sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Quem é que ainda agüenta discutir isso? (17/11)

Quer ficar sabendo em tempo real quando alguém está tentando enrolar o PMDB? Fácil. Se o sujeito diz que deseja "o PMDB unido" no apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva você já sabe que o PMDB está a caminho de ser enrolado. Pedir a união do PMDB em torno de alguma coisa é muita maldade. Se eu não estou enganado, as últimas vezes em que a legenda se unificou foi precisamente para liquidar os que pretendiam unificá-la em torno de algum objetivo. Parece um paradoxo, mas não é. O PMDB só se reúne para evitar a emergência de alguém que possa assumir o comando do PMDB. Essa coisa começou na cristianização de Ulysses Guimarães em 1989. A dose se repetiu com Orestes Quércia em 1994 e Itamar Franco em 1998. A última vítima da federação de caciques do PMDB foi Anthony Garotinho, que levou longe demais sua pretensão de falar em nome da Loya Jirga peemedebista. Quando leio o noticiário sobre um eventual impasse nas negociações entre Lula e o PMDB é como se estivesse assistindo a uma reprise. Mas deixa para lá. Vou adotar uma atitude construtiva, em vez de ficar só criticando. Se o presidente me chamasse para pedir conselhos sobre a formação do seu governo eu diria o seguinte [por isso é bom ter blog, você dá palpites à vontade sem que ninguém tenha pedido]: presidente, o senhor só deveria negociar com partidos ou blocos, deveria chamar cada uma das forças políticas potencialmente capazes de lhe dar apoio no Congresso e perguntar, com objetividade, quantos votos pode garantir na Câmara dos Deputados e no Senado. Mais ou menos como fez Josef Stalin fez quando lhe disseram que o Papa tinha críticas à União Soviética. "Quantas divisões tem o Papa?", perguntou o líder soviético. Lula deveria negociar espaços no governo em troca do apoio formal de deputados e senadores. Apenas como exemplo, se o Partido A quer o Ministério B, ele que traga a lista, assinada, de seus parlamentares que vão votar sempre com o governo. Talvez você ache esse método pragmático demais. Paciência. É como funciona nas democracias em que um partido sozinho não consegue a maioria para governar. Eu acho que levaria à formação de uma coalizão política mais sólida, que talvez nos desse alguma paz nos próximos quatro anos. Se determinada bancada ou grupo rateasse em alguma votação seu(s) ministro(s) subiria(m) no telhado. E o que isso tem a ver com o PMDB? Simples. Pouco importa (ou deveria importar) para o governo se o PMDB está unido ou dividido, o que interessa é saber com quantos votos o PMDB poderá comparecer na Câmara e no Senado. Sabe-se, por exemplo, que os PMDBs do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de Pernambuco e do Mato Grosso do Sul não vão apoiar o governo, também porque regionalmente o PT é um adversário feroz. E o que é que nós temos a ver com isso? Rigorosamente nada. Aliás, quem é que ainda agüenta essa discussão?

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1 Comentários:

Blogger alberto099 disse...

O problema é justamente que, na prática, inexiste essa instância (partidos, blocos) com a qual você sugere negociar. Partido algum pode assegurar qualquer número de votos para o governo, não possui meios de constranger seus parlamentares, como possui o presidente (o outro lado da negociação), que pode demitir seus ministros a qualquer hora. Mal comparando, é como negociar com os palestinos, onde representação alguma tem força para comandar uma suspensão mesmo que temporária das hostilidades. Por isso acredito, como já disse em outro comentário, que a reforma política (significando basicamente fidelidade partidária) já justificaria um mandato presidencial, até pela dificuldade de ser feita. Que parlamentar gostaria de abriria mão espontaneamente da autonomia que usufrui.

domingo, 19 de novembro de 2006 13:13:00 BRST  

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