sábado, 2 de dezembro de 2006

A pasmaceira e a gestão (02/12)

Foi uma longa semana fora. De volta, o único assunto que desperta alguma atenção é a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Teve gente reclamando que escrevi aqui que os eleitos serão quem Luiz Inácio Lula da Silva apoiar. Claro que se trata de uma aposta, e não muito corajosa. Principalmente na Câmara, onde a maioria do governo é tranqüila. No Senado, a coisa é um pouco mais complicada. A oposição tem chance, se estiver unida na disputa em torno de José Agripino (PFL-RN). Falam muito que parte do PSDB e parte do PFL vão votar em Renan Calheiros (PMDB-AL). Eu acho que na hora de contar os votos a oposição não vai querer passar vergonha. Se for para passar vergonha, nao vai querer contar os votos. E vem aí a entressafra de notícias, um longo inverno em pleno verão. A não ser que fatos excepcionais justifiquem uma extraordinária. Será? A arqueologia dos escândalos me parece estar um pouco com a língua de fora. Fala-se na banalização dos escândalos. Eu prefiro enxergar que há uma banalização no noticiário sobre os escândalos. Mas o Brasil está melhorando. Graças a Deus, anda cada vez mais difícil vender acusações como se já fossem condenações. Na economia, nada vai mudar, depois que Lula percebeu que não seria bom negócio investir contra a sua própria base social. Você que gasta seu tempo lendo este blog já sabia disso bem antes, não é? O que promete mesmo, acho, é a tentativa do presidente de acelerar os grandes projetos de infra-estutura. Vai depender muito da gestão. Como na Previdência. Sem fórmulas miraculosas, o controle dos gastos previdenciários vai ficar por conta da administração das torneiras. Coisa para executivo. Faltam executivos no governo federal. Falta gente habituada a bater o olho numa planilha e enxergar onde está o buraco pelo qual o dinheiro escorre. Assim como falta na imprensa quem esteja capacitado a fazer essa mesma coisa, mas pelo ângulo da fiscalização. Idem com a oposição: tanto mais fácil será ela voltar ao governo quanto mais capaz for de exercitar a crítica administrativa. Vamos ver quem se adapta mais rapidamente aos novos tempos. Mas você pode discordar desse meu "administrativismo", achar que estou impressionado com o que é apenas mais uma entressafra. Vamos ver.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

1 Comentários:

Anonymous Swamoro disse...

Tomara que o que esteja em jogo não seja a banalização de quem tenta pensar fora do estabelecido. Existe um antigo filme com Grande Otelo, chamado Os Herdeiros Somos Nós. Feito numa época em que, por incrível que possa parecer, discutiam-se as mesmas coisas que hoje. Nunca se viram discussões tão acirradas em torno de como construir-se o passado. Como se pensar o futuro fosse um ato defenestrado, vício a ser representado por receitas de quitutes e trechos de poemas de Camões, em lugar de análises e notícias. Ou talvez seja o momento de fechar o corpo, coração e mente, como o personagem de Jards Macalé em O Amuleto de Ogum. Ou de rever Rio 40 Graus. O que fica difícil é a escolha da trilha sonora. Naqueles tempos, ao menos, as havia aos montes.

sábado, 2 de dezembro de 2006 18:18:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home