segunda-feira, 13 de novembro de 2006

O Brasil (governo) deveria se endividar mais? (13/11)

Segue a movimentação governamental em torno de medidas para tentar acelerar o crescimento para um patamar de 5% ao ano. Vamos ver o que sai dessa cartola. Eu não apostaria em coisas muito impactantes. Pelo que li e ouvi, o governo vai tentar economizar algo como 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para reduzir carga tributária e alocar em investimentos públicos. Pessoalmente, acho que o segundo aspecto é mais importante hoje do que o primeiro. Antes de reduzir impostos, eu pensaria em como garantir investimentos públicos em infra-estrutura e educação. O Brasil investe cerca de 20% do PIB. Para crescer acima de 5% precisaria investir cinco pontos percentuais a mais. Uns R$ 100 bilhões a mais. O governo entrar apenas com um quinto disso me parece pouco. Investimento privado maciço em infra-estrutura no Brasil é uma miragem. Está na hora de pensar num jeito de dar essa missão novamente ao poder público. Tem gente muito boa que defende aumentar o déficit, fazer mais dívida. O déficit público brasileiro é da ordem de 3% ao ano. O da Rússia é 7,6% e o da India é 10,5%. A Rússia cresce 7,5% ao ano e a India quase 9%. Qual é a alternativa a mais dívida? Cortar no custeio e realocar para investimento. E de onde no custeio poderiam sair esses R$ 100 bi? Ou pelo menos metade deles? Eu tenho uma proposta [hoje estou cheio de propostas]. A Previdência Social poderia contribuir com uns R$ 10 bi. Outros R$ 30 bi poderiam ser buscados na redução dos juros dos títulos públicos. E mais uns R$ 10 bi viriam de gastos sociais compulsórios, com a ampliação da DRU (Desvinculação de Receitas da União). Aí o Estado arcaria com metade (2,5% do PIB) do investimento adicional e confiaria que a outra metade viria da iniciativa privada. Ou então faria como disse lá atrás: endividar-se-ia para investir. Acho que o mercado vai se apavorar se alguém propuser fazer mais dívida para cobrir gastos correntes. Mas, insisto: está na hora de pensar se não é o caso de fazer dívida pública para investir mais e, assim, levar o país a crescer mais.

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5 Comentários:

Anonymous arkx disse...

PIB = 1,550 bilhões

dívida pública líquida = R$ 913
bilhões (relação dívida/PIB de 58,2%)

queda superávit primário = 2007 para 3% , 2% em 2008 , 1% em 2009 e zero em 2010

taxa básica de juros = 9%, 7%, 5%, 4%, a partir de 2007.

conta de juros (145 bilhões) cairia para R$ 81 bilhões, R$ 63 bilhões, R$ 45 bilhões e R$ 36 bilhões.

relação dívida/PIB = 58,2% para 58%, 56%, 54% e R$ 52%.

PIB cresceria 5%, 6%, 7% e 2006 e 8% em 2010

carga tributária/PIB = 36%
os recursos novos para investimentos = R$ 21 bilhões, R$ 42 bilhões, R$ 63 bilhões e R$ 86 bilhões em 2010

total de novos recurso nos 4 anos = R$ 212 bilhões

segunda-feira, 13 de novembro de 2006 20:30:00 BRST  
Anonymous paulo araujo disse...

Não sou bom em números.
Sigo a máxima do Millôr: livre pensar é só pensar.

Alon

Você escreveu:
“eu pensaria em como garantir investimentos públicos em infra-estrutura e educação”

Há duas maneiras de perguntar.
A mais usual é fazer perguntas a partir de respostas. Que não é o caso. A outra, mais difícil na busca de resposta, é colocar o “como” no início da pergunta.

Então, eu também pergunto:

Como o Brasil cresce a níveis haitianos enquanto outros países assemelhados ao nosso crescem em níveis muito mais altos que os haitianos?

Como fazer para atrair ao nosso país os investimentos privados que estão sendo aplicados em outros países assemelhados ao nosso?

Como aquecer, ao mesmo tempo, os pés populistas do “bolsa família” e os investimentos em saúde, educação e infra-estrutura se o cobertor é curto para tanto?

Como o Estado vai alocar R$ 100 bilhões para crescer 5% ao ano?

Como tirar da Previdência 10 bilhões se a Previdência é deficitária?

Você escreveu:
“Investimento privado maciço em infra-estrutura no Brasil é uma miragem”

Como transformar o que lhe parece miragem em realidade?

Você escreveu:
“Está na hora de pensar num jeito de dar essa missão novamente ao poder público”

Como dar ao poder público a capacidade de investimento se o Estado não consegue ir além do bolsa família?

Você escreveu:
“E de onde no custeio poderiam sair esses R$ 100 bi?

Como tirar 10 bilhões da Previdência sem ferir os direitos de quem contribuiu durante décadas, considerando que a Previdência é deficitária?

Como reduzir outros 30 bilhões sem peitar a FEBRABAN?

Como ampliar a DRU sem ferir ainda mais o princípio constitucional que estabeleceu que o Brasil é uma República Federativa?

terça-feira, 14 de novembro de 2006 00:10:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

Alon, quando vc diz "Investimento privado maciço em infra-estrutura no Brasil é uma miragem" parece uma reprovação ao setor privado. No entanto, não se pode perder de vista que o estado brasileiro não nunca conseguiu criar uma ambiente de segurança jurídica para esse tipo de investimento. Investir no Brasil já difícil para negócios de retorno de 5 ~10 anos, quanto mais para investimentos em infra-estrutura, com retorno, em geral, de mais de 15 anos. Não me parece razoável atribuir (exclusivamente) essa culpa ao "malvado" setor privado.

terça-feira, 14 de novembro de 2006 10:06:00 BRST  
Anonymous José Augusto disse...

Bingo! É a engenharia, e não a economia, o diferencial em países como a Rússia e Índia.
A economia mundial cresce mais nos setores de alta tecnologia e serviços relacionados à ela. Países como Índia, Rússia e China atraem investimentos porque só necessitam injetar capitais, tecnologia barata eles já tem a oferecer à investidores. No Brasil, um investimento nestes setores quase sempre obriga a importação de tecnologia, o que encarece o investimento e faz do Brasil menos competitivo.
Receio não haver solução imediata para isso (formação de capital humano, com muito empenho e resultados extraordinários, demandaria pelos menos 8 anos, eu especulo, sendo razoável pensarmos em 15 ou mais), mas é preciso levar isso à sério desde já.
Porém o Brasil tem janelas de oportunidades em suas vocações naturais que podem crescer a taxas altas e estão esperando políticas mais concretas de fomento. O biocombustível (tanto o álcool como o biodiesel), se houver condições de garantir segurança no abastecimento para países do 1o. mundo, é um excelente mercado por razões ambientais. Créditos de carbono também podem trazer investimentos. O Turismo ainda é muito sub-aproveitado no Brasil, e é prejudicado pela displicência na segurança pública, má sinalização, sujeira em corredores turísticos, e descaso com o meio ambiente, e o alto custo das viagens nacionais; e ainda nos damos ao luxo de aplicarmos uma reciprocidade na exigência de vistos de entrada para turistas que não nos representa ameaça; política esta semelhante a devolver um coice em um jumento.
Não defendo ficarmos de braços cruzados na gestão econômica, é preciso negociar com o mercado (e com a inflação) constantemente a redução dos juros, economizar nos gastos, fazer gestão direcionada dos incentivos fiscais.
A infra estrutura poderia ser financiada através de contratos de concessão que rendessem o valor da taxa selic ou poupança (a que fosse maior). As tarifas sobre esta infra-estrutura nova construída com estes investimntos seriam sempre ajustadas para proporcionar o rendimento contratado, durante o período de concessão.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006 01:14:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

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quarta-feira, 15 de novembro de 2006 11:34:00 BRST  

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