ser uma alternativa real de poder democrático. O eleitor definitivamente não gosta que forças políticas pensem em chegar ao poder por outro caminho que não o apoio dele, eleitor. O povo é cônscio de sua prerrogativa e gosta de preservá-la. É por isso que uma das coisas mais importantes na política é saber receber a derrora. Modéstia e silêncio são mercadorias valiosas nessa hora. Mas voltemos à UDN. Se Getúlio tivesse conseguido resistir a ela, se tivesse concluído o seu mandato e voltado a São Borja para morrer de velhice, a UDN não teria passado à História como uma agremiação golpista. Ficaria apenas o registro de sua combatividade e aguerrimento. Talvez a UDN estivesse viva até hoje. Ao resistir às facções mais criativas da oposição, Lula lhe faz um favor. Com o tempo, se Deus quiser, as acusações de golpismo vão desaparecer na poeira da História. Ficará o registro de que o período Lula foi marcado por uma intensa disputa política, mas que tudo acabou sendo resolvido nas urnas. Já que isto aqui é um blog, permitam-me um corte algo pessoal. Eu tenho bons amigos na oposição. Quase tanto quantos tenho no governo. Talvez seja por isso que elaboro de vez em quando teorias destinadas a produzir desfechos simultaneamente felizes para os dois lados. Ou quem sabe eu aja assim por patriotismo. Já que sou vaidoso, permitam-me acreditar na segunda opção. Puxa vida, no fim este post nem ficou tão curto assim.

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quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Dependentes (25/10)

Outra escala de aeroporto. A vantagem é que os posts são mais curtos. Vocês não acham que tem algo de muito errado quando os políticos só se preocupam em saber se há ou não há algum novo escândalo prestes a estourar pela imprensa? A oposição parece que se viciou nisso. Na semana passada só se falava no que trariam as revistas semanais. Quando elas saíram, viu-se que não havia a tal bala de prata. Aí as pessoas passaram a considerar a eleição decidida, impressão que se consolidou com a pesquisa Datafolha de ontem. De todas as fraquezas da oposição neste pleito, uma das mais evidentes foi o raquitismo intelectual. A total incapacidade de operar uma agenda que não tivesse a corrupção como único tema. Quando precisaram mudar de assunto, seu castelo desmanchou-se como se de areia fosse.

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Pragmáticos (25/10)

Andei vaticinando que esta eleição vai legar ao país um ambiente de ódios políticos represados. Não mudei de opinião. Mas acordei hoje um pouco mais otimista. Percebi que (se os resultados das pesquisas se confirmarem) o centro da política brasileira estará ocupado por pragmáticos nos próximos quatro anos. Luiz Inácio Lula da Silva, José Serra, Aécio Neves, Eduardo Campos e os presidentes da Câmara e do Senado. Ambos certamente alinhados com Lula. Por enquanto, esse é o jogo.

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terça-feira, 24 de outubro de 2006

Perto do fim (24/10)

A diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin oscilou dois pontos para cima na pesquisa Datafolha divulgada hoje pelo Jornal Nacional. No total de votos: Lula 58%, Alckmin 37%. Nos votos válidos: Lula 61%, Alckmin 39%. Nada de novo, portanto. É o fim? Se não é, está bem perto. O detalhe mais significativo é a aprovação (ótimo+bom) do governo: 53%. Um recorde desde que o Datafolha começou a medir a popularidade dos presidentes, em 1990. Perder eleição é da vida. Mas assistir a essa taxa de aprovação de Lula deve ser muito doloroso para a oposição, depois de ano e meio da mais aguda e longa crise política desde a redemocratização. A partir de domingo será a hora das análises. Preparem os teclados. Olhando retrospectivamente [e você pode fazer suas buscas no blog], não acho que terei grandes novidades para dizer. Ouso afirmar também que não terei muitos motivos para me arrepender do que escrevi [se você pensa diferente, comente por favor]. O quadro eleitoral desenhado até o momento se explica por uma razão simples, martelada aqui à exaustão, há tempos. O campo chamado de progressista tem hoje maioria política na sociedade brasileira. Não tem a maioria dita ideológica, mas possui o apoio majoritário da população. Porque Lula vem fazendo um bom governo. Porque o Brasil tem inflação americana, crescimento econômico contínuo (apesar de moderado) e programas sociais para a população mais pobre. Poderia ser melhor? Claro, sempre pode. A oposição ao menos esboçou uma estratégia para convencer o eleitor de Lula de que um governo do PSDB-PFL poderia melhorar a vida da maioria das pessoas, com o cuidado de manter o que está funcionando bem? Nem de longe. Sorte de Lula, azar de Alckmin. A se confirmarem as tendências, o petista vai colher a mais espetacular vitória eleitoral de um presidente brasileiro desde a Revolução de 1930. Menos pelos números -que em si já são significativos. Mais pela dimensão, penetração e poder das forças políticas e sociais que terá derrotado. Esse será o maior paradoxo de sua vitória. Sua fraqueza beberá na mesma fonte que sua força. Muita gente poderosa, na política e fora dela, terá sido batida. Absorverão o revés com espírito democrático? A ver.

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Estéticas (24/10)



Assisti só a pedaços do debate ontem na Record. Estava em outro compromisso. Para compensar, li o que se escreveu sobre o assunto. Então este post será curto. Há alguns dias venho amadurecendo a idéia de que há duas estéticas em disputa nesta eleição. Uma estética da falibilidade e uma da infalibilidade. Luiz Inácio Lula da Silva vem conseguindo converter a seu favor as próprias fraquezas, ao se apresentar como falível. E um Geraldo Alckmin infalível deve estar agradando aos que pedem um vingador contra Lula e o PT. Falta dureza em Lula e falta humanidade em Alckmin. Não estou falando das pessoas, mas dos candidatos. Ou melhor, dos personagens representados pelos candidatos. Depois de tantas decepções, talvez o público esteja receoso de comprar promessas de infalibilidade. Tive a idéia de abordar o assunto por esse ângulo ao receber email com link do You Tube que leva a um programa televisivo do candidato a governador de Pernambuco pelo PSB, Eduardo Campos. Acho que o vídeo explica melhor o que pretendi dizer neste post. Clique nele para assistir.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Já estamos entre os 150 melhores blogs do mundo (23/10)

O Blog do Alon é finalista do The BOBs (Best of Blogs), concurso mundial de blogs promovido pela Deutsche Welle. A fase final começou hoje. O concurso vai escolher os melhores blogs do mundo em 15 categorias e 10 idiomas. Leia reportagem do UOL (que puxa a sardinha para os blogs dele, claro). São 150 blogs finalistas, "escolhidos por um júri de 13 jornalistas independentes, pesquisadores de mídia e especialistas em blogs", diz a reportagem. O concurso recebeu 5.500 indicações de blogs. A votação vai até 11 de novembro. O mesmo júri que selecionou os 150 melhores também vai apontar o vencedor de cada categoria.

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Os dois lados da moeda (23/10)

A possível ducha de votos que Luiz Inácio Lula da Silva promete tomar no próximo dia 29 não terá o condão de colocar uma pedra sobre as investigações criminais envolvendo o PT e a campanha do presidente. A Polícia Federal e o Ministério Público não são instituições submetidas ao cronograma do Tribunal Superior Eleitoral. Urna é para eleger, polícia é para investigar, promotoria é para acusar e juiz é para julgar. E a imprensa é para contar às pessoas o que está acontecendo nessas esferas de poder. As coisas são (ou deveriam ser) simples assim. O país tem o direito de conhecer todos os detalhes da operação dossiê. Ou de qualquer outra acusação ou dúvida que envolva este governo. Ou governos anteriores. Essa é a regra do jogo da democracia. Mas, se a regra está em vigor, ela vale para os dois lados. Para as duas faces da moeda. Se o julgamento político das urnas não tem o poder de abolver acusados de crimes, tampouco o julgamento político da opinião pública deveria ter o poder de condená-los. Se a maioria eventual nas urnas não apaga a folha corrida de ninguém, tampouco a maioria eventual no tribunal político de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (ou de um plenário, ou de um editorial de jornal) deveria ter o poder de condenar alguém em última instância. Aí parece residir a inconsistência de certas teses. Citações em relatórios de CPIs são tratadas como condenações políticas transitadas em julgado pelos mesmos que recusam ao eleitor a prerrogativa de "anistiar" alguém na base do voto. É o princípio orwelliano de que todos são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros. O linchamento político é legítimo, dizem, se a maioria assim o desejar; mas não aceitam a legitimidade da purificação quando a maioria assim se manifesta. Cassar o mandato de alguém sem provas é razoável, dizem, para efeito de profilaxia política; mas os que se arrogam o direito quase divino de suprimir, sem provas, a vontade do eleitor (expressa num mandato popular) não dão ao eleitor o direito que pedem para si. Quer saber das convicções democráticas de alguém? Tente aferir o quanto ele respeita os direitos de quem está na outra trincheira.

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Chávez e Bush (23/10)

Um registro. A campanha presidencial brasileira vai chegando ao fim sem que a política externa de Luiz Inácio Lula da Silva tenha entrado para valer na agenda eleitoral. Que eu me lembre, houve uma pergunta de Geraldo Alckmin para Lula no primeiro debate. E só. Aliás, foi um dos melhores momentos do petista naquele dia. E o mais interessante é que não se notou nos últimos meses qualquer movimento pró-Alckmin vindo da diplomacia americana. Lula conseguiu algo teoricamente impensável. Tem com ele ao mesmo tempo George W. Bush e Hugo Chávez. Você conhece algum outro país em que isso tenha acontecido?

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domingo, 22 de outubro de 2006

Treze anos de espera nos olhos do piloto (22/10)

Felipe Massa ganhou o GP Brasil de Fórmula 1 de 2006. Treze anos depois de Ayrton Senna. É muito raro uma foto do piloto com capacete captar o que passa pelos sentimentos dele. A imagem acima, da France Presse, é o registro de um dia muito especial para o Brasil.

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"Não sabemos que taxa de inflação é uma taxa muito baixa" (22/10)

A frase é do Prêmio Nobel de Economia deste ano, Edmund Phelps (foto), em entrevista publicada na Folha Online. A resposta inteira:

FOLHA - Existe uma meta muito baixa, que acabe sendo contraprodutiva, ou, quanto menor a inflação, melhor?

PHELPS - Nós não sabemos que taxa de inflação é uma taxa muito baixa. Há algumas vantagens em ter uma taxa de inflação na vizinhança de 1%, 2% ou 3% por ano. Certamente nós não queremos chegar a menos de 1% por ano. Pelo menos eu não recomendaria conduzir uma experiência para ver o que ocorre.


Clique aqui para ler a entrevista completa.

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Minhas qualis (22/10)

Lamúrias e lamentações não ficam bem em políticos. Reclamar de ataques dos adversários tampouco. De volta ao boxe. Os grandes campeões além de bater sabem também apanhar. Há ano e meio a oposição vem dizendo que o PT é um agrupamento comandado por bandidos dedicados a saquear os cofres públicos. Para abastecer o caixa único que financiará a perenização do PT no poder. Há três semanas o PT vem repetindo que a oposição é um grupo de vendilhões da pátria. Sedentos para entregar de mão beijada o que sobrou de patrimônio público depois das privatizações que fizeram quando estiveram no governo. Eu não concordo nem de longe com essas caracterizações. Mas se você quer acreditar cegamente numa delas fique à vontade. Saia à rua com uma bandeira e engaje-se na sua cruzada para salvar o país. Já o nosso papel aqui é tentar mastigar a realidade. Digeri-la e fornecer o alimento em partículas suficientemente pequenas para que o espírito possa absorvê-las. Então vou tentar abordar a polêmica por outro ângulo. Por que o assim chamado terrorismo eleitoral contra a oposição está sendo mais eficaz do que o seu antípoda? Por que vinte dias de propaganda negativa contra Geraldo Alckmin tiveram aparentemente mais efeito do que um ano e meio de propaganda negativa contra Luiz Inácio Lula da Silva? Não é uma questão fácil de responder. Conversei com um taxista na sexta-feira. Entrei no táxi e vi um adesivo de Alckmin (meio arrancado) e outro de Lula. Meu condutor votou em Alckmin no primeiro turno e diz que vai votar em Lula no segundo. Pergunto por quê.

- Porque as safadezas da turma do Lula tem quem controle. Tem a Polícia Federal. Tem o Ministério Público. Tem as CPIs. Mas quando o PSDB vendeu as estatais ninguém podia fazer nada. Ninguém fez nada. Não teve a gritaria que está tendo agora.

Foi a minha quali particular e custou apenas a corrida. Menos de dez reais do meio da Asa Norte até o Brasília Shopping. Bem mais barata do que os focus groups que informam aos candidatos frase por frase o que eles devem dizer na televisão. Na hora lembrei de outra "taxiquali" que fiz lá pelo final de 2002 em São Paulo. Perguntei ao condutor em quem ele tinha votado. Lula. Perguntei se achava que o novo governo iria mudar muita coisa.

- Não. Porque governo é tudo sempre muito parecido. A gente só troca porque se deixar o mesmo pessoal lá durante muito tempo acaba virando uma panelinha.

Nesta eleição minha quali brasiliense está até agora prevalecendo sobre a paulistana de quatro anos atrás. Não é costumeiro. A vontade de "trocar a panelinha" é quase sempre irresistível. Ela costuma vir em ondas. É preciso algo muito forte para neutralizá-la. Volto à pergunta feita lá atrás. Por que a campanha negativa dos petistas funciona melhor do que a dos tucanos? Nenhuma das duas respostas possíveis é lisonjeira para a oposição. A primeira hipótese é que o governo do PT é tão bom para a maioria das pessoas que isso acaba neutralizando o ímpeto mudancista. A segunda hipótese é que a oposição está sendo incompetente para assegurar à maioria que vale a pena remover um mau governo. E que um governo dela oposição seria melhor.

Uma observação final. Existe algo de diferente neste texto. Você já descobriu o que é?

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sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Ibope: Lula tem 24 pontos de vantagem - ATUALIZADA (20/10)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu 24 pontos de vantagem em votos válidos sobre o ex-governador Geraldo Alckmin, segundo Ibope divulgado agora há pouco pelo Jornal Nacional. No total de votos, Lula 57% x Alckmin 36%. Nos votos válidos, Lula 62% x Alckmin 38%.

Atualização às 23h55 de 21/10: Clique aqui para baixar a pesquisa.

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Rentismo, pão e circo (20/10)

Está na hora de fazer um debate sério sobre essa questão dos juros. Mas percam a esperança. Entra ano, sai ano, o tema continua ali, no pódio das olimpíadas da demagogia. Uma demagogia, aliás, bem interessada. Se 10% do papel e tinta (e bytes) gastos para expressar desagrado em relação à Selic fossem realocados para protestar contra os juros do cheque especial já seria uma boa coisa. O problema maior dos juros não é a Selic, é a captura sistemática da riqueza das pessoas e das empresas por meio de taxas escorchantes cobradas pelos bancos. Pouca poupança e muito spread os problemas do Brasil são -e que as saúvas me perdoem o plágio. Mas aí vocês teriam que enfrentar temas como o oligopólio bancário e a abertura do mercado a bancos estrangeiros. Coisa desagradável. É melhor continuar soltando notas de protesto a cada reunião do Copom. Você fica, ao mesmo tempo, bem com a opinião pública e com os bancos. Mais confortável. Como não poderia deixar de ser, o tema esteve presente no debate de ontem dos presidenciáveis no SBT. Geraldo Alckmin agora inventou essa coisa de "bolsa banco" (ou "bolsa banqueiro"), para fazer o contraponto ao Bolsa Família. Ele diz que é o maior programa de concentração de renda do mundo. Alguém deveria explicar ao tucano que certas coisas soam naturais na boca de Heloísa Helena, mas não necessariamente ficam bem na dele. Um exemplo é essa crítica ao "rentismo". Vamos lá. De quem é o dinheiro que os bancos emprestam ao governo -e sobre o qual o governo paga juros? Uma pequena parte é dinheiro do próprio banco. A maior parte é dinheiro que o banco tomou emprestado das pessoas e das empresas. É dinheiro seu, meu, nosso. Qualquer pessoa ou empresa que tem uma poupança, que tem renda financeira, tem dinheiro emprestado ao governo na forma de títulos públicos tomados pelos bancos. A maior parte do que o governo paga de juros "aos bancos" não fica com eles, vai para a renda das pessoas e das empresas de quem os bancos tomaram emprestado o dinheiro. É uma das razões pelas quais o besouro voa. Teoricamente, não deveria voar, mas voa. Uma pergunta sobre o besouro para os economistas. Por que a economia brasileira cresce a taxas parecidas com as dos países desenvolvidos se os nossos juros estão muito acima dos juros deles? Uma parte da explicação deve estar nos juros especiais (não confunda com espaciais) das linhas de crédito destinadas a investimento. Mas há outra parte da explicação que, normalmente, fica oculta. Todo mundo que tem alguma modalidade de renda financeira se beneficia da drenagem do Tesouro Nacional. Por exemplo, empresas com um bom caixa. Por exemplo, famílias e pessoas que poupam. Sim, amigos, é verdade: uma boa parte do que o governo gasta com juros acaba beneficiando outros que não os bancos. Já foi pior (ou melhor, conforme o ponto de vista), no período da inflação alta, quando a renda mensal da caderneta de poupança era um salário para milhões e milhões de pessoas. Mas não vamos aqui fugir do debate sobre a Selic. O modelo brasileiro funciona mais ou menos da seguinte maneira. O governo (União, estados e municípios) poupa ou lucra (estatais) um tanto todo ano para pagar parte dos juros e do principal da dívida pública-e para não pressionar ainda mais a inflação. Para garantir que a inflação fique próxima de uma meta definida pelo governo, o Banco Central aplica a política monetária, da qual a taxa básica de juros é elemento fundamental. E o câmbio flutua. Então, como já foi dito aqui diversas vezes, quem propõe baixar rapidamente os juros sem mexer no modelo está propondo que o país tenha mais inflação. E se é para mexer no modelo, que digam no que e como vão mexer. Mas deixa prá lá. Muito complicado. Melhor continuar falando de "rentismo" e de "bolsa banco". Já que a inflação baixa e o Bolsa Família estão garantindo o pão, não custa nada a gente continuar se divertindo com o circo.

Uma observação. Dou links para a Wikipedia em inglês porque é mais completa. Mas sempre que um verbete tem versão em português você pode acessá-lo clicando no link para "português" que aparece na barra lateral esquerda da página.

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O debate do SBT (20/10)

O debate de ontem no SBT mostrou uma certa inversão de papéis entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, em relação ao primeiro, da Bandeirantes. O tucano estava agora mais preocupado em falar ao eleitor potencial dele, enquanto o petista pareceu-me excessivamente concentrado em dar estocadas no adversário. Ficou um negócio meio estranho, Lula acabou projetando uma imagem de desafiante. Não sei se o eleitor dele gostou. Com a palavra, as pesquisas. Também achei desagradável a overdose de dados desfilados por Lula. Ele poderia ter escolhido alguns números mais simbólicos a trabalhado para fixá-los na memória do eleitor. Houve certos momentos em que ele se enrolou na profusão de informações. Lula também ficou excessivamente voltado para o que já fez, enquanto Alckmin projetou-se mais para o futuro, o que sempre é bom. Quais foram os pontos altos de Lula? A agilidade e a vivacidade do petista e a exposição de debilidades da administração Alckmin em São Paulo, especialmente na educação. Resumo: Alckmin evoluiu muito em relação ao primeiro debate, enquanto Lula jogou para empatar. O presidente jabeou e dançou em torno do adversário, mas não se expôs a um nocaute. Com uma diferença de vinte pontos a uma semana da decisão, Luiz Inácio só parece estar mesmo é de olho no relógio. Mas, como um time que vai ganhando de 2 a 0 aos 40 minutos do segundo tempo, ele deve saber que não pode correr o risco de ficar só atrás defendendo.

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quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Gramsci, Marx, El Cid (19/10)

Recebi outro dia email de um diretor do DCE da USP que votou em Heloísa Helena (não estou autorizado a dizer o nome dele). Ele apontou o que considera serem problemas na maneira como me utilizo de Antonio Gramsci para analisar a realidade eleitoral do Brasil. Tenho um forte laço afetivo com o movimento estudantil. Foi a nossa escola comum e insubstituível de política e jornalismo. Vamos ao argumento. Onde estaria a falha do meu raciocínio? O missivista diz que não é possível o PT liderar um bloco histórico à esquerda se ele próprio aderiu à agenda neoliberal. Eu não acho que o PT tenha aderido ao liberalismo, estou só reproduzindo o pensamento de quem me critica. Interessante, como ponto de partida para o debate. Uma parte da resposta à dúvida/certeza do meu crítico está na entrevista que Chico de Oliveira deu ontem ao site Carta Maior. O sociólogo faz a distinção entre o objetivo e o subjetivo, entre o papel que os homens escolhem para si na História e as circunstâncias que determinam e limitam esse papel. É Karl Marx. Está, por exemplo, no prefácio da Contrubuição à Crítica da Economia Política:

(...) do mesmo modo que não podemos julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si mesmo, não podemos tampouco julgar estas épocas (...) pela sua consciência. Pelo contrário, é necessário explicar esta consciência pelas contradições da vida material (...). Por isso a humanidade se propõe sempre apenas os objetivos que pode alcançar, pois (...) esses objetivos só brotam quando já existem ou pelo menos estão em gestação as condições materiais para a rua realização.

Marx era um otimista, como todo utópico. Se deu bem melhor como analista do capitalismo do que como profeta do seu fim. Mas, sejamos justos com o pensador e revolucionário alemão: ele nunca se dispôs a desperdiçar muito tempo matutando sobre o futuro, no que fez bem. Como Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao governo em 2002? Apoiado num amplo acordo com as elites econômicas e políticas do país. O petista fez as concessões necessárias para atingir o poder -e alcançou o objetivo. Mas as condições em que chegou lá impuseram-lhe os limites dentro dos quais teve que governar. A democracia é assim: quem elege governa, ou diz como vai ser o governo. Quem rompe com essa regra básica costuma acabar mal. O que está acontecendo agora? Uma grande parcela da elite que ajudou (por ação ou omissão) a eleger Lula em 2002 está com Geraldo Alckmin. Onde Lula irá buscar os votos e a força política para tentar se manter no poder? Entre quem -como, por exemplo, o meu missivista- se descolou do PT ao longo dos últimos anos por discordar do apreço de Lula pela realpolitik. Quem pode dar a Lula mais quatro anos no Palácio do Planalto são os eleitores de Heloísa Helena. Vista historicamente, essa circunstância é uma grande vitória da senadora e de seus seguidores. Como dizem os americanos, "nada pessoal, são apenas negócios". Mas os fatos históricos não são marionetes postos a dançar pelos personagens da História. Não existe almoço grátis. De novo: quem elege é quem governa. Se Lula e o PT estão pondo nos trilhos uma composição mais à esquerda e mais nacionalista (para enfrentar uma outra, mais liberal e mais globalista), trabalham (ainda que involuntariamente) para fortalecer uma hegemonia de esquerda no próximo período. Essa coisa de o homem fazer a História bem além da consciência que tem dos seus próprios atos é muito séria [leia O darwinismo político e o suicídio da elite]. Levada ao extremo, admite até a hipótese de alguém comandar um movimento histórico mesmo depois de morto. Como o lendário Rodrigo Diaz de Vivar, El Cid (clique na imagem para ampliar o retrato do herói ibérico da luta contra a ocupação islâmica), ninguém está a salvo de ser amarrado sobre um cavalo e servir de ícone a um processo que não se sabe bem no que vai dar.

Uma observação. Dou links para a Wikipedia em inglês porque é mais completa. Mas sempre que um verbete tem versão em português você pode acessá-lo clicando no link para "português" que aparece na barra lateral esquerda da página.

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Economicismo (19/10)

De editorial da Folha de S.Paulo de hoje (Reacomodação), transcrevo o seguinte trecho:

Essa reacomodação do favoritismo do candidato do PT decerto foi incentivada por outros fatores. O factóide, disseminado pelos petistas, sobre a 'ameaça' que a eleição de Alckmin representaria à Petrobras e ao Bolsa Família parece ter sido eficaz como tática de campanha. Se não logrou ampliar o apoio a Lula, pelo menos enredou o seu adversário: há dias Alckmin vem consumindo grande parte de seu tempo desmentindo que vá privatizar a estatal e cortar recursos do programa social. Há, porém, um fator menos conjuntural nessa ampla preferência por Lula, que quase inercialmente se refaz tão logo esfria o noticiário sobre falcatruas. Mais de um ano de pesquisas eleitorais ininterruptas deixa clara a esmagadora popularidade do presidente nas camadas de renda mais diretamente beneficiadas por políticas públicas deslanchadas sob seu governo. A inflação baixa (menor ainda nos itens que mais pesam no orçamento da maioria da população), o forte reajuste do salário mínimo, o Bolsa Família e outros programas de transferência de recursos parcial ou totalmente subsidiados beneficiam dezenas de milhões de brasileiros pobres ou próximos da pobreza. A opção dessa massa de eleitores por Lula, portanto, é racional -bem como o são os seus movimentos de hesitação, associados a desmandos gravíssimos sob a esfera do petismo governista. É uma pena, no entanto, que nem a campanha de Lula nem a de Alckmin estejam contribuindo para esclarecer o eleitor acerca dos limites desse modelo que melhora o padrão de vida dos mais pobres à custa do gasto público e da competitividade da economia -prejudicada pelos juros astronômicos e pelo câmbio muito valorizado. Ou o Brasil cresce e passa a fazer a inclusão social pelo mercado de trabalho ou os ganhos sociais obtidos nos últimos anos serão corroídos.

O editorial junta fatos reais para chegar a uma construção duvidosa. É verdade que as políticas públicas dirigidas aos mais pobres (e aos nem tanto) são o gás que mantém cheio o colchão de votos de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não é fato que essas políticas expliquem a movimentação pró-Lula detectada pelo Datafolha. Um trecho do relatório da última pesquisa do instituto:

Entre os eleitores com renda entre dois e cinco salários mínimos ocorreu uma das variações mais significativas. A primeira pesquisa do segundo turno, realizada nos dias 5 e 6 de outubro, mostrava Alckmin com 49% e Lula com 45% das intenções de voto nesse segmento. Na pesquisa seguinte (10 de outubro), o petista oscilou para 47% e o peessedebista passou para 45%. O levantamento concluído hoje mostra que o candidato à reeleição ganhou mais oito pontos nesse estrato, chegando a 55%, superando por 14 pontos o candidato tucano, que caiu para 41% das preferências. Algo semelhante ocorreu na faixa que vai de cinco a dez salários mínimos. Na pesquisa dos dias 5 e 6 Alckmin tinha dez pontos à frente de Lula (51% a 41%). No levantamento seguinte, essa vantagem se reduziu para um empate técnico (48% a 45%), que persiste, mas, agora, com o petista à frente, com 49% das intenções de voto, contra os 45% obtidos pelo peessedebista. Alckmin continua liderando com folga entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos, mas a vantagem em relação a seu adversário vem diminuindo: ela era de 45 pontos percentuais no primeiro levantamento do segundo turno (69% a 24%) e caiu para 31 pontos na pesquisa seguinte (62% a 31%). Hoje a vantagem do tucano é de 18 pontos no segmento dos eleitores com maior renda, já que ele perdeu seis pontos (tem 56% das intenções de voto) enquanto seu adversário ganhou sete (chegou a 38%).

Leiam o relatório completo do Datafolha. A recuperação de Lula se dá principalmente nas camadas médias do Sul-Sudeste. Que não são atingidas diretamente pelos programas sociais do governo federal. É como naquelas questões de asserção-razão dos vestibulares de antigamente: certo, mas não justifica. A Folha acerta quando valoriza as realizações do governo direcionadas aos mais pobres. Mas erra ao buscar aí as razões para o resultado da sua última pesquisa. Será que as causas não estão no que o jornal chama de "factóide"? Eu penso que há uma batalha político-ideológica em curso neste segundo turno, deflagrada por Lula e o PT. Na polarização esquerda-direita, uma parte das camadas médias ponderou os prós e contras e decidiu voltar a Lula, apesar dos pesares. A realidade vista pelas lentes do economicismo leva ao engano. Que freqüentemente é verossímil -daí a sua periculosidade. Ao contrário do que supõe o marxismo vulgar, a política tem, sim, um certo grau de autonomia em relação à economia.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2006

A foto de Dukakis no tanque em 1988 (19/10)

Na eleição presidencial americana de 1988, o democrata Michael Dukakis era alvo de uma intensa campanha negativa dos republicanos por, supostamente, ser suave demais em assuntos de Defesa. Aí alguém teve a idéia de fazer uma operação de relações públicas com Dukakis encarapitado num tanque de guerra (clique na foto para ampliar). Deu errado. Entrou para a história das gafes do marketing político. Clique para ler na Wikipedia.

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Chico de Oliveira declara voto em Lula (18/10)

Neste post, trechos de entrevista do sociólogo Francisco de Oliveira (PSOL) ao site Carta Maior. Mesmo sendo um ácido crítico do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz que vai votar no petista neste segundo turno.

Carta Maior – O que está em jogo nestas eleições?
Chico Oliveira – Há duas coisas em disputa. Há uma corrida feroz em direção aos fundos que o Estado ainda controla, como os recursos do BNDES e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O BNDES é o maior banco de investimentos do mundo e deixa bem para trás o Banco Mundial. O Estado orienta os fundos de pensão. E há disputa pelos benefícios gerados a partir da dívida pública, que beneficiam cerca de 20 mil famílias, segundo pesquisa do professor Márcio Pochmann, da Unicamp. Essas 20 mil famílias lucram com a dívida pública, mas não a gerem. Que gere é o Estado. A diferença maior entre as orientações de Lula e de Alckmin, em termos amplos, é que o segundo promoveria uma privatização acelerada do que resta de ativos em mãos do estado. Lembremo-nos que, segundo os levantamentos de Aloysio Biondi, em dez anos, entre os governos Collor e FHC, privatizou-se cerca de 15% do PIB.

CM – Mas não há uma continuidade do projeto do governo FHC na gestão Lula? Qual a disputa real?
CO – A continuidade faz parte da disputa pela hegemonia na sociedade. Se nos lembrarmos da lição gramsciana, hegemonia é 80% consenso e 20% violência. Há um projeto em andamento na sociedade, que atrai os setores do topo e os setores miseráveis e o povão. Se Lula tem esse projeto político na cabeça, trata-se de um gênio político. Eu acho que ele não tem, pois age muito mais por intuição do que por planos pré-definidos. Ele atua levando as práticas do movimento sindical para uma esfera maior. Como se trata de disputa de hegemonia e não de uma revolução, é natural que ele não queira acirrar os ânimos em muitas situações de conflito. Ambos – PT e PSDB - têm projetos capitalistas, mas diferentes em sua forma.

(...)

CM – Com tudo isso, por que considerar a possibilidade de se votar em Lula no segundo turno?
CO – Acho que a reeleição é uma nova eleição. Os espaços que tínhamos em 2002, de outra forma, voltam a se apresentar, como a questão das privatizações. Esse era um tema proibido durante o governo Lula e ainda mais na era de FHC. Os que dissentiram foram marginalizados. Por que esse tema volta agora a ser central? Por que se abre uma nova disputa. Por isso, eu considero a possibilidade de se votar em Lula. Várias forças que atuaram dentro do PT voltam a ter chance de disputar esse governo. Estou disposto a voltar a correr esse risco, embora o governo não me agrade, seja capitalista e poderia ter avançado muito mais.

(...)

CM – Que mudanças o sr. espera de um futuro governo Lula?
CO - Se depender apenas das forças que apóiam Lula e da dinâmica que ele ganhou em quatro anos, não haverá mudança. Dependerá de nós, de um impulso vindo de fora. Há uma crença arraigada no Brasil de que é nos manches do estado que as coisas se solucionam. Em parte é verdade. Mas para se realizarem mudanças reais é necessário ativar a sociedade civil. Temos de incentivar muita coisa para influir. Não gosto muito de usar a expressão “movimentos sociais”, porque, fora o MST, não sei onde eles estão. Temos literalmente de encher o saco de um segundo mandato de Lula. (...) Mas eu não quero colocar condicionalidades para a votar em Lula, porque ele não vai ligar para isso. Precisamos é de uma pauta para orientar nossa ação.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.


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3 para 2 também na Câmara (18/10)

Saiu a composição final das bancadas na Câmara dos Deputados. Entraram um deputado do PSDB e um do PPS e saíram um do PP e um do PTC. Clique aqui para ver os números. Faça você mesmo as contas. A proporção entre as bancadas de Lula e de Alckmin também é de 3 para 2, mais ou menos. Interessante.

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"Programas flexíveis e rasos em busca de um eleitor"

O título acima é de um texto de opinião no Valor Econômico. Vale a pena ler. Transcrevo a conclusão:

Para além do pouco que está escrito, e ainda assim é muito genérico, o discurso do candidato Alckmin consegue ser mais obscuro. O tucano desautorizou Nakano, quando ele defendeu a zeragem do déficit nominal; não admitiu em nenhum momento uma nova reforma da Previdência; devolveu apenas com uma negativa a afirmação de que faria novas privatizações, quando este programa foi, de fato, o centro dos governos Covas e dele próprio em São Paulo, e de FHC na Presidência da República. Lula, por sua vez, tem admitido verbalmente até uma reforma da Previdência, mas "pactuada" e não diz como vai ajustar os gastos à arrecadação para abrir espaços para investimentos. Os dois candidatos amarraram tanto os seus programas, em busca do eleitor, que suas propostas podem ser assim resumidas: os juros caem sabe-se lá por obra de quem, o governo paga menos juros e o Brasil, por milagre, cresce. Essa é uma simplificação grosseira dos impasses que impedem há muito o crescimento do país.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

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Datafolha: Lula toma eleitores de Alckmin (18/10)

Clique na tabela (retirada do relatório do Datafolha presidencial de ontem) para ampliar e abrir numa janela separada. Repare nos círculos vermelhos. Além de já ter o apoio da maioria dos eleitores de Heloísa Helena e Cristovam Buarque, Lula toma quase um em cada dez eleitores que Alckmin teve no primeiro turno. É o dobro do que o tucano consegue tomar de eleitores de votaram no petista há três domingos.

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terça-feira, 17 de outubro de 2006

3 para 2 (17/10)

Datafolha hoje: Lula 57%, Alckmin 38%. Nos votos válidos: Lula 60%, Alckmin 40%. Você vai desculpar meu cabotinismo [Houaiss: Cabotino - (...) indivíduo presunçoso, vaidoso, que (...) alardeia as qualidades que pretensa ou realmente possui], mas vou aqui recordar um trecho de Mitologia e autopiedade, de quatro dias atrás:

O eleitorado parece que vai se reacomodando entre os candidatos numa proporção próxima de 3 para 2. Ou um pouco menos. Porque Lula tem resiliência. Como aquelas bolinhas de borracha que você deforma e elas sempre voltam ao formato original. E qual é a origem da resiliência de Lula? É que a candidatura dele está apoiada num bloco político-social majoritário na sociedade brasileira.

3 para 2 é o número. 60% a 40%. Clique aqui para ler Mitologia e autopiedade. E Muito barulho por (quase) nada, de setembro. O que está acontecendo neste segundo turno? Luiz Inácio Lula da Silva está reagrupando o bloco histórico que lhe dá sustentação. Bloco alicerçado em dois pilares: o social e o regional. Geraldo Alckmin está no momento ilhado nos cerca de 40% de votos válidos que recebeu no primeiro turno. Por que? Porque os eleitores progressistas ou de esquerda que optaram por Heloísa Helena e Cristovam Buarque no primeiro turno não têm, na sua maioria, identidade com o candidato do PSDB e do PFL. E no eleitorado da senadora e do senador o voto dito ideológico pesa muito. Pois em nenhum dos dois casos o eleitor tinha qualquer esperança de eleger o candidato. Esquerda, direita, progressista, bloco histórico, divisões sociais, divisões regionais. As categorias da ciência social ajudam a compreender a realidade, mesmo nesta era da marquetagem.

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O barulho da primeira bala e o gato com o rabo de fora (17/10)

Este é um post escrito em escala de viagem. Por isso atrasado. Hoje tem pesquisa Datafolha. Dêem os seus palpites. Ontem Luiz Inácio Lula da Silva esteve no Roda Viva, da TV Cultura. Meu palpite é que o presidente foi bem. Como vem acontecendo desde a primeira entrevista da campanha, para William Bonner e Fátima Bernardes no Jornal Nacional. Foi, claro, metralhado sobre o dossiê antitucano [a campanha de Geraldo Alckmin insiste em dizer na TV que o dossiê era contra ele, Alckmin, o que me parece uma modalidade canhestra de vitimização; tomem aulas de vitimização com o PT e Lula, que são bons nisso]. Mais importante do que as respostas foi como Lula respondeu. Aparentou sinceridade, tranqüilidade e indignação com as irregularidades [digo “aparentou” porque há poucas coisas mais inúteis do que discutir se um político está sendo mesmo sincero; se você tem tempo para desperdiçar com polêmicas assim, faça bom proveito]. Tudo bem que a indignação foi, principalmente, com os prejuízos que o episódio do dossiê causou à campanha dele, Lula. A eleição do dia 29 não é para escolher um santo. Não é canonização. É para eleger o presidente do Brasil. Debates e entrevistas de candidatos são a versão atual do circo romano. Nos debates os gladiadores lutam entre si. Nas entrevistas são atirados aos leões. No Roda Viva foi assim. Todas as perguntas que precisavam ser feitas a Lula foram feitas. E ele soube responder, pelo menos para o meu gosto. No conteúdo e na forma. O telespectador presta atenção no que o candidato diz? Sim. Mas presta atenção também (e principalmente) em como o candidato se comporta nas situações desfavoráveis. Nunca, nunca se esqueçam do circo romano. E vamos em frente. Além do dossiê, outro assunto inevitável seriam as privatizações. Nesse ponto Lula não se saiu tão bem, talvez por ter que duelar a partir de uma posição ideológica. Políticos candidatos a cargos majoritários e que adotam viés ideológico sempre provocam algum desconforto no eleitor médio. Duvido que Lula acredite mesmo que todas as privatizações foram ruins. Se acredita, deveria propor a reestatização das empresas. Essa polêmica sobre as privatizações embute uma boa dose de hipocrisia. Um anônimo, aparentemente muito culto, comentou outro dia aqui, em francês [matéria de que fiquei de segunda época no ginásio; se não entendi direito, corrija-me], que a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude. Nesse sentido, eu leio a hipocrisia no debate sobre as privatizações como uma homenagem que a ideologia presta à realidade. Homenagem merecida. Mas, como é que o presidente-candidato do Partido dos Trabalhadores poderia -Santo Deus!- adotar publicamente uma posição razoável sobre as privatizações, se até os políticos mais identificados com a bandeira capitularam, ao primeiro tiro? Se até os liberais extremados caíram, ao barulho da primeira bala? Alckmin diz que os doze anos dele e de Mário Covas no Palácio dos Bandeirantes foram muito bons para São Paulo. E que o amplo programa de privatizações foi um dos eixos estruturantes [êta palavreado petista] desse sucesso. Então, por que não aplicar no Brasil inteiro o que deu certo em São Paulo? Por que não continuar fazendo em escala nacional o que já se mostrou acertado no plano estadual? O PT promove uma dura campanha negativa sobre a suposta ameaça de privatização de empresas como a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Por que está colando, mesmo que parcialmente? Porque um candidato do PSDB-PFL vir a público dizer que não vai privatizar nada é como um gato que se escondeu e deixou o rabo de fora. Só haveria uma maneira de vacinar o tucano contra a campanha negativa do petismo: deveriam ter apresentado ao país um programa de privatizações, no qual estivesse claro o que seria e o que não seria vendido pela União. Eu acho razoável, por exemplo, estradas potencialmente lucrativas (sim, pedágios) serem repassadas à iniciativa privada. E os impostos recolhidos a partir da receita desses empreendimentos poderiam ser reinvestidos pelo setor público em estradas menos lucrativas. Ou em programas sociais. Ou em outra coisa qualquer. Não é um bom debate? O mesmo raciocínio aplicado às privatizações de Alckmin vale para os cortes de gastos públicos. Enquanto o tucano não disser de onde vai cortar entre 3% e 4% do PIB para zerar o déficit nominal toda especulação sobre corte nos investimentos sociais é legítima. Yoshiaki Nakano cometeu a ingenuidade de pegar esse touro a unha e, pelo visto, fizeram-no dar no pé. Pelo menos até a eleição. Ou escondam o rabo do gato ou mostrem o bichano, senhores! Mas esse tema já foi debatido aqui à exaustão. Nesta altura do campeonato, já é quase história. Tucanos e pefelistas acreditaram que poderiam ganhar as eleições sem dizer ao país como seria o governo deles. Apostaram numa comoção nacional que supostamente varreria o PT e a esquerda do mapa, dando à atual oposição carta branca para governar. Lula talvez tenha feito uma aposta semelhante quando adotou a atitude olímpica do primeiro turno. Como sabemos hoje, estavam ambos errados. O eleitor empurrou a decisão para mais adiante e deu espaço a que emergissem os projetos de país. Nesse novo debate, até agora é o PT que está em vantagem. Por uma razão simples: o ambiente ideológico (antiliberal) construído pelos adversários permite ao PT unir a convicção e a conveniência, dois poderosos elementos constitutivos da força mental, na política e na vida. É o melhor dos mundos para a esquerda. Significa que Alckmin já tenha perdido a eleição? Não. Sempre pode surgir algum “bin laden” petista portando uma grande idéia. Mas que o terreno da batalha político-ideológica na reta final está favorável a Lula, isso está.

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segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Palestinos favoráveis à paz e um serviço bacana do Google (16/10)

Voltou a crescer a proporção de palestinos que dizem estar a favor de um acordo de paz com Israel. O texto sobre a pesquisa pode ser acessado clicando aqui. A imagem (clique nela para ampliar numa página à parte) foi produzida a partir de planilha do novo serviço online de documentos e planilhas do Google, que é grátis.

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O nordeste, espalhado (16/10)

Ainda sobre o assunto tratado no post anterior, vale a pena recordar a importante reportagem de Fernando Canzian [não vai ganhar prêmio nenhum de jornalismo, mas é um dos mais relevantes trabalhos jornalísticos do ano], enviado meses atrás ao nordeste do Brasil pela Folha de S.Paulo, para relatar os efeitos das políticas governamentais voltadas para os mais pobres. Saiu em 11 de junho de 2006. O lide:

O "crescimento chinês" na renda da parcela mais miserável da população brasileira vem provocando um novo dinamismo econômico nas regiões mais pobres do Brasil. Entre 2001 e 2004, os 10% mais miseráveis do país viram sua renda subir 23,3%. Os 20% mais pobres, cerca de 15%. A tendência, embora com menos força, persistiu ao longo de 2005 e neste ano eleitoral.

Clique aqui para ler a reportagem completa ("Renda chinesa" aquece a economia e ameaça contas)

Lula vai bem no nordeste. Mas vai bem também nos "nordestes" que rodeiam os principais núcleos urbanos. O pequeno varejo dos grandes centros é o termômetro mais sensível à variação da renda dos mais pobres. E o Brasil tem muitos nordestes. Ainda que eles pareçam invisíveis de vez em quando.

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