quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Uma dúvida sobre a renúncia fiscal (22/11)

Um interessante exercício matemático do economista José Márcio Carmago está na Carta Semanal que a consultoria Tendências acaba de enviar aos seus clientes. O resumo está na tabela acima. De 1999 a 2005 a carga tributária (coluna III) subiu de 30% para 38% do PIB. O investimento público (coluna I) caiu de 5% para 2% do PIB e o privado subiu de 17% para 19% do PIB. Ou seja, se o investimento privado for dividido pela parte do PIB que permanece em mão privadas após o recolhimento dos impostos (coluna IV), concluiremos que o capital em mãos de particulares investe cerca de 30% do "seu" PIB. Segundo Camargo, é uma taxa alta para os padrões internacionais. Já o Estado está investindo apenas 5% do "seu" PIB. A partir daqui as deduções são minhas. Está na cara que mais renúncia fiscal não vai resolver o problema de aumentar em cinco pontos percentuais a taxa de investimento (na tabela, 20,5% do PIB em 2005). O que se precisa recuperar é a capacidade de o setor público investir. Não chega a ser novidade. E aí não tem choro nem vela: ou se contém o custeio (politicamente problemático), ou se faz mais dívida. Já escrevi sobre isso em O Brasil deveria se endividar mais?.

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5 Comentários:

Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,
se me permite uma sugestão.

Sugira aos seus amigos do Governo, que se é para agradar o PMDB, porque não nome do secretário de saúde do Paraná, Cláudio Murilo Xavier, para o ministério da Saúde?

É um nome que teria apoio de todas as forças políticas e dos profissionais do setor.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006 19:56:00 BRST  
Anonymous Edmundo adôrno disse...

Caro Alon, e o Brasil pode se endividar?
Existe condições para a retomada deste tipo atitude?
Gostaria de saber, e confesso: estou doido para me endividar.
Um abraço.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006 19:59:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Edmundo, a Argentina tem uma divida publica de 77% do PIB. A India, de 97% do PIB e a Turquia de 69% do PIB. Outra coisa: nós praticamente nao temos mais divida externa. O Alon tem razao.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006 21:19:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Lula trocou uma dívida que custava x por cento em dólares por outra que custa x mais os juros fantasticos pagos pelo estado brasileiro. Divida barata trocada por dívida cara.....isto é burrice ou é de propósito?

quarta-feira, 22 de novembro de 2006 21:22:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Como sempre, o Alon acertando no que oLula vai fazer. Está no Correio Braziliense de hoje:

Presidente quer usar o Estado para puxar crescimento

Na tentativa de não repetir o fraco desempenho dos últimos anos, Lula está disposto a correr os riscos de colocar o Estado como principal indutor da economia. Objetivo é dar confiança para o setor privado desengavetar seus investimentos.

domingo, 26 de novembro de 2006 11:47:00 BRST  

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