domingo, 10 de dezembro de 2006

Por ser e por não ser (10/12)

Uma boa entrevista hoje com o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia no Estadão. Não concordo em quase nada com ele, mas você não precisa concordar com as pessoas para ouvi-las. O interessante é que Lampreia ataca a política externa regional de Luiz Inácio Lula da Silva por, supostamente, ter cedido protagonismo a Hugo Chávez. "O Brasil perdeu a iniciativa" para o presidente venezuelano, critica Lampreia. É curioso. Vez ou outra aparece alguém criticando o Brasil por excesso de protagonismo, por querer abocanhar tudo o que passa pela frente, da ONU ao BID. Aí, como agora, giram 180 graus e disparam a crítica oposta. A oposição precisa decidir o que acha da política externa brasileira sob o embaixador Celso Amorim. Até porque conheço gente muito boa na oposição que adora o Celso (Amorim, não o Lafer). Eu não vejo problema nos movimentos regionais de Chávez. Nem acho que o Brasil esteja perdendo liderança na América do Sul. O Brasil será uma nação líder no continente mesmo que não queira. Sua dimensão econômica, demográfica e geográfica leva a isso, naturalmente. Mas liderança eficaz não se consegue com imposição, com a exibição desmedida de apetite -como, aliás, o Itamaraty vem aprendendo em seus esforços para que o país obtenha uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

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3 Comentários:

Blogger Cid disse...

Alon

Política externa talvez seja o terreno em que o governo Lula mais se diferencia do anterior. Por voluntarismo político, pelo compromisso com bandeiras históricas ou por acreditar que somente teremos alguma chance no jogo global se a região estiver unida em torno de interesses comuns, ou seja lá por que for, é pela ação do Itamaraty que a diferença se percebe a olho nu. E há quem se incomode, como Lampreia.

Ocorre que o governo FHC notabilizou-se pelo bom-mocismo, como aquela criança certinha (adaptada) que não incomoda as visitas (ou o patrão). Dito de outro modo, um governo que sabia o seu lugar. E vai se incomodar mesmo, e apelar para o discurso repetitivo de que permitimos a Chávez o, vá lá, protagonismo na América Latina. Quando interessa, chamam até urubu de meu louro.

Como você bem lembrou, mesmo que não queira (e é claro que quer), o Brasil é o grande lider da América Latina, e sua política externa regional é o melhor exemplo. Só resta aos perdedores ficar fazendo bico (e que bico!) e resmungando pelos cantos. Como o ex-chanceler.

cid cancer
mogi das cruzes -sp

domingo, 10 de dezembro de 2006 20:11:00 BRST  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

O problema é que o Hugo Chávez virou o espantalho da direita brasileira. Tipo, se uma criança faz malcriação, o pai diz "se você não se comportar, o Hugo Chávez vai te pegar".

E se a tal 'diplomacia do petróleo' fosse tão eficiente quanto tentam vender, Ollanta Humala (é esse o nome mesmo?) teria vencido no Peru e López Obrador teria vencido no México.

domingo, 10 de dezembro de 2006 20:18:00 BRST  
Blogger Vítor Rocha disse...

Mesmo com um governo com pouca iniciativa nas relações internacionais (não é o caso do atual), o Brasil certamente é um balurte da América do Sul. No entanto, isso passa longe de uma determinação direta na influência política.

No atual contexto, Chávez ocupa a posição de maestro latino (político), na medida que relaciona a independência subcontinental em relação ao mercado dos Estados Unidos com políticas autônomas dentro do pacote da chamada "revolução bolivariana".

Ações de reforlução da estrutura política ocorrem em outros países latinos (mais substancialmente na Bolívia e Equador, por vir), com a convocação de Assembléias Constituintes. Influência de Chávez para aumentar a dose de participação popular nas democracias.

Quando se fala em relações políticas, Chávez demonstra mais iniciativa do que Lula, como parte de sua filosofia de libertação. O que não é necessariamente ruim, muito pelo contrário.

Abraço. em http://memoriosoonline.blogspot.com trato das questões latino-americanas

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 11:42:00 BRST  

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