segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Patriota como os americanos (13/11)

Poucas vezes um post despertou tanta polêmica quanto o anterior, sobre a interinidade de Aldo Rebelo na Presidência da República. Tive que deletar diversos comentários agressivos [você sabe que isso é proibido no Blog do Alon], com ataques anticomunistas e antinacionalistas. Aí resolvi escrever este post, para deixar registrada uma idéia. Não sobre o anticomunismo. Não dou importância a ele. É uma modalidade de pensamento político-ideológico marginal. Ou seja, que sobrevive à margem do politicamente viável. Leio eventualmente os escritos dos anticomunistas para saber o que andam pensando e fazendo. Tenho por alguns deles respeito intelectual, mas o caminho que escolheram os leva a conclusões arriscadas: soube até que passaram a condenar a Revolução Francesa como um grave erro, que segundo eles causou grandes prejuízos à humanidade. Já o antinacionalismo é algo mais ponderável, mais perigoso. E dissimulado. Às vezes se manifesta como "nacionalismo", apesar de ter raízes lá fora. Lembrem-se da valentia dos "nacionalistas" brasileiros quando a Bolívia engrossou com a Petrobrás. Chegaram perto de pedir a invasão do país vizinho. É uma modalidade de pseudonacionalismo cosmopolita ("primeiro mundo" é o seu termo preferido) que embute uma frustração profunda: queriam ter nascido em outro lugar. Eu, que nem nasci aqui (vim da Romênia), sou grato ao Brasil por ter me acolhido. E procuro retribuir com algum patriotismo. Também porque gosto de imitar os americanos. Afinal, eles são um país que deu certo -e não há por que não copiar o que funciona. Eu resolvi macaqueá-los no patriotismo deles (além de procurar aprender com a democracia deles, que admiro). Eu gosto tanto do Brasil e das nossas coisas quanto os americanos gostam dos Estados Unidos e das coisas deles. Eu acho que amar o seu país é condição indispensável para viver de cabeça erguida diante dos outros. Eu reclamo de muitas coisas no Brasil, mas amo o Brasil. E acho que os exageros nacionalistas, hoje, são menos prejudiciais a nós do que esse cinismo cosmopolita de uma parte da elite. A quem, aliás, o povo dá cada vez menos ouvidos ou importância. Mesmo o PT, que se alimentou ao longo dos anos de um cosmopolitismo que julgava mais "classista" (mas que também deitava raíses no anticomunismo), já vem sentindo na pele que, em terras brasileiras, o nacional, o democrático e o popular são coisas muito próximas e que andam juntas.

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4 Comentários:

Blogger proberto disse...

Não entendi o problema.
Qual é o problema do Aldo ser presidente por um dia (ou um pouco mais se fosse o caso)?
É um bom presidente da Camara. Está sendo melhor que o do começo da legislatura. E é bem melhor que o anterior, a quem sucedeu, que com todos os problemas foi eleito com boa parte oposição ética ao governo.
abraço

segunda-feira, 13 de novembro de 2006 12:21:00 BRST  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Para a maioria da elite do país, a simples menção da palavra nacionalismo pode causar alguma estranheza. Afinal, existem muitos brasileiros que, como afirma o Alon, gostariam de ter nascido em algum lugar do Hemisfério Norte.
Triste sina essa a do Brasil. O país e a sua imensa população merecem uma elite muito melhor.
Não cogito que parte de nossa elite abandone o país. Mas pelo menos posso fazer votos de que procurem uma melhor formação, nem que seja como um legado para as próximas gerações. Será pedir demais?
É bom atentar que, na base da nossa população, há mais clareza a respeito do que é e do que deve ser o Brasil.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006 14:14:00 BRST  
Anonymous André Pessoa disse...

Hum, esses posts foram altamente instrutivos. Deu para entender a gênese do seu getulismo, que aparece com tanta freqüência por aqui...

segunda-feira, 13 de novembro de 2006 15:54:00 BRST  
Anonymous paulo araujo disse...

Neste, temos muitas discordâncias.

Manado depois.

terça-feira, 14 de novembro de 2006 00:14:00 BRST  

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