sábado, 30 de setembro de 2006

Corrosão (30/09)

De volta para casa. De volta para o notebook. Pela primeira vez, o Ibope e o Datafolha indicam corrosão no eleitorado próprio de Luiz Inácio Lula da Silva. Sai do patamar dos 50% e vai para o patamar dos 45%. Geraldo Alckmin sobe dois pontos em cada um dos dois levantamentos. Tecnicamente, o que há nos dois casos são oscilações dentro da margem de erro (clique nos gráficos para ampliar), mas é altamente improvável que ambos os institutos apresentem oscilações semelhantes dos candidatos e estejam os dois errados. De todo modo, o resultado das pesquisas de hoje deixa Datafolha e Ibope numa posição confortável: seja qual for o resultado de amanhã (vitória de Lula ou segundo turno), os dois têm boas chances de terem acertado em seus últimos números. Um dado importante do Datafolha é a distância de apenas cinco pontos entre Lula e Alckmin no segundo turno. Hoje de manhã, conversava com um amigo no telefone e lembrava de uma frase que ouvi de um dos maiores publicitários brasileiros (não digo quem é, pois não lhe pedi licença para contar a história), isso nos tempos heróicos da Internet. Ele dizia que a partir de um certo investimento em mídia não há como deixar de criar uma marca forte. Massa crítica. Tecnicamente, faz sentido. Por paralelismo, eu poderia dizer que a partir de um certo volume não há como a propaganda negativa deixar de fazer algum efeito. O interessante é o volume de propaganda negativa que foi necessário para começar a corroer a base eleitoral de Lula. Bem, amanhã saberemos o que aconteceu, se essa corrosão foi suficiente para proporcionar ao eleitor mais uma oportunidade de ir às urnas no fim de outubro. Se tivesse que comparar com o aproveitamento escolar, eu diria que o PT fez de tudo para ficar de recuperação. Não era fácil, mas ele fez de tudo. Bons votos para vocês. E quero agradecer a cada um que viajou comigo neste blog ao longo dos últimos meses. Agüentando minhas ausências, minhas certezas teimosas, minhas relutâncias e minhas convicções. Procurei tratar a todos (e a todas as modalidades de pensamento) com respeito. Não sei se consegui 100%. Mas eu tentei. Até amanhã.

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Jogo feito (30/09)

O ministro Tarso Genro e o coordenador da campanha petista, Marco Aurélio Garcia, protestaram hoje contra supostas ilegalidades no vazamento, ontem, das fotos do dinheiro do dossiê. Protestaram também contra o tratamento que a imprensa deu ao caso. Fica aqui para registro. Em condições normais de temperatura e pressão, seus protestos teriam mais impacto. O problema para o PT é que a encrenca toda nasceu de uma ação tramada por pessoas do partido. Quem deu o pretexto para que a reta final do primeiro turno se transformasse no que aí está foi o PT. Ou pelo menos, vamos lá, gente do PT. Jogo feito.

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Conheça as propostas dos candidatos à Presidência para dez áreas (30/09)

A Radiobrás pediu aos candidatos textos sobre meio ambiente, cidadania, corrupção, cultura, economia, educação, política externa, saúde, segurança pública e terra. Textos de 15 linhas cada. Clique aqui para ler.

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Eu já vi este filme e não vou atravessar o Rubicão (30/09)

Ninguém me tira da cabeça que o impeachment de Fernando Collor começou a caminhar no dia (noite) em que ele colocou na tevê Miriam Cordeiro, ex-namorada de Luiz Inácio Lula da Silva, nos últimos momentos da campanha de 1989. É só uma convicção minha, claro, sem qualquer base factual ou racional. Não importa. A razão não é tudo. Raciocinar não é a atividade suprema do homem. Quem acha o contrário se arrisca a conferir ao ser humano uma dimensão divina que ele não tem. O "penso, logo existo" tem seus limites. O livre arbítrio não faz do homem um deus. Na política, por exemplo, é sempre útil consultar os sentimentos e as sensações. Se algo te embrulha o estômago, coisa boa não há de sair dali. Tenho repulsa à violência em campanhas políticas. Melhor não fazer, mesmo se for para perder. Até porque o bumerangue sempre volta, como 2 e 2 são 4. Outro dia, li num jornal que todos os políticos algozes de Collor no impeachment viveram, ou estão vivendo, o seu próprio inferno particular. E Collor está a caminho de uma cadeira no mesmo Senado que o retirou definitivamente da Presidência. Subir uma escada feita de cadáveres para alcancar um ponto alto, para ter sucesso numa "boa causa" pode ser eficaz, só que dá azar (êta superstição). Eu já vi o filme mais de uma vez, e o final é invariavelmente o mesmo, apenas com pequenos ajustes. Mas tem gente que se comporta como o maluco do cinema, que volta sempre para assistir à fita, na esperança louca de ver se ela acaba de um jeito diferente. Desafio você a me dizer um -e só um- nome de político (no sentido amplo da palavra) que tenha terminado bem depois de construir sua trajetória com base na violência, em ataques à honra de adversários, em denúncias, em tramas subterrâneas, em desonestidades, trapaças e mentiras. Na manipulação grosseira de informações. No abuso do poder. Na supressão do direito de defesa do outro. Não vale dizer o nome de gente que está na ativa, pessoas cuja história ainda não terminou. Essa conversa toda é para dizer: a pior campanha presidencial das últimas duas décadas não vai dar em coisa boa. Já tratei aqui outro dia da divisão do país. Mas tratei da maneira "suíça e limpinha" (nas palavras de um leitor) que de vez em quando irrita alguns de vocês, que me dão a honra de freqüentar o blog. Paciência. Meu exercício diário é (tentar) fugir dos juízos de valor. Como Julia Roberts em Runaway Bride (Noiva em Fuga). É meio patético, mas fazer o quê? Toda utopia transforma quem a persegue num sujeito patético, em algum grau. Eu aqui procuro seguir a máxima daquela padaria, em que as pessoas viviam pedindo para comprar fiado. Até que o dono se encheu e colocou a placa: "Venderemos fiado no dia em que o banco começar a fazer pão". Meu ramo é o dos fatos e argumentos. É a minha utopia particular. Fatos, argumentos e relações lógicas. Construções que sobrevivam ao tempo. Coisas de que eu não precise me envergonhar depois. Idéias que se lidas mais à frente tenham algo a acrescentar sobre o que se passou. Hoje, reli os posts deste último mês. Percebi que a temperatura aqui está baixa, enquanto lá fora o dia ferve. Paciência. O ar condicionado vai continuar ligado. Este Rubicão eu não vou atravessar.

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sexta-feira, 29 de setembro de 2006

É o que o PT faria (29/09)

O dinheiro do dossiê apareceu. Petistas protestam contra o vazamento na véspera da eleição. Azar. Eleição é assim mesmo: quem pode mais chora menos. O fato novo vai levar o pleito ao segundo turno? Ninguém precisa ficar ansioso por causa disso: saberemos domingo à noite, e as apostas já estão encerradas (pelo menos neste blog). Claro que você pode dar o seu palpite, mas de graça (calma TSE, isso é uma piada). Meu palpite é que o eleitor de Lula nesta altura do campeonato dificilmente vai mudar de voto. Mas eu posso estar errado, é claro. Certeza mesmo, só tenho uma: vazar as fotos para a imprensa é exatamente o que o PT faria se estivesse na situação em que hoje está o PSDB. E um detalhe: as fotos só existem porque alguém tentou comprar um dossiê. Simples assim. Não dá para se comportar como o sujeito que mata os pais e depois pede clemência ao juiz por ser órfão.

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O PSTU critica a "infantilização" eleitoral (29/09)

Cansado de só pensar em marquetagem? Cheio de ficar, dia após dia, esperando a próxima pesquisa eleitoral para saber se, afinal, haverá ou não segundo turno? Cansado de ver os candidatos repetindo frases feitas, pescadas em focus groups, as "qualis"? Irritado com a polêmica sobre se Lula fez bem ou mal de não ter ido ao debate da TV Globo? Enlouquecido porque a política foi substituída pela administração? Os seus problemas acabaram. Você não está sozinho. Recebi um email do velho companheiro de lutas Valério Arcary, do PSTU. A diferença (na maior parte das vezes radical) de pontos de vista não impediu que ao longo desses últimos trinta anos mantivéssemos o respeito mútuo. Ele me manda artigo que acaba de publicar, e do qual transcrevo um trecho:

Não são somente os ladrões e os banqueiros que deveriam temer a candidatura da Frente de Esquerda. É verdade que não precisamos de inimigos imaginários, porque já estamos bem servidos. Nunca existiu, no entanto, um capitalismo sem corrupção. A desigualdade social é inseparável da opressão política. O projeto da revolução brasileira é a ruptura com o imperialismo, o direito e o dever do trabalho para todos, o aumento dos salários e a anulação das privatizações, o acesso universal à educação, saúde e previdência pública de qualidade, a conquista da reforma agrária, etc... Nossos inimigos de classe não são nem tolos, nem distraídos. Não temos por que esconder nossa identidade. Não deveríamos ser cúmplices da infantilização do debate eleitoral. A esmagadora maioria do povo só poderia ser beneficiada pelo projeto socialista. Nenhum militante desconhece, também, que os socialistas não são tolerantes com a duplicidade. Não disfarçamos nossas intenções. Nosso programa pode se desdobrar em diferentes plataformas táticas, dependendo das conjunturas, mas tem uma coerência indivisível. Nas eleições e depois defendemos nosso programa como uma alternativa de poder.

Nestas eleições o PSTU está com Heloísa Helena. A crítica do PSTU a algumas posições da candidata não significa que o PSTU tenha "amolecido" na campanha. Eles estão firmes com a senadora. Trecho de um boletim do PSTU:

Nas eleições de 1º de outubro, vamos ter uma luta muito particular. Não, não estamos falando de Lula x Alckmin. Estamos falando de outra que, apesar de não estar no centro da cobertura da grande imprensa, tem uma importância bem maior. Trata-se de saber em que medida os trabalhadores deste país vão expressar o surgimento do novo, de uma alternativa perante as duas opções burguesas, Lula e Alckmin. O voto em Heloísa Helena é a expressão do novo nestas eleições.

Você pode até se horrorizar com o que está escrito no texto de Arcary. Mas pelo menos é diferente de tudo o que está aí.

Blog é assim mesmo: de vez em quando, você tem uma surpresa.

Clique aqui para ler o texto de Arcary na íntegra.

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De onde tirar 5% do PIB? (29/09)

Sugiro um monumento aos assuntos importantes que até agora não foram sequer tangenciados na eleição presidencial. Seria uma espécie de "túmulo do soldado desconhecido" para esses temas. Transcrevo trecho de reportagem da Agência Estado, assinada por Nilson Brandão Junior:

Taxa de investimentos no Brasil é metade da registrada na China

Na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o País crescer de forma sustentada em 5% ao ano, a taxa brasileira precisa chegar a 25%

RIO - A taxa de investimentos na China ficou, na média, em 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos, o dobro da registrada pelo Brasil nos últimos doze meses encerrados no primeiro semestre deste ano (20,1%). Na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o País crescer de forma sustentada em 5% ao ano, a taxa brasileira precisa chegar a 25%, o que exigirá o aumento da parcela dos investimentos nos gastos públicos e redução do peso das despesas correntes, prega o instituto.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

Bingo! Finalmente! Alguém disse o que tinha que ser dito! Precisamos poupar 5% do PIB a mais para a economia crescer esses mesmo 5% ao ano. A pergunta da qual os candidatos fogem como o diabo o faz da cruz é "de onde o senhor vai tirar esses 5% do PIB?". Vai cortar onde? Quanto isso significa de corte em cada item específico do orçamento? Ou vai aumentar os impostos? Quanto? Para quem?

Mas, por que enveredar pelo que é incômodo, se a alternativa mais confortável -a mistificação- tem tanta receptividade? Para que correr riscos desnecessários?

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Debates (29/09)

Debates eleitorais são duelos. Disputas por liderança. Falar mal de seu oponente tem algum efeito, mas relativo. Ninguém espera que um candidato fale bem de outro que luta pela mesma cadeira, não é? De quatro em quatro anos, procuro assistir aos debates presidenciais nos Estados Unidos. Eles são formatados de um jeito que faz a coisa parecer luta de gladiadores. É a disputa pela liderança da tribo. Ou da alcatéia. Se não leu, dê um jeito de ler Chamado Selvagem (na imagem, uma capa do livro), de Jack London. Liderança é coisa a ser conquistada com bravura, honra e preocupação com o interesse coletivo. Líderes não expressam mágoa, raiva, ressentimento, inveja. Líderes não desprezam nem desmerecem o adversário. Líderes não arranham o adversário. Se necessário, matam-no (no caso de eleições, o sentido é figurado, é claro). Mas matam homenageando-o, pois elevar o vencido só amplifica o feito do vencedor. Como na antropofagia indígena. Eu não consegui assistir ao debate de ontem na TV Globo, por um compromisso assumido anteriormente. Mas não poderia deixar de escrever sobre debates, não é?

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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

"Love Lula if you're poor, worry if you're not" (28/09)

"Se você é pobre, ame Lula; se não é, preocupe-se" é o título da reportagem de capa da The Economist sobre a eleição brasileira. Clique aqui para ler.

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Augusto e Fernando cuidam de nós (28/09)

Um poeta adequado a nossos dias é Augusto dos Anjos.
Os versos clássicos de Versos Íntimos:

"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"

Uns posts atrás escrevi sobre desilusão. Mais alguns atrás, sobre Balzac, o das Ilusões Perdidas. Mais atrás ainda, sobre Gonçalves Dias. Em tempos nos quais muitas quimeras são guilhotinadas, a luz de Augusto dos Anjos brilha intensamente. Tudo se encaixa. E você? Quais são as suas últimas quimeras que caminham para o artefato celebrizado por Monsieur Joseph-Ignace Guillotin? A tradicional cordialidade brasileira? O PT? O PSDB? A possível amizade entre o PT e o PSDB? A imprensa? A ética na política? A alternância no poder? O equilíbrio fiscal? Alguma outra? Não se desespere, porém. Morram quantas quimeras tiverem que morrer, novas sempre surgirão do nosso útero salvacionista. Conforta-nos Fernando Pessoa:

"(...) Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura
É Esse que regressarei."


Daqui a pouco estaremos de regresso. Vêm aí o "pacto social", o financiamento público das campanhas, o voto em lista, a reforma tributária. Quimeras à vontade. Calma. Muita calma nessa hora. Até porque, ao contrário da lenda, Guillotin nem inventou a guilhotina nem morreu nela. E se você achou que eu viajei na maionese, leia de novo. E de novo. Se tiver tempo para gastar à toa.

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Não tentem me intrigar com FHC (28/09)

Vou recorrer ao estilo (ainda que sem o talento) do Jorge Bastos Moreno para um aviso aos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva que vivem me mandando emails com reclamações sobre os elogios que faço ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Curto e grosso: não queiram me intrigar com FHC. E acho que se os eleitores de Lula raciocinassem uns trinta segundos iriam em procissão até a porta do tucano para agradecer. O quê? FHC foi o principal responsável por José Serra ter desistido de enfrentar Geraldo Alckmin dentro do PSDB pela legenda presidencial. FHC sempre achou que Lula seria um candidato muito difícil de ser batido, e que Serra deveria portanto defender o bastião paulista do PSDB. Para "refundar" a legenda (quem diria? Tarso Genro e FHC juntos nessa!) e construir uma alternativa potencialmente vitoriosa para 2010. Agora, vamos raciocinar juntos. Se FHC achasse mesmo o governo Lula o desastre que ele diz que acha, se considerasse o governo Lula uma ameaça real ao país, nem que fosse por patriotismo ele diria ao Serra: vai lá e cumpre o teu dever. Lula estaria hoje às portas de um segundo turno, com grandes chances de derrota. Esse FHC, sempre ajudando o Lula...

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Meu ódio será sua herança (28/09)

Calma, pessoal. Essa é só a versão nacional do título de um faroeste de 1969, do diretor Sam Peckinpah. Em inglês, é The Wild Bunch, algo como "bando selvagem". Bem Peckinpah. Mas o título brasileiro também é um pouco Peckinpah, vocês não acham? Na imagem, um cartaz do filme de quase quarenta anos atrás (clique para ampliar). Transcrevo o que está escrito nele, em inglês mesmo, pois sempre se perde algo na tradução. Unchanged men in a changing land. Out of step, out of place and desperately out of time. É curtinho, você mesmo traduz. É como possivelmente vão se sentir os derrotados nesta eleição presidencial, deslocados no tempo e no espaço, moradores num país que não é seu. Um país dividido ao meio será nossa herança. Haverá, claro, um debate sobre quem dividiu o país. Se foi o PT ao apoiar-se nos pobres, ou o PSDB ao apoiar-se nos ricos e na classe média. Será um debate inútil para efeitos práticos, mesmo sabendo que haverá sempre alguém disposto a freqüentar páginas de jornal falando em "pacto", "conciliação" e "entendimento". Sorte que há também sempre um peixe esperando pelo jornal do dia anterior [o único problema é a Vigilância Sanitária]. Ainda que hoje em dia as coisas fiquem arquivadas na Internet e acabem, de um jeito ou de outro, virando domínio público. Qual é o problema de sermos um país dividido? Em princípio, nenhum. Os Estados Unidos são um país rachado ao meio há muito tempo. Entre democratas e republicanos. Entre liberais (o que lá é sinônimo de esquerda) e conservadores. Entre aristocratas da Costa Leste e broncos do interior. Mas eles têm uma vantagem sobre nós. Têm um projeto nacional muito claro: mandar no resto do mundo. Podem divergir em como fazê-lo, mas o projeto é um só. Daí por que eles brigam entre si por quase tudo, mas se juntam quando o projeto está em jogo. Nós não temos algo assim em que nos apoiar. É por isso que o ódio, a mágoa e o ressentimento serão para muitos e muitos a única herança desta eleição. O establishment não vai aceitar uma eventual vitória do PT. Esqueçam. Nem preciso me alongar muito sobre isso. E uma eventual vitória do PSDB entrará na mitologia da esquerda como uma violência política, como um "golpe eleitoral" articulado pela imprensa e pelos detentores do poder de facto. Sobre a imprensa, aliás, você conhece bem a minha opinião. Ela tem todo o direito de influenciar a eleição. Imprensa "neutra" ou "isenta" é apenas uma construção ideológica de viés totalizante. Autoritária, como toda construção totalizante. Democrático é a imprensa ter lado e deixar isso nítido, da maneira que bem entender. Se o sujeito não estiver satisfeito, que deixe de beber daquela fonte de informação. O problema é que a maioria do país acreditou durante duas décadas nessa construção "isentista". São as vítimas do marketing. Agora, vêm a desilusão. Êta palavrinha boa. É antônimo de encantamento. Nesse dilúvio de emoções, sentimentos e (des) encantamentos, a aritmética é a minha bóia. Eu gosto mesmo é de ver as coisas resolvidas no voto. E o que for resolvido, para mim estará ok, ainda que eu tenha minhas preferências (é claro). Mas, como dizem meus amigos, eu devo ser mesmo um centrista, sempre procurando um caminho de composição de interesses, de busca de pontos comuns. Graças a Deus para os jornalistas (seres que se alimentam de notícias e que em boa parte são descrentes, agnósticos ou ateus -o que não deixa de ser uma forma de ingratidão), esse meu ponto de vista não tem hoje em dia nenhuma importância. Não tem hoje em dia nenhuma representatividade. Sorte a minha, que posso passear por aí de alma leve, sem me sentir responsável por nada. Saboreando a doce irresponsabilidade de ter tentado e, felizmente, fracassado. Existe algo melhor do que as suas idéias não poderem ser julgadas à luz dos resultados práticos que (não) produziram?

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Recorde batido (28/09)

Batemos ontem o recorde diário (seta vermelha da direita no alto da curva) de visitas ao Blog do Alon. Veja no gráfico (clique nele para ampliar), elaborado com o Statscounter.com. A marca anterior, vocês sabem, era de 14 de fevereiro (seta vermelha da esquerda), quando este blog acabou chamado e linkado pelo UOL (Blog do Fernando Rodrigues), pela Folha Online (Blog do Josias de Souza) e pelo Blog do Noblat, no furo sobre a pesquisa Sensus que detectou a ultrapassagem de Luiz Inácio Lula da Silva sobre José Serra na corrida presidencial. Foi uma caminhada de mais de sete meses para que conseguíssemos, agora com as nossas próprias pernas (e uma ajudinha do Noblat, que ontem publicou o texto Milhares, milhões de pedrinhas no lago, deste jornalista), atingir aquela audiência maciça. E vamos em frente. Enquanto Lula e Geraldo Alckmin se esfalfam na corrida deles, nós, blogueiros, já ganhamos a nossa. Nossa guerrilha terá doravante que ser considerada em qualquer mesa de negociação das grandes potências. Basta sermos inteligentes, como precisa ser toda guerrilha. E seguirmos a regra número zero de qualquer guerrilha: jamais aceitar o confronto convencional direto com forças numericamente superiores. E atacar onde menos se espera, e quando menos se espera. Bem, você já percebeu que eu aprendi com o xeque Nasrallah: declaro vitória antes de a guerra acabar, para que ninguém possa ter dúvidas sobre o seu resultado.

Leia também Obrigado a você.

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quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Datafolha e Ibope convergem (27/09)

Este post foi ao ar mais cedo e está sendo atualizado agora (23h24). Cheguei do lançamento do livro "E eu com isso?", do jornalista Júlio Mosquéra, que didatizou a política no Fantástico, da TV Globo. Bem, vamos aos números das pesquisas de hoje:

Ibope: Lula 48, Alckmin 32, Heloísa 8, Cristovam 2, Outros 1

Ou seja, Lula 48, Outros 43

Datafolha: Lula 49, Alckmin 33, Heloísa 8, Cristovam 2, Outros 1

Ou seja, Lula 49, Outros 44

Os institutos convergem para uma diferença de seis pontos nos votos válidos a favor de Luiz Inácio Lula da Silva decidir no primeiro turno. A boa notícia para Geraldo Alckmin é que a diferença no Datafolha diminuiu 2 pontos. A má notícia para o tucano é que ela aumentou dois pontos no Ibope. E Lula parece não ter perdido votos. Alckmin continua recolhendo indecisos. É o velho problema: ou os demais candidatos tiram votos de Lula, ou tchau segundo turno.

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Para quem for migrar para a versão beta do Blogger (27/09)

Uma boa coisa é migrar para a versão beta do Blogger. Está bem mais rápida e dá menos problemas. Talvez porque o servidor esteja bem menos carregado do que a(s) máquina(s) que hospedam a versão atual. Mas ainda há problemas. Tive que colocar, na mão, um link para a foto do autor do blog, pois o código fornecido pelo Blogger (que lia direto da foto colocada no perfil) não é reconhecido no novo template. Mas o problema mais grave foi o embaralhamento dos acentos. Coisa comum para quem escreve na Internet em português. Minha dor de cabeça foi um pouquinho maior porque é grande a lista de endereços de textos colocados por mim diretamente no template. Aí deu a maior trabalheira para arrumar. Deixo então o link para uma tabela de acentuação em HTML, que evita esse tipo de transtorno.

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Para relaxar antes dos números do JN (27/09)

Nervoso por causa das pesquisas eleitorais? Roendo as unhas à espera do Jornal Nacional? Desesperado para saber se haverá ou não segundo turno na eleição presidencial? Calma. Veja que linda foto nos oferece a Wikipedia, como a sua Imagem do Dia. Clique nela para ampliar. Trata-se de um inseto da ordem dos lepidópteros, o Macroglossum stellatarum. Não é relaxante?

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TSE lança página só com estatísticas (27/09)

O Tribunal Superior Eleitoral incluiu um link para Estatísticas na barra de navegação do Centro de Divulgação das Eleições. É só entrar e clicar em Estatísticas. Para os fanáticos (como eu) que adoram esquadrinhar números sobre eleições.

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A miséria do debate econômico (27/09)

Transcrevo trecho de artigo de Rolf Kunz no Observatório da Imprensa:

"(...) O principal candidato da oposição, Geraldo Alckmin, poderia falar muito mais e ser mais audacioso na apresentação de um plano de governo, mas ficou longe disso. Acabou sendo forçado a prometer a manutenção do Bolsa Família, o programa-vitrina do governo Lula. Não se comprometeu nem com o projeto de autonomia do BC, nem com uma segunda reforma da Previdência. Não detalhou promessa alguma a respeito de juros e de gastos públicos. Em termos de argumentação e de explicação de suas idéias, não foi um milímetro mais profundo que Heloísa Helena.
A miséria do debate econômico poderia ter sido um tema da imprensa. Foi citada ocasionalmente e comentada por algum articulista, mas sobrou para o leitor o trabalho de constatar a indigência do discurso econômico. Nenhuma cobrança foi feita aos candidatos. Tudo se passou como se nada fosse mais normal do que a ausência de programas econômicos numa campanha eleitoral – mesmo num país com baixo crescimento há duas décadas, desigualdades econômicas ainda muito elevadas, numerosos gargalos econômicos e nenhuma estratégia clara de desenvolvimento."


Clique para ler o texto de Kunz, Uma campanha sem economia.

Se tiver mesmo interesse no tema, leia também Um candidato à procura de um autor, de Vinicius Torres Freire, na Folha de S.Paulo.

Já o título deste post você interpreta como quiser. Vou lembrar algo que escrevi outro dia:

"(...) O silêncio dos formadores de opinião que lutam há mais de uma década pela agenda liberal é ensurdecedor. É como se, na sua mudez, quisessem dizer a Alckmin: 'ô Geraldo, fala aí qualquer coisa na campanha, desde que seja para ganhar do Lula; depois a gente vê o que faz'."

Está em Darwin, a orfandade da agenda liberal e o "lamarckismo" da oposição.

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terça-feira, 26 de setembro de 2006

Problemas técnicos decorrentes de migração (26/09)

Você já percebeu que o blog está com problemas técnicos. Eles decorrem da migração para uma versão nova do Blogger. Vamos trabalhar para resolver o mais rapidamente possível.

Atualização (quarta-feira, 27/09, 1oh20): Já resolvi [santo HTML; obrigado, Caíque Severo, por aquelas aulas dez anos atrás!] a maior parte dos problemas decorrentes da migração para uma nova versão beta da interface de administrador do Blogger. Sobrou o fato de agora os títulos dos posts não mais aparecerem completamente (em casos de posts longos) na coluna lateral direita deste blog. Vamos ver se resolvemos isso também. Obrigado pela compreensão. Se você vir algo mais que tenha passado despercebido, avise-me por gentileza.

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G1 transmite os debates do Rio e de São Paulo (26/09)

O G1 (www.g1.com.br) transmite hoje ao vivo, depois da novela "Páginas da Vida", os dois debates entre candidatos a governador em São Paulo e no Rio de Janeiro. A transmissão pela rede será aberta a todos os internautas, mesmo os que não são assinantes do provedor (Globo.com). O G1 é o novo site de notícias do Globo.com.

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Milhares, milhões de pedrinhas no lago (27/09)

Seja qual for o resultado eleitoral, um dos debates mais fascinantes do pós-eleição será sobre os mecanismos de formação da opinião do público. Está em questão a teoria da pedra no lago, para quem as informações (e opiniões) transmitem-se do topo da pirâmide social para a base, como as ondas que se propagam do centro para as margens quando uma pedra cai na água do lago.

É evidente que a teoria não está conseguindo explicar a realidade eleitoral do Brasil de 2006. Mas será que a teoria está errada? Faço um paralelo com a física de Isaac Newton (retrato de Godfrey Kneller, em 1689), ensinada até hoje nas escolas. Ela funciona razoavelmente bem em situações do cotidiano e nos fenômenos mais perceptíveis pelos sentidos humanos. Mas Albert Einstein sabia que ela não dá conta da realidade quando, por exemplo, o ponto de referência viaja a velocidades próximas da rapidez com que a luz se desloca no vácuo. Da insuficiência da física newtoniana nasceu a Teoria da Relatividade.

Assim é a vida. Melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão. A teoria da pedra no lago não deve estar completamente errada, mas talvez ela não sirva para explicar a realidade em determinadas situações. Talvez sua principal limitação seja a mesma de certos modelos científicos: só funcionar se estiverem dadas condições que dificilmente se observam na vida prática.

Você já viu um lago cuja superfície estivesse totalmente estática? Eu nunca vi. Lançar uma pedra num lago de superfície estática é um modelo, uma abstração. Todo lago tem suas ondinhas. Há as causadas pelo vento, por folhas que caem na superfície, pela atividade de animais ou do homem. E qualquer estudante do ensino médio que não tenha matado as aulas de Ondulatória sabe que quando ondas se somam elas podem de potencializar ou se neutralizar, dependendo de estarem em concordância ou em oposição.

Bingo! Talvez seja isso que certas pessoas ainda não entenderam: a teoria da pedra no lago está plenamente funcional, mas provavelmente há muito mais pedras caindo no lago do que se observa a olho nu. Talvez haja tantas pedrinhas sendo atiradas à água que qualquer modelo teórico convencional fica capenga. Sai a Ondulatória ensinada nos colégios, entra a Teoria do Caos.

Olhando para trás, fico pensando como teria sido mais fácil acabar com a ditadura (1964-1985) se na época tivéssemos o e-mail. Nem fax tínhamos! Hoje, o sujeito vive mergulhado em informação. 99% da informação relevante disponível para a elite também está à disposição do povo. Pelo rádio, pela televisão e pela Internet. Agora você vai protestar: "Como você diz isso, se a maioria da população não tem acesso à Internet?".

Não é necessário que a maioria tenha acesso. Basta que, numa comunidade, um jovem acesse a rede na escola, ou que um trabalhador o faça no seu local de trabalho. A informação obtida se propaga depois por capilaridade, no boca-a-boca da escola, do bairro, do sindicato, da igreja. Nas conversas de esquina. Quem não vive fechado numa redoma sabe que hoje é muito mais comum do que ontem encontrar em qualquer grupo social pessoas bem-informadas e orgulhosas de sua própria opinião.

Quem quiser continuar sendo um formador de opinião influente nesse novo mundo precisará acostumar-se à idéia de que é apenas um entre muitos. Precisará aposentar a certeza arrogante e trocá-la pelo argumento eficaz. Precisará engavetar a desqualificação do diferente e tirar do arquivo a argumentação respeitosa, que procura enxergar a dose de verdade que há nas teses do oponente. Precisará, enfim, estar mais disposto a jogar o jogo complexo da democracia. No qual o argumento da autoridade vale cada vez menos. E a autoridade do argumento vale cada vez mais.

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Este texto foi produzido para o Blog do Noblat, onde escrevo semanalmente.

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A democracia vai resistir à liberdade de imprensa, até porque uma não vive sem a outra (26/09)

Você que lê este blog há algum tempo sabe qual é a minha posição sobre a liberdade de imprensa. Ou a liberdade de imprensa é absoluta, ou não existe. Por uma razão simples: se não houver a absoluta liberdade de cada um publicar (no sentido amplo, que inclui a mídia eletrônica) o que quiser, teremos que definir quem vai autorizar o que pode ou não ser publicado. Como jamais chegaremos a um consenso sobre a quem atribuir esse poder, tal impasse nos levaria à ditadura. Claro que a liberdade de imprensa não implica a irresponsabilidade: cada um responde pelo que publicou, algo aliás muito razoável. Responde na esfera política, na esfera econômica e na esfera judicial. De novo, o sempre presente James Carville: "é o Estado de Direito, estúpido!". Gente que freqüenta este blog mostra incômodo com a cobertura que a maior parte dos grandes veículos faz sobre a chamada "crise do dossiê" (uma crise real) e sobre um perceptível (e em alguns casos expresso) desejo de levar a eleição para o segundo turno. Qual é o problema nesse desejo? Nenhum. Se você acha insuportável consumir as informações distribuídas por determinado veículo, pare de lê-lo, ou de vê-lo. Ou contenha o seu desgrado. Não sei se Luiz Inácio Lula da Silva leva a eleição no primeiro turno ou se teremos uma segunda rodada entre ele e Geraldo Alckmin. Já estamos tão perto do dia... Vou esperar pelo resultado. Ninguém é obrigado a apostar se não quiser. Nem eu. No meu cassino, você tem o direito de ficar só olhando. Mas uma coisa merece registro. Se a democracia é o sistema dos freios e contrapesos, é saudável que também a imprensa seja capturada por essa lógica. Mas só quem pode frear democraticamente o poder da imprensa é o povo/eleitor. A força do dispositivo colocado em ação para tentar levar o pleito ao segundo turno e os magros resultados obtidos até agora mostram que o país amadureceu. Pode até haver um segundo turno, claro. Alckmin ainda pode ser o futuro presidente? Evidente que pode. Mas acho que doravante os veículos vão entender que sua força -e mesmo sua sobrevivência- dependerão cada vez mais de quão pluralistas e equilibrados conseguirem ser. É como se o (e) leitor dissesse algo assim: "interesso-me mais pelo que está acontecendo do que pela sua opinião sobre o que está acontecendo". Faz sentido.

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Um vencedor já está definido (26/09)

Já há pelo menos um vencedor nestas eleições: os institutos de pesquisa. Nunca vi tão poucos ataques aos institutos numa eleição. Quem enveredou por aí (atacar os institutos) se deu mal. Na reta final do primeiro turno, uma novidade é a discrepância já apontada entre o Datafolha e o Ibope. Mas, numa demonstração de maturidade e equilíbrio, vamos esperar que a realidade das urnas diga quem está com a razão. Se o Ibope, segundo o qual Geraldo Alckmin está tirando votos de Luiz Inácio Lula da Silva, ou o Datafolha, para quem Alckmin só está atraindo votos de Heloísa Helena e dos indecisos. Hoje, a pesquisa CNT-Sensus endossou o Datafolha e aponta para a vitória de Lula em primeiro turno. Vamos ver o que dizem os próximos levantamentos. No caso da Sensus, essa foi a sua última pesquisa antes da eleição. Se estiver errada, vai ficar ruim para o instituto. Se estiver certa, vai coroar uma bonita trajetória nesta eleição: eles foram os primeiros a detectar a subida de Lula no começo do ano (no modesto furo que ajudou a tirar este blog da clandestinidade) e a queda de Alckmin antes do início do horário eleitoral.

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FHC, como Balzac (26/09)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comparou ontem o seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, ao demônio. FHC é meu [Honoré de] Balzac predileto: como o escritor francês (retrato), sua obra deve ser avaliada à parte de considerações sobre o que ele pensa ou diz. Aliás, Balzac foi um dos fundadores do realismo. E realismo é o que não falta em FHC. No possível cenário de vitória de Lula, o ex-presidente manobra para fechar o espaço a uma alternativa de direita na oposição pós-eleitoral, coloca-se ele mesmo como o líder da futura oposição. Chama para si o direito de indicar o candidato em 2010. É um jogador de xadrez.

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segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Façam as suas apostas (25/09)

O Ibope diz que Luiz Inácio Lula da Silva está perdendo votos diretamente para Geraldo Alckmin, o que aumenta a possibilidade de segundo turno. O Datafolha não detectou essa suposta transferência, apesar de a sua última pesquisa ter ido a campo depois da última do concorrente. Ambos, na essência, apenas captaram variações dentro da margem de erro. Mas o ambiente eleitoral está tão radicalizado que hoje o diretor do Datafolha teve que abordar o assunto em seu texto semanal no jornal. Colocou panos quentes. Uma hipótese é que Lula estaria recuperando votos perdidos no auge do "furacão dossiê". Será? O grau de ansiedade e de pressão nesta eleição chegou ao ponto de um diretor de instituto de pesquisa ter que teorizar sobre oscilações que acontecem dentro da margem de erro. Vamos esperar pelos próximos números para conferir. Explicações técnicas sempre haverá. Mas que vai ficar mal para um dos dois, isso vai. Façam as suas apostas.

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domingo, 24 de setembro de 2006

Guerra, paz e o modus operandi da democracia (24/09)

Às vezes, é mais complicado "ganhar" a paz do que foi vencer a guerra que a produziu. Na guerra, trata-se de submeter o adversário pela força. Na paz, é preciso integrar ao novo statu quo os derrotados da guerra. É por isso que os movimentos da guerra precisam estar alinhados com as expectativas da paz que os vitoriosos pretendem construir. Isso é verdade desde sempre, mas vem se tornando cada vez mais verdade na medida em que a eliminação pura e simples do adversário deixa de ser uma alternativa admitida por padrões consensuais do que venha a ser o conceito de civilização. Você já percebeu do que estou falando. Ganhar a eleição será pinto, perto da tarefa imediata colocada diante do vencedor: integrar as tropas e populações do vencido à nova realidade política surgida das urnas. E sem melindrar os aliados da vitória. Para que não mergulhemos numa guerra civil política. É possível? Sempre é. Em geral, o eleitor brasileiro costuma ser sábio. Raramente dá poder político demais a uma única tribo. Quando o fez (1986), deu a uma federação de tribos (PMDB). Um dos elementos mais eficazes para a integração de tribos políticas derrotadas nas urnas é permitir que disponham de máquina (cargos) e orçamento em que possam acomodar os seus (quadros e bases eleitorais) para a sobrevivência no inverno. Não se choque, leitor, com a aparente crueza dessas palavras. Essa é a política, aqui e na Cochinchina. Sun Tzu, em A Arte da Guerra: "Para um inimigo cercado, você deverá deixar um caminho para a saída; e não pressione com muito vigor um inimigo que está acuado e desesperado em um canto sem saída". [Tente acuar um manso gatinho no canto da sala. Mas proteja-se antes]. Onde está a raiz das dificuldades políticas enfrentadas pelo governo do PT nos últimos quatro anos? No fato de o PT ter governado como se fosse majoritário no país e no Congresso -mesmo sem ser. O PT fingiu que era um Lula e quis que todos acreditassem. Principalmente o PMDB. As tribos políticas são migratórias, orientam-se pelas possibilidades de reprodução do próprio poder. Em números, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva leva vantagem sobre o de Fernando Henrique Cardoso. Na política, o tucano vira o jogo. FHC deu ao país oito anos de paz política também porque dividiu o poder entre os grandes partidos e sempre deixou válvulas de escape para as lutas políticas. Lula tenta se equilibrar na sela do touro bravo (touro leva sela? claro que não, mas é uma licença "poética") porque o seu PT tem graves dificuldades (genéticas) de dividir poder. Mas, sejamos justos com Lula. Talvez ele não tivesse alternativa. Talvez ele já antevisse na época (começo do governo) o que todos sabemos hoje: o único partido capaz de criar problemas realmente graves para Lula seria o PT, cujo apetite parece a todo momento inesgotável. FHC nunca deixou que o PSDB se nutrisse do poder para se transformar em partido orgânico e hegemônico. O PT já chegou ao governo prenhe de organicidade e com um enorme apetite pela hegemonia. Como aquele convidado que chega esfomeado à festa e vai engolindo o que passa pela sua frente. Até perceber que, inadvertidamente e para espanto geral, colou na boca nada menos do que um dossiê.

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sábado, 23 de setembro de 2006

Alckmin endurece o jogo aos 40' do segundo tempo (23/09)

Uma pesquisa Ibope boa para Geraldo Alckmin acaba de sair do forno. Na verdade, já saiu faz um tempinho, mas em viagem é sempre um problema parar para blogar. Clique aqui para ler. Será que o avião (leia o post anterior) vai arremeter? Será que o peão de boiadeiro vai cair de cima do touro?

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Atenção, senhores passageiros (23/09)

Vamos iniciar os procedimentos de descida. O pouso está previsto para 1º de outubro, domingo, às 17h (horário de Brasília), e as condições meteorológicas não são as ideais. Para dizer a verdade, senhores passageiros deste blog, neste momento o piloto voa por instrumentos. Por favor, apertem os cintos de segurança e mantenham o encosto da poltrona na posição vertical. Um de vocês colocou comentário em outro post dizendo que "esse blog é tão limpinho, tão sério, tão suíço". Percebi que foi uma ironia. Bons amigos também me dizem isso, estranham por que ao longo desses meses todos eu evitei algumas bolas divididas e me concentrei em tentar decifrar a tendência dos acontecimentos. É o que vou continuar fazendo até o fim da eleição, e depois. Aliás, não está afastada a possibilidade de o nosso aeroplano ter que arremeter rumo a um segundo turno, mas isso não parece provável no momento. Voltando ao "limpinho, sério, suíço", eu já vi filme de avião de todo tipo, mas não me lembro de piloto desgrenhado ou que se tenha metido em briga com passageiros. Ou se dedicado a bater boca pelo rádio com pilotos de outros aviões. Você já viu? Meu papel aqui é tentar colocar o avião na rota, mantê-lo nela e fazer um "soft landing", como dizem os americanos. Ou pelo menos um "landing" seguro. Há dois momentos de maior risco num vôo: a decolagem e a aterrissagem. Na decolagem, você está cheio de combustível e pode virar pó na explosão. Na aterrissagem, você pode ser vítima de algum defeito mecânico ou de problemas relacionados ao tempo. Ou, pior, pode ter errado na navegação e não ter idéia de onde está. Nós decolamos há quase um ano e definimos uma rota, depois de analisados os ventos e onde queríamos chegar. Se você quer conhecer a história das idéias expostas neste blog, os arquivos (role a página para baixo) estão aí para isso mesmo. E onde quero chegar? Meu objetivo mais íntimo com este blog é você sentir prazer ao visitá-lo, concorde ou não com o que está escrito nele. Até porque você pode discordar hoje e concordar amanhã -ou o contrário. Espero que você compreenda que não dá para o piloto ficar mudando a rota a todo instante ou entrar em crise existencial durante o vôo. Aliás, nesse tipo de vôo com o blogueiro você leva uma grande vantagem sobre mim: se o avião se estatelar no chão, só quem se arrebenta sou eu. Você espana o pó da roupa, não conta para ninguém que fez a bobagem de viajar comigo e troca de companhia aérea, como se nada tivesse acontecido. Mas, se no final tudo (ou quase tudo) der certo, espero ter a honra de contar com você nos próximos vôos. Afinal, você sabe, a companhia aérea é uma escolha do cliente. E que o autor da frase me desculpe pelo plágio.

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sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Quem está no jogo não quer marola (22/09)

Então, se o sujeito quer criar marola é porque não está no jogo. Outra versão dessa mesma filosofia de botequim: quem está fora não entra, quem está dentro não sai. Você sabe, estou em viagem, o que me dá tempo apenas de postar coisas curtinhas como essa. Mas fica como um enigma para você decifrar. Ou então um desafio, se você preferir: mostre-me, se for capaz, alguém que esteja no jogo e que queira fazer marola nesta altura do campeonato. Até mais.

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Um Ibope em viagem e o peão de boiadeiro (22/09)

Viajei de avião e fiz uma escala de madrugada, quando bloguei. Por isso não comentei antes a pesquisa do Ibope. Cenário estável, mas com queda da aprovação do governo. Luiz Inácio Lula da Silva virou peão de boiadeiro. Vai agüentar na sela os solavancos do touro? Você aposta no quê? Agora veremos quão grosso é o couro do petista. E quanto resiste o seu eleitorado mais ortodoxo. Vamos esperar a íntegra da pesquisa no site do Ibope para saber onde aconteceram as maiores variações. Boa noite para vocês e boa viagem para mim.

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quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Aviso aos navegantes (21/09)

Este blog recebe poucos comentários. Talvez por ser moderado (os comentários são selecionados), ou por ter uma audiência ainda limitada. Eu preferiria que recebesse mais. Me chateia ter que recusar comentários. Mas preciso fazê-lo quando eles resvalam para a desqualificação, para acusações criminais (ainda que indiretas) ou para o puro e simples xingamento. A tendência é que os blogueiros respondam judicialmente pelos comentários postados. Peço, por isso, a compreensão de todos os que tiveram seus comentários recusados.

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Henry Shrapnel, Fernando Pessoa e as eleições no Brasil (21/09)

Henry Shrapnel (1761–1842) era um oficial de artilharia no Reino Unido quando inventou a bomba de fragmentação (foto). Tanto que "shrapnel" virou sinônimo desse artefato na linguagem militar, em inglês. Em véspera de eleição, as denúncias políticas funcionam como bombas de fragmentação: o objetivo é causar danos letais, imediatamente, em tudo que estiver a uma certa distância do alvo. Temos assistido nos últimos dias aos lamentos de petistas e tucanos na tevê. Do que se lamentam? Uns choram porque a imprensa adotou a norma de chamar o tal dossiê antitucano de dossiê antitucano (com variações). Não caiu na esparrela de ficar repetindo o tempo todo que há "um dossiê contra o candidato A" ou contra o candidato B. Por quê? Porque colar um nome a um dossiê, sem que se saiba o que há no dossiê, e sem que haja alguma acusação concreta contra A ou contra B (o que impede que A ou B se defendam), é ajudar involuntariamente a aumentar o prejuízo causado por uma pseudodenúncia "de fragmentação". Querem fazer a denúncia? Que a façam e respondam por ela. Não se escondam atrás de dossiês que não são dossiês (o valor monetário da peça foi supostamente caindo na medida que o seu conteúdo ia sendo conhecido). Já outros se lamentam porque a Polícia Federal não expôs o dinheiro, para evitar que pudesse ser exibido à farta no horário eleitoral e nos noticiários da tevê. "Meu Reino por uma foto ou um vídeo para colocar na tevê!" Depois, quando a origem do dinheiro estivesse esclarecida e os responsáveis, identificados, o serviço (político) já estaria feito, as vítimas da bomba de fragmentação já estariam nos cemitérios (políticos) ou nos hospitais (políticos). O caminho do eleitor até a urna parece cheio de minas. Mas, se o político (como o poeta) é um fingidor (e não só na Hungria), o eleitor é um sapador, e cada vez mais experiente. Para tristeza dos fabricantes de minas e bombas de fragmentação.

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Ato falho (21/09)

Texto publicado hoje na seção Contraponto, do Painel da Folha de S.Paulo:

"Enquanto o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), discursava ontem no lançamento do programa de governo de Geraldo Alckmin, o tucano que concorre ao governo fluminense, Eduardo Paes, redigiu um bilhete: 'Aécio e Serra, meu candidato a presidente em 2010 é Cesar Maia'. Em seguida, passou o papel a José Serra, que leu, sorriu, e o repassou para o governador de Minas. Aécio respondeu, no mesmo papel: 'O meu é o Serra'. O candidato ao governo paulista, de novo com o bilhete na mão, acrescentou: 'E eu estou fechado com o Aécio'. Paes recebeu de volta o bilhete e guardou: -É um documento para a posteridade!"

Estavam no lançamento do programa de Geraldo Alckmin e esqueceram de que se o tucano for eleito certamente será candidato natural à reeleição em 2010. Se uma imagem vale por mil palavras, um ato falho vale por um milhão delas. Se eu fosse o Geraldo, recortava esse Contraponto e guardava para uma eventualidade, ainda que remota.

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quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Republicação: "Como FHC ajuda Lula", de abril de 2006 (20/09)

Um texto de abril deste ano, em que abordei a reeleição presidencial, tem algumas coisas que ficaram desatualizadas. Mas decidi republicá-lo, pois ele, mais do que nunca, está bem vivo, ainda que um pouco mais velho. E você sabe que conforme os anos vão passando aparece um defeitinho aqui, um ali. É a vida.

Clique aqui para ler Como FHC ajuda Lula (14/04).

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O triunvirato (20/09)

Um detalhe chamou a atenção nas reações hoje de tucanos ao caso do dossiê: nem José Serra nem Aécio Neves atacaram Luiz Inácio Lula da Silva. Sobrou para o PT e até para Aloizio Mercadante. Para Lula, nada. Na geometria euclidiana, três pontos não colineares definem um plano. Lula, Serra e Aécio não seguem a mesma linha, mas têm um -e só um- plano em comum, desconfio eu: cada um dos três se enxerga como uma ponta do triunvirato que vai mandar no Brasil de 2007 a 2010. Os dois últimos, de olho na cadeira do petista depois de 2011. Cada um joga para impedir que os outros dois se unam contra ele. Mais assopram do que mordem. Interessante.

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O barquinho rumo ao porto, Gonçalves Dias, Spielberg e o novo Datafolha (20/09)

Está chegando ao fim a longuíssima viagem de quase um ano e meio, a mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia na História do Brasil. Ela começou no dia em que a Veja trouxe o vídeo com a propina nos Correios e (parece que) vai terminar no outro domingo. É o que diz o Datafolha de ontem. Acho que, nesta altura da regata, cada um quer mesmo é levar o seu barquinho ao porto com segurança. Ainda por cima quando o mar está bem tempestuoso.

Eleição é um assunto que mobiliza muita gente. Depois de tantas eleições, vividas em situações tão diferentes, eu concluí que o que todo mundo quer mesmo numa eleição é sobreviver. E já é muita coisa. Na política e no jornalismo político, isso é duplamente importante, porque o final de cada eleição já traz marcado na folhinha o começo da seguinte. E se você estiver vivo pode se levantar e lutar. Eu gostava mesmo era dos índios de Gonçalves Dias -e não me venham dizer que eles eram estilizados.

"Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar. (...)"

Esses são os versos mais conhecidos da Canção do Tamoio. Mas eu gosto mais é destes outros:

"(...) Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir! (...)"

Acho que Steven Spielberg deve ter lido a Canção do Tamoio (isso é uma viagem minha, é claro que ele não leu; ou leu?) para criar o Capitão John Miller, em O Resgate do Soldado Ryan. Não sei o que vai demorar mais: alguém bater os recordes de Michael Schumacher
na Fórmula 1 ou alguém fazer um filme de guerra melhor que Saving Private Ryan. Que depois continuou na minissérie Band of Brothers. A cena inicial, do desembarque na Normandia no Dia D, é insuperável, penso eu. Um dia alguém certamente vai superá-la, assim como um dia caiu o recorde de Bob Beamon, mas acho que não estarei vivo para ver.

O grande Gonçalves Dias foi lançado ao oblívio nestes tempos de ditadura do politicamente correto, mas ele se vinga do túmulo: nenhum dos poetas do multiculturalismo (eles existem?) fará versos como os de Gonçalves Dias. E mais: nenhum movimento político ou social incapaz de gerar os seus próprios poetas e escritores ganhará perenidade. Fica, em geral, como um acidente histórico. É o risco que corre o PT, mas sobre esse assunto volto a escrever depois da eleição. Eu falava de levar o barquinho ao porto. Pois é, espero que os protagonistas dessa refrega saibam fazê-lo. Saibam ganhar e perder, seja qual for o papel destinado a cada um. Pode parecer um desejo pueril e naíve (o acento é por minha conta). Mas vai ser melhor para o Brasil, e para todos eles em particular. Depois de 2006 vem 2008. Depois de 2008 vem 2010. Política é uma progressão aritmética, não geométrica.

Ah, sim, o Datafolha. Luiz Inácio Lula da Silva empata em São Paulo com Alckmin e ganha em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no nordeste. Se o nordeste se desligasse do Brasil (ou se fosse transformado num bantustão), haveria segundo turno. Do jeito que está agora, não haverá. A crise dos dossiês vai mudar esse quadro? Vamos ver. Lula ganha de Geraldo Alckmin numa proporção de 2 para 1 no voto espontâneo e 70% do eleitorado já responde espontaneamente em quem vai votar.

Fui olhar o último Datafolha de 2002 antes do primeiro turno e vi ali que a taxa de quem já dizia espontaneamente em quem iria votar estava nesse patamar (70%). Aliás, acho que 70% é mais ou menos o percentual de eleitores que vão votar mesmo nos candidatos. A maioria dos demais possivelmente vai faltar ou votar em branco, ou anular. Deveremos ter pouco mais de 90 milhões de votos válidos no outro domingo. Para provocar o segundo turno, Alckmin precisa fazer o que não fez até agora: penetrar no eleitorado de Lula, ganhar terreno entre os pobres e no nordeste. Sem isso, nada feito. Recolher alguns indecisos e subir uns pontinhos nas pesquisas está valendo muito pouco nesta altura do jogo.

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terça-feira, 19 de setembro de 2006

O novo site de notícias do Globo.com (19/09)

Deixei de registrar ontem a estréia do ótimo G1, site de notícias do Globo.com. Até agora, foi o que mais avançou na convergência de texto, som e imagem. Tem a (grande) vantagem de dispor do conteúdo multimídia das Organizações Globo. Só senti falta dos espaços para publicidade. Não vai ter publicidade? Aliás, as últimas notícias para o mercado publicitário de Internet nos Estados Unidos não são animadoras. Notícia que acaba de sair na Folha Online dá conta de que o "Yahoo! alerta para crescimento lento em setor de anúncios on-line". Segundo a reportagem, "as ações do Yahoo! já caíram cerca de 35% neste ano -com destaque para as quedas em janeiro, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre do ano passado, e em julho, quando houve queda foi de 22%".

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O acerto que nasce dos erros (19/09)

Uma injustiça com os jornalistas é querer que só publiquem o que está 100% comprovado. Assim não dá para fazer jornalismo. Dá para fazer enciclopédia -e olhe lá. Imagino a trabalheira que vai ser mudar todos os verbetes relacionados ao status de Plutão, que agora não é mais planeta. Ainda bem que hoje tem Internet. Imaginem se o rebaixamento acontecesse no tempo em que enciclopédias eram só as impressas. Voltando ao jornalismo, tem uma dose de covardia você ficar achando defeito no que o sujeito produziu ou editou ali no laço, pressionado pelo fechamento. A exceção é o ombudsman, profissional pago para ser o engenheiro da obra feita. Eu, que já passei pelo sufoco, é que não vou ficar me metendo a criticar tecnicamente o trabalho alheio. Aqui neste blog, quando há críticas, elas são genéricas ou então se destinam a questionar idéias, e não a execução do trabalho propriamente dito. Se eu escorregar nessa prática, peço que você, leitor, me corrija. Nós, jornalistas, somos muito vaidosos. Tem até aquela piada, do jornalista que vai ao cinema e compra dois ingressos, um para ele mesmo e outro para o seu ego. Mas vamos em frente. O jornalismo é o exercício diário de fazer os muitos erros convergirem para um acerto. Tem algo a ver com a Matemática. É muito comum na Matemática a situação em que você pode afirmar que um número existe, mas não consegue dizer qual é. Aí você procura reduzir o erro. Às vezes, passa a vida toda fazendo isso. Como no jornalismo. Vamos então aplicar a técnica a esse caso do dossiê. O que há até agora? Há uma acusação de que certo empresário do interior de São Paulo recolhia propina para liberar recursos no Ministério da Saúde depois (atenção a esse detalhe) que José Serra já tinha deixado a Pasta -e o seu secretário-executivo tinha virado ministro. Foi o que li na entrevista da IstoÉ. Não há na entrevista uma acusação direta a Serra. Há o habitual "eu acho que ele não tinha como não saber" (não com essas palavras, mas está lá). Esse "brilhante" artifício "jurídico", turbinado pela oposição nos "julgamentos políticos" contra o PT e aliados ano passado, agora se volta contra os tucanos. Tranqüilizemo-nos, porém: o "argumento" já estava desmoralizado antes e assim continuará, com a graça divina. Você, leitor mais antigo deste blog, sabe que num certo momento eu risquei o chão com a faca e me opus radicalmente a qualquer condenação -mesmo política- sem provas. Veja que estou falando de condenação. E quando nem acusação há? E quando o objetivo é contaminar pelo contato, como agora se faz com Luiz Inácio Lula da Silva? É uma variante deformada do pensamento imortalizado por Antoine de Saint-Exupéry no Pequeno Príncipe (na imagem, a criatura desenhada pelo próprio criador): tu te tornas eternamente responsável por quem indicas para algum cargo. Na política e na polícia, as responsabilidades são individuais. Isso vale também para o desdobramento do caso do dossiê: a suposta tentativa de compra, por gente supostamente ligada ao PT, de material que poderia causar constrangimento a Serra. Veja que usei o verbo no futuro do pretérito. Aliás, a suposta frustração dos supostos compradores diante do material oferecido pelos supostos vendedores é a maior prova de que não haveria, até o momento, qualquer acusação contra Serra. Mas se alguém do -ou ligado ao- PT se meteu numa confusão para tentar colocar as mãos em algo que poderia render dividendos a algum candidato, que responda por isso. Seja quem for. E quem não tiver nada a ver com o assunto, que seja poupado. A Polícia Federal certamente procurará nos dizer de onde veio o dinheiro e a Justiça dará a palavra final. É assim que funciona o Estado de Direito, para uns e para outros. Conformemo-nos. Aliás, conformem-se. E o eleitor que decida quem ele vai escolher em outubro. Creio que (é o que dizem as evidências) ele vai escolher Luiz Inácio Lula da Silva para presidente e José Serra para governador de São Paulo. Talvez porque os partidos adversários tenham desperdiçado tempo demais e energia demais com factóides, e se esquecido de explicar ao cidadão comum o que mudaria, para melhor, se os seus candidatos fossem eleitos. Acho que as coisas são simples assim. Eu posso até estar errado e quebrar a cara. Mas esta é a vida de jornalista-blogueiro: correr riscos, enquanto se tenta acertar errando o menos possível. Mesmo sabendo que, um dia, o erro será inevitável. Gosto disso. Do contrário, eu fechava este boteco (que só me dá prejuízo) e ia procurar emprego numa enciclopédia.

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Polícia e política (19/09)

Na área especificamente criminal, vou esperar pelas investigações da Polícia Federal sobre o caso do dossiê antitucano. A oposição desconfia da PF. Desconfiar da polícia não é necessariamente mau. Lembro de quando essa desconfiança era um item nos manuais de jornalismo. Mas, neste caso específico, a crítica oposicionista à PF não parece ter pé nem cabeça. De duas uma: ou a PF agiu profissionalmente ou agiu partidariamente. Não dá para misturar as duas coisas. Ora, a PF estourou uma operação nebulosa que aparentemente envolve gente ligada ao PT. É razoável concluir, portanto, que não foi uma ação policial destinada a beneficiar o PT. Mas a PF não permitiu a exposição pública do dinheiro que supostamente serviria para comprar o tal dossiê. A oposição diz que isso beneficiou o PT. Paciência. Eu acho que a PF agiu bem. Enquanto não se comprovar a origem do dinheiro, não dá para propiciar um espetáculo midiático em torno da imagem dos pacotes de reais empilhados em cima da mesa. Mas vamos à política. Vamos deixar um pouco de lado essa questão do dinheiro, apenas para efeito de raciocínio. Parece cristalino que alguém ligado ao PT nacional andou atrás de informações negativas que poderiam causar desconforto político aos tucanos na atual sucessão de São Paulo. A oposição, compreensivelmente, vai tentar colar isso em Luiz Inácio Lula da Silva. Vai conseguir? Veremos. Mas qual seria o interesse de Lula nisso, dado que a rivalidade (atual e futura) entre José Serra e Aécio Neves é um dos instrumentos mais preciosos de que o petista dispõe para administrar a travessia de um eventual segundo mandato? Tem alguma coisa que não faz sentido nessa história toda. Ou faz muito sentido. Talvez valha a pena prestar atenção em outro detalhe: não ter um candidato competitivo para 2010 é um problema muito maior para o PT do que para Lula. Para Lula, eu arriscaria dizer, isso não chega a ser um problema. Talvez possa ser mesmo uma solução nas suas relações com o PT. Ja no caso do PT a situação é diferente. Mesmo depois de instalado no poder federal, continua anêmico na esmagadora maioria dos estados. E a situação vem piorando de uns anos para cá, pela perda progressiva de poder em São Paulo.

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segunda-feira, 18 de setembro de 2006

O retrato da estabilidade (18/09)

A consultoria Tendências lançou num gráfico a diferença entre a votação de Luiz Inácio Lula da Silva e a soma dos votos dos adversários (nas pesquisas). Depois de alguns meses de oscilação, o quadro é de estabilidade desde antes mesmo do horário eleitoral. Clique na imagem para ampliá-la.

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Equilíbrio no cenário da futura guerra (18/09)

A consultoria Tendências mandou a seus clientes uma tabela (clique na imagem para ampliar) com as projeções para a composição do Senado a partir de 2007. A disputa entre governo e oposição pela maioria está duríssima. Em caso de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, a correlação de forças no futuro Senado permite prever um cenário de guerra campal, nessa que já foi a Casa do Congresso mais complicada para o presidente desde 2003.

Se quiser ler uma análise crítica desse quadro da Tendências, vá ao blog do jornalista Ilimar Franco (O Globo).

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Lições de História (18/09)

Você sabe que o ex-presidente Getúlio Vargas é tema permanente neste blog. O antigetulismo foi moda durante quase trinta anos na esquerda brasileira (PT), até Luiz Inácio Lula da Silva descobrir que poderia se apoiar em Vargas (e Juscelino Kubitschek) para resistir às pressões dos adversários que o querem fora do Palácio do Planalto. Bem, nesta altura do campeonato você já sabe que um segurança do presidente foi acusado de estar envolvido em um suposta tentativa de compra, pelo PT, de um dossiê contra candidatos tucanos. O segurança nega. Enquanto a coisa rola, talvez você queira ler um pouco sobre as circunstâncias que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, conhecer um pouco mais sobre Carlos Lacerda, Gregório Fortunato, o Major Vaz, a rua Tonelero e a República do Galeão. Separei três links, para três textos do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da FGV. São eles:

João Goulart, o aumento do salário mínimo e o Memorial dos Coronéis

O início do fim: das tentativas de impeachment ao atentado da Tonelero

O cerco se fecha: da República do Galeão ao suicídio de Vargas

Na foto acima (clique para ampliar), a multidão toma a Praia do Flamengo no cortejo fúnebre de Vargas, em 25 de agosto de 1954. Este post não tem intenções alarmistas. Getúlio se matou porque não tinha outra arma, além do suicídio, para enfrentar os inimigos que queriam sua deposição. Lula tem uma provável reeleição à frente. Mas a leitura pode ser um roteiro interessante sobre o nexo entre o passado e o futuro. Talvez seja útil para dar pistas sobre o que será o ambiente político num eventual segundo governo de Lula.

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Pesquisa mostra eleição disputada na Venezuela (18/09)

Ainda não pode ser caracterizada como disputa apertada, mas a corrida presidencial na Venezuela caminha para um duelo que não me lembro de ninguém ter previsto. Está em reportagem do Globo Online. Hugo Chávez tem 50% das intenções de voto e seu mais próximo adversário tem 37%.

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Republicação: "31 de março, há 42 anos" (18/09)

Republico, pela atualidade, artigo postado aqui em 31 de março deste ano, na passagem dos 42 anos do movimento militar (ou cívico-militar, como queiram) que derrubou João Goulart. Um trecho:

Alguns não compreendem o porquê desse ódio acumulado e aparentemente inesgotável entre o PSDB e o PT. Não é tão difícil assim entender. É um pouco como as guerras entre sérvios e croatas e entre judeus e palestinos. Quando se odeiam, irmãos o fazem a taxas bem mais elevadas do que seria razoável. As duas legendas têm origem antigetulista. Nasceram da negação, respectivamente, dos dois vetores políticos que carregavam a marca de Getúlio Vargas: o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro.


Clique aqui para ler o post na íntegra.

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Um artigo do diretor do Datafolha (18/09)

Um trecho do texto de hoje de Mauro Paulino na Folha de S.Paulo:

Como as pesquisas não apuram os votos concretizados e sim as intenções dos eleitores antes de votar e não podem prever quantos se ausentarão das urnas, alguns fatores têm sido lembrados para elevar a esperança de segundo turno. O alerta mais repetido lembra que a abstenção é mais concentrada no Nordeste e está relacionada à baixa renda e escolaridade dos eleitores. Coincide com o perfil do eleitor de Lula e, por isso, ele perderia cerca de sete pontos nas urnas. É um exagero partidário. A estatística Renata Nunes, do Datafolha, apurou a média das abstenções e dos votos brancos e nulos em cada Estado nas duas últimas eleições presidenciais e, como exercício, recalculou os percentuais da última pesquisa a partir da média histórica de votos válidos. Constatou que Lula perderia apenas um ponto, insuficiente para viabilizar o segundo turno.

Clique aqui para ler a íntegra.

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domingo, 17 de setembro de 2006

Pesquisa aponta empate técnico entre democratas e republicanos nos Estados Unidos (17/09)

Uma pesquisa do instituto Opinion Dynamics, divulgada pelo canal (conservador) de tevê Fox, deu aos republicanos do presidente George W. Bush 38%, abaixo três pontos apenas dos 41% obtidos pelos democratas. A margem de erro é de três pontos. Os Estados Unidos esolhem em novembro uma nova Câmara dos Representantes (deputados) e renovam parcialmente o Senado. Hoje, Bush tem maioria nas duas casas. Lá, como cá, o ambiente político está conflagrado. Há poucos dias, o presidente do Comitê Nacional Republicano, Ken Mehlman, mandou um e-mail a apoiadores do seu partido advertindo que uma maioria democrata no Congresso poderia abrir caminho para o impeachment de Bush.

Clique aqui para saber mais sobre a pesquisa
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Obrigado a você (17/09)

Vou dividir com você minha alegria. Você sabe, este é um blog completamente pessoal, feito só com ferramentas disponíveis gratuitamente na web. Pois bem, arisco-me a dizer que atingimos a massa crítica, aquele ponto do índice de audiência na Internet em que um site passa a crescer de modo exponencial. O gráfico acima (clique nele para abrir uma janela e ampliá-lo) foi produzido com o Statscounter.com. Cada bolinha representa uma semana e a curva marca o número de visitantes únicos. O visitante único é uma medida indireta de quantos computadores (IPs) diferentes requisitaram uma página qualquer do seu site. O gráfico conta um pouco da história deste blog. Comecei a medir a audiência pelo Statscounter só em 11 de janeiro deste ano. Mas o Blog do Alon já engatinhava desde julho do ano passado, como um lugar onde eu armazenava as reportagens, artigos e análises que escrevia no Correio Braziliense (está tudo nos arquivos). A pré-história do blog acabou em 14 de fevereiro de 2006, quando tive a felicidade de dar o furo da primeira pesquisa (CNT-Sensus) que mostrava a retomada da liderança por Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial. Você pode ver no gráfico que aquele dia foi especial. Dois blogs colegas de grande audiência (Fernando Rodrigues e Josias de Souza) deram links para o Blog do Alon durante quase toda a manhã e o assunto mereceu até a manchete do UOL. Claro que nas semanas seguintes a audiência refluiu, até por causa do Carnaval, mas para um patamar bem acima dos índices da pré-história. Depois do Carnaval, ela voltou a subir e se estabilizou no nível alto em que estivera na semana do furo. Bem, em seguida veio a Copa do Mundo e não havia muita gente disposta a freqüentar blogs de política. Pelo menos não o meu. Mas a Copa do Mundo acabou e de lá para cá (seta) a audiência decolou. Eu faço este blog por pura diversão, mas é bom saber que você dá algum valor ao que se escreve aqui.

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Mas, afinal, o que você acha do que o papa disse? (17/09)

Continua a polêmica sobre se o Papa Bento 16 deveria ou não ter dito o que disse sobre o Islã. Fiquei impressionado ontem num desses noticiários da tevê por assinatura, quando certo especialista em Religião foi entrevistado ao longo de todo um bloco do programa. Só lhe perguntaram (e ele só respondeu) sobre a conveniência das palavras do pontífice. Por que o chamaram, então? Se era para debater isso, que se convocasse um especialista em Relações Internacionais. Mas o nosso jornalismo multiculturalista e antiamericano se treme todo diante da essência de certas polêmicas. Qual é o centro da fala do Papa? Bento 16 fez a crítica ao uso da violência como meio de expandir a influência de uma fé. Isso serve para uns e para outros. Serve, por exemplo, como já notou alguém neste blog, para as Cruzadas. E você, acha o que? A violência é ou não um recurso legítimo para ampliar o alcance de uma religião? Você pode achar que sim, que não ou que depende. Só não vale dizer que vai me explodir por eu ter escrito este post. Veja que não há aqui qualquer ataque ao Islã, nem qualquer juízo de valor sobre o profeta Muhammad e sua obra. Quando estive em Jerusalém, emocionei-me ao ver o lugar de onde o profeta subiu ao céu, na Esplanada das Mesquitas. Esse negócio de se magoar, de se ofender, é um recurso manjado de quem não quer ir à essência do assunto que está em debate. Tem gente, por exemplo, que considera a guerra santa movida pela Al-Qaeda contra o Ocidente parte da luta mundial dos povos contra o imperialismo. Mas, em vez de defender isso abertamente, refugiam-se no multiculturalismo, no relativismo e no ódio a George Bush e Tony Blair. O Papa só fez pedir para que essa turma saia do armário.

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