terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Na contramão da Selic. E agora? (12/12)

De um texto da Agência Estado, assinado por Flavio Leonel:

Apesar do Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a taxa básica de juros (Selic, atualmente em 15,75% ao ano) em quatro pontos porcentuais desde setembro do ano passado, o consumidor ainda não sentiu a diminuição da cobrança. Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Fundação Procon de São Paulo, enquanto a taxa média de cheque especial foi de 8,20% ao mês (157,56% ao ano) e apresentou decréscimo de apenas 0,01 ponto porcentual ante abril, a de empréstimo pessoal foi de 5,37% ao mês (87,39% ao ano), a mesma do mês anterior. Desde setembro, a taxa de empréstimo cobrada aos consumidores recuou apenas 0,09 ponto porcentual, enquanto a do cheque especial diminuiu 0,12 ponto porcentual. De acordo com análise dos técnicos da fundação, os resultados da pesquisa de taxas de juros refletem, desde abril, "a cautela do mercado financeiro", principalmente em relação ao crédito pessoal. Os bancos da amostra praticamente não alteraram suas taxas em maio, apesar do Copom reduzir em 0,75 ponto porcentual a Selic, de 16,50% para 15,75% ao ano, na reunião do mês passado.

É isso aí. Enquanto os críticos da política econômica estufam o peito para exigir do Banco Central mais ousadia na redução do juro básico da economia, silenciam sobre o comportamento dos juros ao consumidor, que se tornaram praticamente inelásticos em relação à Selic. "É o cartel, estúpido", como diria James Carville (faz tempo que eu não usava essa expressão). O assunto já foi tratado aqui algumas vezes. Leia:

O retrato do oligopólio no paraíso dos bancos
(23/02)

O Estadão e os bancos
(28/02)

A malandragem dos juros de Lula (18/08)

Por uma "Operação Sanguessuga" nos bancos. Mas quem a fará?
(20/08)

A coragem que sobra para algumas coisas escasseia em outras (22/08)

Um pacote cosmético para reduzir o spread
(05/09)

Rentismo, pão e circo
(20/10)

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4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

A crítica ao cartel não exclui a crítica ao BC

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 00:15:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Eta paizinho furreca! A capacidade de discutir o supérfluo e fugir, desesperadamente, do essencial, deve fazer as delícias de quem nos vê de fora. E ainda reclamam da carga tributária, como se não sonegassem metade do que é devido. É um país de fariseus.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 00:49:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Eta paizinho furreca! A capacidade de discutir o supérfluo e fugir, desesperadamente, do essencial, deve fazer as delícias de quem nos vê de fora. E ainda reclamam da carga tributária, como se não sonegassem metade do que é devido. É um país de fariseus.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006 00:49:00 BRST  
Anonymous Rafael Aguiar disse...

Oi Alon, tudo bem?
Acompanhando toda essa história da queda na taxa de juros, percebe-se que vem outra tendência, acompanhando esse fato: a busca de novos investimentos por parte de "investidores de varejo". Gostaria de saber sua opinião sobre a aplicação em debêntures, em especial a emissão do BNDES, que está sendo tão comentada nos últimos dias, e se essas novas alternativas podem afetar a relação dos pequenos investidores com a poupança e, a longo prazo, com os famosos empréstimos pessoais e empréstimo em folha.
Abraço

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006 10:50:00 BRST  

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