quarta-feira, 28 de junho de 2006

Se você quer ler sobre outro assunto que não futebol (28/06)

Coloquei na seção Textos de Outros um estudo do Observatório Político Sul-Americano (OPSA) com o título Os movimentos indígenas e suas implicações para o processo político na Bolívia e no Peru, de Ana Carolina Delgado e Silvia Lemgruber. Vale a pena ler e vale a pena visitar o site do OPSA.

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segunda-feira, 26 de junho de 2006

Foi mal na escola, cuidado com o seu Bolsa Família (26/06)

Um artigo do comptetente economista tucano Gesner Oliveira, publicado na Folha de S.Paulo sábado último, é a síntese mais completa dos problemas do PSDB na busca de um discurso a respeito dos programas sociais que alimentam a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Começa pelo título: Perigos do esmolão. Se você fosse pobre e recebesse um dinheiro mensal do governo para garantir uma renda mínima, como reagiria a alguém que descrevesse esse benefício como esmola? Ou, pior, como "esmolão", uma rotulação com objetivo nitidamente pejorativo?
Mas o equívoco não se esgota no título, percorre o texto com desenvoltura. O objetivo do autor é advertir para "riscos" embutidos no Bolsa Família. O primeiro deles residiria "na baixa (para não dizer inexistente) condicionalidade para o recebimento dos benefícios dos programas agrupados no Bolsa-Família. O requisito de a criança freqüentar a escola é risível. Considerando a qualidade deplorável do ensino básico na rede pública, a mera freqüência é insuficiente para garantir que os recursos aplicados representarão de fato aumento de capital humano em favor dos mais pobres". Em palavras mais simples, Gesner propõe que a freqüência escolar dos filhos não seja critério suficiente para as famílias receberem a ajuda. Bem, o único outro critério possível seria o aproveitamento escolar. Então, suponho eu, alguém pode estar pensando numa tabela de descontos no Bolsa Família, de acordo com o desempenho da criança no banco escolar. É uma proposta que certamente traria muitos votos para um candidato a presidente. Como piada, é engraçada. O menino (ou menina) chega em casa e dá a má notícia: "Mamãe, fui mal de Matemática neste bimestre, acho que só vamos receber metade do dinheiro do Bolsa Família neste mês. Desculpa, mamãe."

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Os temas da eleição mexicana (26/06)

Interessante reportagem no Christian Science Monitor traz o pefil de Andrés Manuel López Obrador, candidato da esquerda na eleição mexicana. Impressiona a coincidência dos temas e das polarizações entre os pleitos do México e do Brasil. Clique aqui para ler.

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domingo, 25 de junho de 2006

A tese do caudilhismo (25/06)

A revista Veja traz esta semana texto sobre o que procura descrever como um processo de transformação de Luiz Inácio Lula da Silva em caudilho. "Morre o petismo, nasce o lulismo", diz a matéria. É uma tese, mais uma dessas que vai aparecer e desaparecer sem deixar rastro ou saudade. Claro que essa última afirmação tampouco deixa de ser uma tese. Mas é assim que caminha o debate atual no Brasil. Teses contra teses, e que se danem os fatos.
Vamos a alguns fatos, para variar. Goste-se ou não do PT, o primeiro fato é que Lula vem, há um quarto de século, contruindo seu partido para chegar ao poder. Nesse período, o PT concentrou-se em disputar todo tipo de eleição, de prefeito a presidente. E na ampla maioria das vezes seus candidatos foram decididos pela consulta aos filiados. O segundo fato: as duas únicas ocasiões no último meio século em que se elegeram presidentes à margem do sistema partidário (Jânio Quadros e Fernando Collor), as aventuras eleitorais caudilhescas foram patrocinadas pela direita, para evitar a ascensão da esquerda (PTB e PT, respectivamente).
Em contraposição ao suposto caudilhismo lulista, é possível que a revista considere moderno e democrático o método pelo qual o PSDB chegou à candidatura de Geraldo Alckmin. É uma questão de gosto, ou, quem sabe, de conceito.

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sábado, 24 de junho de 2006

Pulga atrás da orelha em Minas Gerais (24/06)

O apoio do PMDB ao candidato do PT, Nilmário Miranda, em Minas Gerais é um sinal de que a eleição mineira não está tão decidida assim em favor de Aécio Neves (PSDB). O PMDB não é partido que despreze um cavalo antecipadamente vencedor. Vamos ver nos próximos meses, mas acho que a vida do neto de Tancredo vai ficar mais difícil do que imaginavam os tucanos.

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sexta-feira, 23 de junho de 2006

A moleza italiana (23/06)

Claro que pode dar zebra, mas o chaveamento das oitavas e quartas de final para a Itália é uma moleza. Os italianos disputam uma vaga na semifinal com as três seleções mais fracas das dezesseis classificadas para as oitavas (Austrália, Ucrânia e Suíça). O caminho brasileiro para a final é complicado. Se passar por Gana já tem pedreira nas quartas (Espanha ou França) e tem que torcer pelo Equador para não pegar Inglaterra, Portugal ou Holanda nas semifinais.

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Uma luz para Alckmin e o neo-sebastianismo parlamentarista (23/06)

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, deveria dispensar todos os seus assessores e conselheiros, e ficar apenas com quem fez o seu programa de tv exibido ontem. Em vez do ódio a Lula e ao PT, o que se viu foi um discurso afirmativo e consistente. Mas duvido que isso vá acontecer, que o candidato se concentre em explicar por que o eleitor deveria preferi-lo aos demais. Vai contra a natureza da atual cúpula tucano-pefelista, que parece tomada pelos demônios antipetistas e antipopulares.
Querem um exemplo? Agora deram de ressuscitar a velha tese do parlamentarismo. É uma modalidade de sebastianismo das elites brasileiras, uma espécie de lamento pelo paraíso perdido, em que o poder estaria blindado ao suposto radicalismo de massas supostamente incultas e despreparadas para o voto. A elite brasileira sonha com a volta impossível a uma democracia em que as questões fundamentais sejam decididas em floreios parlamentares ou acadêmicos, em ambientes vacinados contra a instabilidade das ruas.
O parlamentarismo já foi derrotado em dois plebiscitos no último meio século, porque o eleitor comum percebeu que tentavam lhe tirar o direito de eleger o chefe de governo e transferir essa prerrogativa ao Congresso. Na improvável hipótese de o debate prosperar, será derrotado mais uma vez. Assim como em 1993, no último plebiscito, bastará perguntar ao eleitor se ele deseja outorgar aos deputados e senadores a prerrogativa de indicar o chefe do governo, ou se prefere que este continue sendo escolhido pelo voto direto.
Outra coisa de fazer rir é a razão que Alckmin e interlocutores invocam para retomar a discussão sobre o tema. Dizem que o atual Congresso já teria sido dissolvido se estivéssemos no parlamentarismo. É uma bobagem. Um Congresso parlamentarista pode se autodissolver ou ser dissolvido pelo Chefe de Estado. Em ambos os casos, isso acontece quando o governo perde a maioria. Agora, pense um pouco e responda: você acha que nossos deputados e senadores deixariam a situação evoluir até o impasse e a convocação imediata de novas eleições ou dariam um jeito de formar um gabinete majoritário, à custa do loteamento dos ministérios e estatais?

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quarta-feira, 21 de junho de 2006

Restos de vida inteligente entre os tucanos (21/06)

Para você que acompanha este blog, o artigo do ex-ministro (governo FHC) Luiz Carlos Bresser-Pereira hoje na Folha de S.Paulo (Nacionalismo na América Latina?) não traz novidades. A novidade é um tucano destoar do udenismo de direita que ultimamente comanda o discurso partidário e admitir que a emergência de movimentos populares e nacionalistas na América Latina não deve ser execrada, mas saudada.
Transcrevo um trecho: "Diferente é o populismo político -a relação direta do líder político com as massas. Essa forma clássica de populismo é em geral a primeira manifestação política dos pobres em todos os países -a maneira pela qual se inserem no regime democrático. Se não for acompanhada do populismo econômico, poderá contribuir para a constituição de uma nação moderna, como Getúlio Vargas demonstrou."
Parece haver ainda gente no PSDB atenta à própria biografia, o que é ótimo para o Brasil. Postei um link para o artigo de Bresser na seção Textos de outros. Postei também um link para o texto de hoje de Elio Gaspari (O inchaço da máquina do Estado é uma lorota) na Folha e n'O Globo, em que ele trata de assunto abordado aqui em O que os candidatos não vão te dizer na campanha.

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Esquerda abre vantagem no México (21/06)

O ex-prefeito da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador (Partido Revolucionário Democrático) está com 36,5%, contra 32,5% de Felipe Calderón (Partido de Ação Nacional, centro-direita). As eleições presidenciais são no próximo dia 2, em turno único. Clique aqui para ler mais.

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segunda-feira, 19 de junho de 2006

Fecha o Primeira Leitura (19/06)

Os jornalistas Reinaldo Azevedo e Rui Nogueira anunciam o encerramento do Primeira Leitura, o site e a revista. É lamentável. Haverá um pouco menos de inteligência radical no debate político. Eu gostava do Primeira Leitura, com o qual não concordava em quase nada. Tinham coragem para assumir posições. Nunca simularam aquela "isenção", tão útil quando se trata de legitimar o próprio facciosismo. O fechamento do Primeira Leitura é mais um sintoma de que os liberais (e a elite) brasileiros não têm coragem, estômago ou interesse na luta de idéias. Não vêem a mídia como instumento da sociedade para dialogar consigo própria, mas apenas como ferramenta da luta política. É uma casta, que cultiva os seus próprios canais de informação enquanto desinforma o populacho. Boa sorte ao Reinaldo e ao Rui, e que voltem logo a escrever.

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O que os candidatos não vão te dizer na campanha (19/06)

As duas notícias abaixo, da sinopse de imprensa de hoje da Consultoria Tendências, tratam de um assunto que os candidatos, especialmente Geraldo Alckmin (PSDB-PFL), vão evitar: o peso dos investimentos sociais no aumento da carga fiscal. Ou, se você preferir, a impossibilidade de reduzir a carga tributária sem limitar os investimentos sociais.

IPEA: REAJUSTES DO MÍNIMO CUSTARAM R$ 250 BI - Os aumentos reais do salário mínimo desde o início do Plano Real, em 1994, custaram R$ 250 bilhões ao setor público. O montante corresponde a 12,1% do PIB de R$ 2,2 trilhões estimado para 2006. Se esses reajustes não tivessem sido concedidos, hoje a relação dívida-PIB seria de 37,9%, e não de 50%. Isto significaria uma percepção de risco Brasil por parte dos investidores muito menor e, em conseqüência, juros reais mais baixos. O cálculo faz parte de estudo do Ipea e refere-se apenas às despesas do INSS, que são o grosso do custo fiscal do mínimo nos últimos anos. Sem os aumentos, a despesa atual do INSS seria de 6,1% do PIB, e não os 7,8% estimados para 2006. (OESP/AE)

GASTO SOCIAL DEVE CAIR PARA MELHORAR AJUSTE FISCAL - O Brasil terá de limitar o crescimento dos gastos sociais se quiser reduzir o ritmo de expansão das despesas correntes do setor público. É o que indica estudo realizado pelos economistas Mansueto Almeida, Fabio Giambiagi e Samuel Pessôa. Uma análise detalhada do crescimento das despesas primárias desde 1991 mostra que não é possível fazer um ajuste eficaz do gasto público apenas na base de maior controle das despesas ligadas ao funcionalismo e à máquina pública. Pelo estudo, o gasto primário pulou de 14% para 23% do PIB entre 1991 e 2005 e os com pessoal, de 3,8% para 4,8%. (OESP/AE)

Se qualquer candidato prometer que vai conter os gastos do governo economizando cafezinho, viagens ou cortando cargos de confiança, saiba que ele está tentando te enrolar. Não há como fazer economia real sem mexer em uma ou mais de uma dessas variáveis: benefícios da Previdência, salário mínimo, folha salarial dos servidores, verbas da Saúde e Bolsa Família.

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Por que Ronaldo não sai do time (19/06)

Ronaldo Nazário de Lima pode vir a ser o artilheiro da Copa. Pode marcar um possível gol decisivo na final, se o time brasileiro chegar lá. Pode terminar o torneio jogando bem e calar os críticos. Tudo isso pode acontecer. Mas o que precisa ser dito, com todas as letras, é que, hoje, Ronaldo só não começa os jogos no banco porque isso iria contra o interesse de seu patrocinador.

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sábado, 17 de junho de 2006

Releituras do feriado (17/06)

Como disse no post anterior, estou de molho no feriado. Recebo críticas por não comentar a aparente debacle tucano-pefelista. Prometo voltar ao assunto depois da segunda. Por enquanto, resolvi lembrar aqui o que foi escrito neste blog sobre o tema, muito tempo (político) atrás. Leia e diga depois: você acha que eu estava certo ou errado?

Memória 1: Back to basics para a oposição (07/04)

Memória 2: Os pobres, Lula e os Capitães Ahab da oposição (12/04)

Memória 3: Caravelas liberais contra o vento, em mares nunca dantes navegados (16/04)

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sexta-feira, 16 de junho de 2006

Volto na segunda (16/06)

A você que acessa este blog, estou (Alon) fora de circulação até o fim do feriado. Este post foi feito via webmail. Bom descanso para todos.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Pois eu acho que o Brasil estreou bem (13/06)

A única estréia maravilhosa de que me lembro do Brasil em Copas do Mundo foi contra a Tchecoslováquia, em 1970. Teve a maior matada no peito de todos os tempos (Pelé no segundo gol dos 4 a 1. Clique aqui para ir à página da Fifa com os vídeos especiais das Copas, com as imagens de 70 que trazem o gol de Pelé contra os tchecos), o chute do meio de campo que quase entrou (de novo Pelé) e a explosão de Jairzinho. Teve também o sinal da cruz de Petras no gol tcheco. De resto, desde que me entendo por gente em Copas (1966), as estréias são duras. Como o são 90% dos jogos. Copas são difíceis de jogar e de ganhar. Credite-se a euforia em torno do atual time brasileiro ao gigantesco investimento em marketing, que precisa dar algum retorno mesmo antes de a competição começar (já que o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas). Uma coisa apenas me chamou a atenção. Habitualmente, um dos melhores empregos do mundo é o de goleiro da seleção brasileira de futebol. Os adversários não costumam jogar atacando o Brasil, sem contar que Parreira (assim como Felipão) costuma montar seus times de modo a evitar que a bola chegue ao seu gol, antes de tudo. Desta vez é diferente, o Brasil ataca mais e, em contrapartida, a bola chega mais ao gol de Dida. Vamos ver no que vai dar. Pelo menos assistiremos a mais futebol. E vai ser logo, se, como parece, acontecer um Brasil x Itália ou Brasil x República Tcheca logo nas oitavas. Se você gosta do jogo, responda rápido: se tivesse que escolher, preferiria ganhar um DVD com os teipes da seleção campeão do mundo em 1994 ou da que foi eliminada em 1982?

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Nem tudo são más notícias para o candidato do PSDB (13/06)

Pelo menos uma boa notícia para Geraldo Alckmin na pesquisa CNI-Ibope divulgada hoje. Entre os que conhecem bem ou pelo menos um pouco o candidato do PSDB, ele empata com Lula, tem 43% contra 42% do petista. Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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segunda-feira, 12 de junho de 2006

Para a Petrobrás e o Brasil aprenderem com os indianos (12/06)

Uma empresa indiana (Jindal Steel and Power) ganhou a concessão para explorar a mina de ferro de El Mutun, na Bolívia. O relato de Amitabh Dubey, analista para a Ásia do Eurasia Group, é uma aula para a Petrobrás e o governo brasileiro. Transcrevo um trecho: "A Jindal vai investir até US$ 2,3 bilhões ao longo de dez anos, gerando até 10 mil empregos e uma receita estimada de US$ 200 milhões para o governo boliviano. A companhia vai construir casas e infra-estrutura no município vizinho de Puerto Suarez, reforçando o compromisso governamental com investimentos sociais". Enquanto uma histeria chauvinista em ano eleitoral pede ao Planalto e ao Itamaraty uma atitude supostamente "dura", vamos perdendo espaço para russos, indianos e chineses em nossas redondezas. Um bom exemplo de como a pretensa "defesa da Petrobrás" tem servido para enfraquecer os interesses do Brasil na vizinhança. Clique aqui para ler a íntegra do relato de Dubey.

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Argentina e Bolívia perto de acordo no gás (12/06)

Como as eleições na Argentina vão ser só no ano que vem, o contencioso entre argentinos e bolivianos sobre o preço do gás caminha menos influenciado pelos ventos eleitorais. E os dois estão perto de um acordo, segundo a agência Reuters. A Argentina teria aceitado passar dos atuais US$ 3,4/BTU para US$ 4,9/BTU, mas a Bolívia ainda tem esperanças de aumentar esse preço para US$ 5,4/BTU. Clique aqui para ler o despacho da Reuters.

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Anvisa vs. Conar e a boçalidade do ano (12/06)

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) trabalha para evitar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avance na regulamentação da publicidade de produtos potencialmente danosos à saúde. É um debate importante. Ou se toma alguma providência ou, por exemplo, caminharemos para taxas norte-americanas de obesidade infantil em poucos anos. Modestamente, seguem algumas sugestões para um projeto de lei mais amplo sobre o assunto publicidade:

- proibir toda e qualquer publicidade de bebida alcoólica, inclusive o merchandasing

- proibir toda e qualquer publicidade de medicamento, inclusive o merchandisig

- proibir toda e qualquer publicidade de brinquedo, inclusive o merchandising

Os dois primeiros itens me parecem auto-explicativos. Sobre o terceiro, espero as críticas para aprofundar o debate. E sobre a propaganda de bebidas, se ela já estivesse proibida teríamos sido poupados da maior boçalidade publicitária da temporada, o filmete "Trave". Chega a dar vontade de torcer pela Argentina.

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domingo, 11 de junho de 2006

O diálogo entre o "gordo" e o "bêbado", e a velhinha de Taubaté (11/06)

Nesses dias rarefeitos da política e do blog, não resisto e vou comentar (tardiamente) o diálogo entre o "gordo" e o "bêbado", entre Ronaldo Nazário de Lima e Luiz Inácio Lula da Silva.
Jogadores de futebol no Brasil são excessivamente mimados, principalmente pela imprensa. Em resumo, os nossos futebolistas "top" acham três coisas: 1) que nosso país é uma droga e que eles são responsáveis por uma das poucas alegrias do brasileiro, o futebol; 2) que ninguém tem nada a ver com a vida pessoal deles, apenas com o que fazem dentro de campo; e 3) que os jornalistas existem para levantar a bola deles (os boleiros).
Evidente que isso está triplamente errado. Toda figura pública deve explicações ao público sobre o que interessar a este. E nosso país não é uma droga.
Ronaldo não gostou de Lula ter trazido o tema da gordura do atacante novamente à baila, ainda que o presidente tenha, visivelmente, tentado na pergunta fazer uma média com o "9". Foi um erro político de Lula, a que Ronaldo reagiu com grosseria. Paciência. Nada há de mais em alguém ser grosseiro ou estúpido com o presidente da República. Seremos uma democracia mais evoluída e um país melhor no dia em que todo brasileiro se sentir à vontade para avacalhar qualquer autoridade em público.
Você poderá argumentar que Lula é mais xingado e pichado que os antecessores. Na comparação com Fernando Henrique Cardoso, sim. Mas lembro bem que, até colocar FHC no ministério da Fazenda, Itamar Franco foi tratado pela imprensa como um débil mental. Quando assumiu o cargo e indicou Paulo Haddad e Gustavo Krause para o Planejamento e a Fazenda, o mundo caiu.
Uma ressalva apenas: se o sujeito participou de algum governo anterior ao de Lula e vem a público dizer que o presidente é um idiota, um incompetente e um despreparado, arrisca-se a ouvir a inevitável pegunta: "Mas como, então, você explica que o governo atual seja melhor do que o seu?". No mínimo, alguém poderá concluir que o crítico e seus colegas são mais idiotas, mais incompetentes ou mais despreparados do que Lula. Ou as três coisas juntas.
Eu sou otimista: acho que depois de Luiz Inácio Lula da Silva todo presidente será tratado com a máxima dureza, especialmente pela imprensa. Acho que essa característica vai se incorporar à cultura jornalística no Brasil, como já acontece no Estados Unidos. Pena que a velhinha de Taubaté tenha morrido, porque seríamos pelo menos dois a acreditar nisso.

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sábado, 10 de junho de 2006

Visitem o Blog do Anderáos na Copa (10/06)

Um blog diferente e divertido sobre a Copa do Mundo é o de Ricardo Anderáos. Ele usa bem todos os recursos da Internet. Vale a pena visitar e colocar nos favoritos.

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sexta-feira, 9 de junho de 2006

Notícias importantes (09/06)

Algumas notícias importantes na sinopse de imprensa que a Consultoria Tendências mandou hoje aos seus clientes:

IPCA FICA ABAIXO DA META PELA 1ª VEZ DESDE 2000 - O IPCA de maio, medido pelo IBGE, ficou em 0,10%, ante 0,21% em abril. O recuo ocorreu devido à forte queda no preço do álcool (11,06%). Em 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,23%, abaixo da meta central de 4,5% definida pelo Banco Central para este ano. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, avaliou que a tendência é que o indicador prossiga na convergência para taxas menores ao longo do ano. Se as previsões de cumprimento da meta forem realizadas em 2006, será a segunda vez que isso ocorre no País. A inflação acumulada em 12 meses não ficava abaixo da meta central desde novembro de 2000.

INDÚSTRIA PAULISTA CRIA 15 MIL NOVAS VAGAS EM MAIO - O nível de emprego na indústria paulista subiu 0,70% em maio em relação a abril, sem ajuste sazonal, com a criação de 15 mil postos de trabalho. Em comparação com maio do ano passado, também sem ajuste sazonal, houve alta de 3,6% - 74 mil novos empregos. O desempenho do mês passado ficou bem abaixo do de abril, quando a oscilação foi de 1,92% e 40 mil novas vagas foram criadas. Apesar do resultado mais fraco, a Fiesp manteve a projeção de crescimento de 4% para o emprego industrial ao longo do ano. “A alta de 0,70% é claramente positiva, porém modesta, para o que estávamos esperando”, disse o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini. Ele salientou que as condições para crescimento do consumo persistem, com rendimentos em expansão, aumento do crédito, o novo salário mínimo, a elevação dos gastos públicos e a ampliação dos investimentos públicos.

ATÉ STÉDILE CONDENA DEPREDAÇÃO DA CÂMARA - O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, engrossou ontem as críticas aos atos de vandalismo praticados por integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) na Câmara. "O MLST se equivocou com o ato porque os nossos inimigos são o latifúndio, os bancos e as empresas transacionais. Os deputados e a Câmara devem ser nossos aliados”, disse Stédile. O líder do MST fez a declaração na 5ª Jornada de Agroecologia que acontece até amanhã em Cascavel (PR). Menores que acompanharam pais, irmãos e tios na invasão à Câmara dizem estar arrependidos. Recolhidos em uma instituição para menores em situação de risco desde a madrugada de ontem, os 29 jovens, com idade entre 12 e 17 anos, aguardam a liberação de seus parentes para deixar o centro.

EUA REVÊEM PARA CIMA EXPANSÃO DO PIB - O governo americano revisou de 3,4% para 3,6% a previsão de expansão do PIB entre o quarto trimestre de 2005 e o quarto trimestre deste ano, sem especificar o porquê. Em 2005, a economia dos Estados Unidos cresceu 3,2%. Apesar da alta dos preços da energia, a Casa Branca também espera bons desempenhos em 2007 e 2008, com o PIB crescendo 3,3% e 3,2%, respectivamente. Ao mesmo tempo, o governo previu a melhoria do mercado de trabalho, com uma queda da taxa de desemprego dos atuais 5,1% para 4,7% ao longo de 2006, ante os 5% previstos anteriormente. Para a Casa Branca, o desemprego deverá ficar em 4,8% em 2007 e em 4,9% em 2008, contra os 5% esperados para os dois anos na projeção anterior.

ABBAS MARCA PARA 31 DE JULHO O REFERENDO SOBRE CRIAÇÃO DO ESTADO PALESTINO - O Hamas tem até amanhã para concordar com o "Plano dos Prisioneiros", que propõe a criação de um Estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967 e reconhece implicitamente Israel. Caso contrário, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, realizará, em 31 de julho, um referendo sobre a proposta. O plano foi elaborado por palestinos detidos em Israel, entre eles membros do Hamas e da Jihad Islâmica. Para o primeiro-ministro palestino e dirigente do Hamas, Ismail Hanieyeh, a vitória eleitoral do grupo mostra a aprovação de suas diretrizes sobre a questão, portanto, a consulta é "desnecessária".


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Vai começar o martírio para quem gosta de futebol (09/06)

Copa do Mundo é um martírio para quem gosta de futebol. Depois que decidiram fazer o torneio com mais de 16 times (o inchaço começou na Espanha, em 1982), o torneio entrou em declínio técnico. Você não consegue resistir à tentação de acompanhar os jogos, mas é muito jogo ruim para assistir. Vou fazer uma pequena lista:

Polônia x Equador, Trinidad e Tobago x Suécia, México e Irã, Austrália e Japão, Coréia e Togo, Tunísia e Arábia Saudita, Equador e Costa Rica, México e Angola, Japão e Croácia, Togo e Suíça, Costa Rica e Polônia, Paraguai e Trinidad e Tobago, Irã e Angola, Gana e Estados Unidos, Croácia e Austrália, Suíça e Coréia.

E o pior é que alguns desses podem vir a ser interessantes, enquanto muitos dos que não citei podem ser enfadonhos. Agora, vamos falar sério: se não fosse Copa do Mundo você deixaria de fazer qualquer outra coisa para sentar na frente da TV e assistir a alguma das partidas que listei acima? Duvido. A não ser que, como eu, você seja completamente fanático por futebol. Bem, pelo menos essa Copa é de manhã e à tarde (no Brasil). Porque acordar de madrugada para ver Togo e Suíça seria realmente além da conta.

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Blog com dificuldades técnicas, uma sorte (09/06)

O blogger.com esteve instável nesses últimos dois dias e quase não consegui operar o site. Praticamente não postei e atrasei muito a inclusão de comentários (moderação), pelo que já pedi desculpas. Mas esse problema técnico teve pelo menos um aspecto positivo. Nem eu perdi tempo escrevendo sobre a decisão desdecidida do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a verticalização, nem você perdeu tempo lendo.

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quarta-feira, 7 de junho de 2006

Um mapa sobre a violência na América do Sul (07/06)

O Observatório Político Sul-Americano do IUPERJ produz um mapa atualizado sobre a violência política no continente. Agora que o assunto entrou na pauta, vale a pena colocar no bookmark (favoritos). Está em http://observatorio.iuperj.br/archive/vp-site.swf.

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A bengalada do MLST (07/06)

Esta será uma nota curta. Os que vandalizaram e depredaram ontem dependências do Congresso vão responder por isso na forma da lei. O que fizeram não tem qualquer justificativa. Tomara que todos os feridos na confusão armada pelo MLST se recuperem plenamente. São os meus votos. No plano político, vamos ver se vai colar a tentativa da oposição de grudar mais esse episódio na imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. Tenho dúvidas. Os acontecimentos de ontem me lembraram outro, de novembro do ano passado. Num certo dia daquele mês, um "bruno maranhão" de cabelos brancos e bengala, o senhor Yves Hublet, deu duas bengaladas na cabeça do então deputado federal José Dirceu em pleno Salão Verde da Câmara dos Deputados. Na época, o assunto foi tratado com bom humor na imprensa. Alguns (muitos) viram no episódio a expressão de uma "lavada de alma" popular contra o ex-ministro que caminhava para a cassação. Isso é o Brasil, o país da indignação seletiva. Qualitativamente, não há diferença entre os dois episódios. Quem aceita e até aplaude num dia a agressão contra qualquer deputado dentro da Câmara não tem motivos para indignar-se no dia seguinte com uma ação como a dos militantes do MLST.

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segunda-feira, 5 de junho de 2006

O antipopulismo é o disfarce do político antipopular (05/06)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) publicou no último fim-de-semana artigo nos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo para dar seu pitaco no debate sobre esquerda, democracia e populismo na América do Sul. Pessoalmente, acho a discussão específica sobre o populismo enfadonha e inútil, pela absoluta impossibilidade de se definir, objetivamente, o significado da expressão. Escrevi sobre isso no mais recente aniversário do movimento militar que derrubou o presidente João Goulart. Reproduzo uma passagem daquele texto:

"Aliás, poderíamos aproveitar a efeméride de 64 para fazer um pacto: proponho abolir o uso da palavra 'populismo' como categoria histórica nos nossos debates. Ao se prestar a quase tudo, o termo acaba não explicando quase nada. Se desaparecer, não vai fazer falta. A expressão serviu e serve apenas para amalgamar essa aliança espúria entre a esquerda e a direita que têm horror às origens trabalhistas do moderno protagonismo operário e popular no Brasil". O post (31 de março, há 42 anos) pode ser lido clicando aqui.

É isso. Quando ouço falar em crítica do populismo vou logo tirando a faca. O antipopulismo costuma ser o disfarce elegante do político antipopular, a máscara sofisticada de quem resiste a abrir mão de algum naco de orçamento ou recurso público, quando o governante visto como populista tem a idéia de direcionar aos mais pobres uma parte maior desse dinheiro. Nunca ouvi ou li alguém chamar de populistas, por exemplo, as seguidas renegociações de dívida dos grandes agricultores. Ou os juros subsidiados do BNDES para as grandes empresas.

Em seu texto, FHC conceitua o populismo como "uma forma insidiosa de exercício de poder que se define essencialmente por prescindir da mediação das instituições, do Congresso, dos partidos e por se basear na ligação direta do governante com as massas, cimentada na troca de benesses".

O presidente brasileiro que talvez melhor se encaixou nessa definição foi Emílio Garrastazu Médici. Governou sem o Congresso e sem os partidos, e comandou o "milagre brasileiro". Mas você nunca leu ou ouviu alguém dizer, seriamente, que Médici teria sido exemplo de político populista. Sabe por quê? Porque a categoria tem viés ideológico definido, ela existe apenas para tentar desqualificar a esquerda.

Discorda? A América do Sul tem hoje dois presidentes que atropelaram os partidos tradicionais em seus respectivos países, aprovaram a própria reeleição e se reelegeram por ampla maioria de votos, com base na ligação direta com as massas. Um deles é Hugo Chávez, da Venezuela. O outro é Álvaro Uribe, da Colômbia. Chávez já está tipificado pelo senso comum como o populista a combater, enquanto Uribe é saudado pelos ditos antipopulistas como um vetor moderno e democratizante da região.

Creditar ao populismo ou a projetos de poder populistas as contínuas alterações institucionais na América do Sul é perigoso. As instituições políticas são um elemento dinâmico nas sociedades contemporâneas, particularmente nos países em que a mudança social é mais veloz. Esse dinamismo tavez explique por que FHC, Uribe e Chávez tiveram a idéia de mudar a Constituição para poderem pleitear a própria reeleição. Dos três, o único que convocou um plebiscito para perguntar o que o eleitor achava do assunto foi Chávez, o populista. Ah, sim! Uribe também teve a idéia de consultar o eleitor colombiano sobre algumas de suas propostas políticas, mas foi derrotado na ocasião.

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Eleições expõem a fratura étnica e social no Peru (05/06)

O confronto entre dois países: de um lado, branco e liberal, de outro, indígena e antiliberal, é o retrato mais nítido das urnas que deram a vitória a Alan García no Peru. Clique para ler o texto de Ángel Páez (Highlands Region Turns Its Back on García's Second Chance), da Inter Press Service News Agency.

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Uma pauta improvável para a Previdência (05/06)

O economista Fabio Giambiagi propõe uma pauta para a reforma da Previdência Social no próximo governo. A chance de ser adotada por algum candidato é mais ou menos a mesma de Togo ganhar a Copa do Mundo. Confiram um trecho do que defende o economista:

"(...) 1) adoção do princípio da idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição, de forma análoga ao que já foi estabelecido para os servidores, de 60 anos para os homens e 55 para as mulheres;

2) aumento progressivo dessa idade mínima ao longo de 10 a 20 anos;

3) redução gradual do diferencial existente entre homens e mulheres para efeitos de aposentadoria, dos atuais cinco anos para dois anos, por exemplo na velocidade de um ano a menos a cada cinco anos;

4) elevação do período contributivo, até chegar a 25 anos, para quem se aposenta por idade;

5) aumento da idade de aposentadoria por idade, para 66 anos daqui a alguns anos e 67 anos daqui a 10 ou 15 anos, como está ocorrendo em diversos países do mundo;

6) extinção do regime especial dos profissionais de ensino fundamental e médio, que permite às professoras se aposentarem aos 50 anos;

7) desvinculação entre o salário mínimo e o piso previdenciário, assegurada a indexação das aposentadorias à inflação;

8) aumento da idade de elegibilidade para a concessão do LOAS para até 70 anos e redução do piso assistencial para 75% ou 80% do piso previdenciário, melhorando a estrutura de incentivos para que o cidadão contribua para a Previdência Social."

Clique aqui para ler o texto completo de Giambiagi (As Reformas de 2007 (II): Previdência Social), no Valor Econômico.

Vai ser interessante acompanhar essa série de Giambiagi. Parece que vai resultar num esboço de programa de governo, coisa que ninguém parece muito interessado em discutir. O primeiro texto foi As Reformas de 2007 (I): A Organização do Governo. Postei ambos em Textos de outros, nesta página mais abaixo.

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Recorde na carteira assinada (05/06)

Da sinopse de imprensa de hoje da Consultoria Tendências, a partir de reportagem de O Estado de S.Paulo:

"EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA É O MAIOR DESDE 2003 - Estudo do Ipea mostra que o nível de formalização do mercado de trabalho ultrapassou, em abril, 54% do total nas regiões metropolitanas do País. É a maior taxa desde o início da nova série da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Em 2003, o porcentual era de 50% e, este ano, deverá superar os 55%. O resultado mostra que o emprego formal está conseguindo reagir nas áreas pesquisadas (São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife), que na década passada sofreram com a informalidade. Nessas seis regiões, 10,8 milhões dos 19,8 milhões de trabalhadores eram empregados com carteira assinada no período da pesquisa. O avanço das exportações e a fiscalização contribuíram para esse movimento."

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sábado, 3 de junho de 2006

Raça e voto no Ibope (03/06)

Escrevi ontem neste blog, a propósito da última pesquisa do Ibope, que o candidato Geraldo Alckmin (PSDB-PFL) está sitiado na minoria branca imortalizada pelo governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Por honestidade, devo confessar que era um palpite. Achei isso a partir das regiões e grupos de renda e escolaridade em que o tucano vai melhor. Mas agora o Ibope colocou no ar a íntegra de sua pesquisa e, para minha sorte, ela inclui o cruzamento entre origem étnica e intenção de voto. Abaixo, o resultado de primeiro turno por raça (clique na tabela para ampliar):

A diferença de Lula para Alckmin entre os brancos é só de dez pontos. Vai a 39 pontos entre os pretos e a 42 pontos entre os mulatos. Mais impressionante é o cenário de segundo turno, abaixo (clique na tabela para ampliar):

Alckmin empara com Lula entre os brancos, mas perde por 33 pontos entre os pretos e por 37 pontos entre os mulatos. Na rejeição não é muito diferente (clique na tabela abaixo para ampliar):

Entre os pretos e mulatos, Alckmin e Lula estão empatados na rejeiçao, com cerca de um quinto do eleitorado contra. Entre os brancos, a rejeição ao petista é quase duas vezes e meia a do tucano.

Não se deve inferir, a partir desses números, que a preferência por um ou outro candidato derive de algum viés racial. O mais razoável é concluir que essa distribuição por etnia decorra da distribuição social das intenções de voto. Ou seja, os brancos dão mais votos a Alckmin do que a média da população porque Alckmin vai melhor nos segmentos sociais e geográficos (mais escolaridade, mais renda, Sul, Sudeste) em que os brancos são mais numerosos, percentualmente, do que no geral do país.

Geraldo Alckmin está ilhado na elite branca. Ou ele muda isso e consegue tocar a alma da maioria da sociedade brasileira, ou vai mais que perder, vai se transformar no comandante de um titanic, um Jim Jones tucano-pefelista.

Clique aqui para baixar a pesquisa do Ibope em arquivo .pdf.

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O vídeo do Programa Nacional de TV do PT (03/06)

Coloquei na seção Textos de outros uma página para assistir ao vídeo do Programa Nacional do Partido dos Trabalhadores, exibido em rede de TV no último dia 24. Dividi o arquivo em quatro partes, para atender aos limites do www.youtube.com (onde os vídeos estão hospedados) e garantir qualidade (sempre um problema para vídeos na web). Atenção: você não vai precisar fazer o download para assistir. Clique aqui para ver o programa.

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sexta-feira, 2 de junho de 2006

Dissipam-se os temores com a inflação americana (02/06)

John Berry, colunista da Bloomberg, mostra por que não há razões para o Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) aumentar a taxa básica de juros americanos acima dos atuais 5%. Clique aqui para ler. Ou seja, há cada vez menos razões para o Copom desacelerar a redução dos nossos.

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O escândalo dos juros no crédito consignado dos aposentados (02/06)

Vejam como abre reportagem no UOL sobre o assunto:

"Juro máximo para aposentado já está valendo

Aposentados, preparem-se porque toda a atenção é pouca: ninguém pode cobrar juros de mais de 2,9% ao mês. Dá um pouco menos de 39% ao ano. O governo fixou o teto - juro máximo - para os já famosos empréstimos consignados, quer dizer, vinculados à folha de pagamento do INSS e, portanto, inteiramente garantidos pelo Tesouro Nacional. E tem mais: é juro máximo tanto para o empréstimo quanto para o cartão de crédito dos mesmos aposentados ou pensionistas do INSS.(...)"

O sujeito lê e acha que os aposentados têm motivo para comemorar. Vamos trocar em miúdos. O aposentado que tomar R$ 1.000,00 emprestado do banco na modalidade consignada terá, no fim de dois anos (se pagar em 24 meses), devolvido ao banco quase R$ 2.000,00. Ou seja, se por exemplo o aposentado decidir comprar uma TV nova para assistir à Copa do Mundo, ao final dos pagamentos terá adquirido um aparelho para si e outro para os acionistas do banco. Se, por exemplo, usar o dinheiro para comprar remédios, quando quitar a dívida terá repassado para o banco boa parte do (ou tudo) que economizou recorrendo a medicamentos genéricos ou a farmácias populares. E nem vale falar em risco de inadimplência, porque a possibilidade de o banco deixar de receber é zero. Está na reportagem: a coisa toda é "inteiramente" garantida pelo Tesouro Nacional. Isso é o Brasil. Enquanto os bem-postos da vida debatem o ritmo de queda da Selic e ficam indignados com uma taxa real de juros de 10%, o sistema financeiro vai assaltando os aposentados com taxas reais quase quatro vezes superiores. E o pacote todo é apresentado como um presente para os supostos beneficiários. Sem que isso atraia a atenção dos que adoram se indignar com qualquer coisa. É uma vergonha.

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Ainda sobre a minoria branca, agora na Bolívia (02/06)

Essa vem da Bolívia e é autoexplicativa. Nem vou comentar, é desnecessário. Vou só transcrever reportagem de O Globo, publicada hoje.

"Médicos bolivianos entram em greve contra cubanos

LA PAZ - Médicos bolivianos se declararam em greve na quinta-feira e atenderam gratuitamente em barracas durante um protesto contra a presença de profissionais cubanos enviados por Fidel Castro para oferecer tratamento sem custo no país mais pobre da América do Sul.
Dezenas de médicos cubanos chegaram à Bolívia em fevereiro para ajudar as vítimas de uma onda de inundações, e aproximadamente 600 médicos do país caribenho trabalham atualmente em clínicas oftalmológicas e áreas rurais remotas aonde não chegam os serviços sanitários do Estado boliviano.
No entanto, os aplausos de muitos pacientes se contrapõem ao protesto dos médicos bolivianos, que temem que seus empregos estejam sendo retirados.
- Cremos que a saúde do povo boliviano deveria ser manejada pelos bolivianos - disse Fernando Arandia, presidente do Colégio Médico da Bolívia, que convocou a greve de 24 horas.
- Queremos evitar o que aconteceu na Venezuela, onde o que começou com 600 médicos cubanos terminou com cerca de 27.000. Não vamos permitir que isso aconteça - acrescentou.
O presidente Evo Morales tem proximidade com Fidel e com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desde que assumiu o cargo em janeiro. Os dois líderes esquerdistas aumentaram o auxílio à Bolívia nos últimos meses.
Morales, que afirmou que os médicos bolivianos querem clientes antes de pacientes, aplaudiu o trabalho dos cubanos e com freqüência agradece a Fidel por enviar essa ajuda sem custos para a Bolívia.
Os médicos bolivianos dizem que os cubanos não têm os certificados necessários para trabalhar no país.
- Nos sentimos desvalorizados no nosso próprio país. A responsabilidade do cuidado da saúde está sendo dada a gente que não tem documentos legais nem respaldo legal - afirmou Andrés Pacheco, secretário-geral do Colégio Médico de La Paz.
No hospital geral de La Paz, os médicos em greve instalarão barracas em um estacionamento dizendo que não desejam prejuízo aos pacientes por causa do protesto.
Mesmo assim, muitos pacientes falaram bem dos cubanos.
- Dou graças a Deus porque eles vieram ajudar gente pobre como nós. Graças a eles recuperei minha visão e posso continuar trabalhando - afirmou Margarita Moya, uma mãe de 50 anos que esperava ser atendida por médicos cubanos em uma clínica oftalmológica."


Aqui entre nós, você acha que a maioria indígena da Bolívia está a favor de quem nessa briga?

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Demitam os marqueteiros, demitam os responsáveis (02/06)

Temos, finalmente, novidade na campanha eleitoral. A pesquisa Ibope divulgada ontem no Jornal Nacional da TV Globo mostra que Luiz Inácio Lula da Silva vai abrindo vantagem sobre seus concorrentes, especialmente Geraldo Alckmin. Esse movimento acontece depois de um largo período de estabilidade nos números. Aliás, o movimento detectado é mais importante que os números, que dão ao presidente vitória no primeiro turno. Desconfio da tese de que o eleitor só comecará a prestar atenção na sucessão presidencial depois da Copa do Mundo, ou quando abrir o horário gratuito no rádio e na televisão. O eleitor já está prestando atenção na disputa pela cadeira de Lula há muito tempo. O termômetro é a pesquisa espontânea. Comparem a eleição presidencial com a de governadores. Na primeira, cerca de metade dos entrevistados já diz em quem vai votar sem que lhe seja apresentada previamente a relação dos concorrentes. Nas sucessões estaduais, esse índice ainda é bem mixuruca. O fato é que a oposição vai colhendo o que cuidadosamente plantou. O assunto vem sendo exaustivamente tratado neste blog há quase um ano (sim, este blog vai completar um ano no mês que vem). Eleições são apostas sobre o futuro, sua mercadologia relaciona-se intimamente com o varejo. Não tomem a palavra pejorativamente. O eleitor, qualquer eleitor, decide-se em última instância a partir da avaliação do impacto da eleição sobre o seu futuro. Até agora, não se sabe o que o brasileiro comum vai ganhar se eleger Alckmin para o lugar de Lula. PSDB e PFL (e agora, parece, o PPS) gostariam que o povo se voltasse para eles em busca da salvação ética do país. Está se mostrando uma aposta arriscadíssima. Também já foi dito aqui: é difícil acreditar que o eleitor desejoso de um banho de ética vá sair de casa no dia da eleição para descarregar o voto no PSDB e no PFL, recém-saídos do poder. O resultado prático da estratégia oposicionista até agora é que Alckmin está sitiado na "minoria branca", na burguesia descrita pelo governador de São Paulo, Cláudio Lembro (PFL). Está nos jornais de hoje. Jornais que, por algum motivo, decidiram publicar a pesquisa do Ibope com discrição. Geraldo Alckmin trabalha para projetar a imagem de bom administrador e diz que uma de suas vantagens competitivas em relação a Luiz Inácio Lula da Silva está na gestão. Pois então, que demita todo mundo que o conduziu a esse beco e recomece do zero. É isso que qualquer gerente faria na situação dele.

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quinta-feira, 1 de junho de 2006

7 em 10 palestinos apóiam solução de dois estados (01/06)

71% dos palestinos apóiam a existência de dois Estados, Israel e Palestina, enquanto 81% são favoráveis ao referendo que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deseja convocar sobre o assunto. No governo semiparlamentarista dos palestinos, o atual gabinete é controlado pelo Hamas, que se opõe ao reconhecimento de Israel e defende o estabelecimento de um Estado islâmico em todo o território a oeste do Rio Jordão. Clique aqui para ler mais.

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