sexta-feira, 10 de novembro de 2006

O duplo estelionato (10/11)

Para felicidade dos leitores e tristeza dos concorrentes, estou quase de volta. O Brasil ainda tem áreas em que celular não pega e as linhas telefônicas fixas são raríssimas. Vê-se que a meta de universalização da telefonia (prevista nas privatizações) não foi atingida. Azar meu. Mas nem tanto. De volta (ou quase), percebo que nada de novo aconteceu. Novo e relevante, esclareça-se. Ligo para alguns amigos que estão na ativa à cata de notícias para fechar as matérias de final de semana e sinto um desespero no ar. Recebam a minha solidariedade sincera. O desespero chegou ao ponto de um discurso do senador Aloizio Mercadante propondo corte nos gastos de custeio e aumento nos investimentos ser recebido como a sugestão de uma nova política econômica. Mas estou sendo parcialmente injusto com o senador. Ele pelo menos teve a coragem de tocar no ponto sensível da reforma da previdência social, especialmente no item do progressivo descasamento entre expectativa de vida e idade média de aposentadoria. O Brasil é mesmo o país das novidades. Já tivermos aqui exemplos de estelionato eleitoral, em que depois da eleição o vitorioso fez coisas que havia jurado não fazer. Mas duplo estelionato é uma novidade genuína. Nem Luiz Inácio Lula da Silva nem Geraldo Alckmin disseram que iriam reformar a previdência social. Ao contrário, ambos disseram que seria desnecessário, que os problemas na área poderiam ser resolvidos com boa gestão. Lula está moralmente impedido de incluir o tema na pauta. Mas como esse advérbio não vale na política, acabei de escrever uma grandíssima bobagem.

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5 Comentários:

Anonymous Marcus disse...

Você está completamente enganado.

Na sabatina do Roda Viva o presidente Lula admitiu sim a possibilidade de reformar a previdência. Não disse que iria fazer, não apresentou uma proposta de reforma, mas disse que, se fosse necessário, a previdência seria objeto de novas alterações.

Reveja o vídeo da sabatina, ou pergunte para algum colega seu que estava nela, que ele confirmará.

sábado, 11 de novembro de 2006 00:43:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Marcus, você dizer que o Lula defendeu a reforma da previdência na campanha é totalmente sem sentido. Lembre-se de que o Lula disse que não precisva fazer nenhum corte nos gastos do governo. Você está completamente errado. Jonas Berger.

sábado, 11 de novembro de 2006 01:45:00 BRST  
Blogger alberto099 disse...

Caro Alon,

Muitos já sabíamos, e acredito que você também (estou errado?) que o tema da reforma da previdência era inescapável (aliás, existem discordâncias sobre a efetiva vigência da reforma realizada no início do governo Lula, talvez carente de regulamentação, que ainda trarão dor de cabeça). Também sabíamos que ambos os candidatos não tratariam do tema na campanha diretamente – o resultado do tratamento ambíguo pode ser visto nos comentários anteriores a este post, afinal o que Lula disse na campanha? As discussões relevantes não dividem candidatos ou partidos, que são invólucros ocos, as campanhas disputam quem agrada mais a gregos e troianos ao mesmo tempo. Uma vez no governo, o presidente busca novamente ocupar todos os espaços, de modo a deixar a oposição sem discurso, e para isso reposiciona suas peças: os desenvolvimentistas, agora liderados pelo ministro Mantega, abraçam a disciplina fiscal (ninguém mais é contra), enquanto Mercadante, que antes dava guarida a posição de economistas de fato mais à esquerda, como as defendidas pelo ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, posiciona-se agora mais a direita, antecipando as críticas da oposição e defendendo a política econômica do primeiro mandato. Não estou condenando a postura do presidente – que nas políticas de fato implementadas me parece muito mais responsável que seu antecessor -, esse jogo é inevitável dado o contexto institucional, mas não é um jogo claro, e impede o debate público informado. De resto, esse jogo também era feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha lá seus monetaristas e desenvolvimentistas procurando ocupar todos os espaços relevantes (Lula apenas tem mais facilidade em armar o jogo, dado o ego em média menos inflado de seus partidários). Tudo isso para repisar a questão da fidelidade partidária: como muitas de nossas instituições, os partidos políticos são como partes de um cenário levantado para que pareçamos ao máximo uma democracia ocidental, “para inglês ver”. Enquanto permanecer assim, as questões relevantes continuarão distantes do debate público.

sábado, 11 de novembro de 2006 08:33:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

O Lula já sustentou, e com razão, que a previdência social, que tem a finalidade de sustentar os trabalhadores brasileiros a partir da aposentadoria, já sofreu desfalques para as construções de Transamazônica, Ponte Rio-Niteroi, etc, para absolver e prover os trabalhadores rurais do país (que nunca contribuiram para com a mesma, embora seja justo que recebam proteção social da União), por estas e outras, tem que também ser financiada pelo Tesouro. Na realidade, se todos os recursos arrecadados pelas contribuições sociais exigidas da sociedade a partir da CF de 1988 tivessem sido destinados à previdência, certamente não estariamos observando o déficit e a especulação financeira teorizando com finalidades escusas.

Senhores, não é totalmente meu pensamento, mas também é meu sentimento.

Rosan de Sousa Amaral

sábado, 11 de novembro de 2006 17:03:00 BRST  
Anonymous Marcus disse...

Ao Jonas: reafirmo o que disse. Você viu o Roda Viva? Se não viu, veja, e poderá confirmar o que eu estou dizendo.

Lula disse com todas as letras lá: "se for preciso fazer a reforma da previdência, faremos. Que tipo de reforma será, discutiremos com a sociedade".

Com certeza é uma forma melíflua de não descartar algo que sabe que fará, mas não é em absoluto correto dizer que ele afirmou que não faria a reforma.

sábado, 11 de novembro de 2006 23:38:00 BRST  

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