sábado, 18 de novembro de 2006

Trancados em algum castelo austríaco (18/11)

Luiz Inácio Lula da Silva parece ter colocado o pé no breque para dar uma freada de arrumação no rearranjo das forças políticas para o segundo mandato. Faz sentido. Lula quer saber, antes, com quem contará de fato. Só depois vai redistribuir o poder na esfera ministerial e no resto do primeiro escalão. É uma maneira de moderar o apetite dos partidos, que agora precisarão mostrar serviço se quiserem aumentar sua musculatura. Dizem-me que Lula decidiu negociar em bloco com legendas e bancadas. Vamos ver. Se for isso mesmo, o presidente está 100% certo. De todo jeito, o cenário político anda meio estranho. Exótica, essa coisa de os derrotados tentarem se impor aos vitoriosos, assim na mão grande. Estão tentando na economia e na política. O deputado Michel Temer (PMDB-SP) canta de galo, depois de ter sido um dos comandantes do Waterloo de Geraldo Alckmin. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (vitorioso no seu estado, mas derrotado nacionalmente), está todo dia na imprensa dando alguma lição ao presidente. Para um político mineiro, Aécio está surpreendentemente exposto. Por falar em Waterloo (a célebre última batalha de Napoleão Bonaparte; clique para ampliar o clássico óleo sobre tela de Jacques-Louis David, de 1801, com a imagem do francês atravessando os Alpes), a leitura dos jornais e revistas depois da vitória de Lula leva o sujeito a respirar os ares de um Congresso de Viena em que todas as comunicações com o mundo exterior tivessem sido cortadas. Avisem a Metternich e Talleyrand que desta vez Napoleão ganhou. Se quiserem redesenhar o mapa da Europa, precisarão entender-se com o corso. Ideólogos e operadores da oposição (e redondezas) dão a impressão de que estão trancados em algum castelo austríaco, formulando planos para comandar a paz resultante da guerra que perderam. Da aristocracia, herdaram pelo menos a capacidade de dissimular o seu próprio declínio. Já é alguma coisa.

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8 Comentários:

Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Excelente.

sábado, 18 de novembro de 2006 23:07:00 BRST  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Ué, Alon, qual é a novidade? Eles não vêm agindo assim desde a primeira vitória de Lula? Então. A única diferença é que em outubro de 2006 a derrota deles foi moral e numericamente maior que outubro de 2002.

domingo, 19 de novembro de 2006 00:51:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Como você mesmo tem comentado, os derrotados - e derrotados de forma esmagadora - tentam pautar o presidente reeleito utilizando-se da grande mídia, que está aí para isso mesmo. Mas é bom lembrar que eles não têm outra saída. É isso, ou nada.
Talvez você tenha razão, e isso não passe de jogo-de-cena, despiste para "dissimular o seu próprio declínio".

cid cancer
mogi das cruzes - sp

domingo, 19 de novembro de 2006 01:13:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

"Exótica, essa coisa de os derrotados tentarem se impor aos vitoriosos, assim na mão grande. Estão tentando na economia e na política."

Exótico é um partido que chega ao poder e não tem o que oferecer (além de "boas" desculpas) como alternativa aos derrotados. E na falta do que oferecer (além de "razões" pautadas pelo pragmatismo da "política real") escolhe dar continuidade à agenda dos derrotados.

Devo crer que os vitoriosos de 2002 e 2006 são uns trouxas? Uns "inocentes úteis" vítmas do "maquiavelismo" dos derrotados? ah! ah! ah!

Me digam, os que acusam a imprensa e os derrotados de "pautarem" o "pai dos pobres", onde posso ler um (apenas um) documento de economia política dos vitoriosos, isto é, que seja da lavra dos "orgânicos" do PARTIDO DOS TRABALHADORES?

Aviso que não aceito panfletos.

"Se quiserem redesenhar o mapa da Europa, precisarão entender-se com o corso. Ideólogos e operadores da oposição (e redondezas) dão a impressão de que estão trancados em algum castelo austríaco, formulando planos para comandar a paz resultante da guerra que perderam. Da aristocracia, herdaram pelo menos a capacidade de dissimular o seu próprio declínio. Já é alguma coisa."

Não caio nessa, Alon. No caso, foi o corso de nove dedos que chamou os "derrotados" para redesenhar o mapa.

E como assim declínio, se para o Olavo Setubal tanto fazia Lula ou Alckmin? Será que Olavo Setubal é apenas um declinante aristocrata e banqueiro gagá?

O fato é que no Brasil não há oposição aos vitoriosos e aos derrotados, extamente porque derrotados e vitoriosos pensam o mesmo sobre economia política. Quem, organizado em partido político, pensa diferente deles?

Eu estou de saco cheio dessa
"briguinha" galantemente aristocrática dos primos irmãos PT e PSDB.

E o que estamos vendo? Estamos vendo que agora temos os "PSDB do bem" querendo juntar seus trapinhos com os dos "PT do bem". Estes, unidos na luta contra o "PSDB do mal" em aliança com o "PT do mal"

Os bonzinhos da "governabilidade" de um lado contra os mauzinhos
"contrários" do outro.

É o velho e roto "segurem seus radicais que nós seguramos os nossos"

Na minha opinião, Lula deveria, se fosse honesto, peitar os
"derrotados". Levar adiante sua retórica eleitoral de rachar o país entre "ricos e pobres". Não foi assim que se elegeu? Então, que cumpra o prometido em campanha. Destrua politicamente os
"derrotados".

Acho muita cara de pau do Lula falar na Venuzuela o que não tem coragem de dizer no Brasil.

Não. Eu não votei na HH ou CB. Votei no Alckmin na pretensão de impor uma derrota ao Lula e ao PT.

Pertenço a uma outra estirpe de derrotados.

domingo, 19 de novembro de 2006 03:14:00 BRST  
Blogger jose roberto disse...

Talvez eles não estejam em Viena (embora possam imaginar que sim). Talvez o castelo seja, na verdade, em Paris, naquele em Maria Antonieta comia brioches...
Abraços, JR Fidalgo

domingo, 19 de novembro de 2006 10:13:00 BRST  
Blogger alberto099 disse...

Talvez a estranheza do cenário político tenha vindo para ficar. O que a última eleição me parece mostrou a exaustão é o isolamento da “corte” (palavra que me parece melhor que “elite”, que deve ser elite de alguma outra coisa, enquanto a corte, aqui como no antigo regime europeu, vive de si mesma) vis a vis o restante do país. As declarações do governador Aécio Neves, como os textos para discussão do IPEA, visam à corte, à “opinião publicada” (bela expressão de Mauro Santayana). Para a corte Lula perdeu, e assim como o eleitor ignorou o escândalo da corte, esta agora trata de seus planos para o país ignorando o resultado das eleições. A propósito, o Sr. Olavo Setúbal, banqueiro, por definição não é um aristocrata, não faz parte da corte. Um dia terão de se encontrar? Sinceramente, é surpreendente a capacidade deste pais, da ideologia deste país, de evitar ajustar contas com a realidade.

domingo, 19 de novembro de 2006 11:05:00 BRST  
Anonymous Fernando Trindade disse...

O que eu ia comentar o Alberto099 já escreveu. Assino embaixo. At. Fernando Trindade

segunda-feira, 20 de novembro de 2006 12:18:00 BRST  
Anonymous Pimenta disse...

Muito interessante o blog e as discussões.

Parabéns

Fred

quarta-feira, 5 de agosto de 2009 17:01:00 BRT  

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