sexta-feira, 3 de novembro de 2006

O ministro desce um andar para a inflação subir um (03/11)

Um leitor observou aqui que os meus comentários sobre a economia dão a impressão de que estou fechado com a turma do Banco Central. Em primeiro lugar, devo agradecer a deferência. Não sabia que o pessoal do BC está tão mal que precisa do apoio de um modesto blog. Nem sei se apóio a linha do BC. O problema é que eu sou um sujeito cartesiano demais. Outro dia, me contaram que o BC persegue uma meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional. Aí eu fui olhar o que é o tal de CMN (cê-eme-ene ou cemenê). Descobri que é uma reunião dos ministros da Fazenda e do Planejamento e do presidente do BC. Aí eu lembrei de que os três são diretamente subordinados ao presidente da República. A vontade que tive foi de mandar um email para o ministro Tarso Genro, com uma sugestão. Ministro -eu diria-, em vez de dar entrevistas sobre o fim da Era Palocci, basta o senhor descer um andar aí no Palácio do Planalto, bater na porta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pedir a ele que determine ao CMN corrigir para cima a meta de inflação. Garanto ao senhor que o pessoal do BC vai ficar mais aliviado, os juros vão cair mais rapidamente e vai sobrar mais dinheiro no orçamento, tanto para investimentos sociais quanto para investimentos em infra-estrutura. Vai ajudar até o câmbio. O senhor só precisa convencer Lula de que é uma boa ele deixar a inflação subir logo depois de ter sido reeleito com base nos sucessos de sua política econômica. Mas o senhor é bom nos argumentos, acho que vai conseguir.

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5 Comentários:

Anonymous arkx disse...

1.a taxa de juros não atua sobre os preços indexados (contratos de concessão das privatizações) nem sobre os preços dos produtos comercializáveis (fixados em dólar), somente sobre os preços livres.

2.a taxa de juros na economia Brasileira é também a taxa que remunera os títulos públicos. trata-se de uma distorção que só existem no Brasil.

3.taxa de juros alta só é eficaz contra inflação de demanda, que não é o caso no Brasil, com folga na capacidade instalada.

4.taxa de juros não é uma variável endógena, ou seja, não é um preço determinado pelo Mercado sobre o qual o BC não teria nenhuma autonomia. o sistema bancário e os investidores não tem outra opção a nçao ser aceitar a taxa do BC.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 13:27:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

Alon, desculpe-me, é um tanto "off-topic", mas por que vc insiste na tese de que Lula se reelegeu às custas da bem sucedida política econômica? Lula manteve a macroeconomia estável, é verdade, mas fazendo uma condução bastante conservadora, de baixíssimo risco. Tudo que Lula conseguiu fazer foi não desarrumar a casa que o PSDB arrumou. Mas não houve nenhuma inovação de peso, nessa área, que justifique a pecha de "bem sucedida" a essa economia. Ela foi razoável, nota 6 apenas. Ademais, as condições externas foram extremamente benevolentes - o que rebaixa a nota para 5. Na complexa equação da opção popular por Lula, não pode ficar de fora o imenso carisma do presidente, sua identificação popular e suas raízes nordestinas. Esses foram, a meu juízo, os fatores mais importantes na opção por Lula.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 14:43:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Parece que a antiga novela do conflito entre Desenvolvimentistas X Monetaristas do PSDB no segundo governo FHC, migrou para o PT no segundo governo Lula.
Lembremos que na primeira onda de queda da taxa de juros na era Palocci, a inflação recrusdeceu, o que obrigou-o a um recuo estratégico.
Política monetária não é um instrumento de precisão, como a pressão de calibragem de um pneu.
Quando se mexe na taxa de juros hoje, os efeitos inflacionários medidos acontecem até meses à frente.
Acredito que o crescimento econômico deve ser perseguido, mantendo a tendência em 2 variáveis: a atual meta de inflação e o superávit primário.
A queda da taxa de juros continuará natural (gostaria que alguém me desmentisse, mas colocando o pescoço na forca se não funcionasse, e mostrasse uma fórmula de queda rápida sem descontole inflacionário) e trará melhorias nas contas públicas. Esforços em outras políticas como PPA's, ajustes tributários, formalização da economia informal, modernização da administração pública (compras eletrônicas barateiam custos, redes comunicações por IP barateiam custos de comunicação, unificacação da fiscalização como a super-receita, portal da transparência e CGU para evitar licitações superfaturadas), fomentarão o desenvolvimento.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 16:12:00 BRT  
Blogger Fernando disse...

Alon,

A meta do ano que vem já foi revista pelo CMN quando o Mantega entrou, ficou se não me engano a mesma desse ano, o que reverteu a crença de que a meta deveria ser cada vez menor até chegar a 2 ou 3% (núcleo). Então não precisa mais o Tarso Genro descer 1 andar.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 17:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Querem saber por que Tarso não vai descer a escada e bater na porta de Lula? Vejam o que o presidente disse hoje, está na Folha:

"A taxa-base do Banco Central está em baixa há vários meses e vai continuar a diminuir. Mas o controle da inflação permanece sendo a prioridade, por causa de seu impacto considerável na vida dos mais pobres. Nós não podemos nos permitir um passo em falso neste terreno."

sábado, 4 de novembro de 2006 10:59:00 BRT  

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