segunda-feira, 31 de julho de 2006

A ficção da "guerra cirúrgica" (31/07)

A primeira vez que ouvi falar em "guerra cirúrgica" acho que foi na Guerra do Golfo. Os Estados Unidos estavam ainda traumatizados pelas suas baixas no Vietnã, uma década e meia antes. Vendeu-se para a opinião pública a ficção de que a guerra contra o Iraque (que havia invadido o Kuait) seria quase um vídeo-game. Desde então sobrevive algum tipo de ilusão sobre a possibilidade de guerrear sem derramar sangue, especialmente civil. E especialmente quando um dos lados em conflito é uma guerrilha misturada à população comum. Para quem ainda tinha dúvidas a esse respeito, a horrenda tragédia de Kana é mais uma lição. Recebo emails me perguntando se esse desastre humanitário poderá acelerar o fim do conflito. Eu duvido. Depois que começam, as guerras só acabam quando há um vencedor. Não há registro de guerra que tenha terminado empatada. Se as Nações Unidas (ou quem quer que seja) impuserem um cessar-fogo imediato e incondicional, essa decisão terá significado uma grande vitória para o Hezbollah. Portanto, é uma não solução para Israel e os Estados Unidos. Se o cessar fogo vier acompanhado da decisão de instalar no Líbano uma força multinacional de paz com dentes e mandato para desarmar o Hezbollah, será uma vitória de israelenses e americanos. Portanto, é uma não solução para o Hezbollah e o Irã. Israel não pode admitir em sua fronteira uma guerrilha cuja razão de ser é a destruição do Estado Judeu. E o governo libanês não tem força para se impor à milícia xiita. Talvez não tenha nem vontade. Israel não pode dar ao Hezbollah uma vitória estratégica que coloque em risco a percepção de que o Estado Judeu é capaz de defender suas fronteiras. E o Hezbollah deseja enfraquecer exatamente essa percepção. Outro ponto a ser notado é o ultimato que a ONU deu hoje ao Irã para que suspenda o enriquecimento de urânio. São as duas faces de uma mesma guerra.

Leia também (do The New York Times):

Israel Vows to Press Ahead With Offensive
Bush Ties Battle With Hezbollah to War on Terror
U.N. Sets Deadline for Iran to End Uranium Work

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Se a falácia fosse um pássaro (31/07)

Se a falácia fosse uma espécie de pássaro, construiria seu ninho nos debates sobre os escândalos de corrupção. Como os pássaros, há falácias grandes, médias e pequenas. O senso comum reza que o Brasil fica melhor a cada surto de denúncias sobre corrupção. Essa é uma falácia grande, ainda que denúncias de corrupção sejam sempre bem-vindas. Como o Brasil pode ter saído melhor de cada uma de suas crises, se a próxima será inevitavelmente sempre a pior, a mais grave de todas? [Quem se dispuser a decifrar esse paradoxo, fique à vontade. Se me acusar de sofista, prometo não ligar.] A falácia do momento é associação mecânica entre a corrupção orçamentária (ambulâncias) e as emendas individuais dos parlamentares ao projeto de lei que o Executivo apresenta todo ano ao Congresso. Tem gente muito boa defendendo o fim das emendas individuais ao Orçamento como "a resposta que a sociedade está pedindo" diante do escândalo investigado pela CPI das Sanguessugas. Como eu tenho um blog, também me sinto no direito de dizer "o que quer a sociedade". Eu acho [como não consultei ninguém para concluir o que a sociedade deseja, terei aqui a honestidade intelectual de dizer "eu acho"] que o Brasil quer transparência na execução do Orçamento, quer poder acompanhar como é gasto o dinheiro dos impostos, que ter acesso a todas as informações importantes sobre a tramitação das despesas. Bem, há duas maneiras de uma despesa entrar no Orçamento: pelas mãos do Executivo ou do Legislativo. A última ditadura brasileira (1964-1985) tirou do Congresso a prerrogativa de emendar o Orçamento. Só quem podia determinar despesas era o governo. Será que esse método reduz a corrupção? Talvez a pequena. O parlamento surgiu na História quando o povo não mais aceitou ficar fora do processo orçamentário, e tinha lá suas razões. Muito sangue já foi derramado por causa disso. Bem, mas nem todo mundo defende o fim indiscriminado das emendas. A moda é pedir o fim das emendas individuais. Ora, as emendas individuais são a única modalidade em que está carimbado o autor da proposta de despesa, são a modalidade em que mais fácil é a fiscalização da origem e do destino do gasto. O deputado Fulano quer destinar algum investimento a municípios de sua base eleitoral. Se a despesa entrar como emenda individual, qualquer um poderá, por rastreamento, associar o ponto final do processo (convênio para aquisição da âmbulância) ao ponto inicial (o autor da emenda). Se entrar como emenda coletiva, isso não será possível. Só saberemos que bancada do estado da Patagônia destinou verbas para compra de âmbulâncias. Para que essa crise não seja inútil, é preciso que o sistema seja alterado para permitir mais transparência, e não menos. Aliás, eu tenho uma dúvida anterior: alguém poderia explicar por que no Brasil a compra de ambulâncias para órgãos públicos precisa ser um programa federal?

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sábado, 29 de julho de 2006

Candidatos fogem de uma nova reforma da Previdência (29/07)

Essa eu nunca tinha visto antes. O Jornal Nacional da Rede Globo apresentou ao longo da semana uma série sobre a Previdência Social. O foco da pauta apontou claramente para a necessidade de uma nova reforma no sistema, especialmente em aspectos delicados, como a idade mínima para aposentadoria. Hoje, sábado, o JN foi ouvir os candidatos. Nenhum deles defendeu uma nova reforma. Os dois que lideram as pesquisas, Lula e Alckmin, apostaram no crescimento da formalidade como instrumento para melhorar a arrecadação. Já Heloísa Helena disse que o déficit da Previdência não existe, que as contas da seguridade social têm superávit. Definitivamente, certas agendas saíram de moda.

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Polêmicas históricas (II): Por que França e Reino Unido assinaram o Pacto de Munique, mesmo depois da experiência da Guerra Civil Espanhola? (29/07)

Este ano faz 70 anos do início da Guerra Civil Espanhola (1936-39). Os nacionalistas de Francisco Franco (fascista) rebelaram-se contra o governo republicano (socialistas e, depois, comunistas). A Alemanha de Adolf Hitler apoiou Franco, enquanto a União Soviética de Josef Stalin apoiou os republicanos. O conflito terminou com a vitória da direita. Na foto (clique para ampliar), a luta pela Plaza de Toros de Teruel, leste de Madri. A cena é de abril de 1938. A República rendeu-se um ano depois, em abril de 1939, e a ditadura franquista duraria quase quatro décadas. Um sujeito com certa perspicácia naquela época teria sentido ali o cheiro do incontido ímpeto expansionista do Führer. Bem, em 1938 já estava claro que o fascismo levaria a melhor no conflito espanhol. Mas em setembro daquele ano França e Reino Unido assinaram o Pacto de Munique e entregaram a Tchecoslováquia aos alemães, na esperança de apaziguar Hitler. Por que cometeram esse erro de julgamento, que ficaria ainda mais claro um ano depois, quando a Alemanha invadiu a Polônia e começou a Segunda Guerra Mundial?

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sexta-feira, 28 de julho de 2006

Por que Itamar é um sujeito de (muita) sorte (28/07)

Itamar Franco era prefeito de Juiz de Fora em 1974 e queria ser senador. Procurou o chefe do partido (MDB) em Minas Gerais, Tancredo Neves, e perguntou se o ex-ministro de Getúlio Vargas e João Goulart tinha a intenção de disputar o cargo. Tancredo disse que não, que ia ser deputado, porque o MDB não tinha nenhuma chance na eleição majoritária. Quatro anos antes, a Arena (partido que dava sustentação ao governo militar) tinha dado uma lavada. Sem Tancredo, o candidato foi mesmo Itamar. A história é conhecida: a maioria do povo brasileiro decidiu votar na oposição e o MDB elegeu 16 dos 22 senadores, Itamar inclusive. Na imagem (clique para ampliar), a histórica capa da revista Veja com a reportagem sobre a eleição.

Em 1982, o mandato de Itamar estava na reta final. Ele seria candidato do PMDB para perder a eleição de governador para Tancredo Neves, que aproveitara a reforma partidária do presidente João Figueiredo e fundara com seus adversários da UDN (Tancredo vinha do PSD) o Partido Popular (PP), de centro. Aliado a Magalhães Pinto, Tancredo era o político mais forte de Minas.

Mas Figueiredo deu um passa-moleque no PP e instituiu o voto vinculado. Naquele ano haveria eleições de vereador a governador, e o eleitor só poderia votar em candidatos do mesmo partido. O PP não tinha bases municipais fortes e reagiu ao voto vinculado resolvendo (re) fundir-se ao PMDB. No acordo em Minas, Tancredo virou candidato a governador pelo PMDB e Itamar, docemente constrangido, ganhou a reeleição ao Senado.

Em 1986, Itamar deixou o PMDB, pois queria ser candidato a governador mas Newton Cardoso lhe tomara a máquina partidária. Candidatou-se pelo PL, perdeu e parecia caminhar para o ostracismo. Seu mandato terminaria em 1990, mas um ano antes ele aceitou ser o vice do então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, na disputa pela Presidência. Collor elegeu-se, sofreu o impeachment e Itamar virou presidente da República. Fez o Plano Real, elegeu o sucessor (FHC) em 1994 e saiu do palácio nos braços do povo (essa é uma figura de linguagem).

Quatro anos depois, queria novamente disputar a Presidência pelo PMDB. Certamente perderia a eleição, como se viu depois. Mas o PMDB governista sabotou sua candidatura e a legenda ficou fora da disputa, como hoje. Itamar virou então candidato a governador de Minas. Elegeu-se.

Itamar tem a carreira política mais completa da República. Quando um jornalista certa vez perguntou a Tancredo Neves, já governador de Minas, por que apostava em seu neto Aécio como herdeiro político, recebeu a seguinte resposta: "Em política é preciso ter estrela. O Aécio tem estrela, como o Itamar".

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Sob pressão, Lula erra ao ironizar Itamar (28/07)

Não creio que Luiz Inácio Lula da Silva seja um sujeito arrogante. Prefiro acreditar que, sob pressão, ele erra. Sua referência hoje à idade do ex-presidente Itamar Franco é um exemplo. Itamar declarou apoio a um adversário de Lula, o tucano Geraldo Alckmin, e fez ataques ao governo do petista no terreno da ética. Segundo a Agência O Globo, Lula respondeu assim:

"- Primeiro, eu não comento uma posição de um ex-presidente. Quando chegam acima dos 75 anos as pessoas têm de ter o mínimo de liberdade de fazer suas opções. Não sou eu que vou fazer julgamento. O que eu acho é que o Brasil é um país livre e 180 milhões de brasileiros podem torcer para o Corinthians ou Palmeiras ou Flamengo ou Vasco sem que isso seja ofensivo a qualquer pessoa - disse Lula, acrescentando:
- Só desejo ao presidente Itamar acerto nas suas decisões."


Não sei se alguém já perguntou a Lula qual é, na visão dele, a idade mínima que uma pessoa precisa atingir para "ter o mínimo de liberdade para fazer suas opções". Seria só acima dos 75 ou poderia ser antes? E aos 70? O sujeito já não teria o direito de fazer o que lhe desse na telha? E aos 65? E aos 60? Lula, por exemplo, fez suas opções bem cedo e ninguém o censurou por isso. A bem da verdade, o que Lula disse não tem pé nem cabeça. Só foi um jeito enviesado de fazer referência à idade do mineiro.

Não sei se Lula está magoado com Itamar, mas dá para perceber que Itamar está magoado com Lula. O presidente se aliou aos adversários de Itamar em Minas Gerais, que tratoraram o ex-presidente e impediram que ele obtivesse a legenda para disputar o Senado pelo PMDB. São coisas da política. Mas Itamar não gostou. Tem o direito de não ter gostado, assim como tem o direito de atacar Lula. Lula também tem esse mesmo direito, mas a maneira pela qual reagiu foi pouco inteligente. Abriu espaço para que Itamar se vitimize. Lula anda destreinado. Bem ele, o maior especialista brasileiro em vitimização.

Fora isso, brigar com Itamar dá um azar danado. Itamar Franco é o sujeito mais sortudo da história política do Brasil. Não vou entrar em detalhes agora. Um dia desses escrevo sobre isso.

Acho que na verdade Lula está sob pressão. Tenho dito aqui que o presidente vai bem nas pesquisas mas está isolado politicamente. Uma frase da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na mesma reportagem é sintomática: "O apoio que interessa, que agrega, é o do povo brasileiro". A ministra é uma mulher inteligente e de larga experiência política. Ela certamente sabe que não é bem assim. O eleitorado não é uma massa à deriva, à espera de alguém que lhe indique o caminho da verdade. As pessoas têm referências, seguem líderes, nutrem respeito por pessoas, tomam decisões muitas vezes com espírito de tribo.

Além do mais, Lula cometeu um erro imperdoável do ângulo da cultura política mineira. Minas é um estado em que a única coisa imperdoável é agredir. A política em Minas é o exercício diário de matar acariciando.

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Um Congresso (ainda mais) fraco será a herança da crise (28/07)

O próximo quadriênio vai assistir à relação mais desequilibrada entre Executivo e Legislativo da História do Brasil, em tempos democráticos. Um dos resultados práticos da atual crise política será a emergência de um presidente muito forte (qualquer que seja) e de um Congresso muito fraco. Muitos dos parlamentares da elite congressual que vem comandando as investigações das CPIs não vão voltar, principalmente porque boa parte deles disputam cargos majoritários. Haverá um contingente razoável de parlamentares reeleitos acusados de irregularidades, o que vai ocupar boa parte da agenda de iniciativa do Legislativo (leiam reportagem de O Estado de S.Paulo). Dezenas de deputados e senadores terão sido eleitos por partidos que não terão atingido a cláusula de barreira, e serão pasto para os grandes partidos. Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin falam em fidelidade partidária, mas a primeira coisa que seus eventuais governos farão será estimular o troca-troca partidário para o Executivo montar uma maioria dócil. E o eleito vai conseguir. Vai ter chão limpo pela frente para aprovar o que quiser. O próximo Congresso será o mais distante do sentimento das ruas de toda a História do Brasil. Vocês discordam de mim? Anotem e me cobrem depois.

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quinta-feira, 27 de julho de 2006

Dois gols de Putin (27/07)

A Rússia marcou dois grandes gols diplomáticos esta semana, nos encontros do presidente Vladimir Putin com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o ministro do Exterior da Arábia Saudita, Saud al-Faisal.

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Coração quente, cabeça fria e Kaliningrado (27/07)

Fiquei um tempo sem escrever sobre a guerra entre Israel e o Hezbollah. Meus posts anteriores geraram reações radicais, a favor e contra. Recebi emails de conhecidos, indignados com as explicações históricas apresentadas por mim para o conflito atual e para eventos passados, acontecidos na Segunda Guerra Mundial. Teve até gente que se chateou por concordar comigo!!! Como me classificam em outra coluna do espectro político, incomodaram-se com essa assimetria, que deve ter mexido com suas cabeças. Mexeu tanto que alguns me "acusaram" de defender minhas posições por ser judeu. Imaginem o que aconteceria se, por exemplo, no debate sobre cotas para negros nas universidades alguém dissesse: "Você defende cotas porque é preto". Seria um Deus nos acuda. Porque o racismo contra os pretos não é politicamente correto.

Pena que tenha recebido poucos contra-argumentos. Quando escrevi que o grau de sofrimento das vítimas civis não determina de que lado está a justiça (até porque há sofrimento civil em ambos os lados) e também que a força pode eventualmente ser usada pelo lado "justo" para dissuasão (dei exemplos históricos), irritaram-se. Paciência, quem sai na chuva se molha. Só lamento que esses mesmos que agora se irritam nunca tenham conseguido se indignar (pelo menos nunca me mandaram emails, nem nunca telefonaram) com as mortes de crianças, mulheres e velhos destroçados pela ação sistematica de homens-bomba. Eis o problema: quem usa a tragédia e o sofrimento humanos como biombo para seus propósitos políticos acaba desmascarado quando exibe a própria incapacidade de se compadecer do adversário exposto à desgraça.

Essa é uma discussão sempre complicada. Todos temos os nossos mortos e mutilados, fisicamente ou espiritualmente. Mas não façamos disso um expediente para atrair a piedade alheia e demonizar o adversário. Mantenhamos o coração quente e a cabeça fria. Coloquei aqui neste blog tempos atrás uma questão que me parece razoável. Pelo menos ninguém contestou. Em qualquer discussão sobre o conflito no Oriente Médio, a preliminar é o sujeito dizer se defende ou não a existência de um Estado judeu na Palestina. Desculpem, mas isso determina todo o resto. Ou então a pessoa entra na turma do "veja bem": "Veja bem, não é que eu seja contra Israel, mas acho que todos os palestinos deveriam voltar para as terras e casas que ocupavam antes de 1948, e penso que a melhor solução política para o problema seria um Estado laico democrático e binacional, onde judeus e árabes conviveriam pacificamente".

Pronto, o sujeito acabou de dizer que é contra a existência de Israel sem dizê-lo, pregou a extinção do Estado judeu de um jeito simpático e politicamente correto. Por que a ascensão do Hamas e do Hezbollah criou constrangimentos aos defensores da extinção de Israel? Porque são duas organizações que pregam abertamente a tranformação de toda a antiga Palestina num Estado islâmico. Fica difícil para o sujeito defender isso tomando uma cervejinha num bar da Vila Madalena (desculpem a referência paulistana). É por isso que se recorre à exploração do sofrimento como ferramenta de propaganda. Faltam-lhe razões? Apele à emoção, que sempre ajuda.

Uma das batalhas mais ferozes e sangrentas da Segunda Guerra Mundial foi a tomada da Prússia Oriental pelos soviéticos (tem gente que se incomoda com os exemplos históricos, mas paciência; ninguém é obrigado a ler este blog, certo?). Königsberg foi "russificada" e virou Kaliningrado, que hoje é um bolsão russo isolado entre os Países Bálticos, a Polônia e o mar (clique no mapa para ampliá-lo). Não se sabe de algum pleito alemão para retomar a região e regermanizá-la, com a volta dos alemães que de lá saíram. Os alemães sabem que isso significaria uma declaração de guerra contra os russos. Como Berlim quer paz, reconhece a realidade dos resultados militares obtidos no terreno de batalha e toca a vida adiante. Vejam que recorro a um exemplo de 1945, da mesma época, portanto, em que aconteceu a partilha da Palestina.

A guerra de Israel contra o Hezbollah é a continuação da guerra desencadeada pela decisão da ONU de criar um Estado judeu e um palestino na região, em 1947. Os judeus aceitaram a decisão e criaram seu Estado. Os árabes rejeitaram-na e apostaram na guerra. As sucessivas derrotas árabes e algumas israelenses (Líbano, por exemplo) criaram uma realidade no terreno militar. Para haver paz, é preciso que todos estejam de acordo em transportá-la para o terreno político. Por isso, acho eu há muitíssimo tempo, a única solução é todos os países da região apoiarem a solução de dois Estados, um judeu e um palestino.

Mas se você discorda, se você acha que se pode alterar a realidade militar de modo que o statu quo político final seja mais favorável aos adversários de Israel (eventualmente, até com a extinção do país), você tem todo o direito de pensar assim. Só não se lamente quando perceber que essa opção pode (vai) mergulhar o povo palestino numa aventura e levá-lo a mais um desastre. Como afirmou alguém que colocou um comentário neste blog, só faça o favor de lutar com honra. Com as armas ou com as palavras.

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Salas de aula e professores. Que simples! (27/07)

A Índia diz que não vai entrar no projeto de um laptop de US$ 100, idéia desenvolvida por Nicholas Negroponte. Ele andou circulando também por aqui com a proposta, e parece que o governo brasileiro está estudando a idéia de comprar milhões dessas maquininhas. Deus nos livre. A declaração do secretário indiano da Eduação sobre o assunto é uma frase que vale por um programa de governo. Diz o senhor Sudeep Banerjee: "Nós precisamos de salas de aula e professores mais urgentemente do que de ferramentas fantasiosas". Ele poderia ter dito "brinquedos" em vez de ferramentas, daria na mesma. É de uma simplicidade lapidar. Querem dar computadores baratos às crianças? Ótimo. Dêem renda a suas famílias e reduzam os impostos, que a coisa acaba indo. Havendo demanda, haverá quem queira vender. Todo dinheiro público disponível para a educação deve ser empregado em professores e salas de aula. Aliás, quanto custaria colocar todas as crianças em idade escolar em horário integral, pelo menos até o ensino médio? Alguém já fez essa conta?

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Pela isonomia entre políticos e economistas (27/07)

Título de nota no boletim distribuído hoje pela consultoria Tendências a seus clientes:

"Superávit do setor público fica acima do esperado".

E segue o texto:

"No acumulado em 12 meses, todos os entes apresentam superávit primário acima da meta, como proporção do PIB. O resultado do setor público consolidado de junho, divulgado pelo Banco Central, ficou acima de nossa expectativa (superávit de R$ 8,9 bilhões) e atingiu R$ 10,44 bilhões, o que representa 4,51% do PIB no acumulado de 12 meses. O superávit do governo central (pela ótica abaixo da linha) ficou acima do divulgado pelo Tesouro (R$ 5,9 bilhões), tendo atingido R$ 6,87 bilhões, e foi o principal responsável pela disparidade em relação à nossa projeção para o setor público consolidado [o negrito é meu]. Os governos regionais, que englobam estados e municípios, tiveram superávit primário de R$ 1,47 bilhão, próximo da expectativa. As empresas estatais registraram em junho superávit de R$ 2,095 bilhões, ficando levemente acima de nossa expectativa de R$ 1,5 bilhão. O superávit das empresas estatais foi positivamente influenciado pela alta nos preços do petróleo. O governo central registrou superávit (acumulado em 12 meses) de 2,68% do PIB, acima da meta para o ano de 2,5% do PIB. O superávit dos governos regionais acumulado em 12 meses correspondeu a 0,95% do PIB, sendo que a meta para este ente é de 0,9% do PIB. As estatais registraram superávit de 0,88% (acumulado em 12 meses) do PIB, sendo que a meta para o ano é de 0,85% do PIB."

Sabe todas aquelas reportagens, análises, editoriais, projeções e declarações peremptórias que você leu ou ouviu nos últimos tempos sobre a suposta "farra fiscal" neste ano eleitoral? Esqueça, jogue fora, delete, risque do seu caderninho. Pena que você não possa reaver o tempo que certamente desperdiçou com o assunto, nem que tenha sido apenas para tomar conhecimento dele.

O Brasil será um país melhor no dia em que os economistas forem tão cobrados por suas previsões quanto os políticos o são por suas promessas.

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quarta-feira, 26 de julho de 2006

Boa, mas perigosa (26/07)

Tem gente que desconfia de pesquisas. Houve tempo em que eu também desconfiava. Aí resolvi o (meu) problema usando a estatística. Em vez de desconfiar das pesquisas, passei a acreditar em todas. A média entre elas, descontado algum ponto fora da curva, deve estar bem perto do que seria um retrato fiel da realidade.
Quando comecei este blog, pensei em fazer uma página com links para todas as pesquisas. Depois desisti, porque o jornalista Fernando Rodrigues já faz isso muito bem em seu site. Internet é isso. Em vez de reinventar a roda, dê um link.
O que dizem as pesquisas? Que Luiz Inácio Lula da Silva está ali, no limite para ganhar a eleição no primeiro turno. Se tiver que disputar uma segunda votação, tem uma vantagem razoavelmente confortável, de quase dez pontos, sobre o adversário mais certo, Geraldo Alckmin.
Lula mostra resiliência. Mantém um desempenho pouco acima do primeiro turno e pouco abaixo do segundo turno de quatro anos atrás, quando venceu com folga. Mais ainda: não se nota erosão significativa do eleitorado do presidente, pois o crescimento de Alckmin (e, em menor grau, de Heloísa Helena) se deu apenas agregando votos de outros candidatos que saíram da disputa.
Esse é o lado bom para o presidente. Mas há o lado ruim: os candidatos pró-Lula nos estados apresentam desempenho anêmico, especialmente nos grandes colégios eleitorais. É impressionante que o candidato do PT no Rio de Janeiro esteja com 1%. E que o partido em São Paulo perca do PSDB nas simulações de segundo turno na proporção de três para um. Nem é necessário falar da situação de Minas e da Bahia. E há o isolamento político, retratado no fato de Lula ter menos tempo de TV que Alckmin.
Lula vai liderando as pesquisas com base em seu eleitorado próprio, com base na ligação mais íntima com os pobres e com o Nordeste. Tem contra ele a esmagadora maioria do empresariado, da classe média alta e da imprensa [Advertência: isso não é uma crítica, é só uma constatação, pois cada um tem o direito de apoiar quem lhe aprouver]. E não tem uma rede de apoios políticos tão relevante assim.
O que vai prevalecer no final? A liderança de Lula ou o exército adversário? Numa conversa meses atrás com Geraldo Alckmin, ele me disse acreditar que eleição se decide na relação direta do candidato com o eleitor. Se estiver certo, é bom para Lula. Alckmin deve saber o que diz, tem larga experiência em buscar voto.
Eu prefiro a cautela. Tive sorte de não dar aqui neste blog Alckmin como morto tempos atrás, quando essa era a moda. Agora a onda é dizer que o tucano está crescendo rapidamente. Nem tanto. Noves fora, a situação parece estar mais ou menos assim: o candidato do PSDB precisa arrancar de Lula uns cinco ou seis milhões de votos, seja para provocar o segundo turno, seja para ganhá-lo.
De onde podem vir esses eleitores? Teoricamente, de um esforço nos grandes estados para transferir a Alckmin votos dos candidatos a governador do PSDB (São Paulo, Minas) e PFL (Bahia).
A situação de Lula é boa, mas é perigosa.

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terça-feira, 25 de julho de 2006

Os números do Ibope (25/07)

1. turno: Lula 44% Alckmin 27% Heloísa Helena 8%, outros 3%
2. turno: Lula 48% Alckmin 39%

O detalhe, que já vem sendo tratado neste blog, é que os votos que não são Lula no primeiro turno vão em ampla maioria para Alckmin no segundo.

Leia também a nota anterior (Chegar e Passar).

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Chegar e passar (25/07)

A nova pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial que o Jornal Nacional divulga hoje vai confirmar o estreitamento da vantagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sobre o ex-governador Geraldo Alckmin. O Ibope, o Datafolha, o Vox Populi e a Sensus estão dizendo fundamentalmente a mesma coisa. Se estivéssemos numa corrida de Fórmula 1, poderíamos dizer que Lula já enxerga Alckmin no retrovisor. A propósito, lembrei de algo que o Reginaldo Leme (ou seria o Galvão Bueno?) dizia sobre os adversários de Ayrton Senna: uma coisa era chegar no piloto brasileiro, outra bem diferente era passar. Foi isso que me disseram hoje dois analistas de pesquisa com quem conversei. Ambos acham que Lula está no osso, e que vai ser difícil para Alckmin passá-lo. Apostam que o horário gratuito pode dar uma certa alavancada no petista. Eu tenho dúvidas. Como notei em post anterior, o ambiente entre os eleitores "não-Lula e não-Alckmin" é desfavorável ao presidente, o que mostra certo grau de isolamento dele. Mas os dois analistas citados acima dizem que Lula tem un "núcleo duro" de 40% do eleitorado, patamar que lhe permite disputar em vantagem contra Alckmin num eventual segundo turno.

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segunda-feira, 24 de julho de 2006

Praticando jornalismo com Heloísa Helena. Por que não com todos? (24/07)

Acabei de assistir aos telejornais, coisa que não fazia havia dias. Diziam-me que já há algum tempo a cobertura da campanha da senadora Heloísa Helena (PSOL) andava crítica. Ela não mais diz o que quer, livremente. É questionada pelos repórteres e apresentadores. O problema não é fazerem isso com ela, o problema é não fazerem isso com os demais.

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Boa escolha (24/07)

Gostei da indicação de Dunga como o novo técnico da seleção brasileira de futebol. A primeira razão é que ele tem liderança. Uma boa temporada sem estrelismos vem a calhar. A segunda razão é que sem Vanderlei Luxemburgo o meu Santos, com esse time, acabaria caindo para a segundona.

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Passado e futuro (24/07)

O marxismo talvez seja o mais oriental dos modos ocidentais de pensar. Ou será o contrário? E dou um doce para quem definir, com precisão, se a Rússia deve ser classificada na coluna do Ocidente ou na do Oriente. Por que digo isso? Falava outro dia pelo telefone com um amigo que considero ultraliberal (espero que ele não se incomode com a classificação), categoria que vem sendo associada à direita. É um equívoco, desculpem, estúpido. Um equívoco cuja raiz está em outra associação mecânica, entre a esquerda e o antiliberalismo. Hoje em dia, o sujeito acha que ser de esquerda é ser contra o liberalismo, contra o desenvolvimento capitalista e contra os Estados Unidos. Depois reclamam quando dá errado. Lembro que a esquerda mundial vibrou com a revolução islâmica que, em 1979, derrubou o xá Reza Pahlevi e instituiu no Irã a república dos aiatolás. Havia ali um forte partido comunista, o Tudeh (Massas), que decidiu apoiar a revolução e participar do governo. Poucos anos depois, o partido foi banido e milhares de seus dirigentes e membros foram presos. Hoje, o Irã tem um presidente que nega o Holocausto e prepara bombas atômicas para estender a influência do fundamentalismo xiita pelo máximo de espaço geopolítico que conseguir. Quando leio algumas análises, concluo que há gente entre nós que mereceria viver num mundo no qual o Hezbollah e o Hamas controlassem toda a Palestina, com mísseis nucleares de origem iraniana apontados para a Europa. Sim, caros amigos, acho que vocês não pensaram nisso. Os mísseis que hoje apontam do Líbano para o sul podem amanhã ser apontados para o norte. A peça seguinte do dominó a cair seria a Turquia. Percebam o pouco (escasso) entusiasmo no mundo árabe diante do xeque Hassan Nasrallah. Mas, voltemos à conversa com meu amigo ultraliberal. Disse a ele, no telefone, que boa parte da atual confusão entre o Ocidente e o Islã não existiria caso a União Soviética ainda estivesse de pé. Por respeito a mim, acho, ele ficou silencioso do outro lado da linha, antes de observar que os projetos políticos do socialismo soviético e do Ocidente capitalista eram estrategicamente antagônicos. Sim, mas e daí? Esse fato não impediu que todos se unissem contra a Alemanha de Adolf Hitler, depois de cada um dos dois oponentes ter flertado por algum tempo com o führer. Cada lado esperava induzir o ditador alemão a voltar sua fúria genocida contra o outro. Quando ficou claro que a aposta de Hitler era contra todos, uniram-se e liquidaram-no. Nos livros de História do futuro (espero que não tenham que passar pela censura dos aiatolás e dos xeques), os historiadores deverão registrar que a dissolução da União Soviética derrubou o muro que continha o Islã radical. Esse muro era a aliança entre o socialismo e o nacionalismo árabe laico. Os nacionalistas árabes também tinham (e têm) um pé no terrorismo, assim como alguns ramos do sionismo, mas não eram (não são) adeptos da jihad. Sorte nossa que a Rússia esteja se reerguendo e reassumindo seu papel global. Que a disputa de poder no mundo se dê entre Washington e Moscou (ou Pequim). Será um cenário bem mais saudável do que imaginar o planeta refém de Osama Bin-Laden e Mahmoud Ahmadinejad.

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E o Brasil, vai fazer o quê? (24/07)

O presidente Hugo Chávez está perto de fechar negócio com a Rússia, para a compra dos modernos e mortíferos caças Sukhoi. É uma decisão soberana da Venezuela, mas que desequilibra as forças militares no continente. E o Brasil, vai fazer o quê? Com a palavra, o governo e os candidatos.

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domingo, 23 de julho de 2006

Monstruosidades da guerra justa (23/07)

Coloquei dias atrás um post sobre o bombardeio de Dresden, na Segunda Guerra Mundial, e perguntei: a destruição da cidade alemã, a poucos dias do final do conflito, foi um crime de guerra? Nada menos que 30 mil civis alemães perderam a vida pela ação de bombas incendiárias americanas e inglesas, uma das maiores tragédias das guerras modernas.

Na época não havia a CNN. Fosse hoje, possivelmente teríamos que assistir ao Dr. Paul Joseph mostrar na televisão imagens de crianças alemãs destroçadas, e também ouvir algum representante da Liga das Nações pedir um cessar-fogo imediato, para interromper o sofrimento da população civil da Alemanha. Como se sabe, não foi isso que aconteceu: Berlim teve que se render incondicionalmente aos Aliados, o que sem dúvida acabou sendo uma solução bem melhor para a população alemã.

Alguns meses depois, em escala maior, o Japão foi palco de um acontecimento semelhante. Os americanos lançaram duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, o que acelerou a rendição japonesa. Hoje, a palavra de ordem universal é "Hiroshima nunca mais", mas nem os generais americanos nem o presidente Harry Truman passaram à História como criminosos de guerra ou foram submetidos a alguma corte internacional.

A guerra é uma monstruosidade, mas até ela obedece a certas regras. Uma delas: se você quer me destruir, quer me matar, se você não admite minha existência, é aceitável que eu vá à guerra contra você, para evitar que você alcance seu objetivo. Uma vez iniciado o conflito, é razoável que eu queira vencer, para que o statu quo resultante da minha vitória elimine (ou ao menos minimize) a possibilidade de você voltar a ter a má idéia que deu início a toda a confusão.

A guerra é monstruosidade, que carrega outras monstruosidades em seu ventre. Uma monstruosidade é o sofrimento imposto aos civis, especialmente às crianças. Monstruosidade maior é usar a tragédia das crianças vítimas da guerra como biombo para ocultar objetivos políticos e militares. Monstruosidade pior ainda é fazer distinção entre o sofrimento das crianças conforme sua origem racial, nacional ou social.

Se você é capaz de festejar (ainda que intimamente) a morte de crianças "inimigas" destroçadas por homens-bomba, enquanto exibe para as câmeras imagens de suas próprias crianças vitimadas por ações militares do inimigo, você já está fora da civilização, ainda que ninguém lhe tenha avisado.

Ah! Ninguém mandou mensagem respondendo minha pergunta sobre Dresden. Este blog é pouco (mas bem) freqüentado. Além disso, há certas peguntas que é melhor não responder. Outra curiosidade que tenho é imaginar como seria a cobertura da Segunda Guerra Mundial por jornalistas "isentos", tal como os conhecemos hoje.

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sábado, 22 de julho de 2006

Por que luta Nasrallah (22/07)

For Hezbollah, survival may equal victory (Para o Hezbollah, sobreviver significará ter vencido) é o título de reportagem de Hamza Hendawi, correspondente da Associated Press (AP) em Beirute. "O líder do Hezbollah admite que tropas israelenses podem tomar o sul do Líbano. Mas se ele e seus militantes conseguirem sobreviver e continuar lutando, ele cimentará sua imagem de novo herói do nacionalismo árabe". Clique aqui para ler a íntegra.

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Por que o segundo turno é arriscado para Lula (22/07)

Clique na imagem para ampliar a tabela que retirei da última pesquisa Datafolha. Na minha opinião, um dado que deve preocupar Luiz Inácio Lula da Silva (e alegrar Geraldo Alckmin) são os números circulados em vermelho. Num eventual segundo turno contra Lula, Alckmin recebe o apoio dos eleitores "neutros" do primeiro turno numa proporção de dois para um. Ou seja, a tendência entre quem não é nem Lula nem Alckmin no primeiro turno está mais favorável ao tucano no segundo turno. É um sintoma de isolamento político do presidente. Como segundo turno é plebiscito, o ex-governador de São Paulo parece hoje mais capaz de criar uma "onda" favorável a si próprio. Mas só saberemos se essa tendência vai se consolidar depois que Lula entrar em campanha, efetivamente. Quando falo entrar em campanha, refiro-me a travar o debate político direto com os adversários.

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O cessar-fogo no Líbano e as lições de Brest-Litovsk (22/07)

Transcrevo trechos de editorial de hoje da Folha de S.Paulo, cujo título é Cessar-fogo:

Trecho 1: "É imperativo suspender as hostilidades no Líbano. Quanto antes isso ocorrer, mais vidas de civis serão preservadas. Lamentavelmente, são fortes os indícios de que os EUA bloquearão por mais alguns dias qualquer tentativa do Conselho de Segurança da ONU de exigir o cessar-fogo. O governo de George W. Bush deverá dar a Israel mais tempo para destruir o máximo possível da infra-estrutura e da capacidade operacional da milícia xiita Hizbollah."

Trecho 2: "O papel das Nações Unidas não deve limitar-se a restabelecer o "statu quo ante". Fazê-lo significaria apenas lançar para um futuro próximo a data do próximo embate. Para garantir que Israel não volte a atacar o Líbano, será preciso desarmar o Hizbollah, grupo que, apesar de ter-se integrado à política libanesa como partido, jamais deixou de atacar Israel. E o fazia contra a vontade e os interesses do governo libanês, de cuja coalizão é parte."

Trecho 3: "A chave para que Israel e Líbano possam viver em paz é dar ao governo de Beirute controle integral sobre seu território."

Nesse ponto da leitura, você já percebeu a contradição antagônica, insolúvel, entre o primeiro trecho e os dois outros. A necessidade imperiosa de enfraquecer o Hezbollah é incompatível com a suspensão imediata das hostilidades. Para que o governo libanês assuma controle efetivo de sua fronteira sul, o Hezbollah precisa ser neutralizado militarmente, condição prévia para que deixe de ser um "Estado dentro do Estado". Há situações em que a guerra é o único caminho para construir a paz.

Está na cara que o Hezbollah não vai se desarmar apenas porque a ONU quer. A ONU já decidiu isso lá atrás, e não adiantou nada. A Síria retirou-se formalmente do Líbano mas continua ali indiretamente por meio do Hezbollah, que é útil para Damasco desde que mantenha Israel sob pressão militar. A esse fator juntou-se nos últimos tempos a vontade iraniana de ter maior papel na geopolítica regional, para o que o Hezbollah também contribui.

A Síria deseja ter de volta as colinas do Golan, território que perdeu na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e que tentou retomar na Guerra do Yom Kippur, em 1973, sem sucesso. Hoje, a Síria não mais tem chances de vitória contra Israel numa guerra convencional. Poderia fazer como seu parceiro da guerra de 1973, o Egito, que reconheceu o direito de Israel à existência, estabeleceu relações diplomáticas com o Estado judeu e recebeu de volta toda a Península do Sinai, também perdida em 1967.

A Síria afirma que não fará a paz com Israel enquanto o problema palestino não estiver resolvido. Mas é ela mesma quem ajuda a bloquear qualquer solução realista, ao abrigar e apoiar as correntes palestinas que defendem a eliminação de Israel como precondição para a paz no Oriente Médio. Já o Irã vê em Israel a ponta-de-lança do Ocidente e dos Estados Unidos na região, o que transforma o Estado judeu em inimigo estratégico do regime dos aiatolás, empenhado em estender sua influência por meio da expansão de sua visão particular do Islã.

Enfraquecer o Hezbollah é essencial para limitar o poder do Irã e, principalmente, da Síria. Por isso, a sobrevivência da milícia nos moldes atuais é incompatível com a existência soberana do Líbano. Esse certamente será o eixo central das discussões na próxima quarta-feira em Roma. O governo italiano de esquerda vai reunir os Estados Unidos, o Líbano, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Egito, a Arábia Saudita, a Jordânia, a ONU e a União Européia para buscar uma paz de longo prazo entre libaneses e israelenses.

os amigos e aliados do Hezbollah querem um cessar-fogo imediato e incondicional, para que Israel não enfraqueça demais a milícia xiita. É o sinal mais importante de que o Hezbollah subestimou as conseqüências políticas e militares de sua ação na fronteira com o Estado judeu. O xeque Hassan Nasrallah, líder da milícia, certamente não esperava que a maioria do mundo árabe lhe voltasse as costas, nem que a opinião pública israelense se unificasse (pela primeira vez em duas décadas) a favor de uma ação militar em seu (de Israel) "vietnã" particular.

Nasrallah talvez esperasse que a pressão das ruas árabes empurrase seus respectivos governos a apoiá-lo. Cometeu um erro de avaliação parecido com o de Leon Trotsky nas negociações de Brest-Litovsk para a paz entre Rússia e Alemanha na Primeira Guerra Mundial. O líder da recém-estabelecida Revolução Russa recusou-se a fazer concessões à Alemanha, imaginando que as massas trabalhadoras européias se levantariam em defesa do novo estado de operários e camponeses. O mapa (clique nele para ampliar) mostra, em rosa, o que custou à Rússia soviética o erro de Trotsky.

Clique aqui para ler mais sobre as negociações de Brest-Litovsk em 1918.

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sexta-feira, 21 de julho de 2006

Entre reuniões e aeroportos, uma leitura útil para o Itamaraty e Lula (21/07)

Este será (está sendo) um dia gasto em reuniões, aeroportos e aviões. Mas deu tempo de colocar na seção Textos de outros uma boa análise de Pyotr Romanov, comentarista político da agência (quase) oficial russa Novosti, sobre a guerra entre Israel e o Hezbollah. Deveria ser lido no Itamaraty, para que nossa diplomacia e nosso presidente deixassem de lado as platitudes sobre o assunto.

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Mosquitos transgênicos na luta contra a malária (21/07)

Quer ler, só para variar, sobre um assunto importante? Gaste um tempinho para conhecer a reportagem de Mario Osava sobre o uso da transgenia em mosquitos, para impedir a transmissão da malária, doença que afeta quase meio bilhão de pessoas por ano, 90% na África. Clique aqui para saber.

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Polêmicas históricas (I): O bombardeio de Dresden (fevereiro de 1945) foi ou não um crime de guerra? (21/07)

Em fevereiro de 1945, a Alemanha de Hitler já estava quase batida, mas ainda tinha forças para causar perdas aos inimigos. Naquele mês, os aliados executaram uma das ações mais controversas da guerra: o bombardeio de Dresden. Em torno de 30 mil alemães perderam a vida. O bombardeio de Dresden foi ou não um crime de guerra? Para entender a polêmica, clique aqui e leia a página especial da Wikipedia sobre o assunto. Na foto (clique para ampliar), o retrato clássico da cidade destruída pelas milhares de toneladas de bombas incendiárias britânicas e americanas.

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quinta-feira, 20 de julho de 2006

O mundo vai rolar de rir de nós (20/07)

Do site do TSE, na última terça-feira:

"Brasília, 18/07/2006 - O secretário-geral da executiva nacional do Partido Social Liberal (PSL), Ronaldo Nóbrega, protocolou Consulta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual questiona se os blogs podem opinar sobre os candidatos.
O secretário-geral do PSL quer saber se podem ser criados blogs, ou comunidades online em páginas de provedores de serviços de acesso à internet, que venham opinar sobre candidatos.
Ele também pergunta se os sites mantidos pelos partidos políticos e os sites pessoais de candidatos na internet podem redirecionar o internauta para a página de domínio do candidato do partido para as eleições (www.nomedocandidato.can.br).
O artigo 71 da Resolução 22.261 do TSE dispõe que os candidatos poderão manter página na internet com a terminação can.br, ou com outras terminações, como mecanismo de propaganda eleitoral."

Essa questão não me atinge. Meu blog está hospedado nos Estados Unidos (blogger.com), onde não pode ser alcançado por consultas como a do senhor Nóbrega. Se o TSE responder que os blogs estão proibidos de opinar sobre as eleições, minha sugestão é que todos façam como eu: busquem asilo político virtual em outros países, onde o processo civilizatório tenha caminhado mais do que aqui. Vamos instalar os blogs no Google, no Wordpress e outros. À luta, meus camaradas!

Ah, sim! A última tese agora é dizer que a senadora Heloísa Helena está subindo nas pesquisas porque aparece bem no Jornal Nacional. Não há elementos que comprovem isso, a tese é mais uma da turma do "eu acho". Mas está na cara que vai colar, porque se encaixa perfeitamente em nosso psiquismo de traços persecutórios. Aposto que não vai faltar quem, por causa disso, pense em pedir (mais) vigilância do TSE sobre o conteúdo editorial dos veículos.

Se todas essas maluquices vingarem, teremos finalmente chegado ao poder. Só nós, os blogueiros do exílio, poderemos dar opinião sobre os candidatos sem correr o risco de perder a liberdade ou o patrimônio. Teremos o monopólio do debate político.

Para nos combater, e para que a coisa fique mais divertida, alguém poderia pedir ao TSE que mande bloquear o acesso a sites estrangeiros que têm conteúdo relativo às eleições brasileiras. Torço para que isso aconteça. Depois da derrota para a França de Zidane, não consigo pensar em nada mais eficaz para que o mundo todo ria de nós, às gargalhadas.

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Heloísa é o PT do PT (20/07)

A senadora Heloísa Helena causa crescente incômodo no PT desde que a candidatura dela se transformou na escada que tucanos e pefelistas esperavam para provocar um segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. Mas essa circunstância é apenas isso, uma circunstância. Se a candidata do PSOL vai ou não levar a eleição ao segundo turno é problema e assunto dos partidos e dos políticos, não do eleitor. Quem vota quer saber o que cada candidato propõe. Esse negócio de voto útil já era. Quem começou a enterrar a tese foi o próprio PT, um quarto de século atrás, quando decidiu crescer lançando candidatos próprios em todas as eleições, mesmo quando essas candidaturas poderiam dividir (e dividiam) o campo das forças que se opunham ao regime militar. Deu certo. As correntes políticas que pensavam diferente do PT, que propunham as políticas de "frente", foram tão desidratadas que viraram satélites do PT ou de seus adversários. Heloísa é o PT do PT, faz hoje o que o PT fazia quando era pequeno e precisava crescer. Dá vontade de rir quando petistas criticam a aliança tática do PSOL com a oposição tucano-pefelista a Lula. Ao conteúdo, companheiros. Dizer que toda crítica ao Universidade para Todos (Prouni) é conservadora não procede. Tem gente que propõe criar mais vagas para pobres nas universidades públicas com esse dinheiro, em vez de subsidiar o ensino em faculdades privadas. Pessoalmente, acho que as duas coisas deveriam ser feitas, mas é um debate legítimo.

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terça-feira, 18 de julho de 2006

Divagações sobre o Oriente Médio e os líderes que salvaram a Europa de si mesma (18/07)

Assisti num desses dias pela CNN ao pronunciamento do líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. É alguém que realmente merece ser chamado de líder. Nasrallah não se esconde, não oculta seus propósitos atrás de biombos autopiedosos, nem é adepto da autovitimização ou do duplo sentido nas palavras. Yasser Arafat, por exemplo, dizia uma coisa em inglês e outra em árabe, mas seu exercício de contorcionismo político esgotou-se quando levou ao colapso as negociações com Ehud Barak e Bill Clinton em Camp David, em 2000. Se Arafat tivesse aceito a proposta de ambos, hoje provavelmente haveria um Estado palestino em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental (possivelmente a capital). O assunto dos refugiados palestinos teria recebido uma solução inicial e a Al-Fatah seria uma força política incontrastável entre seu povo, um pouco como Nelson Mandela e seu Congresso Nacional Africano na África do Sul. Arafat preferiu deflagrar a segunda Intifada, na suposição de que poderia obter ainda mais, ou seja o direito de retorno, ao território israelense, de milhões de palestinos e descendentes. Ou seja, Arafat queria ter o seu próprio Estado e além disso poder construir uma maioria palestina em Israel. Ou seja, queria inviabilizar Israel como um Estado judeu. Arafat e a Al-Fatah jogaram no tudo ou nada e perderam tudo. Por falar nesse assunto, acho que todas as discussões sobre o conflito no Oriente Médio deveriam começar com uma declaração de princípios: quem opina deveria ser obrigado a manifestar sua posição sobre o direito de Israel existir como um Estado judeu. Eu acho, há muito tempo (desde quando isso não era popular entre os judeus), que o único caminho razoável são dois Estados, um judeu e um palestino, convivendo lado a lado pacificamente. A ONU decidiu a favor disso em 1947, mas tal fato não obriga ninguém a estar de acordo com a decisão. O sujeito pode achar que a melhor solução para o conflito é riscar Israel do mapa. Mahmoud Ahmadinejad, o Hamas e o Hezbollah acreditam nisso e suas ações guardam coerência com tal convicção. No pronunciamento que vi pela CNN, Nasrallah chama o norte de Israel de "Palestina Norte ocupada". Com base nesse conceito de "ocupação", o Hezbollah, apesar de ser um agrupamento político libanês, qualifica-se como "força de resistência". E esse rótulo é reproduzido, por exemplo, pelos correspondentes brasileiros na região, sem que eles expliquem por que o Hezbollah deve ser chamado assim se, afinal, Israel retirou-se de todo o território libanês há pelo menos seis anos, segundo a ONU. Ah, sim, há as Fazendas Shebaa, que o Líbano agora diz pertencerem a ele, quando a própria ONU afirma serem território sírio ocupado por Israel. É um expediente para que o Hezbollah possa manter uma guerra de atrito na fronteira a pretexto de combater uma "força de ocupação". O curioso é que a Síria, apesar de informalmente apoiar a versão libanesa sobre esse litígio, coloca Shebaa dentro de seu território quando desenha seus mapas. A malandragem e o jeitinho não são monopólio dos brasileiros, como se vê. Só que tudo tem limite. Menos a ignorância. A diplomacia brasileira e a Europa classificaram como desproporcional o ataque de Israel contra o Hezbollah depois que a milícia atravessou a fronteira e seqüestrou dois militares israelenses. O que seria, então, uma reação proporcional? Ninguém diz. O Hezbollah não reconhece o direito de Israel à existência, mantém milhares de mísseis e foguetes apontados para Israel e opera inspirado e patrocinado por um país, o Irã, que está a caminho de ter suas próprias armas nucleares. Mas a reação de Israel foi desproporcional, segundo a Europa e a diplomacia brasileira. Sobre a Europa, pouco há a acrescentar. É triste dizer, mas se não fosse pela liderança de Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Josef Stalin, a Europa hoje aprenderia alemão como segundo idioma nas escolas e suas repartições públicas ostentariam o retrato de algum herdeiro político do Führer (na foto famosa da Conferência de Yalta aparecem os três líderes que ajudaram a salvar a Europa de si mesma). A liberdade e a democracia na Europa foram pavimentadas sobre sangue alheio, especialmente o soviético. A historiografia anticomunista tenta apagar esse fato dos livros nas duas últimas décadas, mas é inútil. Ah, sim, há a fascinação brasileira pela Europa. Todo político que deseja exibir "modernidade" e ficar fora do raio de ação do antiamericanismo nativo inventa de ir à Europa para falar do "estreitamento" de nossas relações com os europeus. Geraldo Alckmin acaba de fazer isso, como Luiz Inácio Lula da Silva também já se cansou de praticar. É outro expediente malandro. Aproximar-se da Europa é a maneira de cortejar o mundo desenvolvido sem ser alvejado pela patrulha antiamericana. Só que não dá resultados práticos. Os europeus estão se lixando para a América do Sul, como Lula pôde perceber agora em São Petersburgo.

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segunda-feira, 17 de julho de 2006

O custo de errar na análise da correlação de forças (17/07)

Um interessante texto publicado no site Inter Press News levanta a possibilidade de o Hezbollah ter subestimado qual seria a reação de Israel ao seqüestro de dois militares israelenses em território do Estado Judeu. O IPS é talvez o mais importante serviço noticioso internacional vinculado aos movimentos e organizações não-governamentais que inspiram o Fórum Social Mundial. Clique aqui para ler.

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O eleitor não sai de casa para eleger, ele quer é derrotar alguém (17/07)

Há alguns anos, um amigo ensinou-me a sábia lição que está no título deste post. Eleitores que amam candidatos ou partidos são uma minoria, bem reduzida. A maioria dos eleitores saem de casa no dia do pleito para derrotar alguém. É por isso que construir a rejeição ao adversário é quase tão importante quanto obter os próprios votos. Lembrei disso quando li hoje reportagem de Gerson Camarotti em O Globo sobre a estratégia da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Parece que a campanha do presidente adotará uma atitude olímpica diante dos adversários. Parece que vai combinar a estratégia de Fernando Henrique Cardoso em 1998 com a do próprio Lula em 2002. Francamente, acho que o comando da campanha do presidente está marcando um encontro com a crise, ali pelo começo de setembro, quando saírem as primeiras pesquisas depois do início do horário eleitoral. Ou talvez antes. Lula 2006 tem pouco a ver com FHC 1998 ou Lula 2002. Quando concorreu à reeleição, o tucano tinha fortes bases estaduais. Não é o caso do petista. FHC foi pouco aos estados porque havia ali quem fizesse sua campanha, e também por não querer abrir conflitos entre os apoiadores onde tinha mais de um palanque. O que isso tem a ver com a realidade atual da campanha de Lula na maioria dos estados, especialmente os maiores? Nada. Sobre o Lulinha Paz e Amor de 2002, ele pôde sê-lo porque tinha quem construísse em seu lugar a rejeição a José Serra. Desta vez, Lula será o alvo de todos os demais candidatos. Ou a campanha de Lula sai da toca, ou vai ter surpresas desagradáveis.

Nota: Às 14h51, a campanha de Lula negou o conteúdo da reportagem de O Globo. Clique aqui para ler.

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O nó da questão (17/07)

Alguma hora haverá um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hezbollah. Digo entre Israel e o Hezbollah porque a esta altura está claro para todos que o Líbano não mais pode ser considerado um país soberano, com um governo que controla seu território. As autoridades libanesas formalmente constituídas são hoje pouco mais que porta-vozes do líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. É com ele e seus apoiadores (Síria e Irã) que deverá ser negociado um armistício. Saberemos quem ganhou e quem perdeu essa guerra a partir de algumas variáveis. Israel terá obtido uma grande vitória política e militar se o cessar-fogo acontecer com 1) a devolução dos militares israelenses seqüestrados em território de Israel pelo Hezbollah e 2) o recuo da milícia para a margem direita (norte) do rio Litani (em vermelho no mapa, clique para ampliar), e sem 3) um acordo prévio para a libertação de prisioneiros libaneses encarcerados em Israel. O Hezbollah poderá se dizer vitorioso se conseguir que a soltura dos dois militares israelenses aconteça em troca de presos em Israel. Terá, nesse cenário, aberto um caminho operacional (seqüestro de soldados) para pressionar o Estado Judeu sempre que quiser colocar na agenda a soltura de prisioneiros libaneses. Esse é o nó da questão. Independentemente do desfecho, Israel sabe que precisa destruir o máximo possível da força militar do Hezbollah antes do cessar-fogo e também criar as condições para que o sul do Líbano volte a ser uma zona tampão entre suas fronteiras e a milícia xiita.

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domingo, 16 de julho de 2006

Uma providência prática é democratizar os partidos; se preciso, à força (16/07)

O ex-ministro da Justiça (governo Collor) Célio Borja, um liberal de carteirinha, dá longa entrevista a O Estado de S.Paulo, para falar dos riscos à democracia. A certa altura, ele discorre sobre o que deveria ser feito para democratizar a política e os partidos. Transcrevo:

"OESP - Se os partidos perdem seu papel, para que tipo de democracia estamos caminhando?
CB - Eu sempre me perguntei isso. Será que a democracia é tributária dos partidos? Não é possível que haja outras formas de participação sem eles? E qual a resposta para tudo isso? Não a tenho. Só posso constatar que o partido se transformou em um clube, onde se paga uma mensalidade, mas participar mesmo, deliberar, é para uns poucos. Só vejo uma saída, a de voltarmos à absoluta liberdade de organização política. Acabar com qualquer forma de regulamentação dos partidos. Não regular nada, nem agora nem depois. Acabar com a dependência, como os fundos partidários. Tudo o que está aí foi construído a partir da idéia de que a liberdade não é propriamente a virtude da democracia – privilegiou-se em alguns lugares a fraternidade, em outros, a igualdade. E nunca a liberdade. E, no entanto, ela é a alma da democracia. Temos de refazer a experiência da liberdade."


Célio Borja está certo no diagnóstico e errado na terapêutica. Não existe candidato avulso no Brasil. Para disputar o poder democraticamente, o sujeito precisa pertencer a um partido. Portanto, a liberdade absoluta aos partidos não é garantia de democracia para os cidadãos, mais parece um caminho para a partidocracia, que é o que temos hoje. Vivemos no pior dos mundos. Os partidos recebem dinheiro público, diretamente e por meio do horário gratuito em rádio e TV, mas não têm obrigação de serem democráticos. O presidente do partido pode intervir quando quiser em qualquer diretório e as legendas podem disputar as eleições mesmo que tenham apenas comissões provisórias. A "absoluta liberdade de organização política" levou a isso. Eu penso diferente. Deveria haver leis que obrigassem os partidos à democracia interna. Seus dirigentes deveriam ser eleitos diretamente pelos filiados, em eleições internas organizadas pela Justiça Eleitoral. Onde houvesse apenas comissão provisória, o partido deveria ser proibido de concorrer. Deveriam ser vetadas por lei a intervenção e a dissolução de diretórios. Essa idéia de que a democracia nasce da liberdade absoluta é uma miragem, não tem base histórica. De novo, mostra os limites do pensamento liberal para enfrentar os problemas concretos da política. Clique aqui para ler a entrevista de Célio Borja.

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G-8 aumenta pressão sobre o Hezbollah (16/07)

Ao condicionar o cessar-fogo à devolução, pelo Hezbollah, dos dois militares isrelenses seqüestrados pela milícia, os dirigentes dos oito países endossam na prática a posição de Israel e lançam luz sobre o isolamento dipomático da Síria e do Irã, principais aliados do Hezbollah. Clique aqui para ler a reportagem completa da Reuters.

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sábado, 15 de julho de 2006

E segue a guerra (15/07)

Recebo emails pedindo para comentar a situação do Oriente Médio. Não chega a ser algo estimulante. Nos telejornais, por exemplo, o assunto vem sendo tratado com um primarismo que deveria levar às gargalhadas, não fosse um tema mais adequado às lágrimas. No dia do seqüestro dos soldados israelenses e da imediata reação do Estado Judeu, uma apresentadora disse que os seqüestros eram apenas um pretexto para Israel invadir o Líbano. Alguém poderia se perguntar por quê, afinal, Israel desejaria meter-se no atoleiro libanês no momento mesmo em que enfrenta uma crise grave em Gaza, mas dúvidas assim parecem sofisticadas demais para quem teve contato com a disciplina de História pela última vez nas apostilas do cursinho. Repete-se a cartilha e ponto final. Minha sugestão é que todos assistam à CNN, já que não temos acesso à Al-Jazeera ou a canais israelenses, ou libaneses. Outra sugestão é que as faculdades de jornalismo incluam História (além de Português e Economia) nos currículos. Não vai acontecer, é claro. Continuaremos produzindo profissionais que sabem que "os meios de comunicação manipulam as massas", mas que ignoram como acabou o Império Otomano. Paciência, cada país escolhe seu caminho. Israel deixou claro hoje que seu objetivo militar é empurrar o Hezbollah para a margem direita (norte) do rio Litani (além de recuperar os dois militares seqëstrados). A primeira opção dos israelenses parece ser pressionar o governo libanês para que ele próprio desloque o Hezbollah para o norte, e para que coloque seu (do Líbano) exército como uma força tampão, de dissuasão, entre a fronteira israelense e a milícia fundamentalista islâmica, que além disso deverá ser desarmada. A aposta israelense é que a pressão militar sobre o Líbano forçará Beirute a aceitar essas condições e impô-las ao Hezbollah. A aposta da milícia é que a pressão internacional (especialmente européia) sobre Israel force um cessar-fogo e a abertura de negociações para a troca de prisioneiros. Se isso acontecer, o Hezbollah terá obtido uma vitória política que reforçará sua posição no cenário libanês e regional. Além de reforçar também o Hamas. É mais fácil Israel invadir o Líbano para (tentar) completar o serviço do que aceitar isso.

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Um copidesque para o Itamaraty, por favor (15/07)

Dêem uma olhada na nota que o Itamaraty soltou a respeito da guerra entre Israel e o Hezbollah. Acho que o Itamaraty precisa de um copidesque, de um crítico de textos. Vejam o seguinte trecho: "[O Brasil] reitera sua oposição a atos desproporcionais de represália que possam contribuir para deteriorar ainda mais o já delicado quadro político e humanitário regional". Considerando que uma coisa só se define em oposição a outra, seria interessante saber o que a nossa diplomacia consideraria como "atos proporcionais de represália", adequados àquela situação. Claro que não faz sentido, mas menos mal: tampouco tem qualquer importância. Considerando o grau de eficácia com que nossas autoridades tratam assuntos menos complexos (por exemplo, a questão do PCC) do que o conflito entre os israelenses e a milícia xiita fundamentalista, vamos deixar o tema para ser resolvido diretamente entre o senhores Hassan Nasrallah e Ehud Olmert. É melhor assim. Ainda sobre o Hezbollah, vale a pena ler reportagem de Neil MacFarquhar e Hassan M. Fattah, publicada hoje no The New York Times, material que coloquei na seção Textos de outros. Foge do blá-blá-blá propagandístico e/ou piedoso e lança luz sobre o contexto regional e suas conexões com o atual conflito.

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A população, agradecida, precisa que as autoridades cooperem entre si (15/07)

Aparentemente, PSDB-PFL e PT decidiram dar umas férias ao desatino e começam (governos estadual e federal) a cooperar entre si no combate ao crime organizado em São Paulo. É reconfortante notar que tucanos, pefelistas e petistas optaram por atuar juntos, ainda que momentânea e taticamente, contra o embrião de organização terrorista que ameaça instalar-se sob as barbas de ambos. Ganha São Paulo e ganha o Brasil. E se você acha que estou sendo ingênuo, dê-me pelo menos o direito de sê-lo por algumas horas.

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sexta-feira, 14 de julho de 2006

O sintoma do isolamento (14/07)

O candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, terá bem mais tempo de televisão e rádio que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É um sintoma do principal problema, da principal fraqueza da candidatura petista: o isolamento político. Não deixa de ser espantoso que um ocupante do Executivo candidato à reeleição tenha se mostrado incapaz de costurar um arco de apoios que lhe desse, na propaganda gratuita, pelo menos tempo igual ao de seu principal concorrente. E que isso tenha acontecido porque o PT se recusou a ceder um mínimo de espaços regionais para atrair, por exemplo, o PSB, um partido que apoia Lula desde 2003, nos bons e maus momentos. O PT parece confiar muito mesmo em sua base social, para crer que ela poderá enfrentar (quase) sozinha o amálgama de forças econômicas, políticas e sociais que se unem contra Lula. É uma aposta e tanto. O PT quer fazer da candidatura Lula uma escada para consolidar o poder do PT. Só que escada serve para subir e também para descer. Pode ser que o PT suba por essa escada, mas ela também poderá ser usada pelos adversários para fazer Lula descer de onde está.

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A confissão do fracasso (14/07)

O PSDB e o PFL colocaram para circular a suspeita de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem ligações com o PT. É uma suspeita e tanto. Se confirmada, deverá ter conseqüências graves para o petismo, eleitorais e criminais. Se não, vai ficar na história das eleições brasileiras como exemplo de jogo sujo. Não vou aqui prejulgar. Não sei os elementos que levaram tucanos e pefelistas a fazer as (quase) acusações. E, como a política passa a léguas da verdade e da justiça, talvez nunca venhamos a ter esses elementos à disposição. Aliás, quem não tiver estômago para suportar a mentira, a injustiça e a mistificação deve procurar outro ramo, bem longe da política (e, eventualmente, do jornalismo).
Apenas um detalhe me intriga nessa história. O PSDB governa São Paulo há 12 anos. Portanto, comanda a polícia de São Paulo há 12 anos. E faz só três anos e meio que tucanos e pefelistas deixaram o poder federal, onde controlavam a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e todos os demais órgãos nacionais de informação, inclusive os militares. É aterrador que, depois de tanto tempo no comando da máquina, PSDB e PFL só tenham "suspeitas".
Tinham a obrigação de possuir (e apresentar) indícios reais, provas. Se não as tiverem, e se o que dizem é verdade, estamos diante da evidência definitiva de que os organismos policiais e de informação não têm a mínima idéia do que se passa com o PCC, de suas conexões e de sua organização. Estamos diante da confissão completa do fracasso das autoridades responsáveis pela inteligência no combate ao crime, vetor essencial de qualquer política de segurança.

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quarta-feira, 12 de julho de 2006

Quando o terror e o crime são a continuação da política por outros meios (12/07)

É de Carl von Clausewitz a tese de que a guerra é a continuação da política por outros meios. À luz dos atuais acontecimentos em São Paulo e no Oriente Médio, talvez seja necessário ampliar o conceito. Os fatos indicam que, hoje, além da guerra, o crime e terrorismo passaram a ser a continuação da política por outros meios. Para o meu gosto, o governo de São Paulo continua agindo mal, até em função de seus próprios interesses políticos. Insiste que não precisa do governo federal na luta contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Dia após dia, o secretário de Segurança Saulo Abreu repete que a força federal oferecida por Brasília não serve para nada. O PSDB de Saulo e o PFL do governador Cláudio Lembo parecem trabalhar com o objetivo estratégico de "provar" que podem resolver o problema sem qualquer interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. É um objetivo político legítimo, mas talvez não muito inteligente. Em primeiro lugar, porque é improvável que o crime organizado em São Paulo seja eliminado até outubro, para que isso possa ser apresentado por tucanos e pefelistas como trunfo na campanha eleitoral. Em segundo, e principalmente, porque a segurança pública em São Paulo é responsabilidade última do governo estadual. Toda melhora, ou piora, será creditada, ou debitada, na conta de Lembo, de Saulo Abreu e do chefe político de ambos, Geraldo Alckmin. Se Saulo acha que a ajuda oferecida por Bastos é insuficiente ("virtual", nas palavras do secretário), que diga do que precisa. O ridículo é ele aparecer na televisão como quem está no controle da situação enquanto as pessoas são espingardeadas nas ruas. Também é aterrador assistir ao secretário comemorando o fato de os ataques agora não mais visarem policiais, mas estabelecimentos civis e gente comum. Ele não percebe que o PCC começa a derivar para táticas de terror e apresenta essa mudança como um "avanço". E, por falar em terror, guerra e política, leiam o artigo do israelense Yossi Klein Halevi na The New Republic, sobre a guerra no Oriente Médio. É duro, mas é um retrato bem próximo da realidade.

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O que Lula tem que a oposição não tem (12/07)

— Pelo jeito, a lei eleitoral é muito mais restrita para quem está no governo do que para a oposição. Eu não posso nada. A oposição pode tudo!

A frase é de Luiz Inácio Lula da Silva e está em O Globo de hoje. Lula só esqueceu de uma coisa: ele tem o Orçamento da União, que a oposição não tem. Lula e o PT tiveram três anos e meio para se preparar. Se estão desorientados diante das regras da (re) eleição, algo vai muito mal na campanha do presidente.

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Avança o orçamento impositivo (12/07)

Da sinopse de imprensa que a consultoria Tendências enviou hoje a seus clientes:

SENADO APROVA ORÇAMENTO IMPOSITIVO EM PRIMEIRO TURNO - O Senado aprovou ontem, em primeiro turno, proposta de emenda constitucional para tornar o Orçamento da União, de Estados e municípios "impositivo", obrigando o Executivo a cumprir alterações feitas no Legislativo. Isso significaria o governo ter de executar todas as despesas incluídas na lei orçamentária. A medida ainda tem que ser aprovada em segundo turno e, depois, passar pela Câmara. De autoria do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a emenda foi aprovada por 56 votos a um. Também foi aprovada a extinção da Comissão Mista do Orçamento do Congresso, porque ela possibilitaria, segundo parlamentares, negociações que levam a desvios de verba. A emenda não engessa completamente o Executivo e aceita o bloqueio de recursos com solicitação do presidente da República ao Congresso até 120 dias antes do fim da sessão legislativa, em 31 de dezembro - além de considerar algumas exceções.

Ainda sobre o assunto, vale a pena ler Delfim Netto hoje na Folha de S.Paulo.

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terça-feira, 11 de julho de 2006

Uma longa jornada até outubro (11/07)

O dramático no bloguismo é você ter sempre que comentar alguma coisa. A pesquisa CNT-Sensus de hoje, por exemplo, não apresenta qualquer novidade em relação aos mais recentes Datafolha e Vox Populi. Em resumo:

1) Geraldo Alckmin já agrupou em torno dele cerca de 80% do voto anti-Lula

2) Heloísa Helena está mais para os 5% do que para os 10%, também em função do crescimento de Alckmin

3) Lula tem no 1º turno (cerca de) 10 pontos percentuais acima dos (cerca de) 45% de votos válidos que teve quatro anos atrás

4) Lula tem no segundo turno pouco menos do que os (cerca de) 60% de quatro anos atrás

Nesses quatro anos, Lula perdeu eleitores de classe média e classe alta (que migraram para Alckmin) e ganhou, com vantagem, musculatura entre os pobres. Especialmente no Nordeste.

Alckmin já perdeu a eleição? Longe disso. Uma diferença de 10 pontos no segundo turno (média de Vox, Datafolha e Sensus) é pequena, pois cada voto que sai de um teoricamente vai para o outro. Em tese, Alckmin precisa mudar a opinião de cinco milhões de eleitores num universo de 100 milhões.

A missão de Alckmin é simples? Longe disso. É duríssima. Lula já está no osso na classe média e pode ganhar terreno aí quando começar a campanha no rádio e TV. Em outubro, a economia estará num momento excepcional (já está) e não será fácil para Alckmin convencer os pobres a mudarem o que vem dando certo. E a esterilização da cobertura jornalística de rádio e TV no período eleitoral ajuda Lula.

Se tivesse que quantificar, diria que a eleição hoje está 70% a 30% para Lula contra Alckmin, quanto às possibilidades de vitória. Bem melhor para Lula do que se poderia prever no final do ano passado. Um pouco melhor para Alckmin do que se chegou a prever no começo deste ano.

Ah! Uma informação. Parece que a campanha de Alckmin mandou para a reserva os gurus do vale-tudo eleitoral. A turma "propositiva" vai estrear com poder total no horário gratuito. Se o resultado vier rapidamente, continuam no time. Se não, as pressões que desabaram sobre Parreira e companhia serão fichinha perto do que espera pelo tucano.

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A evolução das intenções de voto, segundo a CNT-Sensus (11/07)

Clique na imagem para ampliar:

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Em meio à demagogia, um pouco de luz (11/07)

Em meio ao festival de demagogia em que se transformou a batalha pelo reajuste das aposentadorias, o economista José Márcio Camargo escreve hoje sobre o assunto na Carta Política (Tendências). Transcrevo um trecho:

"(...) Os gastos com previdência social no Brasil correspondem hoje a 13% do PIB do país, sendo que os idosos (65 anos ou mais), correspondem a menos de 7% da população. Ou seja, a participação dos gastos com aposentadorias e pensões como proporção do PIB é o dobro da participação dos idosos na população. A título de comparação, gastamos mais que o dobro que os países com a mesma porcentagem de idosos na população gastam (em média, 6% do PIB). Por outro lado, nossos gastos públicos per capita com aposentadorias e pensões são 15 vezes maiores que o que gastamos com a educação de nossas crianças e jovens, que representam 30% da população do país. Como o Orçamento é limitado, se gastamos muito com aposentadorias e pensões, temos que gastar relativamente pouco com outros itens de dispêndio. Como crianças não votam, a educação torna-se um candidato natural. Como o futuro do país depende da educação de nossas crianças, estamos comprometendo nosso futuro para melhorar a vida de nossos idosos. Não parece uma estratégia inteligente nem socialmente justa."

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Partidos de porteira fechada (11/07)

Leio na Folha de S.Paulo que Luiz Inácio Lula da Silva, se reeleito, vai querer aprovar a fidelidade partidária. Já havia lido, aqui e ali, que Geraldo Alckmin propõe a mesma coisa. Perguntará então o leitor deste blog: se ambos têm mais de 80% das intenções de voto e mais de 90% das bancadas no Congresso, por que não aprovam a fidelidade partidária imediatamente? Parece paradoxal, mas é um falso paradoxo. Lula e Alckmin querem a fidelidade partidária, mas só depois que promoverem (os dois acreditam que serão eleitos) o troca-troca habitual entre a eleição e a posse dos parlamentares. Como sempre, o presidente eleito vai tanger deputados e senadores como gado para os partidos governistas. Com a fidelidade partidária, essa operação vai poder ser feita de modo mais eficiente. Recolhe-se o gado do pasto e depois negociam-se os cargos com as cúpulas partidárias. O parlamentar que não quiser dançar conforme a música será ameaçado de expulsão. Com a fidelidade partidária em vigor nos moldes desejados pelos presidenciáveis, os punidos não poderão se candidatar a nenhum cargo nas eleições seguintes. Estivesse em vigor, Heloísa Helena não poderia concorrer a nada nestas eleições.

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Antes tarde do que nunca (11/07)

Da sinopse da imprensa que a consultoria Tendências distribuiu hoje aos seus clientes:

"LULA OFERECE CRÉDITO DO BNDES À BOLÍVIA - A pedido do próprio presidente Lula, uma missão do BNDES esteve em La Paz, na última sexta-feira, para negociar com o governo boliviano a concessão de crédito para que a Bolívia compre cerca de 300 tratores agrícolas de empresas brasileiras. Além de membros do banco, a missão foi composta por representantes de montadoras de tratores. Apresentadas as modalidades de crédito, agora, a instituição aguarda uma resposta do governo boliviano. A missão do BNDES foi acertada entre Lula e o presidente da Bolívia, Evo Morales, durante a solenidade de ingresso da Venezuela no Mercosul, na terça-feira passada, em Caracas. Outra linha de crédito poderá ser oferecida pelo banco para a construção de uma rodovia no território boliviano, estimada em US$ 600 milhões. O BNDES informou que ainda não sabe os volumes de recursos necessários à Bolívia."

É por aí. As instituições de fomento brasileiras devem ser utilizadas para ajudar os empresários brasileiros a fazerem bons negócios com os países vizinhos. Bons negócios para nós e os vizinhos, bem entendido. Em lugar da ridícula "diplomacia das canhoneiras" desenterrada pelos neo-nacionalistas de ocasião, a ampliação da esfera de influência do Brasil por meio da expansão de nossas empresas na América do Sul, sempre procurando respeitar os interesses e direitos legítimos de nossos parceiros.

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As duas primeira medidas de um eventual governo Alckmin (11/07)

Já se conhecem pelo menos duas medidas que Geraldo Alckmin tomaria na Presidência da República: 1) reajuste imediato de 16,67% nos benefícios dos aposentados e pensionistas da Previdência que recebem mais de um salário mínimo (R$ 350,00) e 2) extensão para as empregadas domésticas de todos os direitos trabalhistas, inclusive o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e a multa de 40% sobre o mesmo FGTS por demissão sem justa causa. As bancadas do PSDB e PFL no Congresso exigem que o governo adote essas duas medidas. Alckmin é o candidato do PSDB e do PFL. Também vi na televisão que Alckmin é a proposta de uma nova liderança no Brasil, um tipo novo de político, que faz o que promete. Com ele, não vai ter esse negócio de os partidos falarem uma coisa e fazerem outra, como aconteceu com o PT. Custou-me algum esforço, mas finalmente compreendi: como o PSDB e o PFL querem ganhar a eleição presidencial, estão mostrando ao eleitor desde já o que pretendem fazer se o seu candidato chegar ao Palácio do Planalto. É uma atitude boa, ajuda o povo a ficar mais bem informado, a votar de maneira mais consciente. Só sinto falta de uma coisa, para ter mais segurança na minha convicção: que algum desses repórteres que acompanham Alckmin todo dia tenha a idéia de perguntar: "Governador, no lugar do presidente Lula o senhor vetaria o aumento dos aposentados e a extensão do FGTS às domésticas?".

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