domingo, 24 de dezembro de 2006

Uma conversa de bar sobre Caim e Abel (24/12)

Vem cá. Vamos falar sério. Não interessa se você votou no Lula, no Alckmin, na Heloísa ou no Eymael. Não importa. A eleição acabou e esse assunto já encheu. Além do mais, estamos neste post como numa mesa de bar, com as nossas diferenças tribais sendo dissolvidas à medida que sobe a taxa de álcool na corrente sangüínea. Esqueça a ideologia, a paixão pelo partido ou aquela esperança de arrumar um emprego público se o seu candidato ganhar a eleição. Vamos conversar olho no olho, como se a nossa pré-embriaguez já fosse suficiente para justificar, depois, qualquer bobagem que a gente possa ter dito. O negócio é o seguinte. No Brasil, o mercado não funciona. Tem certas coisas que só funcionam no Brasil. Um exemplo (sempre citado) é a jabuticabeira, pela original fruta que dá. Outro é o crescimento econômico (tudo bem que moderadinho) com juros estratosféricos. Outro é balança comercial favorável com moeda valorizada. Aliás, faz anos que eu procuro, e não acho, um economista para me explicar por que essas duas coisas acontecem na economia brasileira. Sei lá, talvez o currículo de economia devesse inclur uma disciplina como “Introdução a Explicações para Cenários Improváveis” (se já existir, desculpem minha ignorância). Em nível de graduação, claro. Por que obrigar o cara a desperdiçar quatro anos na faculdade se o importante mesmo ele só vai achar na pós? Mas vamos voltar ao assunto principal. No Brasil, o mercado não funciona. Eu não tenho estatura acadêmica para explicar a razão, mas também não sou tão burro ou tão cego que não perceba. Me digam o que é que os juros de 12% ao mês no cheque especial têm a ver com os 10% reais ao ano da Selic. Nada. O cara que tiver peito para defender que o mercado financeiro é competitivo no Brasil deveria ser contratado para trabalhar em programas humorísticos. E o mercado de comunicação? As mesmas empresas cujos veículos nos brindam com editoriais prenhes de liberalismo pressionam o Congresso Nacional para proibir aqui aos estrangeiros a produção e distribuição eletrônica de conteúdo editorial. Passarinho liberal que come pedra sabe o tubo digestivo que tem. Ah, sim, as estradas. Num país qualquer, quando a estrada tem pedágio você pode optar por uma outra, mais simplezinha mas sem pedágio. Aqui não. Nem estrada de terra é oferecida para quem não quer usar a rodovia pedagiada. E agora esse negócio das empresas aéreas, e de todo o tráfego aéreo. Faz anos que me dizem que o mercado vai resolver a situação do setor, e a coisa só piora. A justificativa para essa última crise foi genial. A demanda parece ter sido excessiva para as companhias aéreas. Foi aí que a minha ficha caiu. Se o mercado no Brasil não consegue resolver problemas relacionados a oferta e demanda, então ele não vai resolver nenhum outro. É como uma padaria que exibisse um cartaz "Aqui não fazemos pão". Talvez o presidente da República veja como eu (olhe no post anterior) e esteja esperando a padaria abrir para ver se o cartaz, por ser tão absurdo, não é uma simples piada. Como o meu ramo é o das explicações e análises, fiquei matutando sobre por que, afinal, o mercado não funciona no Brasil. Aí cheguei à conclusão de que o nosso país não tem um mercado, mas dois. O mercado vai mal entre nós por causa do seu irmão, o Mercado (que passarei a grafar com caixa alta, maiúscula). O Mercado não deixa o mercado funcionar direito porque não aceita a concorrência. Como Caim e Abel. E quem tinha que arbitrar essa diferença lava as mãos. Os liberais sempre dizem que o Estado no Brasil é inimigo do mercado. Eles têm razão. Talvez porque o Estado seja muito amigo do irmão do mercado, o Mercado. Querem saber? Eu cansei. Na próxima eleição, eu vou votar num candidato que defenda radicalmente o mercado. E que faça o Mercado enfrentar concorrência de verdade, nem que seja estrangeira. Ou então é melhor casar de vez o Mercado e o Estado, estatizar o Mercado. Melhor do que esse concubinato que fere a decência, o nosso bolso e a nossa paciência. Mas talvez eu devesse agora parar de beber e ir para casa. Pois todo mundo que bebe tem que saber a hora de parar, não é?

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18 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Para haver mercado é necessário haver Capitalismo. Capitalismo é sinônimo de risco.
Quem tem dinheiro no Brasil quer arriscar ? Sempre foi mais interessante aplicar em títulos do Governo ou contar com a proteção do Governo ou com os financiamentos do Governo.
Não é Governo demais ?

O interessante é que se critica o modelo, mas se acredita que é o Governo que deve mudar tudo. Porquê isso iria acontecer ?

Por isso acredito que vivemos em uma era Pré-Capitalismo no Brasil.
Quando houver Capitalismo teremos Mercado e teremos Concorrência e etc, ...


Paulo Athaydes
humilde representante de uma classe média desesperançada e f.....

domingo, 24 de dezembro de 2006 12:27:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Um título alternativo para o post:

"In Vino Veritas".

Gostei dessa parte:

"Querem saber? Eu cansei. Na próxima eleição eu vou votar num candidato que defenda radicalmente o mercado."

Eu também, se encontrar um...

abs

PS: O caso das estradas é emblemático: Na terra das jabuticabeiras e das pororocas, impostos e taxas estaparfúdias incidem sobre um bem de consumo e (o automóvel)e seu combustível com a "justificativa" que, em troca, teremos estradas melhores. Não temos e ainda somos penalizados com a "dupla cobrança", quando dirigimos por uma estrada privatizada.

Prefiro as estradas privatizadas pela mesma razão que quando vou ao supermercado pago apenas pela dúzia de ovos que eventualmente eu comprei naquele dia.

domingo, 24 de dezembro de 2006 12:29:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, finalmente você aderiu a proposta de privatizar a Petrobrás, a Esso, a Ipiranga, a Shell, bem como o Banco do Brasil, a Caixa, o Bradesco, o Itaú, o Unibanco.

domingo, 24 de dezembro de 2006 13:22:00 BRST  
Anonymous Maurício Galinkin disse...

Caro Alon,
No Brasil, capitalismo e mercado só se aplicam aos inimigos, parafraseando um personagem antigo do Brasil que dizia isso sobre as leis.
Basta ver como surgiu e cresceu a fortuna da família daquele que hoje é considerado o paradigma do capitalista brasileiro (se é que alguém acredita que isso existe: para mim é algo como acreditar em Papai Noel, já que estamos no espírito de Natal).
Como você bem diferencia, o Mercado domina o pedaço, pois as leis, portarias e regulamentos (em especial do Sistema Financeiro, mas não apenas) são desenhadas especialmente para beneficiar seus controladores.
A Varig se apropriou, num "golpe de mercado" com total apoio do Estado, da Panair do Brasil. O DAC e Anac são feudos antigos, prolongamento de carreira de oficiais da reserva, etc. e por aí vai...
Como você, procuro já faz algum tempo pessoas com espírito "revolucionário" que implantem o Capitalismo no Brasil. Depois disso, pensaremos no socialismo que tod@s queremos...
Passar disso que vivemos aqui direto para o socialismo vai ser ampliar o caos e dar força aos "comissários do povo" que se lambuzaram na m..da , como assistimos nos últimos quatro anos.
Um abraço, boas festas é ótimo 2007!
Maurício Galinkin

domingo, 24 de dezembro de 2006 14:46:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Boa reflexão sobre mercado e Mercado.
Agora eu tenho uma tese sobre as raízes do fracasso do mercado no Brasil.
O Brasil, assim com a Coréia do Sul, eram países em desenvolvimento.
Na início década de 60, o Brasil já era um gigante emergente. A Coréia era recém independente em processo de reconstrução pós guerra.
Um general que deu um golpe militar (depondo outro ditador), estatizou todo o sistema financeiro para reter toda a escassa poupança interna e usá-la para finaciar a produção a juros baixos (até subsidiados). Em contrapartida as empresas financiadas tinham metas de exportação, já que a Coréia não tinha mercado interno forte. Não cumpridas as metas, perdiam os créditos e iam à falência.
No Brasil pós-64 criaram-se muitas industrias estatais, o BNES funcionava como hospital para empresas falimentares, e mantiveram o mercado financeiro privado. Deu no que deu.
É claro que há outras diferenças entre os 2 países: a educação coreana seguia o padrão asiático, de alta disciplina e instensiva formação em conhecimentos universais que embasem o cidadão a encontra soluções para problemas. A brasileira quis seguir pelo caminho profissionalizante, com enfase no ensino prático, como nos EUA (que a partir da década de 80 admitiu estar errada, ao comparar o desempenho médio dos estudantes dos EUA com os asiáticos).
Outra diferença a favor da Coréia é o fato de só ter implementado previdência social universal recentemente, portanto é altamente superavitária.
No resto tiveram políticas bastante semelhantes: reserva de mercado, restrição de importações protecionistas, incentivo às importações, política industrial, planos quinquenais de planejamento governamental, etc.
Eu toparia trocar até a Petrobrás pela estatização do Mercado Financeiro no Brasil. Aliás não sei porque os tucanos não fizeram isso quando privatizaram a Vale e etc (observe que é ironia minha, pois quem conduziu as privatizaçõs tucanas foi o Mercado, com "M" maiúsculo).

domingo, 24 de dezembro de 2006 17:46:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Esse é o post mais sóbrio, que eu li dos teus, rs...

Fora a questão puramente econômica que teu comentário expõe(não tenho uma explicação, melhor, nem mais detalhada pra entrar nesse detalhe), achei muito ssemelhante ao que eu pensei por esses dias com essa crise no setor aéreo. Quando aumenta a demanda, mesmo que essa seja, um fenômeno periódico como as festas de fim de ano; não existe capacidade nem capital disponível para que haja um investimento ou solução para que se resolva isso com a brevidade que o problema requer. Agora imagine um crescimento fantástico (5% do PIB?), que dependa de algum tipo de serviço destes deficitário no país, como quer o presidente Lula em 2007? Cairíamos em desgraça pelo fato surrealista de competência e de incompetência ao mesmo tempo do "Mercado" brasileiro. Algo que só no Brasil seria possível observar. Ao meu ver, é como querermos correr o mundo, sem estudar o caminho e sem usarmos o caminho adequado para tal feito.

Um Feliz Natal.

domingo, 24 de dezembro de 2006 17:56:00 BRST  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon, concordo com quase todos seus argumentos, mas discordo do básico, o que inverte o sinal de todos os demais: não é o mercado que não funciona, mas o Estado brasileiro. Em qualquer capitalismo mercado e Estado são complementares e o mal funcionamento de um desarranja o outro, que deixa de render o que poderia. Não cabe ao Estado garantir o direito à propriedade privada? Mas o que dizer das estórias de resolução à bala de disputas sobre a propriedade de terras aqui ao redor de Brasília? (não chegam aos jornais, claro, mas é sabido que a expansão da área urbana é toda irregular, não?) Que o Estado brasileiro é sofrível, mesmo naquelas atividades que nem um defensor do estado mínimo privatizaria, como segurança e justiça, é evidente. Mas vamos aos pontos que você levanta: as exportações não dependem apenas da taxa de câmbio, mas de uma variável exógena (dizemos, infelizmente, os economistas) a demanda externa. Delfin Neto disse em artigo à imprensa que esse era um resultado de que a equipe econômica do atual governo se vangloriava indevidamente, e juntava um exercício econométrico ao argumento. Ora o crescimento das exportações se deu concentradamente, principalmente para a China, com quem temos superávit comercial, e para países pobres como nós, os vizinhos latino-americanos, por exemplo. Como não enxergar aí o dedo do Itamaraty no atual governo? (a propósito, desconfie de exercícios econométricos, como na dialética você tira no final o que introduziu escondido no início.) Para os juros do cheque especial você mesmo dá a resposta, falta concorrência, mas quem mantém o mercado livre de concorrência se não o Banco Central? Você dirá que os banqueiros capturaram o ente público, mas como esse ente público capturado foi capaz de desapropriar bancos do porte de um Nacional ou de um Bamerindos muinto antes de se tornarem inadimplentes? Quanto às rodovias de terra alternativas, não teriam de ser oferecidas pelo Estado? Você também poderia contratar a construção dessa estrada pela concessionária da principal, mas a sugestão da cláusula contratual deveria partir do Estado, não? E o pedágio seria afetado. Não comento as empresas aéreas por se tratar de um imbróglio público/privado que conheço pouco, mas e o crescimento com taxa de juros extorsiva? Oras temos excesso de demanda, deveríamos estar crescendo como a China, mas como crescer sem inflação, carregando uma parasita de 40% às costas? Como posso dizer algo tão mal humorado numa mesa de bar em plenas festas? Só estou podendo tomar coca-cola, por ordem médica. Feliz 2007.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006 10:36:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Alberto, você não discorda do básico. Leia de novo o que está escrito no post:

"Os liberais sempre dizem que o Estado no Brasil é inimigo do mercado. Eles têm razão. Talvez porque o Estado seja muito amigo do irmão do mercado, o Mercado."

No Brasil, o Estado é amigo dos monopólios. Muito amigo. As famílias convivem e um não deixa o outro passar dificuldades. Sacou?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006 10:43:00 BRST  
Anonymous celso disse...

Garrrçãoooo!!! Tráis mais um cuba!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006 19:21:00 BRST  
Blogger Cláudio de Souza disse...

Texto brilhante. A piada da padaria me fez rir pela primeira vez hoje. Parabéns!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006 19:25:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

No sapientíssimo dizer de um amigo, no dia em que for implantado o capitalismo no Brasil as ruas serão tomadas por dezenas de milhares de capitalistas ensandecidos, aplicando táticas insurrecionais, em luta revolucionária pela derrubada desse modo de produção temível. Ele especula que o presidente de plantão da FIESP à época proporá, de imediato, a formação de sovietes de representantes de industriais, latifundiários e rentistas, e que a eles seja dado "todo o poder".
Já as editorias de jornalões, revistinhas e TV's proporão a imediata troca de nome dos veículos para algo como "Centelha", "Verdade" e "Vontade do Povo".

terça-feira, 26 de dezembro de 2006 09:22:00 BRST  
Blogger alberto099 disse...

Perfeito Alon, a discrepância não é tão grande. Mais uma questão de enfase (ou mal humor da minha parte), afinal um consórcio maiusculoso como esse de Estado e Mercado é útil a ambos. Mas a enfase da crítica teima em cair do lado "privado", como se o aparelho de estado não pudesse ser a fonte do descalabro. Creio no entanto que é justamente o contrário, e vai além da questão de preservar monopólios (crítica com a qual concordo plenamente). Dei até um contra-exemplo com o Itamaraty: cumprindo seu papel inevitavelmente público, contribuiu para alavancar oportunidades privadas e afastar o constrangimento externo, que foi nosso principal gargalo ao longo da história. Ainda fundaremos o PLFS (Partido Liberal Fala Sério)e, caro Celso, pelo menos uma cuba libre, não? Cacoetes de liberal.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006 09:54:00 BRST  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Na próximas eleições não vou votar em quem defenda o Mercado ou apoie-se no mercado. Vou votar em quem defenda claramente: as opções Feudalismo, em primeiro e as Capitanias Hereditárias em segundo. É incrível como as administrações anteriores desde que o mundo existiu são defenestradas e implantam-se princípios decorrentes das duas fases históricas citadas acima. Os idealizadores de tais formas precisam vir dar cobro aos royalties. Na realidade é melhor continuar bebendo. Ao menos enquanto a carraspana não for atribuída a hábitos de viúvas da Daslu. Creio que ao menos isto não será criminalizado como avesso aos interesses das massas desassistidas.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006 10:23:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

mercado agora é desculpa do fracasso do Lula, que distribui a pouca gordura da economia, em vez de investir para crescer....qd a ressaca acabar o alon vai entender.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006 21:58:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Eu pretendia fazer um comentário, mas vou fazer minhas as palavras do Mauricio Galinkin, acima. Está de bom tamanho. E vou ficando por aqui antes que esta caipirinha me faça anime muito, embora este país já esteja passando da conta e mereça ser tratado com a faca nos dentes.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006 14:48:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Feliz Ano Novo e procurem ler os textos do negão Thomas Sowell para cair na real.

JV

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006 13:34:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Chovendo no molhado: fui de Mogi Mirim a Itapira, um pulinho de 15 quilômetros. Custou dez reais, cinco na ida e cinco na volta.

A estrada, um tapete. Fácil de conservar, porque ninguém usa. Encontrei uns cinco ou seis ricaços como eu no percurso, ida e volta. Bom pra quem não tá afim de visitar a sogra na cidade ao lado...

Como sou ricaço, fui de Genova e Milão. A estrada, um tapete. Construida sobre região montanhosa difícil, como a nossa Serra do Mar, obra cara como a Imigrantes. Distância bem maior porém do que a de São Paulo a Santos, uns 150 km. Paguei 5,6 euros, 15 reais na época, 18 hoje...

E poderia ser de graça como você disse, se eu tivesse menos pressa e fosse por outra estrada secundária.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 12:06:00 BRST  
Anonymous Jura disse...

Ah, eu também procuro um economista que me explique o boom do Mercado imobiliário paulistano - que está literalmente estrangulando a cidade - com a recessão do mercado imobiliário comercial.

Parece que em São Paulo os Empresários do Mercado estão ricos, enquanto as empresas do mercado estão falidas.

Esse tema daria uma tese de docência livre e milhares de inquéritos policiais, não daria?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008 12:15:00 BRST  

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