sexta-feira, 31 de março de 2006

Propostas para o próximo presidente fazer a inclusão digital (31/03)

Uma coisa para se comemorar. Segundo o site IDG Now!, "o mercado de PCs atingiu um marco histórico no mês de fevereiro de 2006, de acordo com dados da consultoria IT Data. Pela primeira vez, o mercado legal superou as vendas do mercado cinza, que fechou fevereiro com uma participação de 49,8%, contra 70% no mesmo mês de 2004".
Clique aqui para ler a reportagem completa.

A inclusão digital é um ovo de Colombo. Pouca gente usa computador e Internet no Brasil porque ambos são caros, assim como o crédito. Duas medidas simples que promoveriam uma explosão digital no país:

1) Todas as teles deveriam ser obrigadas a oferecer um combo de linha telefônica e acesso discado, em que o usuário pagaria um único pulso na conexão telefônica independentemente de quanto e quando usasse a linha para acessar a rede.

2) O governo deveria reduzir a zero os impostos de importação de computadores pessoais, desktops e notebooks.

Hoje temos 20 milhões de pessoas acessando a Internet. Com essas duas medidas simples, teríamos o triplo disso em pouquíssimo tempo.

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Uma reportagem equilibrada sobre a Venezuela no NYT (31/03)

Há venezuelanos da oposição que já compreenderam: se quiserem tirar Hugo Chávez da Presidência, que tentem derrotá-lo no voto. Leia a reportagem completa no The New York Times.

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31 de março, há 42 anos (31/03)

Os militares voltaram a comemorar sem constrangimento o aniversário do golpe de 31 março de 1964, que hoje completa 42 anos. É um sintoma? Talvez. Os pessimistas dirão que que o ambiente político e a crise do governo de esquerda do PT (o primeiro no país desde João Goulart, que era do PTB) abrem espaço para um potencial golpismo de direita manifestar-se com mais desenvoltura.

Os otimistas como eu acham que não é isso, que na democracia cada um comemora o que quiser, desde que pacificamente e sem ferir os direitos do outro. Até porque é preciso reconhecer: golpismo perigoso no Brasil não é nem nunca foi o dos militares. Foi e é o dos civis. Tenho mais receio das vivandeiras do que dos quartéis. Basta ler e ouvir o que se escreve e se diz, nos jornais e no Congresso.

Os militares têm sido um elemento progressista na História do Brasil. Se não no sentido que a esquerda costuma dar à palavra, confundindo progressismo com esquerdismo, pelo menos na acepção mais geral: quase sempre apoiaram o progresso. Eis uma diferença importante, por exemplo, com seus colegas da Argentina.

O novo ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, escreve hoje sobre outro assunto na Folha de S.Paulo. De passagem, diz que João Goulart foi derrubado mais pelos seus méritos do que pelos seus defeitos. Li essa tese pela primeira vez, se não me engano, num livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira, “O Governo João Goulart: as lutas sociais no Brasil (1961-1964)”. Gosto dela. Por mais equívocos que Jango tenha cometido, seu pecado indesculpável para a direita foi apontar a proa do governo para os mais pobres, com as reformas de base. Elas eram tão necessárias que o primeiro presidente do ciclo militar, marechal Humberto de Alencar Castello Branco (foto), acabou fazendo o Estatuto da Terra, pilar fundador da moderna reforma agrária no Brasil.

Acho que o problema de Jango foi dar ouvidos aos que pediam as reformas “na lei ou na marra”. Quem acabou retirado do poder na marra foi ele próprio. Uns concluíram que isso representava o “colapso do populismo” no Brasil e decidiram enveredar pela luta armada. Penso que se encontra aí a raiz histórica e política do petismo (a raiz social do PT é São Bernardo, é Luiz Inácio Lula da Silva). Outros entenderam que o colapso não havia sido do “populismo”, mas da democracia, arruinada pelo sucessivos descuidos com ela, e que se tratava de juntar todo mundo que, em princípio, estivesse a favor de restabelecê-la para sempre.

Aliás, poderíamos aproveitar a efeméride de 64 para fazer um pacto: proponho abolir o uso da palavra “populismo” como categoria histórica nos nossos debates. Ao se prestar a quase tudo, o termo acaba não explicando quase nada. Se desaparecer, não vai fazer falta. A expressão serviu e serve apenas para amalgamar essa aliança espúria entre a esquerda e a direita que têm horror às origens trabalhistas do moderno protagonismo operário e popular no Brasil.

Infelizmente para os socialistas e os comunistas, eles escolheram ficar fora da Revolução de 30. E, como já advertira o Conselheiro Acácio, as conseqüências vieram depois. A quem se interessar pelo assunto sugiro ler “O Imaginário Trabalhista - Getulismo, PTB e cultura política popular: 1945-1964”, de Jorge Ferreira, editora Civilização Brasileira.

Alguns não compreendem o porquê desse ódio acumulado e aparentemente inesgotável entre o PSDB e o PT. Não é tão difícil assim entender. É um pouco como as guerras entre sérvios e croatas e entre judeus e palestinos. Quando se odeiam, irmãos o fazem a taxas bem mais elevadas do que seria razoável. As duas legendas têm origem antigetulista. Nasceram da negação, respectivamente, dos dois vetores políticos que carregavam a marca de Getúlio Vargas: o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro.

A aliança entre o PSD e o PTB garantiu para o Brasil duas décadas de democracia no pós-guerra. Quando se rompeu, abriu as portas para o golpe de 42 anos atrás. Depois, refeita no velho Movimento Democrático Brasileiro (MDB), permitiu a aglutinação das forças que acabaram construindo a ponte que nos transportou de volta à democracia com Tancredo Neves e José Sarney.

Lembro bem de que no governo Sarney o PMDB se deixou demolir por uma campanha permanente e brutal para estigmatizá-lo como legenda fisiológica e invertebrada, a antítese do partido ideológico de que supostamente precisávamos para sermos um país moderno, mais parecido com os do Primeiro Mundo.

Essa conversa deu em Fernando Collor. Depois, tentaram desmoralizar Itamar Franco, o da “república do pão-de-queijo”. Sabe-se hoje que Itamar só escapou da guilhotina quando, sabiamente, aceitou colocar Fernando Henrique Cardoso no ministério da Fazenda.

Impossibilitado de aliar-se com o PT, FHC foi original. Como não podia refazer a aliança PSD-PTB, cooptou a União Democrática Nacional (UDN). Juntou o PSDB com o PFL e o PMDB e deu-nos oito anos de estabilidade política e econômica. Meus amigos petistas e comunistas não gostam que eu diga, mas só isso já colocaria o sociólogo tucano na galeria dos grandes presidentes da História do Brasil. Galeria que terá também Luiz Inácio Lula da Silva, se o metalúrgico tiver a habilidade e a sabedoria de recompor (compor) a aliança com o PMDB e completar bem o seu período de quatro (ou oito) anos.

Aí o ciclo estará fechado. Todas as forças políticas ponderáveis terão passado pacificamente pelo poder no Brasil, e pelo voto. Seremos enfim uma democracia totalmente funcional. Estarão realizados os melhores sonhos de nossa juventude. E cada um de nós poderá, finalmente e com a ajuda de Deus, cuidar da vida e envelhecer em paz. Não mais fará diferença de que lado tenhamos estado em 31 de março de 1964.

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quinta-feira, 30 de março de 2006

Aécio volta a ser o sonho de consumo de Renan para o PMDB-2010 (30/03)

Vitorioso internamente no PMDB desde que a manutenção da verticalização praticamente inviabilizou a candidatura própria do partido à Presidência da República, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), vive 2006 de olho em 2010 e já tem um objetivo definido: tirar do PSDB o governador Aécio Neves (MG) e transformá-lo no candidato a presidente dos peemedebistas daqui a quatro anos. O senador alagoano avalia que o PMDB sairá da eleição com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, e que o próximo governo será obrigado a fazer uma coalizão com os peemedebistas se quiser ter maioria estável no Legislativo. Estará então na hora, segundo ele, de pensar no projeto nacional para 2010. “Precisamos atrair para o partido novos quadros, com densidade política e eleitoral”, defende Renan. “Como o Aécio”, completa.

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Mais oxigênio na Câmara dos Deputados, por favor (30/03)

Parece que o PMDB da Câmara dos Deputados está mais perto de encontrar um método e finalmente escolher seu líder. O sistema é revolucionário e inovador: o partido vai reunir a bancada e decidir no voto. Mas há um detalhe: alguns querem o voto aberto e outros, o secreto. Ficar mal com o líder é péssimo negócio para o deputado. Não é nomeado para nada, fica fora da mídia e vira um zumbi.
Quem sabe agora a Câmara se anima e reforma seu regimento interno, acabando com o sistema de listas, que mais parece uma herança da República Velha. É no bico de pena e funciona assim: quem tiver mais assinaturas na sua lista é o escolhido. Esse sistema é sinônimo de coerção, achaque, chantagem e abuso de poder. Com a palavra, o presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
É só querer: muda-se o regimento para estabelecer que líderes, membros e presidentes de comissões e relatores serão eleitos nas bancadas pelo voto direto e secreto no sistema de dois turnos, podendo ser depostos por maioria, desde que a deposição seja proposta por um terço dos membros.
Pelo menos vai eliminar esse deprimente espetáculo de cooptação em público. E vai obrigar o governo a negociar não com indivíduos ou grupos, mas com bancadas. Será pior para o Palácio do Planalto, mas será melhor, bem melhor para a democracia.

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O mensalão, a CPI e a nossa Lei Seca (30/03)

O caso do Mensalão veio a público na Folha de S.Paulo de 6 de junho de 2005. Ontem, quase dez meses depois, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresentou suas conclusões aos membros da comissão. O texto pode ou não ser aprovado na próxima semana, mas seus efeitos políticos estão dados. A partir das revelações/acusações de Roberto Jefferson e de seus desdobramentos, um partido repassar dinheiro a outro em troca de apoio é crime político, nas eleições ou fora delas. Suspeito que isso vai ficar parecido com a Lei Seca, que proibiu o comércio de bebida alcoólica nos Estados Unidos entre 1919 e 1933 (na imagem, um selo americano sobre o tema, clique para ampliar).

A circulação de dinheiro clandestino vai se tornar mais perigosa, mas não vai parar. Por uma razão simples: até hoje não se descobriu como fazer política sem gastar, e a pressão quase unânime da sociedade (e da imprensa) é para criminalizar todas as formas de financiamento da atividade. O caixa 2, por razões óbvias. O caixa 1, por supostamente significar a influência maligna e altamente contagiosa da esfera material no que deveria ser o puro universo das idéias [advertência: isso foi uma ironia].

Uma alternativa é o financiamento público, mas ele é visto com justificada desconfiança: muito provavelmente, passaria a conviver com o caixa 2 em vez de substituí-lo. A melhor solução, creio eu, seria liberalizar radicalmente o financiamento político-eleitoral. Quem quisesse daria os recursos que desejasse, quando melhor lhe aprouvesse. A Receita Federal acompanharia, preocupada unicamente com a origem do dinheiro e com o recolhimento dos impostos.

Quem deseja o poder, que se viabilize na sociedade, inclusive financeiramente. Mas acho que isso ainda demora, se é que um dia vai chegar a acontecer. O farisaísmo só não é nosso esporte nacional número 1 por causa de Charles William Miller. Nossos políticos estão mais interessados em achincalhar o adversário do que em aperfeiçoar a democracia. Até porque isso não é cobrado deles.

Somos medievais em pleno século 21. De tempos em tempos, queimamos uma ou mais bruxas em praça pública. Depois do espetáculo, e de consciência apaziguada, voltamos aos nossos pecados cotidianos. Até que o próximo infeliz seja pego com a boca na botija e faça desencadear uma nova campanha pela ética na política.

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quarta-feira, 29 de março de 2006

O que é governar no Brasil? (29/03)

Duas famosas frases atribuídas a Washington Luís caíram em desuso faz tempo. Dizia o presidente derrubado pela Revolução de 30 que “a questão social é um caso de polícia” e que “governar é abrir estradas”. A primeira frase morreu de morte morrida, para usar um termo de João Cabral de Melo Neto, quando o país se urbanizou e o peso eleitoral dos trabalhadores passou a ser decisivo na escolha dos governantes. Que a segunda está morta, sabemos todos os que trafegamos por alguma rodovia federal nos últimos tempos.

Luiz Inácio Lula da Silva tentou uma adaptação da segunda frase de Washington Luís. Algo como “governar é tapar buracos nas estradas”. Não sei se passará aos livros de História com isso. Nos dias que correm, duas outras poderiam substituir aquelas do presidente deposto por Getúlio Vargas. São elas “governar é fazer superávit primário” e “governar é abafar CPIs”. Lula vai bem na primeira e mal na segunda. Geraldo Alckmin vai bem nas duas. Nesse aspecto, o governador pode dizer que seu governo é mais eficiente que o do PT.

No Brasil, é mais importante saber quem será o ministro da Fazenda do que conhecer o nome do presidente da República. E mais importante do que o ministro da Fazenda, só mesmo o secretário do Tesouro Nacional. A razão dessa anomalia está principalmente no crescimento das despesas com juros e com a Previdência. Não sobra dinheiro para mais nada.

No Brasil, um terço do Congresso pode emparedar e derrubar um governo. Qualquer governo. É o seqüestro da maioria pela minoria (acho que o ex-presidente Ernesto Geisel usou o mesmo argumento para editar o Pacote de Abril; ele falava em "ditadura da minoria"; na imagem acima, a capa da revista Veja que noticiou a reforma constitucional outorgada de 1977).

Qualquer governo que se preze tem como primeira missão defender-se dos adversários. Se Fernando Henrique Cardoso tem aulas a tomar com Lula sobre disciplina fiscal e domínio das massas, o metalúrgico está anos-luz atrás do sociólogo e de seus correligionários quando o tema é governabilidade.


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O Chile socialista de Michelle Bachelet prepara uma reforma da Previdência que vai atingir as mulheres (29/03)

A proposta é subir de 60 para 65 anos a idade mínima de aposentadoria das trabalhadoras do sexo feminino. O Chile tem um sistema de Previdência baseado inteiramente no modelo de fundos de pensão. Por isso a permanente a preocupação com o equilíbrio atuarial. Diferente daqui, onde o Tesouro acaba bancando qualquer gesto caridoso que o governo (qualquer governo) deseje fazer. O envelhecimento da população, combinado com o alongamento da vida útil dos trabalhadores, exige e permite esticar os anos de trabalho. Essa é uma agenda também para o próximo presidente do Brasil. Veremos se alguém terá a coragem, ou a ousadia, de abrir esse debate na campanha eleitoral. Clique aqui para ler mais sobre a reforma chilena.

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O que o PFL quer em São Paulo (29/03)

O PFL já decidiu como quer participar da provável candidatura de José Serra ao governo de São Paulo. O futuro governador Cláudio Lembo, o futuro prefeito Gilberto Kassab e o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), reuniram-se e fecharam com Afif Domingos na vice. Deixam a vaga de senador para uma possível aliança com o PMDB. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer, está cotado para desafiar o senador petista Eduardo Suplicy.

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Hoje, vamos ao espaço com Marcos Pontes (29/03)

Às 23h29 de hoje, o brasileiro Marcos Pontes, o russo Pavel Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams vão ao espaço a partir da base de Baikonur, no Cazaquistão. Você pode acompanhar tudo no site da Agência Espacial Brasileira (AEB). Boa sorte aos três e parabéns ao primeiro cosmonauta brasileiro.

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Vitória débil do Kadima e provável coalizão de centro-esquerda em Israel (29/03)

Uma retirada parcial da Cisjordânia e a demarcação unilateral das fronteiras de Israel com a Palestina estão mais prováveis depois que, nesta terça-feira, o Partido Kadima (avante, em hebraico) venceu as eleições para o Knesset (parlamento). O próximo governo deve ter Ehud Olmert (foto) como primeiro-ministro de uma coalizão que inclua os trabalhistas. A votação do Kadima ficou abaixo do esperado e o partido fundado por Ariel Sharon só obteve 28 das 120 cadeiras. Os trabalhistas alcançaram 20. Clique aqui para ler mais.

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terça-feira, 28 de março de 2006

O impeachment no horizonte (28/03)

Conclusão das conversas hoje na Câmara e no Senado: A estratégia do PFL e do PSDB é pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com acusações sucessivas, que não deixem baixar a temperatura da crise política. No cenário mais tímido, ambos trabalham com a projeção de um Lula massacrado e isolado, incapaz de reunir a maioria absoluta num segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB). No cenário mais ousado, esperam reunir elementos para, ainda antes das eleições, colocar na mesa um processo contra Lula por crime de responsabilidade. Tucanos e pefelistas sabem que são mínimas as chances de Lula perder o mandato, mas a ameaça de impeachment funcionaria como um forte constrangimento na caminhada do presidente pela reeleição.

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Um trecho do discurso de saída de Palocci (28/03)

A respeito do post anterior neste blog (Uma aposta que se esgotou), destaco trecho do discurso de despedida do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, hoje no Palácio do Planalto:

"O que mais me encheu de confiança é a certeza de ter procurado um novo caminho para a convivência serena e civilizada entre contrários. Uma nova trilha para o exercício da tolerância e da colaboração. O Brasil tem uma longa, longuíssima, tradição de oposições ferozes, de pactuações sempre recusadas. E em que pese as nossas tradições de cidadãos cordiais, no plano social, nossas instituições políticas estão cravadas de rancores. E isso tem criado grandes dificuldades para o avanço institucional do país. Talvez eu tenha falhado nesta minha crença da convivência pacífica. Talvez ela seja ingênua. Talvez ela não tenha ainda lugar em nosso tempo. Mas eu, mesmo assim, prefiro ter uma visão otimista de que isso é possível num país que tem abismos sociais tão grandes a superar. Minha fé no Brasil e nas pessoas continua inabalável."

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Uma aposta que se esgotou (28/03)

Há pouco tempo, no Roda Viva da TV Cultura, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso revelou que a transição suave de seu governo para o de Luiz Inácio Lula da Silva teve outro objetivo, além do civilizatório: o tucano esperava do sucessor um chamado para que as duas correntes governassem juntas o país.

Do lado petista, houve também quem cultivasse essa idéia. Dois exemplos eram o ex-ministro Luiz Gushiken e, principalmente, o agora também ex-ministro Antonio Palocci. A base do raciocínio era razoavelmente simples: se o governo Lula implementava políticas aceitáveis pelos tucanos, em especial na economia, haveria terreno para um pacto de governabilidade, mesmo que informal.

O ato de Lula ao levar em 2003 ao Congresso suas duas reformas (Previdência e Tributária) acompanhado dos governadores era simbólico dessa estratégia: na ausência de uma maioria governista sólida, uma alternativa era buscar na sociedade e nas forças políticas fora do Parlamento o apoio à governabilidade.

Essa linha idílica começou a apresentar problemas na votação das próprias reformas, quando PSDB e PFL mandaram a coerência às favas e partiram para uma oposição de tipo petista, especialmente no ponto da contribuição previdenciária dos inativos. A coisa se agravou no episódio Waldomiro Diniz, já em 2004, quando a oposição sentiu a possibilidade de remover do Palácio do Planalto o principal pivô de Lula, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu.

O que já não vinha bem piorou ainda mais quando o Executivo patrocinou as desastradas tentativas de reformulação da lei do audiovisual (Ancinav) e de implantação do Conselho Federal de Jornalismo, iniciativas de cunho autoritário que reacenderam na oposição a dúvida sobre a real vocação democrática da administração do PT.

E então vieram as eleições municipais. Nelas, o PT passou um duplo recado que atiçou a sede de sangue das outras forças políticas: mostrou não ser uma legenda com apetite para alianças que implicassem a real divisão do poder e exibiu uma fraqueza insuspeita, ao perder o segundo turno na maior parte dos lugares em que mais desejava ganhar, com destaque para São Paulo e Porto Alegre.

A fraqueza petista e a feroz luta interna no partido acabaram resultando em 2005 na eleição de Severino Cavalcanti. O curioso é perceber que os principais quadros do PP que serviram de "cavalo" para que a oposição derrotasse o governo na sucessão de João Paulo Cunha ou renunciaram (Severino), ou foram cassados (Pedro Corrêa) ou caminham para o ostracismo (José Janene).

O fortalecimento excessivo do PP está na raiz da crise com o PTB, que levou às denúncias de Roberto Jefferson e ao desenrolar conhecido de todos.

Em meio a essa deterioração progressiva, sobrevivia Palocci. Seu limite, como se viu, era a aproximação da eleição presidencial. Quando o projeto de poder da oposição veio à luz com nitidez, sua sorte foi decretada. PSDB e PFL livraram-se dele como quem joga fora um sofá usado.

Ontem, um colega me telefonou para constatar, assombrado, que José Dirceu, mesmo cassado, está em melhor situação do que seu ex-colega da Fazenda. Dirceu tem boa acolhida no PT e na esquerda, coisa que Palocci perdeu. É uma pena, pois o ex-prefeito de Ribeirão Preto talvez tenha sido um dos melhores ministros da Fazenda que este país já teve.

Acertou na economia mas encontrou seu limite na política. Ou, pelo menos, colocou todas as suas fichas numa única casa e perdeu. Com o tempo, a História lhe fará justiça (acredito eu), mas esse economicismo lhe foi fatal.

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segunda-feira, 27 de março de 2006

Mantega foi chamado pela manhã em São Paulo (27/03)

A demissão de Antonio Palocci estava decidida desde a manhã, quando o presidente da República mandou chamar de São Paulo para Brasília o presidente do BNDES, Guido Mantega. Ele estava na capital paulista para compromissos que incluíam um almoço no jornal Valor Econômico, que foi cancelado. Ou seja, pela manhã Palocci já sabia que Jorge Mattoso diria toda a incômoda verdade no depoimento que daria à tarde à Polícia Federal.

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Uma guinada desenvolvimentista (27/03)

Nesta altura do campeonato você já sabe que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, caiu depois que o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse que foi Palocci quem lhe pediu para (mandou) violar o sigilo bancário de Francenildo Costa. Você sabe também que o novo ministro é o presidente do BNDES, Guido Mantega. Acabo de cruzar com um assessor de Mantega no terceiro andar do Palácio do Planalto. Ele me diz que a prioridade do novo ministro será o crescimento da economia, sem mexer nos fundamentos da política macroeconômica. Sorrindo, soltou essa: "acho que agora acabou a época dos tucanos no Ministério da Fazenda". Quando eu ia perguntar se isso era uma piada ou era a sério, o segurança me tirou dali. Reservadamente, assessores de Mantega dizem que será tarefa dele dar a Lula não apenas um discurso desenvolvimentista, mas medidas que tirem da oposição essa bandeira na campanha eleitoral.

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O papel do consenso social nas reformas (27/03)

Um artigo de Glória Rebelo no Jornal de Negócios, de Portugal, traz uma síntese objetiva sobre as razões da crise que envolve o projeto de flexibilização do mercado de trabalho para jovens na França. Transcrevo um trecho:

"Mas esta ideia não parece colher na opinião pública. Segundo uma sondagem CSA-Le Parisien, publicada na última semana, 68% dos franceses mostram-se contrários ao regime do CPE. Para os opositores ao CPE, o argumento da rigidez do mercado não procede uma vez que já mais de 70% dos jovens franceses são contratados através de contratos de trabalho de duração determinada (a termo) e muitos destes contratos não são renovados. Além do mais, alguns grupos de estudantes e sindicatos opositores defendem que o CPE visa sobretudo criar mais precariedade, limitando-se a propor a transferência de risco inerente à actividade empresarial para os trabalhadores, ao invés de estabilizar o emprego. É assim que o CPE está a ser vivamente contestado pelos movimentos de esquerda, pela quase totalidade das confederações sindicais (CGT, CFDT, FO, CFTC, FSU e Unsa) e pelos estudantes (na semana passada 57 das 84 universidades francesas foram encerradas)."

Simples assim. Não há como fazer reformas liberais no século 21 sem que elas obtenham apoio das organizações sociais que agrupam os "de baixo". Vale para a França e vale para o Brasil.
Clique aqui para ler o artigo.

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Kadima tem liderança apertada nas últimas pesquisas (27/03)

Israel vota amanhã para escolher um novo Parlamento, com as últimas pesquisas apontando liderança apertada do Kadima, partido fundado pelo ex-premiê Ariel Sharon antes de sofrer o acidente vascular cerebral que o incapacitou. Nos últimos dias, a tendência é de declínio do Kadima. As pesquisas indicam que a legenda do premiê Ehud Olmert deve obter em torno de 35 das 120 cadeiras do Knesset (parlamento). Os trabalhistas de Amir Peretz oscilam entre 17 e 21 e o Likud do ex-premiê Benjamin Netanyahu entre 13 e 14. O cenário aponta para um provável governo de coalizão entre o Kadima e os trabalhistas, talvez com a necessidade de incorporar pequenos partidos. O ponto central da plataforma do Kadima é a demarcação unilateral das fronteiras de Israel com um eventual futuro Estado Palestino. Clique aqui para ler mais.

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domingo, 26 de março de 2006

Líder da Revulção Laranja fica em terceiro na Ucrânia; pró-Russos vencem (26/03)

O partido pró-russo de Viktor Yanukovych impôs uma importante derrota neste domingo ao líder da Revolução Laranja na Ucrânia, o presidente Viktor Yushchenko. As pesquisas de boca de urna dão em torno de um terço dos votos para a lista de Yanukovych, contra em torno de 15% dados ao partido pró-ocidental de Yushchenko. A ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, ex-aliada de Yushchenko, obteve em torno de um quarto dos votos. Clique aqui para ler mais.

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Outras notas:

As voltas que a Ucrânia dá (17/03)
Ucranianos rejeitam Otan; quase a metade quer a volta da URSS (02/03)

O partido de Lincoln quer voltar a ser o partido dos negros (26/03)

Nas últimas décadas, o Partido Democrata vêm tendo quase o monopólio do voto negro (afican-american) no Estados Unidos. Mas quem acabou com a escravidão americana foi um presidente republicano, Abraham Lincoln (na foto, clique para ampliar). Seu gesto desencadeou a Guerra de Secessão. Um século e meio depois, o Partido Republicano lança-se novamente na busca do voto e do apoio dos negros. Clique aqui para ler, na revista do The New York Times, "Por que Michael Steele é um candidato republicano?", de Michael Sokolove.

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Nacionalista abre vantagem e candidata de centro-direita cai para terceiro no Peru (26/03)

A candidada de centro-direita, Lourdes Flores, caiu para terceiro em pesquisa de intenção de voto e ameaça ficar de fora do segundo turno das eleições peruanas. Quem lidera é o tenente-coronel da reserva Ollanta Humala, nacionalista e etnocacerista. Os números são do Instituto IDICE. É a primeira vez que Flores aparece fora das duas primeiras colocações. A eleição acontece em 9 de abril e se nenhum candidato obtiver maioria absoluta haverá segundo turno. Veja os números na tabela acima (clique nela para ampliar). Para ler mais, clique aqui.

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sexta-feira, 24 de março de 2006

PPS se reúne em BH e deve lançar Freire (24/03)

O Partido Popular Socialista (ex-Partido Comunista Brasileiro) começou hoje em Belo Horizonte (MG) seu 15º Congresso. O encontro deve reforçar a tese da candidatura própria à Presidência da República. O presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (PE), disse hoje em entrevista coletiva que os grupos dominantes "estão investindo na disputa entre [Luiz Inácio] Lula [da Silva] e [Geraldo] Alkmin e já estão cantando vitória. Se um dos dois ganhar as eleições, quem ganha são o sistema financeiro nacional e internacional, a elite e os banqueiros”. Você pode acompanhar o encontro, que termina domingo, no site oficial do PPS. Os delegados devem referendar a candidatura de Freire à Presidência da República.

Atualização (26/03): O Congresso do PPS encerrou-se e confirmou a candidatura de Roberto Freire à Presidência.

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Estado de Minas: Buratti não viu Palocci na casa (24/03)

Os jornais O Estado de Minas e Correio Braziliense trazem amanhã reportagem de Isabella Souto em que o advogado Rogério Buratti nega que tenha visto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na chamada "Casa do Lobby" em Brasília. “Eu nunca vou dizer quem esteve ou não na casa por uma questão que pegou mais pelo lado moral do que pelo conjunto da obra. Mas, que eu tenha visto, ele (Palocci) não foi lá”, disse Buratti. A versão de Buratti contrasta com as declarações do caseiro Fracenildo dos Santos Costa, que afirmou ter visto o ministro Palocci no local. De acordo com Buratti, a idéia de alugar uma casa surgiu da direção da Leão Leão e da REK –ambas empresas de limpeza urbana que atuaram em Ribeirão Preto– para “congregar empresários” da cidade na busca de novos negócios. “A Leão Leão e a REK não tinham atividade forte em Brasília. Imaginávamos que poderíamos participar mais”, justificou.

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O grave erro da deputada Guadagnin (24/03)

A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) cometeu um erro grave, pelo menos na política: expôs seus sentimentos reais em público. A ex-prefeita de São José dos Campos ficou tão contente com a absolvição de João Magno (PT-MG) que ensaiou uns passinhos de dança no plenário da Câmara dos Deputados (clique na foto para ampliar). Como era esperado, o mundo desabou. Todos que desejavam ver Magno cassado uniram-se para despejar o fogo dos infernos sobre ela. Se a coisa terá efeitos eleitorais para a Ângela, saberemos em outubro.

Essa médica católica do Vale do Paraíba, que é contra os transgênicos, o aborto e vota sempre alinhada com as posições da Igreja, deveria tomar lições do PSDB e do PFL. Eles sim são profissionais da política. Na véspera de tentar cassar Magno, os tucanos conseguiram arquivar no Senado o processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cuja campanha em 1998 à reeleição como governador inaugurou, até onde se sabe, o modelo Marcos Valério de caixa 2. Semanas antes de lutar pela cassação do petista, o PFL tanto fez que conseguiu salvar o deputado Roberto Brant (PFL-MG), acusado exatamente -mas exatamente mesmo- da mesma coisa que Magno.

Talvez tucanos e pefelistas tenham feito bem, talvez tivesse sido mesmo um exagero cassar Azeredo e Brant. Inexplicável é os dois partidos acharem que o caixa 2 de correligionários é menos grave que o dos adversários.

Inexplicável uma ova. É transparente como água, basta usar lógica rudimentar. Se o PSDB e o PFL trabalharam para salvar Azeredo e Brant, e trabalharam também para cassar Magno, é porque este último deve ter cometido algum outro crime, além do caixa 2 em sua derrotada campanha de prefeito há dois anos.

Quero ouvir um argumento, um único que seja, contra a hipótese de que PFL e PSDB desejavam cortar a cabeça de João Magno simplesmente porque ele é do PT.

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Palocci luta (24/03)

Antonio Palocci falou por cerca de 40 minutos aos empresários na Câmara Americana da Comércio (Amcham) e ao país, pela tevê. A estratégia do ministro está clara:

1) Ele riscou no chão uma linha demarcatória entre as questões pessoais e sua função de ministro da Fazenda. Funciona como uma vacina. Encontrem o que encontrarem sobre sua vida particular, Palocci diz que vai agüentar o tranco e ficar no cargo. Façam suas apostas.

2) Ele previu que a campanha eleitoral será sangrenta (não chega a ser novidade) e colocou-se como co-fiador (junto com Lula) da preservação dos fundamentos da economia. Um Pedro Malan para Lula. O recado para a oposição é claro: "se vocês acham que vão ganhar a eleição, é melhor que assumam com uma economia organizada. E eu posso garantir isso a vocês".

3) Ao desfilar números e números sobre sua gestão, deixou claro que não vai abrir mão do capital político que acumulou com a condução da Fazenda. Um dia essas denúncias estarão esquecidas, mas os resultados econômicos de 2003 para cá serão a plataforma de lançamento dos novos projetos do político Palocci, como ele mesmo se definiu.

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Uma advertência do Supremo (24/03)

Está na Folha de S.Paulo de hoje:

"Magistrados vêem uso eleitoral de investigações e sugerem legislação que evite quebras de sigilo sem a devida fundamentação

Ministros do STF apontam abuso de CPIs
SILVANA DE FREITAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) aproveitaram ontem o julgamento de um mandado de segurança contra a CPI dos Correios para fazer um protesto geral contra o que consideram ser abusos nas investigações parlamentares, principalmente quebras de sigilo sem justificativas formais.
A reação às críticas freqüentes das CPIs a liminares do STF partiu de Celso de Mello, mas foi reforçada por outros cinco ministros: o presidente do tribunal, Nelson Jobim, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto e Eros Grau. O julgamento se transformou em uma espécie de sessão de desabafo.
"As CPIs, tanto quanto os tribunais, estão sujeitas às limitações que a Constituição da República impõe", disse Mello. Ele lembrou que, embora fosse extremamente polêmica, a CPI do Judiciário teve apenas dois ou três atos contestados judicialmente, porque tomou decisões conforme a jurisprudência do STF.
Jobim lamentou o uso das CPIs para fins políticos ou eleitorais. "Como estamos em uma sociedade midiática, fundamentalmente televisiva, o que emociona não é a razão, mas o fato, a imagem. A mensagem emociona pelo olho. Esses instrumentos absolutamente dignos [as CPIs] vão se transformando em instrumentos exclusivamente do processo eleitoral. Isso pode justificar esses abusos", disse Jobim.
Segundo ele, as CPIs foram criadas para apurar fatos que ajudassem a atividade legislativa, mas "acabaram sendo utilizadas exclusivamente no sentido investigatório, se tornaram um fim em si mesmo, porque muitas vezes isso traz a notoriedade". Complementando Jobim, Britto falou em "fenômeno da espetacularização".
Mendes atacou a quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa pela Caixa Econômica Federal. "A par de todos esses abusos cometidos eventualmente por CPIs, verificamos que já há uma quebra de sigilo à brasileira, realizada pela CEF, segundo os jornais afirmam. Talvez porque as CPIs já não bastem."
Mendes afirmou ainda: "Estamos vivendo um quadro extremamente delicado no que diz respeito aos direitos fundamentais".
Ele defendeu aprovação de uma lei que defina os poderes de atuação das CPIs. Peluso disse que, enquanto não houver a lei, o STF deve editar uma súmula para "cristalizar" o entendimento já existente de que é nulo o ato de CPI que quebre o sigilo bancário, fiscal ou telefônico do investigado sem fundamentação.
Em defesa da atuação dos 11 ministros do STF, Eros Grau fez uma breve intervenção, afirmando: "Não somos mais do que intérpretes da Constituição."
O desabafo ocorreu no julgamento do mérito de um mandado de segurança da corretora de seguros Alexander Forbes Brasil contra a CPI dos Correios.
Por decisão unânime, o plenário do STF confirmou liminar de Celso de Mello que suspendera a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da corretora.
Na liminar, concedida em novembro de 2005, Mello escrevera: "É preciso advertir que a quebra de sigilo não se pode converter em instrumento de devassa indiscriminada dos dados bancário, fiscais ou telefônicos."

O assunto também foi tratado no site do STF.

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quinta-feira, 23 de março de 2006

A propósito do artigo de Demétrio Magnoli sobre Emir Sader (23/03)

Enxergar a história pelos óculos da ideologia pode ser um problema. Você tende a selecionar os fatos que interessam, e a distorcer ou ignorar os que não se encaixam no modelo. A análise dos acontecimentos, de suas causas e das condicões em que se deram, bem como dos personagens e de seu grau de arbítrio, tudo é substituído pela “teoria histórica”, pela “ciência” e suas “leis”. Não é necessário saber como as coisas se passaram, basta saber os motivos que tornaram “inevitável” terem se passado daquela maneira. É o reinado da preguiça, das certezas prévias e das simplificações.

Tenho um amigo que lamenta, com freqüência, o tipo de ensino de História que seus filhos recebem na escola. Ele sonha com o dia em que os meninos vão chegar em casa falando sobre fatos e personagens, “e não apenas sobre como o grau de desenvolvimento das forças produtivas determina o modo de produção”, brinca meu amigo, com uma ironia que mal esconde a preocupação com o futuro intelectual das crianças. E olhem que ele já leu muito Karl Marx.

Demétrio Magnoli escreve hoje na Folha de S.Paulo (para assinantes da Folha e do UOL) um artigo em que, para criticar certo texto de Emir Sader, dá sua própria versão da história soviética e de Josef Stálin. Pelo menos numa coisa Demétrio a priori tem razão: falar bem de Stálin, nem que seja só um pouco, para apresentar uma reedição da biografia de León Trotsky escrita por Isaac Deutscher pode ter sido uma imprudência de Sader. Não faz sentido elogiar o carrasco num livro escrito para homenagear a vítima.

Tenho muitas reservas à maneira de Sader de pensar, especialmente em assuntos relacionados à globalização, ao Oriente Médio e ao terrorismo (ou seja, em quase tudo), mas acho que o Demétrio dessa vez escorregou. Ele critica a afirmação de Sader de que o desenvolvimento acelerado da URSS nos anos 30 foi decisivo para dar ao país os meios que lhe permitiram resistir à invasão alemã e, ao final, derrotar o nazismo. O fato é que uma Rússia agrária e camponesa dificilmente teria conseguido vencer o III Reich. E a rápida industrialização da URSS foi conseguida graças à alta capacidade de investimento estatal, que só existiu porque o regime soviético expropriou a riqueza rural e implantou a ditadura do proletariado.

É possível que uma Rússia democrático-liberal tivesse conseguido os mesmos resultados? Que tivesse conseguido enfrentar e liquidar o nazismo? Pode ser, nunca saberemos ao certo. Eu duvido. Todas as democracias liberais européias caíram diante de Adolf Hitler, com exceção do Reino Unido, que foi salvo pelo Canal da Mancha. Os britânicos foram heróicos, mas não tiveram que enfrentar a Wehrmacht em solo pátrio.

Demétrio também critica a idéia de o Estado de bem-estar social europeu ter sido uma concessão das elites aos trabalhadores para evitar a propagação do comunismo depois da Segunda Guerra Mundial. Nesse caso, é útil recorrer ao 18 Brumário de Luís Bonaparte e lembrar de como a classe dominante pode apoiar uma ou outra facção política, conforme sua necessidade de momento. A burguesia européia não inventou a social-democracia, esta é uma criação do movimento operário. Mas em diversas ocasiões no século 20 a Europa apoiou-se nos socialistas para conter o avanço dos comunistas. A lógica da Guerra Fria o impunha.

Quando a Alemanha invadiu a União Soviética em 1941, Hitler imaginava que os povos governados por Stálin se levantariam para saudar o invasor e para ajudá-lo a acabar com o comunismo. Aconteceu o contrário, os soviéticos se uniram e expulsaram os alemães. E quem governava o país eram o Partido Comunista e Stálin. Depois da guerra, os Estados Unidos fizeram um Plano Marshall não na América do Sul, mas na Europa Ocidental. Qualquer análise precisa partir desses fatos, simples e conhecidos de todos.

Na imagem (clique para ampliá-la), as nações européias que se beneficiaram do Plano Marshall. As barras vermelhas mostram a participação relativa dos países na ajuda americana recebida.

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Federais do PSDB-SP fecham com Serra (23/03)

Os deputados federais tucanos de São Paulo fecharam hoje pela manhã na casa de Júlio Semeghini (PSDB-SP) o apoio à candidatura de José Serra ao governo estadual. Estavam todos menos um: Carlos Sampaio. Em seguida, Semeghini ligou para o secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, para informar da decisão. Na hora, Aloysio marcou uma conversa entre a bancada e o prefeito, amanhã (sexta) às 15h.

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"Seguindo os princípios da probidade, renuncio a meu posto" (23/03)

Não é no Brasil, é na Índia. A líder do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, deixou sua cadeira no Parlamento para evitar que ataques contra ela deflagrassem uma crise política. Ela é acusada de receber proventos decorrentes da participação em conselhos de empresas, o que a lei indiana veda a parlamentares. A italiana de nascimento (na foto, em entrevista à TV), que virou líder política na Índia após seu marido (Rajiv, filho de Indira Gandhi) ser assassinado, vai tentar retomar sua cadeira nas urnas.

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A blitz tucana no "Triângulo das Bermudas" (23/03)

O que há pouco mais de um mês era apenas especulação (coisa de blog, vocês sabem), hoje é o centro das preocupações do candidato tucano ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin. Está no Valor Econômico, em texto de Raymundo Costa e Raquel Ulhôa:

"Triângulo das Bermudas" é o nó da aliança PFL-PSDB

Fechar uma aliança no chamado "Triângulo das Bermudas" da política brasileira, onde se concentram 42% dos eleitores do país, é a prioridade do pré-candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, e do presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, que devem se encontrar novamente amanhã, no Rio de Janeiro, desta vez na companhia do prefeito da cidade, Cesar Maia.

O chamado "Triângulo das Bermudas" é compreendido pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Um bom desempenho nessas praças é fundamental para as chances de vitória de qualquer candidato. PSDB e PFL não têm dificuldades para se compor em Minas, em torno da candidatura favorita do governador Aécio Neves, mas falta acertar São Paulo e Rio de Janeiro.

Na primeira conversa que teve com Bornhausen, depois de ser escolhido candidato do PSDB, Alckmin chamou a atenção para o "Triângulo das Bermudas". O tucano avalia que, para bem compor no "Triângulo" precisa de um palanque forte no Rio, o que poderia alcançar por meio da candidatura de Maia.

O prefeito do Rio vive situação parecida à de seu colega de São Paulo: se sair para disputar o governo, dará o lugar a um tucano. A diferença é que Maia já está no segundo mandato, enquanto Serra mal iniciou o primeiro. Maia não dá sinais de que pretenda disputar o governo do Estado, mas deve voltar a conversar ainda hoje com Bornhausen, que viajou ontem à noite para o Rio."

Clique aqui para ler a íntegra do texto (para assinantes do Valor).

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Leia também:

Alckmin, Serra, Aécio e um Maia contra Lula? (19/02)

A dura volta para casa de Germano Rigotto (23/03)

O governador gaúcho perdeu as "prévias informais" do PMDB para escolher quem seria o agora (depois de confirmada a vigência da verticalização este ano) cada vez mais improvável candidato do PMDB à Presidência da República. De volta aos pampas, ele enfrenta um cenário de fragmentação na ampla base política que o ajudou a derrotar o PT há pouco mais de três anos. Clique aqui para ler.

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"Os últimos dias de Tony Blair" (23/03)

A reportagem de capa da The Economist tem esse título. Faz um paralelo entre o atual premiê britânico e um antecessor seu, Harold Wilson, também trabalhista, para concluir que está na hora de o mais popular líder da esquerda britânica em décadas pedir o boné. Clique aqui para ler o texto completo da reportagem da revista.

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quarta-feira, 22 de março de 2006

Casos iguais, critérios diferentes (22/03)

Depois de absolver o deputado Wanderval Santos (PL-SP), o plenário da Câmara vota agora a cassação de João Magno (PT-MG). PSDB e PFL tentaram inutilmente obstruir a votação para evitar que ela acontecesse com quórum baixo. Fica aqui uma pergunta para tucanos e pefelistas. Por que João Magno deveria ser condenado depois de terem sido absolvidos o deputado Roberto Brant (PFL-MG) e o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cujo processo foi arquivado ontem pelo Senado?

Atualização: João Magno foi absolvido à 0h25 de 23/03. Só 201 votaram para cassá-lo.

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Mobilização pró-Serra na bancada federal do PSDB (22/03)

Júlio Semeghini (PSDB-SP), alckminista de carteirinha, recebe amanhã os deputados federais paulistas do partido para o desjejum em sua residência em Brasília. O objetivo é definir uma posição consensual de apoio à candidatura do prefeito José Serra ao governo de São Paulo.
Hoje, Serra recebeu prefeitos tucanos do estado e a bancada de vereadores na capital. Até o fim da semana, deve receber os deputados estaduais.
O prefeito pode até dizer "não" diante do padre, mas essa cerimônia de casamento está bem armada demais para acabar em surpresa.

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PDT e PPS em busca de uma saída (22/03)

Encontro no elevador do Anexo 4 da Câmara dos Deputados o presidente do PDT, Carlos Lupi. Ele acaba de sair do gabinete do deputado federal Roberto Freire (PE), presidente do PPS. Ambos fazem um esforço final para construir uma coligação que convença as bancadas dos dois partidos de que vale a pena lançar candidato a presidente, mesmo com a verticalização.

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ETA abandona a luta armada (22/03)

O grupo separatista basco ETA (Euskadi Ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade em basco) anunciou um cessar-fogo permanente. O anúncio foi feito em um comunicado enviado à TV pública basca (EITB). Clique aqui para ver o vídeo. No comunicado, a organização afirma que pretende "impulsionar um processo democrático (...) para construir um novo marco em que sejam reconhecidos os direitos que, como povo, nos correspondem". Clique na imagem para acompanhar a cobertura em tempo real do jornal espanhol El Mundo.
Desde que chegou ao poder, em 2004, o governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero dá passos para estabelecer um diálogo que leve ao fim das atividades terroristas da ETA. A primeira reação do governo espanhol foi cautelosa. ""Unia-nos o espanto diante do horror. Confio que agora nos una a esperança", disse Zapatero ao Congresso depois do anúncio da ETA.

As notícias econômicas e a radicalização política (22/03)

A guerra entre governo e oposição promete romper todos os limites. Há acordos tácitos pontuais, como foi o arquivamento da representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), mas a lógica que vai prevalecendo é a do vale-tudo.

2006 será o ano em que a jovem democracia brasileira terá sido finalmente submetida a um "teste de stress". Vamos ver como nos saímos sem a nossa habitual cordialidade. Progressivamente, nas palavras de meu amigo Ilimar Franco, a política no Brasil vai ficando igual à americana. Não há convenções que não possam ser abandonadas e o objetivo do jogo não é derrotar, é destruir.

Eu diria que vai ficar pior que nos Estados Unidos. Lá, democratas e republicanos mostram os dentes mas acabam se unindo em temas relacionados à segurança nacional. Aqui, nem isso. Ninguém lembra mais (porque a lógica da crise em que estamos mergulhados não é buscar a verdade, é causar o maior dano possível ao adversário), mas um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) foi obrigado a depor em sessão aberta numa CPI e, portanto, a revelar sua identidade. Sobre o que mesmo ele falou? O que resultou daquilo? Fora o espetáculo, nada. E o show segue.

Os jornais de hoje trazem boas notícias para Lula, na economia. "Emprego formal atinge nível histórico em fevereiro com reação da economia" é um título de reportagem de O Globo. O lide, de Martha Beck e Eliane Oliveira: "A retomada da atividade industrial e a expansão do comércio ajudaram o mercado de trabalho a criar 176.632 empregos formais em fevereiro. Esse foi o melhor resultado já registrado para o segundo mês do ano e representa um aumento de 0,68% em relação a janeiro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho. Nos últimos 12 meses, a geração de vagas com carteira assinada chegou a 1,3 milhão".

Outro título no mesmo jornal: "Preço baixo, comércio em alta". O lide, de Cássia Almeida: "A dona de casa Denilza Narciso de Oliveira tem enchido mais o carrinho de compras nos últimos meses. Os preços estáveis e em baixa têm permitido levar para casa mais biscoitos, iogurte, frutas e frios, gastos que giram em torno de R$ 500 por mês. 'Tenho comprado mais coisa com menos dinheiro. O preço do frango, então, baixou muito. E as promoções nos supermercados vêm aumentando', disse".

Mais um: "Remessas caem e contas externas têm recorde". O texto é de Patrícia Duarte: "Mais uma vez impulsionado pelo bom desempenho da balança comercial, aliado à menor remessa de lucros e dividendos para fora do país, o saldo de transações correntes brasileiro fechou fevereiro positivo em US$ 725 milhões — o melhor desempenho para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 1947. O número inverteu o déficit de US$ 452 milhões de janeiro e surpreendeu o Banco Central (BC), que esperava ficar no zero a zero. Por causa disso, o BC revisou para cima boa parte dos principais indicadores das contas externas para 2006. O próprio superávit das contas correntes passou de US$ 6,1 bilhões para US$ 8,6 bilhões".

Se você quiser entender por que a campanha eleitoral deste ano vai ser a mais sangrenta (Deus queira que apenas em sentido figurado) da História do Brasil, não basta ler as notícias de política. Tem que prestar atenção nas de economia. Ou a oposição levanta o país numa cruzada moral contra Lula e o PT ou vai perder a eleição, porque na comparação de desempenhos econômicos e administrativos Lula tem garrafas para entregar. Certamente há motivos para uma cruzada desse tipo no Brasil, mas convém desconfiar dos generais que se apresentam para comandá-la.

(Mais uma) entrevista do presidente Bush (22/03)

Vai chegar o dia em que os presidentes brasileiros darão entrevistas periódicas para prestar contas à sociedade por meio da imprensa. Se tudo correr bem, nesse dia os governantes já estarão impedidos de usar dinheiro público para auto-promoção. É uma de nossas aberrações: dinheiro do povo sendo gasto pelo governo para convencer o povo de que o governo é bom. Será que algum candidato vai se comprometer a acabar com isso? Duvido.
Enquanto esse dia não chega, podemos tomar aulas sobre o assunto com os americanos. Os soldados dos Estados Unidos estarem morrendo aos punhados no Iraque não eximiu o presidente George Bush de dar sua segunda entrevista do ano aos correspondentes na Casa Branca. Clique aqui para ver a íntegra e ter acesso ao webcast. Na foto, jornalistas levantam as mãos para que o presidente escolha quem vai perguntar. É outro planeta.

terça-feira, 21 de março de 2006

A política do Rio, num jantar (21/03)

Neste momento, o deputado federal Eduardo Paes (RJ) e a vereadora carioca Andréa Gouvêia Vieira se deslocam para a residência da deputada federal Juíza Denise Frossard (PPS-RJ). Os dois tucanos vão propor uma coligação para lançar a juíza ao governo do Rio de Janeiro. O PSDB fluminense só apoiaria o candidato do PFL se fosse o próprio prefeito Cesar Maia. O vice dele é tucano e o partido ganharia de graça dois anos e nove meses com a caneta. Como a candidatura do prefeito é improvável, o PSDB quer ir de Frossard, mesmo se se mantiver a verticalização (extremamente provável). Também em São Paulo o PPS discute uma possível aliança com José Serra já no primeiro turno se o prefeito da capital sair mesmo candidato à sucessão de Geraldo Alckmin. Ou seja: a candidatura presidencial do deputado federal Roberto Freire (PPS-PE) está ajeitando a escada para subir no telhado.

Leia também:

Pressão sobre Cesar Maia (21/03)

Irmãos Cara-de-Pau: um remake (21/03)

Nunca estive lá, mas quem esteve diz que John Belushi é um orgulho nacional na Albânia. O ator americano, morto de overdose em 1982, era descendente de albaneses. É mais ou menos como alguém nascido no interior do Piauí fazer sucesso em Hollywood. Quando acontecer, o sujeito vai virar herói dos piauienses. A Albânia é o país menos desenvolvido da Europa e durante mais de quarenta anos foi governada pelos comunistas. Conseguiu a façanha de, um dia, estar rompida ao mesmo tempo com a União Soviética, a China e o vizinho mais poderoso, a Iugoslávia.
John Belushi contracenou com Dan Aykroyd no sensacional The Blues Brothers, exibido aqui como Irmãos Cara-de-Pau. Para salvar o orfanato onde foram criados, dois irmãos decidem retomar a antiga banda e fazer um grande show para pagar as dívidas. Dirigida por John Landis, a fita traz uma participação linda de Ray Charles.
Talvez esteja na hora de um remake. Aqui e agora, o novo Irmãos Cara-de-Pau poderia ser protagonizado por tucanos e petistas. No mesmo dia em que o PSDB empreendia sua cruzada supostamente moralizadora e pedia a cabeça do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o Senado arquivava a representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). De todas as peraltices de Marcos Valério, uma que está bem definida, medida e documentada é o caixa 2 do governador Azeredo em 1998, quando disputou a reeleição e perdeu para Itamar Franco (PMDB). O tucano livrou-se e ninguém do PT chiou. O PT do Senado não quer confusão com essa história de caixa 2, e faz tempo.
Talvez esteja certo. Talvez fosse mesmo um absurdo completo cassar o senador por causa de caixa 2, coisa que segundo Roberto Jefferson todo mundo faz (até hoje ele não foi contestado). Mas é util prestar atenção nessa indignação seletiva dos políticos. Indignação seletiva e agendada. O PSDB, por exemplo, só ficou indignado com Palocci depois que definiu seu candidato a presidente e a campanha eleitoral começou para valer.
É por coisas assim que menos paixão e mais inteligência na política são sinônimos.
Na foto (clique para ampliar), Belushi (à direita) e Aykroyd numa cena famosa de Irmãos Cara-de-Pau.

Pressão sobre Cesar Maia (21/03)

Acaba de pousar na mesa do prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), uma pesquisa que o coloca na liderança da corrida pelo governo estadual. Não posso publicar os números, pois o levantamento não foi registrado na Justiça Eleitoral. O prefeito está na frente, mas o cenário é de segundo turno contra o senador Sérgio Cabral (PMDB). Logo atrás vem o também senador Marcello Crivella (PMR). Um aliado do prefeito diz que a tendência dele é permanecer no cargo. A pressão pela candidatura vem do PSDB, que precisa de um palanque forte no Rio para Geraldo Alckmin e tem o vice-prefeito. Se Cesar Maia sair da prefeitura os tucanos ganham dois anos e nove meses de caneta na mão na capital fluminense. O problema é que o PSDB carioca está rompido com o prefeito. Ou seja, se Maia perder, seu grupo político fica, como se diz, no sal. E os adversários faturariam ano que vem o Pan que o prefeito tanto lutou para organizar. O que você faria no lugar dele?

A multibilionária visita de Vladimir Putin à China (21/03)

Rússia e China apostam na diplomacia para conter nuclearização do Irã (21/03)

Moscou e Pequim, na prática, bloqueiam a possibilidade de uma escalada unilateral na ONU contra o regime dos aiatolás. Clique aqui para ler mais na reportagem de Lindsay Beck para a Reuters.

Leia também:

Irã será levado ao Conselho de Segurança; Chávez apóia Teerã (31/01)

O Irã será levado ao Conselho de Segurança da ONU (16/01)
Perguntas e respostas sobre o Irã nuclear (Al-Jazira, 12/01)

Aviso aos internautas: Saem os emails do Bloglet. Entra o Bloglines (21/03)

Abaixo da minha foto, aí ao lado, coloquei um ícone com link para o Bloglines. É um serviço que adverte toda vez que um blog (ou outro site com feed rss) tem novidades. Você que freqüenta este blog há mais tempo e estava cadastrado no Bloglet para receber correio eletrônico deve ter percebido que desativei o serviço. Era tecnicamente precário e incomodava (spam). O Bloglines substitui com vantagens. Dá um certo trabalho para cadastrar mas vale a pena. Para você que acompanha blogs de política, dá para monitorar as novidades de vários deles numa única página. E obrigado pela audiência.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Lukashenko tem vitória esmagadora em Belarus e o ocidente reage (20/03)

Confusão à vista na Bielorússia (Belarus). O presidente Alexander Lukashenko (foto) conseguiu na quarta-feira um terceiro mandato, de cinco anos, com mais de 80% dos votos. Estados Unidos e União Européia não aceitam o resultado. A oposição começa a sair às ruas na tentativa de reeditar a Revolução Laranja da Ucrânia. Mas as possibilidades de que isso aconteça parecem remotas. Lukashenko reage ao ocidente dizendo que "será muito difícil isolar Belarus e estrangulá-la economicamente. Mais de 100 milhões de toneladas de carga transitam pelo nosso país. Se a União Européia quer problemas, ela os terá". A ex-república soviética é o aliado mais próximo da Rússia no Leste Europeu. O presidente russo, Vladimir Putin, congratulou-se com o vitorioso.

Leia mais:

As voltas que a Ucrânia dá (17/03)

A morte de Milosevic e o duplipensar ocidental (11/03)
Ucranianos rejeitam Otan; quase a metade quer a volta da URSS (02/03)

Fala o leitor: A "República do Galeão" (20/03)


O leitor e internauta Dourivan Lima postou comentário no texto O jornalismo de torcida e a Revolução dos Bichos, que reproduzo aqui. Farei isso de vez em quando com textos de leitores. Colocarei textos com que concordo e de que discordo. Fala Dourivan:

"Embora tenha votado para presidente no Covas, no FHC (2x) e no Serra, não me considero tucano - ainda mais agora que o baixo clero tomou conta do partido. Fui contra as tentativas de transformar CPIs e grampos em "Repúblicas do Galeão" durante os governos FHC e Lula. Não vou entrar na questão se a Época deu ou não o tratamento correto à matéria, até porque já se "institucionalizou" na imprensa o uso desses métodos ditos investigativos. O que esse episódio mostrou muito claramente - e o PPS foi muito feliz nessa percepção - é a inflexão para o uso da Polícia Federal como polícia política. Diga-se o que se quiser do governo Fernando Henrique (e eu como eleitor teria muito a reclamar), não lembro de ter havido um uso tão ostensivo da PF contra os adversários como no episódio do caseiro e da fajutíssima "Lista de Furnas". A provável exceção, a ser comprovada, é a batida da PF na empresa dos Sarneys. Mas, como diz o lugar comum, um erro não justifica outro."

Hoje, o Senado estava em clima de "República do Galeão". Se você deseja saber o que o termo quer dizer, clique aqui e conheça as circunstâncias que cercaram o suicídio de Getúlio Vargas. Na foto (Última Hora, clique para ampliar), a Base Aérea do Galeão em agosto de 1954, durante o Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o atentado da Rua Toneleros contra Carlos Lacerda.

Leia também:

O jornalismo de torcida e A Revolução dos Bichos (18/03)
O caseiro contra-ataca (17/03)
Pingue-pongue com Gustavo Krieger, da Época (17/03)
Blog da Época estréia com grande furo (17/03)

E quem vai representar esses aí da cor verde? (20/03)

Na última pesquisa CNI-Ibope, 54% pediram que o próximo presidente faça mudanças profundas na política econômica. Até agora, não há nenhum candidato que aponte o barco nessa direção. Os pesquiseiros (especialistas) vão dizer que esse número deve ser visto com reservas, porque o eleitor quer mesmo é emprego e dinheiro no bolso, seja qual for a política econômica. Mas não é, desculpem, o que os números dizem (o gráfico foi copiado do relatório da pesquisa, clique nele para ampliar). A pergunta foi clara e as respostas também. Talvez o povo nao entenda de câmbio flutuante, superávit primário ou metas de inflação. Mas sabe o que são juros.

A verticalização, a cláusula de barreira e a iatrogenia na política (20/03)

Toneladas de papel e tinta foram gastos na imprensa e na academia para mostrar como a vigência simultânea da verticalização e da cláusula de barreira iria melhorar nosso sistema político, conferir-lhe mais coerência e organicidade e facilitar a governabilidade.

Profetizar é sempre perigoso, mas desconfio dessa terapia. Acho que vai causar mais problemas do que benefícios ao paciente. Clique aqui para conhecer mais sobre iatrogenia, quando os remédios causam a doença em vez de eliminá-la.

A combinação perversa dos dois mecanismos vai levar (já está levando) à escassez de candidatos a presidente da República. Certos mesmo, só Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Garotinho vai ter que guerrear morro acima, como se diz, para arrancar a legenda do PMDB na convenção de junho. E nem Heloísa Helena (PSol) está garantida.

Essa pobreza de opções para o Executivo terá como contraponto a miríade de alternativas para o Legislativo, temperada pelo maior festival de alianças em eleição proporcional já visto na história das votações brasileiras. Portanto, dá para apostar que a coligação vitoriosa na eleição presidencial não conseguirá mais que 30% (numa previsão otimista) das cadeiras na Câmara dos Deputados.

Bingo! O mundo girou, a Lusitana rodou e voltamos no túnel do tempo, para antes de 5 de junho de 2005, quando Roberto Jefferson deu sua primeira entrevista à Folha de S.Paulo. O sistema eleitoral cinzelado pelo Congresso, pelo governo e pelo Judiciário para o "pós-mensalão" reproduz e agrava as condições que levaram à eclosão do maior escândalo do governo Lula.

Boa coisa não pode dar.

Uma análise sobre o realismo político e as relações entre o Irã e os Estados Unidos (20/03)

A busca de estabilidade no Iraque aproxima esses dois inimigos figadais. Leia a análise de Howard LaFranchi, do Christian Science Monitor.

domingo, 19 de março de 2006

Ollanta Humala, o nacionalista e etnocacerista, lidera no Peru (19/03)

O candidato nacionalista e etnocacerista, Ollanta Humala, passou a candidata de centro-direita, Lourdes Flores, e lidera a corrida presidencial no Peru. Clique aqui para ler mais.

Datafolha: Serra lidera com folga para o governo estadual (19/03)

Pesquisa Datafolha que está na Folha de S.Paulo de amanhã (20/03):

José Serra (PSDB) 58% Aloizio Mercadante (PT) 12% Orestes Quércia (PMDB) 11%

José Serra (PSDB) 50% Orestes Quércia (PMDB) 15% Marta Suplicy (PT) 14%

O jornal costuma ser atualizado na web por volta das 2h30.

Finalmente, todos os tucanos no mesmo barco (19/03)

Sim, aconteceu. Hoje, tucanos de todas as tendências, grupos e facções estavam no mesmo barco. Foi durante o passeio de chata pelo rio Tietê, em que o governador Geraldo Alckmin (na foto, durante o passeio) comemorou o término das obras na calha do rio. Clique aqui para ler mais.

Esquerda lidera em três pesquisas na Itália (19/03)

Três pesquisas mostram liderança apertada da esquerda nas eleições italianas. A União, de Romano Prodi, tem entre 51% e 52%. A Casa, de Silvio Berlusconi, tem entre 46,5% e 48%. Clique aqui para saber mais.

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Umberto Eco pede mobilização contra Berlusconi (18/03)

sábado, 18 de março de 2006

A evolução dos candidatos no Datafolha (18/03)





O gráfico superior (clique para ampliar, ambos copiados do site do Datafolha). Mostra a evolução dos candidatos a presidente desde dezembro de 2004, antes portanto do escândalo provocado pelas acusações de Roberto Jefferson. Luiz Inácio Lula da Silva parece ter voltado a seu patamar pré-crise e a situação de Garotinho se manteve. Geraldo Alckmin voltou agora ao nível que tinha em dezembro, no pior momento de Lula. Uma aposta é que esses são os patamares dos candidatos até a abertura do horário de rádio e tevê, já que teoricamente não há fatos novos agendados. Outra aposta pode ser um crescimento ainda maior de Alckmin, se mais alguns petardos da crise estourarem perto do presidente. A ver.

O gráfico inferior mostra a evolução do cenário de segundo turno entre Lula e Alckmin. O governador já esteve melhor. Foi em dezembro passado, quando empatou com Lula e decidiu ir para o tudo ou nada contra José Serra. Deu certo.

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Mais números do Datafolha (18/03)
Um bom Datafolha para Geraldo Alckmin (18/03)

O jornalismo de torcida e A Revolução dos Bichos (18/03)

O mundo ameaçou desabar porque Gustavo Krieger e Andrei Meirelles contaram no blog da revista Época que o caseiro Francenildo dos Santos Costa tem uma movimentação bancária incompatível com sua renda. Os dois jornalistas também publicaram as explicações do caseiro (aquele do caso Palocci), mas não foi suficiente. Foram acusados de: 1) fazer o jogo do governo, 2) usar informações vazadas ilegalmente pelas autoridades e, pior que tudo, 3) cometer uma injustiça contra um homem do povo que decidiu enfrentar os poderosos.

O Gustavo e o Andrei não precisam que eu os defenda, suas carreiras falam por eles. Mas aproveito o episódio para meter o bedelho nesse debate sobre o jornalismo dito investigativo, que aliás nunca foi minha especialidade (se é que tenho alguma). Até porque sobrou também para mim, pois fui o primeiro a comentar e parabenizar no blog da revista. Vibrei com o furo e, melhor, com o feito de lançar um blog dando um furo com essa repercussão. Recebi toda sorte de críticas (que publiquei neste blog e procurei rebater) e alguns xingamentos (que não publiquei).

Vamos então por partes.

Em primeiro lugar, o lide jornalístico precisa responder a quatro perguntas: “quem?”, “o quê?”, “quando?” e “onde?”. O sublide, a duas: “como?” e “por quê?”. Anos atrás, fazíamos na redação da Folha de S.Paulo piada com o que eu chamava de “sétima pergunta”: o “e daí?”. Servia para derrubar matérias bem montadas, mas que não tinham relevância.

[Uma obervação: A pergunta “A quem interessa publicar isso?” não faz parte do lide e nem do sublide. Nem é levada a sério em redações sérias. Se fosse relevante, toda reportagem deveria vir acompanhada de uma advertência ao leitor. Já imagino como seria: “Cuidado, pois essa matéria sobre juros menores interessa aos empresários do setor produtivo!” ou “Atenção, pois essa entrevista com o ministro do Planejamento vai dar argumentos a quem defende a política econômica!”. Num caso extremo, “Fique alerta, pois o objetivo dessa denúncia da oposição é enfraquecer o candidato do governo nas próximas eleições!”. Fala sério...]

Em segundo lugar, o jornalista precisa saber se a informação que vai publicar é verdadeira e relevante. Se for, deve mandar bala. Francenildo suspeita que a Polícia Federal tenha vazado seus dados para a revista. Investigue-se. Se se comprovar, puna-se o responsável pelo eventual vazamento. Mas não ataquem os jornalistas que obtiveram as informações, checaram, ouviram o outro lado e publicaram. Só cumpriram, com competência, sua obrigação profissional.

O argumento mais daninho é o terceiro. Tem a mesma raiz intelectual e ideológica da tolerância com o crime, desde que cometido pelo pobre. É por essas e outras que somos lenientes com a invasão da Aracruz, com as manifestações desse ludismo tardio (por que aqui quase tudo é tardio?) estimulado pela demonização do sucesso, da produtividade e da prosperidade individual. Quando vejo essas manifestações de "pobrismo", lembro sempre que o único país católico que deu certo foi a França, talvez por ter feito uma revolução que conseguiu separar o Estado e a Igreja.

No momento em que resolveu falar, Francenildo tornou-se um homem público. Nesse aspecto, não há diferença entre ele e Antonio Palocci. Ou a vida privada de ambos é relevante como assunto jornalístico ou não é. De ambos, bem entendido.

Jornalismo não é torcida. Mas se um dia decidirem que deve ser, vamos ter que rasgar os manuais e adotar A Revolução dos Bichos como texto-base. Naquela fazenda (era fazenda ou sítio?) todos os porcos eram iguais, mas uns eram mais iguais que os outros.

Talvez sejamos mesmo uma fazenda de porcos, mas convém não exagerar. Na imagem (clique para ampliar), a capa da Time de 1983 com o autor de Animal Farm, George Orwell.

Leia mais:

O caseiro contra-ataca (17/03)
Pingue-pongue com Gustavo Krieger, da Época (17/03)
Blog da Época estréia com grande furo (17/03)

Mais números do Datafolha (18/03)

Estão confirmados os números do Datafolha antecipados aqui no início da tarde (ver nota anterior). Seguem mais resultados da pesquisa, de 16/17 de março. Entre parênteses, como estava na última pesquisa, de 20/21 de fevereiro:

Espontânea:

Lula 32% (30%) Alckmin 10% (4%) José Serra 6% (11%) Garotinho 6% (11%) Heloísa Helena 1% (o%)

Estimuladas:

Lula 42% (43%) Alckmin 23% (17%) Garotinho 12% (11%) Heloísa Helena 6% (6%)

Lula 43% (45%) Alckmin 25% (20%) Heloísa Helena 8% (8%) Rigotto 2% (2%)

Rejeição:

Garotinho 39% (37%) Lula 33% (30%) Heloísa Helena 17% (17%) Alckmin 16% (15%)

Segundo turno:

Lula 50% (53%) Alckmin 38% (35%)

Lula 56% (55%) Garotinho 29% (28%)


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Um bom Datafolha para Geraldo Alckmin (18/03)

A diferença entre Lula e Alckmin no segundo turno não é grande. O problema é como diminuí-la (16/03)

Um bom Datafolha para Geraldo Alckmin (18/03)

O candidato do PSDB à Presidência da República vai ficar contente com o Datafolha que deve ser divulgado hoje à tarde. Perde só de 12 pontos (50% a 38%) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Doze pontos no segundo turno são seis, porque o voto que sai de um vai para o outro. Na última pesquisa a distância era de 18 pontos (53% a 35%). Ou seja, caiu seis. Alckmin também sobre na espontânea e nos cenários de primeiro turno.

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Umberto Eco pede mobilização contra Berlusconi (18/03)

O escritor adverte, sobre a eleição italiana de 9 de abril:

"Estamos diante de um prazo dramático. Desde 2001, a Itália decaiu em todas os sentidos: o respeito pelas leis e a Constituição, a situação econômica, o prestígio internacional. Se tivermos de passar por mais cinco anos de governo do Pólo das Liberdades (a coalizão de direita encabeçada por Silvio Berlusconi), sendo representados diante do mundo por gente como Roberto Calderoli (ministro obrigado a renunciar por ter usado uma camiseta estampada com caricaturas do profeta Muhammad, o que desencadeou tumultos sangrentos na Líbia) e pelos mais recentes recrutas da Força Itália, os impenitentes do fascismo em versão Saló, o declínio de nosso país será inexorável e, possivelmente, definitivo. É por essa razão que o encontro marcado de 9 de abril é diferente de todas as eleições que já tivemos até agora: antes, tratava-se de escolher quem iria governar, sem precisar temer a chegada de um governo que colocasse as instituições democráticas em risco. Desta vez, trata-se simplesmente de salvar essas instituições."

Para ler na íntegra, clique aqui.

Diogo Mainardi e os bastidores da decisão tucana (18/03)

Transcrevo trechos da coluna de Mainardi na edição da revista Veja que começa a circular neste fim de semana. Ele descreve bastidores da cúpula tucana no processo de indicação de Geraldo Alckmin como candidato do partido à Presidência da República. Remete ao que em texto anterior chamei aqui de "trama tucana recheada de traições":

"Aécio Neves deu um baile nos figurões do PSDB. Do Canadá, onde foi passar férias, telefonava a José Serra para garantir-lhe seu apoio, ao mesmo tempo em que telefonava a Geraldo Alckmin, aconselhando-o a exigir prévias para a escolha do candidato. Em público, Aécio Neves assegurava que nada estava decidido. Em particular, desde a quinta-feira da semana anterior, ligava para seus amigos na imprensa e plantava a notícia de que Geraldo Alckmin havia sido escolhido."

"Marconi Perillo e José Anibal atuaram juntos arregimentando governadores e parlamentares do PSDB para a campanha de Geraldo Alckmin. O primeiro ganhou a promessa de um ministério. O segundo, que conta com a simpatia das empreiteiras responsáveis pelas obras do metrô paulistano, poderá concorrer ao governo estadual."

"Tasso Jereissati, nos primeiros tempos, sustentou a candidatura de Geraldo Alckmin. Quando percebeu que ele não tinha muita possibilidade de ser eleito, debandou para o lado de José Serra. Na última hora, voltou atrás novamente, liberando a tropa cearense para apoiar Geraldo Alckmin."

"Fernando Henrique Cardoso, algumas horas antes que o partido anunciasse sua escolha, telefonou ao diretor do Ibope, Carlos Montenegro. Ele queria saber se, na pesquisa que seria divulgada no dia seguinte, José Serra realmente apareceria empatado com Lula. Carlos Montenegro negou. Enganado por seu informante, Fernando Henrique recomendou a José Serra que desistisse da disputa. Foi o que aconteceu."

Leia mais em:

A gorda composição lulista (15/03)

O "vôo cego" do tucano na madrugada (14/03)

Por que Alckmin ganhou a guerra (14/03)