quinta-feira, 23 de novembro de 2006

O inocente da vez e outros assuntos (23/11)

Uma passada rápida em assuntos que sozinhos não valem um post. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enxergou uma janela de oportunidade e assumiu na prática o comando político da oposição. O inocente da vez foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). O líder tucano no Senado aceitou uma carona de Luiz Inácio Lula da Silva no avião do presidente e procurou ser cortês com o petista. Coisa de gente bem-educada. Como costuma ser o Arthur Virgílio. Eu gosto dele porque é capaz de ser cáustico politicamente sem ofender pessoalmente. O Arthur só não contava que o seu gesto de cortesia fosse utilizado como escada para FHC faturar junto ao público antilulista. Tanto tempo juntos e o Arthur Virgílio ainda cai nas arapucas de FHC. Azar o nosso, que durante alguns dias fomos brindados no noticiário com o interessantíssimo debate a respeito de como o PSDB fará oposição ao governo até 2010. Ora, os governadores do PSDB procurarão arrancar o máximo possível de Lula enquanto as bancadas tucanas na Câmara e no Senado farão o possível para tornar a vida do petista um inferno. Mas isso todos nós já sabíamos, não é? Outro tema na área do PSDB é a ofensiva midiática do governador Aécio Neves, supostamente voltada para a rediscussão do pacto federativo. O problema de Aécio é outro: a dificuldade para se projetar como figura nacional, eleitoralmente falando. A inércia dá a José Serra vantagem na corrida para ter a legenda do PSDB daqui a quatro anos. Mas subestimar Aécio é um erro que eu não vou cometer. Como ele mesmo já disse, na última vez que o subestimaram ele virou presidente da Câmara dos Deputados, de onde se projetou para ser a unanimidade de Minas Gerais. E como ninguém suporta mais essa disputa entre o PT e o PSDB de São Paulo, o Aécio tem uma larga avenida para trafegar com a bandeira da conciliação e da união nacional -bandeira predileta do seu avô, Tancredo. Aécio, como Arquimedes, procura um ponto de apoio a partir do qual poderia mover o Brasil em direção a seu nome (Arquimedes era mais ambicioso: dizia que com um ponto de apoio poderia mover o mundo). Veremos se vai conseguir. E o PMDB? Vai ficar majoritariamente com Lula, mas deixará uma turma de fora, para mudar de barco se (e quando) necessário. Nesses tempos de calmaria, a confusão pode nascer do PT. Que novidade! Lula pediu ao partido que não se enrole na sucessão da Câmara dos Deputados e do Senado, mas os petistas estão acendendo o apetite da bancada de deputados do PMDB. Para usar os peemedebistas como massa de manobra. Só que no dia em que o PT se matriculou nessa escola o PMDB já cursava o pós-doutorado. Se eu pudesse dar um conselho ao PT da Câmara diria o seguinte: resolvam logo quem é o candidato de vocês, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP), e saiam costurando os apoios. Não deixem espaço para soluções heterodoxas florescerem no jardim regado pelas suas indecisões (e confusões). Na economia, o debate sobre o pós-paloccismo morreu como nasceu: sem base na realidade, ainda que tivesse um pé nos desejos de gente bem situada. Mas estar bem situado no governo não significa ter poder. Alguns amigos de Lula pagaram caro para aprender isso. E assim seguimos, com mais do mesmo em todas as áreas, até no noticiário, enquanto sofremos (nós, a minoria que viajamos de avião) nos aeroportos. Nem aí há novidade. A exemplo do que acontece desde que a ditadura acabou, o antimilitarismo serve de alvará e de biombo para todo tipo de incompetência. Já cansei dessa história de quererem sempre culpar os militares por tudo. Vamos virar essa página, para o bem do Brasil.

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon,
Vc diz: "O líder tucano no Senado aceitou uma carona de Luiz Inácio Lula da Silva no avião do presidente e procurou ser cortês com o petista. Coisa de gente bem-educada. Como costuma ser o Arthur Virgílio. Eu gosto dele porque é capaz de ser cáustico politicamente sem ofender pessoalmente."
Ora,já eu me lembro do meu xará propondo-se a bater no Presidente...

Artur Araujo

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 17:34:00 BRST  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enxergou uma janela de oportunidade e assumiu na prática o comando político da oposição."

FHC já fez o mesmo antes quando o Aécio arrastou sua asa pro lado do Lula. Não é novidade, portanto.

Gostem ou não, a oposição precisa de um líder com a visão e inteligência política do FHC. O fato é que ele é o líder, se não da oposição, com certeza do PSDB.

Faz o mesmo papel que Lula no PT. Ou não faz?

"O inocente da vez foi o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM)"

Perá lá, Alon. É mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que encontrar um político inocente...

"subestimar Aécio é um erro que eu não vou cometer".

Penso que o Serra pensa como você.

"O problema de Aécio é outro: a dificuldade para se projetar como figura nacional, eleitoralmente falando"

Minha mãe, que está com 77 anos, é uma paulistana, digamos, empedernida. Durante as eleições comentou comigo que preferia o Aécio ao Alckmin. Acha, ainda, ótimo que o Serra fique em SP.

O Aécio precisa parar de fazer (parece que parou) o discurso antipaulista (pra mim isso é coisa do Itamar). Tolice ele achar que pode eleger-se sem o apoio da população de São Paulo (entendo por população todos os que votam em SP, idependente de terem ou nascido no estado).

Se ele seguir os conselhos do avô, falará mais sobre a união de SP e MG. Esse é o discurso.

Tem também que surgir como alternativa da oposição ao governo Lula. Vai ter que escolher entre a conciliação com o gov. Lula ou a oposição. Vai ter que escolher um lado. Acho que já escolheu.

Aécio é um político espertíssimo.

Um bom assunto para se acompanhar, essa história do Aécio. Vamos, como, vc disse, aguardar os acontecimentos.

abs

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 19:43:00 BRST  
Anonymous Edmundo Adôrno disse...

Meu caro Alon, tenho impressão que esta falta de assunto palpitante tenha lhe causado algum prejuízo, à sura, outrora, prodigiosa memória. Vejamos: não foi o senador manauara, mais conhecido com Arthur "cachorro doido" Virgilio Neto que ameaçou dar uma surra no Presidente Lula? Então, esse é o homem civilizado, cordato?
Grande abraço.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 20:01:00 BRST  
Blogger Dourivan disse...

É só ouvir falarem em "pacto federativo" que eu tento esconder bem a carteira.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 20:19:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caros, a boa educação na política não segue exatamente os padrões da vida cotidiana. Ameaçar o adversário político não é falta de educação. Já humilhá-lo é descortesia extrema. Tanto o tucano não faltou com o respeito (político) a Lula que o presidente e ele podem se encontrar e se falar publicamente sem qualquer constrangimento a ambos.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 21:09:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, o anti-militarismo já sustentou muita incompetência, mas qual não foi minha surpresa de ler nas manchetes dos jornais de ontem:
"Lula confessa que não sabe o que fazer...". Pensei que o presidente iria chamar os generais de volta, já que o Delfim Neto exerce enorme influência.
Nos meus tempos de faculdade só ouvia falar nos "quadros" do PT. Diaziam que o PT tinha "quadros", gente competente. E agora? Este papelão?

At

JV

quinta-feira, 23 de novembro de 2006 23:42:00 BRST  

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