quarta-feira, 31 de maio de 2006

Pesquisa mostra empate no México (31/05)

Últimos números da eleição mexicana, marcada para 2 de julho:

Felipe Calderón (PAN, centro-direita) 34%

Andrés Manuel López Obrador (PRD, esquerda) 34%

Roberto Madrazo (PRI, centro-esquerda) 28%

(Consulta Mitofsky. Entrevistas face a face com 1.400 mexicanos adultos, entre 23 e 28 de maio. Margem de erro de 3,1%)

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Internet ultrapassa jornais no faturamento publicitário do Reino Unido (31/05)

A edição digital do The Guardian traz reportagem mostrando que, nos domínios da Rainha Elisabeth, a Internet vai ficar este ano com 13,3% do bolo publicitário, contra 13,2% dos jornais. Clique aqui para ler (em inglês, exige registro, mas é grátis).

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Lula, FHC e os gastos com pessoal (31/05)

Trecho de reportagem de hoje em O Globo (Regina Alvarez) sobre o aumento do funcionalismo dado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

"No governo Lula foram abertas 82 mil vagas através de concurso. Se descontados o número de terceirizados substituídos e os servidores aposentados, a contratação líquida por concurso é de 22.700 pessoas. Os gastos com pessoal cresceram mais fortemente em 2006, comparados com o ano anterior, mas ainda se mantêm abaixo do patamar de 2002 — último ano do governo Fernando Henrique — em percentual do PIB. Naquele ano, eles correspondiam a 5,34% do PIB e em 2006 devem ficar em torno de 4,99% do PIB, comprovada a previsão do governo para o crescimento da economia. (...). Na negociação do Orçamento de 2006, o relator Carlito Merss (PT-SC) ajustou as despesas de pessoal de forma a atender o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer encerrar o primeiro mandato concedendo para cada servidor pelo menos o equivalente à inflação do período (29%)."

Ou seja, como proporção do PIB, Lula gasta menos com o funcionalismo do que gastava FHC. Mesmo reduzindo a terceirização. E mesmo reajustando os salários dos funcionários públicos pela inflação, coisa que o tucano não fez. Vida dura para os marqueteiros da oposição. Não é popular defender que os funcionários públicos devem ficar à margem do crescimento da economia, para que sobre mais dinheiro para os investimentos estatais.

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terça-feira, 30 de maio de 2006

Descobriram! (30/05)

O instituto da reeleição foi aprovado no Brasil por uma aliança entre o então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os então governadores e prefeitos e os então deputados e senadores. Fizeram uma coisa bem boa para todos eles. Ocupantes de cargos executivos podem disputar a reeleição sem deixar a cadeira. Membros do Legislativo podem concorrer a qualquer cargo sem largar o mandato. Mas quem estiver no Executivo e desejar mudar de ares precisa renunciar. Essa regra é absurda. Por que Luiz Inácio Lula da Silva pode concorrer à reeleição e continuar no Palácio do Planalto, enquanto Geraldo Alckmin teve que renunciar ao governo de São Paulo? Só no Brasil mesmo. Agora, com uma década de atraso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, descobriu que isso é um problema. No caso da disputa presidencial, bem-feito para os tucanos. Fizeram uma regra para beneficiá-los quando no governo, mas se esqueceram de que um dia poderiam estar na oposição. E depois dizem que só o PT é quem tem projetos para continuar indefinidamente no poder. Clique aqui para ler mais.

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Abbas tenta um caminho contra o Hamas e Olmert (30/05)

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ameaça convocar um referendo sobre a proposta de reconhecer o Estado Judeu em troca da retirada dos israelenses de todos os territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ela foi apresentada pelos prisioneiros palestinos encarcerados em Israel. Abbas acredita ter o apoio da maioria de seu povo e faz um movimento para isolar o Hamas, que se opõe a reconhecer o direito de o vizinho existir, e o premiê israelense Ehud Olmert, adepto da demarcação unilateral (por Israel) dos limites físicos entre os dois povos. Clique aqui para ler mais.

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García lidera com folga para o domingo entre os eleitores decididos (30/05)

O candidato Alan García (centro-esquerda) lidera com mais de vinte pontos de vantagem em pesquisa para o segundo turno das eleições presidenciais peruanas, marcadas para domingo. Veja os números:

Alan Garcia: 61,2%
Ollanta Humala: 38,8%

A pesquisa é da Universidade de Lima e o universo que respondeu à pergunta é o dos eleitores que já decidiram seu voto. Faltou dizer o que isso representa no total do eleitorado. Foram 2.410 entrevistas, entre 19 e 21 de maio, com uma margem de erro de 2%. Clique aqui para ler mais.

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segunda-feira, 29 de maio de 2006

Uribe reeleito, leia reportagem do NYT (29/05)

Álvaro Uribe foi reeleito para a Presidência da Colômbia, por mais de 60% dos votos. Leia a reportagem do The New York Times.

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domingo, 28 de maio de 2006

A "rifondazione" petista (28/05)


Pronto. Temos novidade. Não é tão novidade assim, mas na entressafra vale. A senadora Heloísa Helena fechou uma aliança com o PSTU e o PCB, e vai à luta para ser presidente da República. O interessante na candidatura da senadora [na foto da Agência Estado (AE), Heloísa emociona-se ao discursar na reunião que decidiu pelo apoio a seu nome] é que se coloca como alternativa de poder, não apenas um instrumento de denúncias ou para "marcar posição". Faço o registro do que diz à AE César Benjamin, o economista candidato a vice: "Nós, se eleitos, vamos enquadrar o Congresso (...). Estamos dispostos a governar com esse Congresso, mas se ele tentar nos emparedar com molecagem, teremos crise (institucional), porque nós não aceitaremos e o povo estará contra ele (o Congresso). Será uma crise benéfica para o País". Apenas para registro, Benjamin é a face dita "moderada" da aliança. Na Itália foi assim, quando o Partido Comunista Italiano decidiu deixar de ser comunista. Em 1991, virou o Partido Democrático da Esquerda (Partito Democratico della Sinistra, PDS). Em 1998, juntou-se a outros grupos para formar a DS (Democratici di Sinistra). Quando o PCI deixou de existir como tal, um setor rompeu e criou a Rifondazione Comunista, a Refundação, à esquerda. Reformistas e refundadores brigaram como gato e rato até se juntarem nas últimas eleições para derrotar Silvio Berlusconi e eleger o democrata-cristão de esquerda Romano Prodi. Tucanos e pefelistas acham que a candidatura Heloísa Helena é boa para Geraldo Alckmin (PSDB), pois ajudará a evitar uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Não sei. PSOL e até PSTU podem ter algum nível de diálogo com a esquerda petista e com partidos como o PCdoB. Mas não têm pontos de contato orgânico com o PSDB e o PFL. E há sérias dúvidas sobre se o eleitor da senadora vai se deslocar majoritariamente para Alckmin num eventual segundo turno contra Lula. Mais provável que não. Essa coisa de ficar confinado no eleitorado conservador é um problema para Alckmin. É por isso que tucanos e pefelistas correm atrás do PPS de Roberto Freire. É a ponte, acreditam, para evitar esse confinamento.

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Na entressafra (28/05)

Recebo reclamações pela diminuição no ritmo do blog. O fato é que a entressafra anda brava. Os assuntos vão envelhecendo e morrendo um a um, sem que novos surjam no lugar. O PMDB, por exemplo, normalmente é um celeiro de notícias e ótima fonte de fatos que geram comentários. Alguém ainda se anima a comentar qualquer coisa sobre o PMDB? Outro tema recorrente é a candidatura Geraldo Alckmin. Ela é dada como morta por alguns, coisa com que não concordo. O que falta dizer sobre as razões das dificuldades do tucano? Nada. Principalmente depois do editorial de hoje da Folha (Oposição sem rumo). Diz o jornal que "chama a atenção na candidatura de Geraldo Alckmin, até agora, a sua falta de mensagem substantiva de mudança". Sim, foi animador ver o editorial criticando o "udenismo". Ah! Tem a Bolívia. Bom exemplo de montanha que pariu um rato. A Petrobrás está embrenhada numa negociação sobre o preço do gás, que só despertaria algum interesse se viesse a resultar em aumentos para o consumidor. Não vai acontecer. Bem, há o PCC (Primeiro Comando da Capital). Eu poderia dizer que um bom sinal da recente mudança nas idéias e nos costumes é ver a desenvoltura com que alguns podem defender a matança de criminosos. Década e meia atrás, os que apoiaram o massacre do Carandiru precisaram ao menos exibir alguma contenção.
Acho que não vai ter jeito. Este é um blog de política, mas vou acabar tendo que discutir futebol.

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sexta-feira, 26 de maio de 2006

(Mais) boas notícias para Lula (26/05)

Na próxima quarta-feira, sai o resultado do PIB do Q1 (primeiro trimestre). Leia o que diz a Carta Semanal que a Consultoria Tendências envia toda sexta-feira aos clientes:

"PRÓXIMA SEMANA - Destaque: Diante dos sinais positivos dos indicadores de nível de atividade, os resultados do PIB do primeiro trimestre, que serão divulgados na quarta-feira, devem mostrar uma forte aceleração. Projetamos um crescimento marginal de 2,0% na série dessazonalizada. Espera-se que o setor agropecuário tenha um resultado bastante positivo (+3,7%), mas o destaque será a aceleração do setor industrial (+1,9%), sustentada não apenas pela manutenção da indústria de transformação em um patamar elevado com relação ao último trimestre de 2005, mas também pelos fortes resultados na indústria extrativa e na construção civil. Para o setor de serviços, projetamos o mesmo ritmo de expansão observado no trimestre anterior (+0,7%)."

Ou seja, um crescimento de 2,0% em relação ao último trimestre de 2005. Anualizado (apenas como exercício, pois esse ritmo não tem condições de se manter por quatro trimestres), dá 8,24%. Claro que a economia não vai se expandir a essa velocidade até o fim do ano, mas o fato é que chegaremos à eleição com ela acelerando, e bem. Bom para Luiz Inácio Lula da Silva.

E para você se divertir [:-)] no fim de semana, vai abaixo um quadrinho (também da Tendências, clique para ampliar) com o efeito da volatilidade dos mercados sobre alguns emergentes:

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Pressão sobre Bush para que negocie diretamente com o Irã (26/05)

Crescem nos Estados Unidos as pressões para que o presidente George Bush aceite negociar bilateralmente (diretamente, mano a mano) com o Irã, para tentar solucionar a crise desencadeada com a decisão iraniana de retomar seu programa de enriquecimento de urânio. A Casa Branca, por enquanto, prefere conduzir o assunto no âmbito da ONU. A divisão expõe a fratura entre moderados (que pressionam pelo bilateralismo) e falcões (que desejam o aval da ONU para uma eventual invasão que tenha por objetivo derrubar o regime islâmico). Clique aqui para ler.

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quinta-feira, 25 de maio de 2006

Só prá não dizer que não falei de flores, ou de pesquisas (25/05)

Outro dia fui aqui criticado por estar excessivamente "anos 70". Pois recuemos então para os anos 60. O título acima (só a parte das flores, não a das pesquisas) é de uma música de Geraldo Vandré, ícone da resistência no Brasil ao regime militar (1964-1985). Acabou mais conhecida como "Caminhando". Não ganhou, mas foi o sucesso do III Festival Internacional da Canção, em 1968 (foto).

Essa divagação é só para dizer que vou falar das pesquisas de ontem (CNT-Sensus e Datafolha), mas apenas para não ser criticado por não ter falado. Pois elas só indicam que, rigorosamente, nada mudou no cenário eleitoral. As tendências parecem oscilar em torno de uma certa paisagem. Como aqueles bonecos popularmente chamados de "João Bobo". O que parece que vai mudar de inclinação, mas volta sempre à mesma posição.

Transcrevo um trecho da análise de Vinicius Torres Freire publicada hoje na Folha de S.Paulo:

"Lula pode contar ainda com o efeito do espraiamento das bolsas sociais. Dos empréstimos baratos para pequenos agricultores. Da contínua capilarização da rede de contatos entre eleitores desvalidos e serviços do Estado. Tais programas começaram sob FHC, mas ganharam volume sob Lula. Se não vier a tormenta financeira, o país crescerá mais até a eleição. Deve haver menos desemprego, menos inflação, indicadores dos mais decisivos para a popularidade do governante. Para aqueles que vivem nas margens do mercado, os programas sociais têm efeito parecido. O eleitor não vota só com o estômago? Sim, mas os problemas das políticas de Lula são mais visíveis para quem tem o lazer de pensá-las com mais profundidade. Além do mais, os efeitos da má governança não aparecem de hora para outra -podem surgir no segundo mandato. Por ora, parece pesar mais na disputa do voto o contrato político básico de Lula com o eleitor: 'melhorar a vida do povo'. Sustentável ou não, o contrato continua mantido."

Não sei bem o que o Vinicius quer dizer com "má-governança", mas é uma opinião dele que respeito, ainda que não concorde com o que acho que ele quer afirmar. No mais, ele resumiu a seu modo e com seu viés (sim, todos temos viés) por que Lula vai bem e Alckmin nem tanto. Os tucanos não se prepararam material ou espiritualmente para enfrentar um bom governo na eleição. Por enquanto, só o que fazem é xingar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Não está funcionando.

Você pode não concordar comigo que Lula esteja fazendo um bom governo. Mas veja na tabela abaixo, retirada da pesquisa Datafolha, que mais de 60% dos simpatizantes do PSDB acreditam que a administração do petista é pelo menos razoável (ótimo, bom e regular). Entre os simpatizantes do PFL, esse número passa dos 70%. Clique na imagem para ampliar e ver.


Tudo isso já foi escrito aqui neste blog tantas vezes que até para mim mesmo começa a parecer cabotinismo. Que, segundo o Houaiss, é o atributo "relativo a [indivíduo] ou [o próprio] indivíduo presunçoso, vaidoso, que (...) tenta atrair sobre si as atenções, e alardeia as qualidades que pretensa ou realmente possui".

É possível um blogueiro não ser cabotino? Ainda mais um blogueiro jornalista? Sinceramente, não sei.

Clique aqui para baixar uma versão .mid de "Prá não dizer que não falei de flores".

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terça-feira, 23 de maio de 2006

Perigoso mesmo é ser ladrão de galinha (23/05)

Recebi comentários e emails irados contra o post anterior, em que parabenizei a Eletropaulo por cortar a luz do MASP, que deixou de pagar a conta durante sete anos e deve cerca de R$ 3 milhões à empresa. Fui chamado de ressentido e acusado de ter "alguma coisa" contra o museu. Quem pode ter "alguma coisa" contra um museu? A crítica me parece esdrúxula.

Ora, nesses tempos de indignação fácil, de caça às bruxas, de desprezo ao Estado de Direito (matem o maior número possível de "bandidos", que assim seremos um país melhor), resolvi ficar indignado com a diferença de tratamento que recebe o cidadão comum e o cidadão especial, que é do poder ou tem amigos nele. Repito: sorte nossa a Eletropaulo ter sido privatizada, pois do contrário estaríamos condenados a subsidiar eternamente os que o "rei" considerasse merecedores de sua graça, os que tivessem a sorte de serem incluídos na lista dos "caloteiros reais".

Há muito rancor e ódio acumulados contra as privatizações. Já escrevi aqui neste blog: se os petistas pensam que houve irregularidades na venda das estatais, deveriam ter investigado a fundo quando chegaram ao governo, quase três anos e meio atrás. Deveriam ter apontado os supostos crimes e levado os possíveis culpados aos tribunais. Se não o fizeram por conveniência política, azar. Passaram um atestado aos adversários.

É ridículo o PT repisar que as estatais foram vendidas a preço de banana e o partido nada ter proposto em relação ao assunto quando chegou ao Palácio do Planalto. Se a tese petista tem fundamento, Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter agido como seu colega boliviano, Evo Morales. Deveria ter denunciado os contratos e exigido novos, ainda que negociados. Se as estatais foram mesmo entregues na bacia das almas e Lula não fez nada, cometeu um crime de lesa-pátria.

Mas Lula não cometeu crime nenhum, porque essa história de preço de banana e bacia das almas é só retórica. No caso da AES Eletropaulo, por exemplo, a situação é exatamente a inversa. A empresa foi avaliada (precificada) para venda com base em projeções de crescimento de consumo de energia elétrica (e portanto de receita) que acabaram não se realizando, em boa parte graças ao apagão. Ou seja, a empresa foi vendida acima (e não abaixo) de um valor de mercado compatível com a receita operacional obtida nos anos após a privatização. Ou seja, a compra da Eletropaulo saiu caro para quem comprou e acabou sendo um mau negócio para a AES. Portanto um bom negócio para o Estado brasileiro.

As projeções irreais de receita (e portanto a superavaliação na venda) acabaram levando o BNDES a ter que renegociar a dívida da empresa. O presidente do BNDES na época da renegociação era o nacionalista e desenvolvimentista Carlos Lessa. O litígio com a AES foi uma boa oportunidade para o governo denunciar o contrato de venda da empresa. Por que não denunciou?

Voltemos ao MASP. É curioso que as pessoas fiquem indignadas (com razão) quando um deputado frauda uma emenda de ambulância, para colocar a mão num punhado de dinheiro público, e não mostrem a mesma indignação quando aparece um caso como esse do MASP. Vamos esmiuçar: o BNDES teve que renegociar a dívida da AES Eletropaulo porque a empresa não tinha receita para honrar seus compromissos. Nesse mesmo período, o MASP deixava de pagar serviços à concessionária em montantes da ordem de milhões de reais.

Quantos "masps" há ainda na carteira de inadimplentes da empresa de energia alétrica e das outras estatais privatizadas? É por isso que, no Brasil, perigoso mesmo é ser ladrão de galinha. Ronald Biggs estava coberto de razão quando escolheu nossa terra para esconder-se. Neste país, quem tem uma boa agenda de telefones ainda pode se dar ao luxo de tentar não pagar as próprias contas.

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Parabéns, Eletropaulo (23/05)

Eis, finalmente, uma coisa a comemorar na privatização da Eletropaulo. Tiveram peito, tomaram vergonha na cara e cortaram a luz do MASP (Museu de Arte de São Paulo).

Deu na Folha Online: "O fornecimento de energia elétrica ao Museu de Arte de São Paulo, o Masp, foi suspenso às 7h de hoje. Segundo a AES Eletropaulo, dentre os motivos para o corte estão os "sete anos de recorrente inadimplência por parte do museu" que até hoje não foram pagos. A dívida do Masp seria de R$ 3 milhões. Em nota à imprensa, a Eletropaulo afirmou que além de não cumprir acordos o museu tinha consumo irregular de energia, e o desvio já atingia R$ 414 mil. As contas mensais do Masp começaram a ser pagas em junho de 2005, mas as dívidas anteriores ainda estariam pendentes".

Imagine você, mortal comum, o que lhe aconteceria se ficasse sete anos sem pagar a luz. Está ficando chato e repetitivo, mas vou recordar aqui um trecho da histórica entrevista do governador de São Paulo, Cláudio Lembo, semana passada na Folha:

"(...) Lembo - O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos [negrito meu, AF). Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações".

Parabéns, Eletropaulo.

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Presente de grego na Palestina (23/05)

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh (Hamas), propôs uma trégua "de muitos anos" a Israel, em troca da total retirada israelense dos territórios tomados duante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A proposta tem dois problemas, pelo menos. Não garante que os grupos rivais do Hamas (Fatah principalmente) deixem de lado as ações armadas. E, principalmente, pede a Israel um recuo estratégico oferecendo em contrapartida apenas uma concessão tática. Teoricamente, Israel estaria alimentando um vizinho que tem por objetivo destruí-lo. Não faz sentido. A melhor solução seria a Autoridade Palestina comandada pelo Hamas admitir a existência de Israel como um Estado Judeu e, finalmente, aceitar a partilha da Palestina decidida pela ONU em 1947. A atual posição expressa por Haniyeh só fará acelerar a separação manu militari de Israel em relação aos Palestinos e a demarcação unilateral, pelo governo israelense, das fronteiras entre os dois países.

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Duas táticas em La Paz (23/05)

Duas notas da sinopse de imprensa distribuída hoje pela consultoria Tendências a seus clientes:

"VENEZUELANA PDVSA FIRMA UMA SÉRIE DE CONVÊNIOS NA BOLÍVIA - A estatal venezuelana PDVSA firmou uma série de convênios com a boliviana YPFB, na qual se compromete a desenvolver projetos nos segmentos de exploração e produção, processamento de gás, petroquímica e distribuição de combustíveis, além de oferecer capacitação para jovens bolivianos ocuparem postos na indústria. Ainda não há estimativas oficiais de aportes, mas na Bolívia comenta-se que os investimentos podem chegar a US$ 1,5 bilhão, mesmo volume aportado pela Petrobras no país. Os convênios serão assinados pelos presidentes Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela), que chega à Bolívia na sexta-feira. O governo Chávez caminha para tornar-se um dos principais sócios dos bolivianos no setor de petróleo e gás, desbancando as multinacionais que já operam no país, como a própria Petrobras e as européias Repsol, BG e Total.

AMORIM: PREÇO DO GÁS DEVE TER DISCUSSÃO TÉCNICA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que o Brasil não aceitará a saída da Petrobras do país sem o pagamento da devida indenização. Em reunião com Morales, ontem, em La Paz, Amorim também deixou claro o descontentamento do governo brasileiro com a ocupação militar das refinarias da estatal brasileira na Bolívia durante o anúncio do decreto de nacionalização do petróleo e gás bolivianos. O chanceler brasileiro frisou ainda que o Brasil quer uma discussão técnica para o reajuste do preço do gás comprado da Bolívia, diretamente com a Petrobras, e não política."

Em resumo, enquanto a diplomacia brasileira comporta-se como office-boy da Petrobrás, Hugo Chávez vai ganhando espaço ao oferecer aos bolivianos o que eles mais desejam: capacidade de agregar valor ao seu gás. Deve ser uma nova e original estratégia do Itamaraty para garantir a liderança do Brasil na América do Sul.

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segunda-feira, 22 de maio de 2006

A imigração brasileira em Portugal (22/05)

Em fuga da violência e em busca de oportunidades, brasileiros emigram para Portugal, onde se espera que ajudem a conter o esvaziamento demográfico do interior do país. Clique aqui para ler a reportagem (em inglês) de Mario Queiroz, da Inter Press Service News Agency.

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domingo, 21 de maio de 2006

"A solução é respeitar os direitos dos presos" (21/05)

O Globo traz hoje uma entrevista corajosa com Adeildo Nunes, juiz de execuções penais de Pernambuco. Ele defende que a solução da crise carcerária não está nas leis que aumentam o castigo aos presos. Diz Nunes: "A classe política e a sociedade têm a visão comum de que está nas prisões o lixo, a escória. Mas, na verdade, o preso entra analfabeto, pobre, sem profissão, desempregado e sem família constituída. E é facilmente recrutado pelas facções porque lhe dão as condições que o Estado não dá". Clique aqui para ler a íntegra da entrevista.

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Novo código de processo penal ajuda os direitos humanos. Em Camarões (21/05)

A república africana festeja a entrada em vigor de um novo Código de Processo Penal, que protege os direitos humanos e pode ser exemplo para outras nações do continente. Clique aqui para ler.

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Uribe perto de conseguir a reeleição (21/05)

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, deve vencer no primeiro turno a eleição presidencial no próximo domingo. Veja os números da pesquisa:

Maio/06 Abril/06 Março/06

Álvaro Uribe 57% 56% 56%

Carlos Gaviria (PDI) 19% 13% 9%

Horacio Serpa (PL) 15% 15% 25%

Antanas Mockus (PV) 1% 2% 2%

Fonte: Napoleón Franco & Cía. Metodologia: Entrevistas face a face com 1.581 colombianos adultos, 15 e 16 de maio de 2006. Margem de erro: 3,1%.

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sábado, 20 de maio de 2006

O febeapá contra Lembo (20/05)

Se houvesse algum motivo para diversão em meio à tragédia, teria sido divertido assistir às reações ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), depois que este desferiu o mais duro ataque verbal que a burguesia jamais sofreu de um governante no Brasil. Trataram-no como a um louco manso, alguém submetido a enorme pressão e que extravasou por meio de uma estultícia. Imagino o que seria de um político da esquerda que tivesse ousado dizer as verdades ditas por Lembro. Seria esquartejado no altar da opinião pública, seus pedaços pregados em postes e sua terra salgada, como fizeram a Tiradentes.

Lembo não. Foi tratado com a condescendência e o respeito que merecem os iguais momentaneamente desviados do caminho. Sorte a dele. É bom ouvir o que têm a contar os políticos que convivem com a elite nos ambientes e situações em que ela diz o que pensa, em que não esconde seus obetivos e métodos. Eles a conhecem melhor, não a partir dos livros, das declarações oficiais ou das afirmações de acólitos.

Vamos voltar às reações à fala de Lembo. A linha mais geral da crítica ao governador de São Paulo sustenta que não se pode fazer uma correlação automática entre pobreza e desigualdade, de um lado, e crime, de outro. Uma prova, dizem, é que também há banditismo nos países desenvolvidos. Estivesse vivo Sérgio Pôrto, o Stanislaw Ponte Preta, essa iria direto para o seu febeapá, o festival de besteiras que assola o país.

É evidente que há crime nos Estados Unidos e na Europa. É evidente que nem toda criminalidade tem raízes no apartheid social. Mas, assim como no Brasil, o crime no Primeiro Mundo relaciona-se estatisticamente à desigualdade social. Há mais pretos e latinos na população carcerária dos Estados Unidos do que na população em geral. Proporcionalmente, há mais crime na França do que na Islândia. Assim como há mais criminosos nos subúrbios de Londres do que nos povoados do interior da Suíca.

Outra evidência, dizem, seria a origem de classe média de vários líderes criminosos. E daí? Como qualquer atividade humana, o crime estratifica-se socialmente. Há brancos de classe média no comando de organizações criminosas pela mesma razão que os brancos de classe média são maioria em qualquer atividade que exija mais formação intelectual e preparo formal. Isso não elimina o fato de que as quadrilhas abastecem suas fileiras nos imensos contingentes de jovens da classe média baixa e dos grupos sociais chamados “excluídos”.

Há sim forte correlação entre o crime e a desigualdade social. No Brasil, a situação é mais grave em São Paulo porque é ali que a pobreza convive bem de perto com o acúmulo de riqueza. E o sistema educacional público de qualidade, que deveria ser a porta de saída para os de baixo, está monopolizado pela burguesia e pela classe média. Para os pobres, sobra entrar no Prouni e ganhar bolsa de estudo em alguma universidade particular.

Nos últimos dias, a polícia de São Paulo parece empenhada em dar sua demonstração de força. É compreensível que a corporação queira revidar as mortes dos seus, mas não vai adiantar nada. A vantagem estratégica está com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que obteve sucesso em seu Tet. A vantagem está com eles porque não têm nada (ou têm muito pouco) a perder. Assim como os palestinos que se explodem quase diariamente. Matar os criminosos aos punhados não é um caminho eficaz para combater o crime. Pode ser agradável a quem tem sede de vingança, mas só. Assistam a Cidade de Deus. E depois, como diz Lembo, admitam que é hora de abrir a bolsa.

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sexta-feira, 19 de maio de 2006

Por que a burguesia é "má" (19/05)

É constante a choradeira empresarial sobre o "excesso" de carga tributária no Brasil. Mas, segundo a analista Cláudia Oshiro (Tendências), os tributos ligados à lucratividade é que estão puxando para cima a arrecadação federal. É uma boa ilustração para o que disse sobre a elite o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. A burguesia (vamos agora usar essa categoria sociológica, que andava em desuso e foi reabilitada por Lembo) está lucrando mais, porém não quer pagar mais impostos. Ao contrário, pede para cortar os "gastos de custeio", forma elegante de se referir aos investimentos sociais dos governos. Um trecho da nota de Cláudia Oshiro:

"Arrecadação: tributos ligados à lucratividade têm forte crescimento

A expansão desses tributos em relação a março é decorrente, principalmente, do pagamento da cota única referente à apuração trimestral ocorrida em março.

A arrecadação federal de abril, divulgada ontem, registrou crescimento nominal de 10,2% em relação ao mesmo período de 2005 e atingiu R$ 34,9 bilhões, ficando ligeiramente acima das nossas expectativas (R$ 33,7 bilhões). Considerando a arrecadação total em termos reais, deflacionada pelo IPCA, o crescimento em relação a abril do ano passado foi de 5,3%. Os destaques foram, novamente, o aumento da arrecadação do IRPJ e CSLL, tributos ligados à lucratividade das empresas e que mais têm contribuído para a expansão da arrecadação nominal. A expansão desses tributos em relação a março é decorrente, principalmente, do pagamento da cota única referente à apuração trimestral ocorrida em março. Além disso, o pagamento efetuado por estimativa mensal do setor de refino de petróleo contribuiu para o aumento do recolhimento desses tributos em relação ao mesmo período do ano anterior. (...)"

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A Vale (minério de ferro) quer fazer com a China o que a Bolívia (gás natural) quer fazer com o Brasil (19/05)

Ainda da sinopse de imprensa da Tendências:

CHINA DIZ QUE NÃO VAI ACEITAR REAJUSTE DE 19% DO MINÉRIO DE FERRO - A atitude da Companhia Vale do Rio Doce de reajustar em 19% o preço do minério de ferro foi qualificada de "inaceitável" pela Associação de Ferro e Aço da China (Cisa). "As siderúrgicas chinesas não aceitarão uma decisão tomada sem levar em conta o mercado do país", declarou um funcionário da Cisa. A Vale produz um quarto de todo o ferro consumido pela China, atualmente o principal importador de ferro do mundo e maior produtor de aço. Os porcentuais de aumento foram acertados pela Vale com siderúrgicas japonesas e com a alemã Thyssen Krupp. O índice de 19% será aplicado para o minério de ferro fino de Carajás e do Sistema Sul. Entre as siderúrgicas chinesas que se recusam a aceitar o reajuste está a Baosteel, segundo a qual o aumento de 71,5% ocorrido no ano passado prejudicou os lucros do setor.

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"Não me parece razoável supor que o Brasil tem o direito de fazer os bolivianos garantirem o crescimento brasileiro, contra os movimentos do mercado."

A frase é do prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. Leia mais notícias relacionadas, da sinopse de imprensa distribuída hoje pela Consultoria Tendências aos seus clientes.

BRASIL VAI ANTECIPAR EM 4 ANOS A PRODUÇÃO DE TODO GÁS IMPORTADO DA BOLÍVIA - O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, informou que o Brasil antecipará a produção de gás de suas reservas de 2012 para 2008. A meta é produzir 24,2 milhões de metros cúbicos a mais do insumo por dia, volume que corresponde a quase todo o gás importado da Bolívia e metade do consumo nacional. Essa foi uma das medidas aprovadas na reunião de ontem do Conselho Nacional de Política Energética, cujo tema foi a independência energética do País. Também foi definido que a Petrobras desenvolverá, para 2007, um combustível inédito - batizado de H-Bio -, que permite o uso de óleo vegetal, como o de soja, no refino do diesel. A crise com a Bolívia, que nacionalizou a indústria de petróleo e gás, foi o pano de fundo da reunião.

GOVERNO PODE TER PROBLEMAS COM TROCA DE GÁS POR ÁLCOOL EM USINAS - A troca de gás por álcool nas usinas térmicas pode criar um novo problema para o governo. Isso porque ainda não há um marco regulatório claro para o setor sucroalcooleiro. Além disso, fonte do Ministério da Agricultura advertiu que o Brasil não tem combustível para a demanda adicional. "No curto prazo não dá para fazer muita coisa. Não temos álcool para atender à demanda adicional, ainda mais se houver necessidade de grandes volumes", disse. Ontem, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética com o objetivo de discutir a independência do Brasil no setor de energia, ficou acertado que, em setembro, a Usina de Seropédica (Rio) começará a operar com gás, álcool, diesel, gás liquefeito de petróleo e gás natural. A troca já vem sendo testada, com sucesso, pela Petrobras, com o objetivo de tornar o Brasil mais independente do gás importado da Bolívia.

STIGLITZ DEFENDE AUMENTO DO PREÇO DO GÁS PELA BOLÍVIA - O economista Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, acredita que a Bolívia tem razão ao pressionar o Brasil e outros importadores de gás pelo aumento de preço. "Se o preço da energia está subindo em todo mundo, o do gás deve subir também", observou. "Não me parece razoável supor que o Brasil tem o direito de fazer os bolivianos garantirem o crescimento brasileiro, contra os movimentos do mercado." Stiglitz está na Bolívia a convite do governo do Estado para dois encontros com o presidente Evo Morales. O economista defendeu o direito do país de nacionalizar a indústria de petróleo e gás. "É uma forma de permitir que a população usufrua dos recursos naturais do país, coisa que nunca aconteceu antes", afirmou.

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A turma do BOL, dez anos depois (19/05)


Pois é, rolou no último dia 6 o almoço de dez anos do Brasil OnLine (foto), anunciado aqui faz quase um mês. Se você tiver tempo para gastar à toa, tente identificar quem é quem na comparação com a foto tirada dez anos atrás. Se você acha que isso é exposição excessiva da privacidade de gente que não tem um mínimo de simancol, você está coberto de razão.

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quinta-feira, 18 de maio de 2006

Parabéns, governador (18/05)

Você que lê este blog sabe que critiquei duramente nos últimos dias o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL). Você sabe que eu penso (e escrevi) que ele deveria ter decidido pôr nas ruas já no fim de semana toda a força policial e militar disponível (estadual e federal), como fator de dissuasão contra o crime organizado. Essas opiniões estão mantidas. Mas preciso admitir que hoje, em sua entrevista à Folha de S.Paulo, o governador reagiu e mostrou a que veio. Lembo é um homem de direita. Isso (suas convicções políticas) é assunto dele e de mais ninguém. Mas talvez só um político de raízes conservadoras pudesse, enfim, falar as verdades que ele disse sobre a "branca" elite paulista, e apontar o dedo para as causas últimas da grave crise de segurança que vivemos. Mudei de idéia, governador. Parei a minha contagem regressiva sobre os dias que lhe faltam no cargo. Isso não adquire nenhuma importância prática (pela minha própria desimportância), mas tenho certeza de que, assim como eu, muitos paulistas estão orgulhosos hoje do senhor. Obrigado e parabéns.

Vale a pena ler ainda Civilização, sim; barbárie não, de dez advogados e juristas, também na Folha.

Leia também:

Contagem regressiva em São Paulo, onde a última moda é ser reacionário (16/05)

O Tet do PCC (16/05)

O Princípio de Peter e a busca inútil por culpados (15/05)

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quarta-feira, 17 de maio de 2006

Contingenciamento, ajuste fiscal e Refis (17/05)

Leia esses pontos do resumo das notícias do dia que a Consultoria Tendências mandou hoje a seus clientes.

PRESIDENTE CORTA R$ 14,2 BI DO ORÇAMENTO DE 2006 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem o Orçamento-Geral da União deste ano e cortou R$ 14,2 bilhões nos gastos programados. A equipe econômica trabalhava inicialmente com um contingenciamento de R$ 20 bilhões. Os cortes se concentraram nos ministérios cujo orçamento foi mais inchado poremendas parlamentares - justamente as que estão no centro das denúncias de desvios investigadas pela Polícia Federal (PF). Os ministérios da Saúde, Educação e do Desenvolvimento Social (responsável pelo programa Bolsa Família) foram os mais preservados nos cortes.

ARRECADAÇÃO DA RECEITA CAIU R$ 19 BI DESDE 2004 - A Receita Federal perdeu R$ 19 bilhões desde 2004 até agora por causa das medidas de desoneração da carga tributária. A informação foi dada ontem pelo secretário-executivo do Ministério daFazenda, Bernard Appy, no Fórum Nacional, no Rio. Com isso, ele quis rebater as críticas de que o governo busca compensar oaumento de gastos elevando impostos. Ele explicou que as chamadas receitas administradas (toda a arrecadação federal coletada pela Receita), que atingiram um pico de 17,2% do PIB em 2005, recuarão este ano, e que o superávit primário da União será superior a 2,3% do PIB.

DESPESAS CORRENTES CRESCEM 77% EM 10 ANOS - As despesas correntes do governo federal cresceram 77% entre 1995 e 2005, enquanto que, no mesmo período, os investimentos foram apenas 17% maiores. O dado consta de levantamento feito pelo economista Raul Velloso e foi mostrado ontem no 18º Fórum Nacional, no Rio. De acordo com Velloso, o total de despesas correntes em proporção ao PIB passou de 12,5% para 16,9% nos últimos dez anos. No evento, ele e os também economistas Affonso Celso Pastore e Cláudio Frischtak defenderam um ajuste fiscal mais forte e ousado para que o País cresça de forma sustentada e alertaram que o cenário externo favorável não durará para sempre. “Medidas que se voltem ao crescimento econômico ainda estão à espera de quem as implemente”, disse Pastore. As medidas necessárias para isso, segundo Pastore, são aprofundar o acesso ao crédito,aumentar investimentos em infra-estrutura, reduzir barreiras e abrir mais a economia.

SENADO APROVA REABERTURA DO REFIS POR 120 DIAS; LULA DEVE VETAR PROPOSTA - O Senado aprovou ontem a medida provisória 280, que reabre o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) por um prazo de 120 dias. Mas o vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que esse dispositivo - incluído por parlamentares na MP - será vetado pelo presidenteLula. A reabertura do Refis já havia sido aprovada pela Câmara. Agora, segue para sanção presidencial. Se for vetado, senadores prometem colocá-lo no projeto de lei que cria a Super Receita.

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terça-feira, 16 de maio de 2006

Contagem regressiva em São Paulo, onde a última moda é ser reacionário (16/05)

Filmes são uma boa medida do código de ética das pessoas e de suas convicções mais íntimas. O cinema é maniqueísta. Mais do que na literatura, uma linha bem definida separa nas telas o bem e o mal. Não conheço filmes que apresentem como heróis personagens genocidas, torturadores ou sádicos.
De vez em quando, uma fita esquadrinha a alma de alguém intrinsecamente mau, para tentar desvendar a sua complexidade. E é só. Tampouco conheço filmes de prisão em que diretores autoritários e cruéis, ou guardas violentos , sejam os personagens para quem se deva torcer. Ao contrário, as películas clássicas descrevem a luta, em geral solitária, do prisioneiro que busca forças para proteger sua dignidade e tentar a liberdade.
Meus filmes de prisão preferidos são três, pela ordem cronológica: Birdman of Alcatraz (1962, com Burt Lancaster), Midnight Express (1978, com Brad Davis; na imagem, um cartaz da obra) e The Shawshank Redemption (1994, com Tim Robbins e Morgan Freeman). Foram aqui traduzidos como Alcatraz, O Expresso da Meia-Noite e Um Sonho de Liberdade. Para o meu gosto, este último é o melhor de todos. Arriscaria dizer que é o definitivo sobre o assunto. Assim como Saving Private Ryan (O Resgate do Soldado Ryan, com Tom Hanks) entre os filmes de guerra.
Filmes sobre prisões quase sempe fazem sucesso. No escuro do cinema ou em frente ao DVD no sofá de casa, costumamos torcer pelos presos em sua luta desigual contra a autoridade carcerária. Já na vida real, diante do noticiário, nossa primeira reação é clamar por mais violência contra os encarcerados. Não é difícil saber por quê. Os condenados dos filmes nada podem fazer contra nós ou nossas famílias, não os tememos. Ao contrário dos criminosos que freqüentam as notícias. Nos filmes, mesmo bandidos têm alma, família e sentimentos, algo que as seções policiais costumam amputar quando a pauta é sobre "marginais".
No Brasil, já foi chique um dia denunciar as péssimas condições das prisões, sua superlotação e o fato de serem escolas do crime, em vez de centros de recuperação das pessoas. Drauzio Varella ajudou, com o seu Estação Carandiru. Mas isso foi lá atrás. Hoje, silenciosamente, o pensamento dito progressista vai sendo seqüestrado pela reabilitação da selvageria, do espírito de vingança, do ditado bíblico "olho por olho, dente por dente".
No ramo do combate ao crime, como em outros, a última moda é ser reacionário. Socialmente reacionário. Antropologicamente reacionário. O raciocínio é conhecido: "Claro que a criminalidade tem também causas sociais, mas é preciso tratar os bandidos com mão de ferro. Direitos humanos, só para os humanos direitos". E viva as penitenciárias/solitárias, como a de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, onde a tortura "limpa" é institucional.
Paulo Maluf enfrenta o ocaso político, mas tem razões para comemorar: ele deixa uma marca, uma obra ideológica, pois seu discurso foi apropriado e absorvido por alguns adversários históricos. Um acólito seu está sentado na cadeira que já foi de Franco Montoro e Mário Covas. Levado ali pelas mãos dos herdeiros de ambos.
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), poderia já na madrugada de sábado ter aceito a ajuda federal. A capital teria amanhecido no fim de semana tomada por uma grande força de dissuasão, com o Exército, policiais federais e a PM nas ruas. O Estado teria se imposto com menos violência. Mortes teriam sido evitadas, de ambos os lados. Mas Lembo preferiu o outro caminho, apenas por razões políticas. Preferiu negociar com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e não com o Palácio do Planalto, pois neste, circunstancialmente, trabalha um adversário do PFL.
Falta pouco tempo para Lembo voltar para casa. Menos de sete meses e meio. Em janeiro, o Palácio dos Bandeirantes estará habitado por José Serra (PSDB) ou Aloizio Mercadante (PT). Deus deve ser mesmo brasileiro -e paulista (apesar de o Papa João Paulo II ter sido carioca por adoção). Que Ele se apiede de nós e nos proteja até lá.

Ainda sobre prisões, clique aqui para ler Attica: An Anniversary of Death. Vale a pena.

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Notícias de economia nos jornais do dia (16/05)

Da sinopse da imprensa distribuída hoje pela Consultoria Tendências aos seus clientes:

MERCADO AUMENTA ESTIMATIVA DO PIB DE 3,51% PARA 3,57% NO ANO - Analistas do mercado financeiro elevaram pela segunda semana consecutiva a previsão para o crescimento do PIB, segundo a pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central. As principais instituições financeiras do País estimam crescimento de 3,57% da economia para este ano. Na semana anterior, essa previsão havia sido elevada de 3,50% para 3,51%. Os analistas também voltaram a elevar as previsões de investimento estrangeiro direto, de US$ 15,40 bilhões para US$ 15,50 bilhões. A projeção para o saldo da balança comercial, entretanto, foi rebaixada de US$ 40,32 bilhões para US$ 40,28 bilhões de uma semana para outra. Quanto à inflação, o mercado financeiro voltou a reduzir pela sétima vez sua projeção. Agora, prevêem que o IPCA fechará o ano em 4,32%, ante 4,33% da semana anterior. A metado governo para 2006 é de 4,5%.

EMPREGO NA INDÚSTRIA RECUA 0,3% EM MARÇO; QUEDA É DE 1% NO TRIMESTRE - A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), divulgada ontem pelo IBGE, mostra que o emprego na indústria voltou a cair em março, após dois meses estáveis. A queda foi de 0,3% em relação a fevereiro, que havia registrado alta de 0,3%. Com o resultado, o número de trabalhadores no setor recuou 1% no primeiro trimestre do ano, ante o mesmo período de 2005. Em março, os salários também caíram - 2%. Mas no trimestre registram alta de 0,5% na mesma base de comparação. O IBGE lê o resultado como um cenário de estabilidade na indústria.

IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÕES PERDEM FÔLEGO EM MAIO - O ritmo das exportações e das importações caiu em maio, segundo os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Nas duas primeiras semanas do mês, as importações somam US$ 2,460 bilhões, com média diária de US$ 273,3 milhões, redução de 9,9% em relação àmédia diária registrada em maio de 2005. Por sua vez, as vendas externas acumulam neste mês US$ 4,411 bilhões, com média diária de US$ 490,1 milhões. Apesar de 4,8% maior do que a média diária de maio de 2005, o crescimento foi bem menor que nos últimos meses. O superávit comercial acumulado no mês é de US$ 1,951 bilhão. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento afirma que ainda é cedo para avaliar se a perda de dinamismo é reflexo da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada no dia 2 de maio.

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O Tet do PCC (16/05)

São Paulo amanheceu calma. Na falta de novidades sobre a rebelião do Primeiro Comando da Capital, vai aqui um link para a página do Tet na Wikipedia. Foi a ofensiva militar deflagrada em janeiro de 1968 pelo Vietnã do Norte e pela Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul (Vietcong), contra os americanos e seus aliados sul-vietnamitas. Acabou em derrota militar dos atacantes, que entretanto obtiveram importante vitória política na guerra de propaganda. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Com sua rebelião, o PCC mostrou que as autoridades paulistas não têm o controle da situação penitenciária e de segurança no estado. Mostrou também que divergências político-eleitorais podem impedir uma ação conjunta dos poderes federal e estadual, mesmo em situações extremas. Na foto famosa de Eddie Adams (Associated Press), o general sul-vietnamita Nguyen Ngoc Loan executa o capitão vietcong Nguyen Van Lem durante o Tet. A foto ganhou o Prêmio Pulitzer de 1969.

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segunda-feira, 15 de maio de 2006

O Princípio de Peter e a busca inútil por culpados (15/05)

Orientado pelo calendário eleitoral, há na praça um embrião de debate sobre os culpados pela conflagração em que São Paulo está mergulhada desde a noite de sexta-feira, por obra do assim chamado Primeiro Comando da Capital (PCC) e de seu líder, Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola). O PSDB e o PFL pescam números no orçamento federal para mostrar que o governo do PT não investiu o suficiente em segurança pública. Os petistas fazem o mesmo em relação ao governo tucano de São Paulo.
Qualquer um com o mínimo de informação e honestidade intelectual sabe que algo assim poderia explodir a qualquer momento, mesmo que os governos estadual e federal estivessem investindo na área o dobro (ou o triplo) do que investem. Essa parte do debate é só blá-blá-blá de políticos em busca de voto. É um desrespeito ao cidadão assombrado pelo fantasma da insegurança e do crime.
Assim como é ridícula a recusa do governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), de aceitar ajuda federal. Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem algo a ver com isso, nota zero para ele. Mas duvido, acho que é apenas fragilidade de alguém (Lembo) que de repente se viu confrontado com um desafio maior que sua competência. É o velho Princípio de Peter em ação.
Circulam também teorias conspiratórias delirantes, que é melhor ignorar. Dão conta de uma articulação entre as organizações criminosas e os movimentos sociais, para supostamente ajudar Luiz Inácio Lula da Silva. Esses delírios parecem-me mais nascidos da fúria eleitoral, que transforma e transtorna até mesmo gente razoável. Tomara que a eleição passe logo, para que as idéias das pessoas voltem ao lugar e possamos ser poupados de análises desse tipo.
As raízes do crime nas grandes metrópoles são bem conhecidas:
1) Forte desigualdade. Pobreza por si só não estimula o crime. Sabe-se que há mais crime e mais criminosos onde existe mais dinheiro, porém mal distribuído.
2) Barreiras à mobilidade social. Sempre haverá quem prefira enveredar pela ilegalidade, mas altas taxas de crescimento e um sistema educacional de boa qualidade ajudam a oferecer outras portas de saída para os pobres.
3) Impunidade. Amigos advogados tentam me convencer, faz algum tempo, de que não há necessidade de penas mais rigorosas. Tenho dúvidas, mas a argumentação deles parece consistente. Dizem que a certeza da punição é freio mais forte do que seria um maior rigor nas penas. Se, por exemplo, o Brasil implantasse a pena de morte, mas apenas 0,1% dos assassinos recebessem esse castigo, isso seria, defendem, menos eficaz do que a garantia de algum castigo para quem tirasse a vida de alguém.
4) Dissolução do núcleo familiar, fenômeno que acompanha o progresso material e a urbanização. É de casa que todo mundo traz sua escala de valores. A escola e o trabalho têm pouca influência nisso.
5) Hedonismo e abandono da vida espiritual. É a atual marca registrada do Ocidente. Historicamente, caracteriza as civilizações que entram em declínio. É uma das razões da atual vantagem estratégica do Islã em relação ao catolicismo e ao judaísmo.
Quem tiver uma boa proposta para enfrentar esses problemas, que apresente. A única maneira de asfixiar o crime organizado é estrangular o fluxo de quadros para as organizações criminosas. A tarefa é difícil e complexa. Um bom tema para os candidatos a presidente da República. A pergunta é pule de dez, já para o primeiro debate: "Se o senhor for eleito, quais as medidas que vai adotar imediatamente para enfrentar o problema da insegurança pública e do crime organizado?".
Lula e Alckmin já podem ir se preparando para a tréplica: "Mas, se é isso que tem que ser feito, por que o senhor não fez?". Um bom quebra-cabeças para os marqueteiros de ambos.

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sábado, 13 de maio de 2006

EUA miram no gás natural como alternativa para abastecer sua Força Aérea (13/05)

Boa parte do amadorismo demonstrado pela diplomacia brasileira no contencioso com a Bolívia, em torno do gás natural daquele país, repousa na arrogância que nasce de uma convicção: se eles não venderem para o Brasil, não terão a quem vender. Errado. Hugo Chávez já disse que a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) vai investir na Bolívia para transformar o gás em produtos de maior valor agregado. E mesmo os Estados Unidos começam a pensar no gás natural como alternativa para abastecer sua Força Aérea, responsável pela metade do consumo de combustível do governo americano. Clique aqui para ler no The New York Times.

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Cenário otimista para candidatos pró-EUA (13/05)

Segundo as pesquisas, candidatos favoráveis a uma maior aproximação de seus países com os Estados Unidos avançam na Colômbia, no Peru e no México.

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O cenário da economia em 2006 (13/05)

O Produto Interno Bruto deve crescer 2,0 % no primeiro trimestre de 2006 na comparação com o último trimestre do ano passado (imagem acima). Contra o mesmo trimestre de 2005, o crescimento terá sido de 4,2% (destaque para a indústria, com 5,3%). E os últimos dados apontam para uma expansão de 4,0% do PIB em 2006 (clique na tabela abaixo para ampliar).

Outro dado importante é a relação entre as absorções interna e externa. A sensação de crescimento econômico será amplificada em 2006, já que a absorção interna crescerá 5,0%, enquanto a externa se contrairá em 1,0% (clique na tabela abaixo para ampliar). Os dados foram compilados pela Consultoria Tendências.

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Tom suave entre Evo e Lula (13/05)

Dois despachos da Agência Reuters há pouco:

Morales promete racionalidade a Lula e mais gás ao Brasil

VIENA, Áustria - O presidente da Bolívia, Evo Morales, prometeu neste sábado "racionalidade" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas discussões sobre um possível aumento de preços do gás que seu país exporta para o mercado brasileiro. Em um café da manhã após dias de tensões nas relações bilaterais, os dois presidentes se reuniram e decidiram "virar a página de mal-entendidos", descreveu o chanceler brasileiro, ministro Celso Amorim ao término do encontro.
Após o encontro com Lula, descrito por Evo Morales como "cordial e com enormes coincidências", o presidente da Bolívia disse que "tem interesse em aumentar o volume de exportações (de gás) para o Brasil e para outros países". Os dois líderes participam da cúpúla de chefes de Estado da América Latina e União Européia (UE), na capital austríaca.
Questionado sobre o suposto aumento dos preços, Morales respondeu com outra pergunta:
Quem não quer melhorar sua situação econômica? Os preços do gás devem ser adotados racionalmente, (de maneira) que beneficie o Brasil, que beneficie a Bolívia.
O presidente boliviano acrescentou ainda que "há uma comissão de ministros" dos dois países negociando para fixar novas regras para o setor energético na Bolívia após a nacionalização dos recursos, e disse que esta comissão técnica será responsável pela definição dos novos preços.
Esta semana, Evo Morales, que no dia 1° de maio nacionalizou os recursos de hidrocarboneto da Bolívia, deu duras declarações sobre a atuação da Petrobrás no país - maior investidor estrangeiro presente na Bolívia - até uma tentativa de aliviar parte das tensões na sexta-feira, em entrevista coletiva, em Viena.

Para Lula, impasse com Bolívia "tinha muita fumaça e pouco fogo"


VIENA, Áustria - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado depois de uma reunião com o presidente boliviano, Evo Morales, que as tensões entre os dois países foram amenizadas.
"Tinha muita fumaça e pouco fogo", disse ele. "Eu disse ao presidente Evo Morales que o Brasil precisa do gás da Bolívia e a Bolívia precisa vender o gás para o Brasil, portanto eu preciso encontrar o ponto de equilíbrio justo para que o Brasil fique satisfeito e a Bolívia fique satisfeita."
Ele afirmou que, tanto ele quanto seu colega boliviano, compreendem que a única chance de desenvolver a América Latina é "ter paz".
"Eu acho que, tendo essa compreensão, não teremos problema nenhum no nosso continente. E nós temos que ter clareza que é preciso parar na América Latina de um presidente ficar culpando o mundo pela pobreza do seu país", disse Lula.
Lula ainda fez referência a um comentário do presidente boliviano nesta semana de que o país teria sido explorado por 500 anos. "Acho que se a gente pensar no século 21, a gente pode dar um salto de qualidade. Se a gente ficar remoendo o passado, na verdade nós não andaremos."
Esta semana o presidente da Bolívia fez duras críticas à atuação da Petrobras no país, chegando a acusar a empresa de operar ilegalmente.

Leia também:

A Bolívia não é nossa inimiga. Ao trabalho, senhor presidente (12/05)

Lá como cá: Zapatero apanha da direita por causa da Bolívia (11/05)

Venezuela reage contra Garcia e Amorim (11/05)

Menos arrogância, mais pragmatismo (07/05)

Washington Post: A presença cubana e venezuelana na Bolívia (07/05)

Um curso de reciclagem em Madri (06/05)

Se querem copiar os americanos, copiem nos acertos (05/05)

Para entender o estado de espírito deles (04/05)

Dançar conforme a (nova) música (03/05)

A crise sul-americana (02/05)

Somos brasileiros e sul-americanos. Conformem-se (27/04)

Por que nós podemos e eles não? (02/04)

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sexta-feira, 12 de maio de 2006

Indústria gera 40 mil empregos em abril em SP (12/05)

Da sinopse da imprensa distribuída hoje pela Consultoria Tendências a seus clientes:
"INDÚSTRIA PAULISTA CRESCE 1,92% E GERA 40 MIL EMPREGOS EM ABRIL - A indústria de transformação do Estado de São Paulo criou 40 mil empregos em abril deste ano, o que representa um crescimento de 1,92% sobre março. Os dados são da Fiesp. A pesquisa foi reformulada e não permite mais que sejam feitas comparações em relação a meses do ano passado nem que sejam divulgados dados dos últimos 12 meses. Nos primeiros quatro meses deste ano, o setor apresentou aumento de 2,88% no nível de emprego, com a geração de 59.500 vagas."

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A Bolívia não é nossa inimiga. Ao trabalho, senhor presidente (12/05)

Alguma coisa parece fora de lugar nos últimos movimentos da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Isso está longe de ser um problema insolúvel, pois não há quem acerte sempre. Josef Stálin fez um acordo com Adolf Hitler em 23 de agosto de 1939 com o objetivo de adiar a ofensiva alemã contra a União Soviética. Deu certo. Uma semana depois a Alemanha atacou a Polônia e , automaticamente, entrou em guerra com a França e o Reino Unido.

Mas o tempo foi passando e o líder soviético começou a acreditar que o Pacto Ribbentrop-Molotov protegeria Moscou por um longo período. Por isso, não considerou as informações que vinham de Richard Sorge. Stálin só caiu na real em 22 junho de 1941, quando a Alemanha o atacou com força máxima.

Foi um dos grandes erros de avaliação na história das guerras, mas isso não impediu que menos de quatro anos depois a bandeira vermelha com a foice e o martelo estivesse hasteada no Reichstag, em Berlim (clique para ampliar a foto). Outro equívoco gigantesco foi a cochilada americana que permitiu aos japoneses atacarem Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Hoje, depois de duas bombas atômicas explodidas em seu território e de uma ocidentalização forçada, o Japão é o mais pró-americano dos países orientais.

Diferentemente dos dois exemplos anteriores, a Bolívia não é nossa inimiga. Ao contrário, é um país amigo. Mas Lula e a diplomacia brasileira subestimaram grosseiramente Evo Morales e o alcance do movimento social e político que o levou ao poder. Antes da nacionalização do petróleo e gás bolivianos, tudo dá a entender que o Itamaraty e o Palácio do Planalto haviam terceirizado para a Petrobrás a condução das discussões com Morales e vinham fazendo vista grossa para a conspiração separatista na região oriental do país vizinho, movimento que levava todo o jeito de estar inspirado por brasileiros.

Jogaram errado. Acontece nas melhores famílias. Os bolivianos, que vinham sendo cozinhados em fogo brando, nacionalizaram as reservas e a indústria petrolífera e criaram "sua excelência, o fato político", como dizia Ulysses Guimarães. Jogaram certo. Marcaram um gol. Colocaram Lula e o Itamaraty nas cordas, sem falar da Petrobrás.

Há fortes pressões para que o Brasil exerça em relação à Bolívia o diktat de grande potência, que fale grosso e "resgate" a supostamente ferida honra nacional. Não acho que o Brasil tenha sido humilhado nesse episódio. E, se o foi, está em excelente companhia (Espanha, Reino Unido, Argentina). Política externa não se faz com o fígado. Está na cara que os vizinhos têm ressentimentos históricos em relação a nós (Acre) e que avaliam ter feito um mau negócio nos acordos para a venda de gás.

Como disse, a Bolívia não é nossa inimiga, ainda que o chauvinismo pátrio deseje e trabalhe para transformá-la nisso, com o mal-disfarçado propósito de reavivar o nosso pró-americanismo latente. Lula precisa, acho eu, tomar a si a condução política do assunto e resolvê-lo pessoalmente com Morales. Seria bom se o presidente pusesse um fim na influência que o caso vem sofrendo do autonomismo da Petrobrás e da intrigalhada do Itamaraty (a interminável luta interna entre americanófilos e terceiro-mundistas). Mas penso que isso só será conseguido se Lula arregaçar as mangas e encarar o desafio de negociar com um aguerrido líder sindical, que arrebatou o apoio maciço de seus compatriotas e deve vencer folgadamente as eleições para a Assembléia Constituinte de seu país.

A tarefa de Lula é bem mais simples do que foram a de Stálin e a de Franklin Delano Roosevelt (clique para ampliar a foto de ambos, com Winston Churchill na Conferência de Yalta) mais de meio século atrás. É hora de tentar um amplo acordo bilateral com La Paz, que cubra os contenciosos (terras, gás) e feche o caminho que leva à divisão sul-americana. Portanto, ao trabalho, senhor presidente. E uma boa dica de por onde começar está na reportagem em que a presidente do Chile, Michelle Bachelet, pede para que não se demonizem Morales e seu colega venezuelano, Hugo Chávez. "São líderes que vieram para combater a pobreza e as desigualdades", diz a festejada socialista de La Moneda.

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quinta-feira, 11 de maio de 2006

Miami Herald: Alan García desponta como o anti-Chávez sul-americano (11/05)

A reportagem de Andres Oppenheimer para o principal diário da Flórida (EUA) mostra um Alan García (foto) reposicionado, mais próximo de Michelle Bachelet e num pólo oposto a Hugo Chávez. O ex-líder "populista" peruano cultiva o voto de centro e a rejeição ao presidente venezuelano para tentar sobrepujar seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Ollanta Humala (nacionalista). Por enquanto está funcionando, pois García lidera as pesquisas. Clique aqui para ler.

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Para prestar atenção (11/05)

Do resumo da imprensa que a consultoria Tendências enviou hoje a seus clientes, alguns assuntos para acompanhar com atenção, acho eu:

1) URUGUAI NÃO IRÁ À CÚPULA PARALELA DO MERCOSUL EM VIENA - O presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, não participará no sábado de uma reunião paralela entre líderes europeus e do Mercosul, segundo uma graduada fonte diplomática brasileira. A cúpula ocorrerá na Reunião de Cúpula União Européia-América Latina-Caribe, que se iniciará amanhã em Viena. A decisão de Tabaré, se confirmada, será inevitavelmente interpretada como mais um capítulo da crise no Mercosul. Tabaré já alertou que pode abandonar o bloco se os parceiros não aceitarem que o Uruguai negocie um acordo comercial bilateral com os EUA.

2) BRASILEIROS PRÓXIMOS À FRONTEIRA BOLIVIANA PODEM SER EXPULSOS - Brasileiros que vivem na Bolívia poderão ser expulsos. São pequenos agricultores que moram na região de fronteira com Acre e Rondônia. A decisão do governo do presidente boliviano, Evo Morales, pegou todos de surpresa. O fato é que a Constituição da Bolívia proíbe que estrangeiros sejam proprietários de terra em uma faixa de até 50 quilômetros da fronteira. O Ministério das Relações Exteriores informou ontem, no início da noite, que enviará hoje um funcionário diplomático para manter contato com os brasileiros que moram na região.

3) PETROBRAS ACEITA NEGOCIAR PREÇO DO GÁS COM BOLÍVIA - Após cinco horas de reunião, ontem à noite, em La Paz, a Petrobras aceitou negociar o preço do gás com a Bolívia. Participaram da reunião o ministro de Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau; o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli; e o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada. Em nota, eles anunciam a criação de um grupo de trabalho que discutirá como ficarão os contratos para a produção e comercialização do gás. As partes vão discutir “uma revisão” nos preços, “de forma racional e eqüitativa”, diz o texto. Horas antes, Soliz Rada ameaçara não indenizar a Petrobras, que perdeu seus ativos com a nacionalização das reservas. "Não sabemos ainda se vamos ou não indenizar as petrolíferas." Perguntado se temia a saída da estatal de seu país, o ministro afirmou: "A Petrobras é que deve temer, não nós".

4) PUTIN FAZ ATAQUE AOS EUA E VAI AUMENTAR GASTOS MILITARES - Em seu discurso anual, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reagiu ontem às críticas do vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que na semana passada acusou o governo russo de não respeitar a população e de usar as riquezas do país como instrumento de intimidação. "Onde está toda essa retórica sobre a proteção dos direitos humanos e a democracia, quando se trata dos próprios interesses?", disse Putin, ao destacar que o orçamento militar russo é 25 vezes menor do que o dos EUA. Ele anunciou que fará investimentos para fortalecer as Forças Armadas.

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Uma defesa do 13 de maio (11/05)

Postei na seção Textos de outros um artigo de Demétrio Magnoli sobre a Abolição da Escravatura e o 13 de maio. Vale a pena ler (clique aqui).

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Lá como cá: Zapatero apanha da direita por causa da Bolívia (11/05)

Assim como Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, apanha da oposição (Partido Popular, PP, direita) por supostamente não ter sido suficientemente duro com Evo Morales. O líder do PP, Mariano Rajoy, afirmou que a política externa do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, esquerda), de Zapatero, é "errática, fraca e partidária". E acrescentou: "Ninguém na União Européia entende sua posição sobre Cuba ou seus entendimentos com [Hugo] Chávez e [Evo] Morales. As únicas coisas que conhecemos são as conseqüências: nada muda em Cuba e o Sr. Chávez e o Sr. Morales nos expropriaram e causaram dano a nossos interesses". A espanhola Repsol, como a Petrobrás, foi nacionalizada pelo governo boliviano no recente decreto sobre as reservas de petróleo e gás daquele país. Como o governo brasileiro, a Espanha reagiu com moderação. E, como aqui, a oposição espanhola bateu duro em seu governo. Nem os argumentos são diferentes. Em qualquer lugar do mundo, esquerda é esquerda e direita é direita. Clique aqui para ler a reportagem do The Spain Herald.

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Venezuela reage contra Garcia e Amorim (11/05)

Declarações recentes do assessor de Lula Marco Aurélio Garcia e do chanceler Celso Amorim causaram desconforto (para usar uma linguagem diplomática) em Caracas. Clique aqui para ler no site do Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

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A corrupção e as denúncias no centro da campanha da oposição (11/05)

As pesquisas do sociólogo Antonio Lavareda convenceram os comandantes do PFL e do PSDB de que há um único jeito de fazer Geraldo Alckmin vencer Luiz Inácio Lula da Silva em outubro: transformar a campanha eleitoral numa cruzada contra a corrupção. As duras declarações recentes de Alckmin já fazem parte da estratégia. A oposição acredita que pode criar um movimento nacional contra Lula e demolir a atual maioria do petista. Acabei de falar sobre o assunto com um dos publicitários da campanha do ex-governador de São Paulo e com um dos comandantes do PFL. Eles se mostraram bastante animados com a análise dos estudos de Lavareda. A oposição acredita que o assunto permanecerá quente na imprensa até o início do horário eleitoral gratuito, quando o próprio Alckmin pegaria o bastão.

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quarta-feira, 10 de maio de 2006

Caminha a aliança entre PT e PCdoB no DF (10/05)

Nos últimos dias, ficou mais provável a aliança entre PT e PCdoB em torno de um único candidato à sucessão do Governo do Distrito Federal (GDF). Em reunião recente, os pré-candidatos Arlete Sampaio (PT) e Agnelo Queiroz (PCdoB) manifestaram esse desejo. Arlete afirmou inclusive que o projeto do PT-DF "não pode se sobrepor ao projeto nacional", de reeleger Luiz Inácio Lula da Silva. A esquerda no DF aposta na divisão aparentemente irreconciliável entre a governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB) e o candidato do PFL, deputado federal José Roberto Arruda, para melhorar suas chances de chegar ao poder.

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Indústria paulista acelera. Bom para quem? (10/05)

Do resumo da imprensa distribuído hoje pela Consultoria Tendências a seus clientes: "INDÚSTRIA PAULISTA PRODUZ MAIS QUE A MÉDIA DO PAÍS - Pesquisa do IBGE divulgada ontem mostra que a produção da indústria paulista cresceu 6,8% em março ante o mesmo mês do ano anterior, acima da média nacional no período, que foi de 5,2%. Com o resultado, a indústria de São Paulo acumula alta de 4,7% no primeiro trimestre do ano e de 3,6% nos últimos 12 meses em relação aos períodos anteriores. Para os pesquisadores, a reação é efeito da redução da taxa básica de juros. A sondagem industrial da CNI confirma os dados do IBGE."
Bom para Lula e bom para Geraldo Alckmin. Lula certamente vai faturar, pois vem associando sistematicamente sua imagem ao desempenho da economia. Já Alckmin não se sabe, pois parece que vai concentrar o discurso no tema da corrupção. Vamos ver quem se sai melhor.

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terça-feira, 9 de maio de 2006

Coalizão de esquerda tenta eleger Napolitano presidente na Itália (09/05)

A coalizão de esquerda (ou centro-esquerda) que venceu as últimas eleições italianas tenta hoje eleger à Presidência do país o ex-comunista Giorgio Napolitano. O político, que começou sua carreira na resistência armada à ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, é historicamente ligado à ala mais moderada (antigamente chamava-se reformista, quando o termo ainda tinha uma carga pejorativa) do ex-Partido Comunista Italiano. Na Itália, o presidente da República é um cargo praticamente decorativo, mas a votação (indireta, dos parlamentares) é um teste decisivo para o governo de Romano Prodi, acossado pela oposição do ex-premiê Silvio Berlusconi. Clique aqui para ler a reportagem completa na agência Reuters.

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Um pequeno retrato do Brasil em Alagoas (09/05)

José Thomaz Nonô (PFL-AL) é um dos mais ferozes críticos de Lula na Câmara dos Deputados. Renan Calheiros (PMDB-AL) é o maior aliado de Lula no Senado. Mas, em Alagoas, Renan deve apoiar seu colega senador Teotônio Vilela Filho (PSDB) para o governo estadual. E Nonô será candidato ao Senado na chapa do deputado federal João Lyra (PTB), que também quer a cadeira hoje ocupada por Ronaldo Lessa (PSB), que concorre ao Senado. Só que, para presidente, Lyra vai de Lula e o filho do Menestrel das Alagoas vai de Alckmin. Ou seja, em sua base eleitoral Renan estará amarrado à candidatura presidencial tucana e Nonô, à caravana petista. Quem me confirmou essa história foi o próprio Nonô. Não deixa de ser um retrato do Brasil. Em escala reduzida, mas sem dúvida um retrato fiel.

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Uma distância prudente (09/05)

Não vi a entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao Canal Livre, da Bandeirantes, no último domingo. Li sobre o assunto nos jornais. Reproduzo aqui um trecho da coluna de hoje de Nelson de Sá na Folha de S.Paulo. Escreve o Nelson: "DE LULA A NIXON: FHC, antes mesmo da decisão da OAB, deu uma longa entrevista ao 'Canal Livre', da Band, e evitou defender o impeachment de Lula. Mas escorreu ironia, como de costume, ao comparar o brasileiro ao americano Richard Nixon, que foi reeleito e terminou impedido no segundo mandato. É o chamado 'impeachment com hedge', ou ainda, a prazo."
Já escrevi aqui sobre por que FHC tem lugar na galeria dos bons presidentes do Brasil. Está em Estratégias frágeis de petistas e tucanos. Mas, de vez em quando, ele diz ou faz coisas que não devia, acho eu. É o tal de perder o amigo mas não a piada, algo bem ao estilo do ex-presidente. Fica mal para FHC deixar seu nome ser associado a essa coisa de impeachment, especialmente ao impeachment negociado no mercado futuro, como especulam alguns. Como acreditam não ter votos para derrotar Lula, já imaginam formas de inviabilizar um eventual segundo mandato do petista. O erro é duplo, pois nenhuma eleição está decidida de véspera. Para o bem de sua biografia, FHC deveria manter uma distância prudente dessa turma. Geraldo Alckmin, esperto, já está fazendo isso.

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Probleminhas técnicos (09/05)

Há problemas técnicos no servidor do Blogger, o que tem dificultado intermitentemente nas últimas horas a navegação e a postagem de novos textos. Peço desculpas.

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segunda-feira, 8 de maio de 2006

Daily Telegraph: Os que não arrumaram vaga no super-crescimento indiano (08/05)

A foto ao lado é de Devki, um menino candidato ao contingente de 1,2 milhão de crianças na India que morrem todo ano de doenças relacionadas à subnutrição. Metade das 146 milhões de crianças desnutridas do mundo vivem em três países: India, Bangladesh e Paquistão. A economia indiana cresce a um ritmo acelerado, cerca de 8% ao ano. Leia a reportagem completa no Daily Telegraph, do Reino Unido, clicando aqui.

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domingo, 7 de maio de 2006

Menos arrogância, mais pragmatismo (07/05)


É sempre aconselhável olhar o que fazem os empresários antes de formar uma opinião a partir do que dizem os seus porta-vozes. Não conheço empresário que aceite quebrar sua empresa apenas para honrar a palavra empenhada e cumprir um contrato, se for prejudicial a seus negócios. A ideologia é um filtro para a representação da realidade. Como os empresários tiram seu ganha-pão da realidade e não da ideologia, cuidam da primeira e deixam essa última a seus acólitos.

O Brasil é um país que vive de mitos e surtos salvacionistas. À medida que avançamos como sociedade, econômica e culturalmente falando, a mitologia e o salvacionismo confundem-se menos com as pessoas e mais com as coisas. Não deixa de ser uma evolução. Até alguns anos atrás, a salvação do Brasil estava associada a tirar do poder as gentes erradas e colocar as certas. Aí elegeram-se Lula e o PT, e a condição mortal de ambos ficou exposta na nudez da crise política que já dura um ano.

O nosso novo totem atende pelo nome de "contrato". A proibição de romper contratos nos é apresentada como o definitivo tabu. [Esse trecho é homenagem a Sigmund Freud, que faria 150 anos neste mês de maio]. Desde que respeitados religiosamente os acordos, estaríamos garantidos no expresso que vai sem escalas ao Primeiro Mundo. Mas há, é claro, as exceções. Quando José Serra (PSDB) decidiu impor manu militari a renegociação dos contratos assinados por sua antecessora na Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT), foi saudado em verso e prosa pelos mesmos que hoje gritam por sanções contra um Evo Morales que chutou o pau da barraca da Petrobrás e outras petrolíferas.

Não vou desperdiçar o meu tempo e o de vocês discutindo aqui a coerência na política ou no jornalismo. Tratei do assunto em Veneno petista na veia do PT e a coerência na política. Serra achou que a cidade estava pagando demais por certos serviços e mandou refazer os acordos. Deu certo. Conseguiu economizar um bom dinheiro. Evo Morales achou que a Bolívia estava recebendo pouco pelo seu gás e botou prá quebrar em cima da Petrobrás e correlatas. Também deu certo. Vai conseguir melhorar a arrecadação do Estado boliviano, manter-se no poder e talvez cumprir algumas promessas sociais de campanha.

Outro debate que está em curso é sobre a reação do Brasil e de Luiz Inácio Lula da Silva às nacionalizações bolivianas. O custo de investimentos externos deve sempre embutir a avaliação de risco político. O risco para a Petrobrás de sua presença numa Bolívia tomada de furor nacionalista já estava precificado, tanto que o mercado não desvalorizou os ativos da empresa. Já Lula tinha duas opções: radicalizar com os bolivianos, ameaçar sanções e levar o litígio aos organismos e cortes multilaterais, ou apostar em negociações bilaterais.

Essa última opção foi adotada pelos outros dois principais países prejudicados com a decisão de La Paz: Espanha e Argentina. Mesmo os Estados Unidos adotaram posição moderada. E por quê? Porque os países desenvolvidos sabem que não há caminho para a democracia e o equilíbrio regional na América do Sul sem a interlocução com os movimentos nativistas e nacionalistas que emergem no subcontinente.

Nas relações internacionais, os negócios são apenas uma parte. O interesse das nações inclui o interesse de suas empresas, mas não se limita a isso. Como disse em texto anterior, somos sul-americanos e devemos nos conformar com isso. Se dependesse de alguns, já teríamos chutado a canela de Néstor Kirchner no episódio do protecionismo argentino contra os produtos brasileiros e provavelmente teríamos apoiado, em 2002, o fracassado golpe que tentou depor Hugo Chávez da Presidência da Venezuela. Se dependesse de alguns, seríamos como um condômino que já teria brigado com a maioria de seus vizinhos.

Há quem sonhe com um Brasil perfeitamente alinhado aos Estados Unidos, nem que isso exija um novo "muro de berlim" entre nós e os demais países sul-americanos. O alvissareiro é que nem os americanos querem isso da gente. Há pouco tempo, um importante diplomata de Washington circulou pelo Brasil pedindo a autoridades brasileiras que mantenhamos abertos os canais com Evo Morales, até para que desempenhemos junto a ele o papel amortecedor que já exercitamos junto a Chávez. Enrolada no Iraque e a caminho de um conflito com o Irã, a última coisa de que a Casa Branca precisa é intervir mais diretamente nas questões sul-americanas. Os Estados Unidos já enfrentam problemas suficientes na Colômbia. Tem gente que gosta de ser mais realista que o rei.

A História recente registra a passagem de impérios que simplesmente desapareceram, como o Austro-Húngaro e o Otomano. Há outros que recuaram de maneira razoavelmente organizada, como o Britânico (na imagem, clique para ampliar o mapa dos domínios da Coroa em 1897). Hoje, fala-se inglês e joga-se críquete e hóquei sobre a grama na Índia e no Paquistão.

Não necessitamos de arrogância imperial, dado que nem império somos. Precisamos do pragmatismo dos empresarios combinado à sabedoria das nações que sabem avançar mas também recuar, quando o recuo é necessário para preservar posições que permitam avanços futuros.


Leia também:

Washington Post: A presença cubana e venezuelana na Bolívia (07/05)

Um curso de reciclagem em Madri (06/05)

Se querem copiar os americanos, copiem nos acertos (05/05)

Para entender o estado de espírito deles (04/05)

Dançar conforme a (nova) música (03/05)

A crise sul-americana (02/05)

Somos brasileiros e sul-americanos. Conformem-se (27/04)

Por que nós podemos e eles não? (02/04)

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