domingo, 19 de novembro de 2006

Faltam dois anos (19/11)

Lá pelo começo da década eu dava aulas de jornalismo online na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. O foco do curso era a usabilidade e a referência eram os textos de Jakob Nielsen. Os trabalhos dele podem ser encontrados no site www.useit.com. O curso começava com o estudo de um texto de Nielsen de agosto de 1998, The End of Legacy Media (algo como "o fim da mídia herdada"). Nele, o autor previu que a separação entre os formatos tradicionais da mídia (jornal, revista, etc.) deixaria de existir num prazo entre cinco e dez anos. Lembro que os alunos costumavam receber a previsão de Nielsen com desdém, mas a discussão que se seguia era sempre estimulante. No final, concluíamos que o jornal impresso, por exemplo, poderia até continuar por aí, existindo materialmente, mas que a previsão de Jakob Nielsen fazia sentido se "existência" fosse entendida como sinônimo de "relevância". Lembrei desses debates de anos atrás quando conversava semana passada com um amigo. Ambos viajamos de avião com uma freqüência maior do que seria razoável. Ele me disse que a única situação em que sente falta do jornal impresso é durante viagens aéreas longas. Daí eu propus que ele prestasse atenção nas salas de embarque dos aeroportos, onde hoje já há bem mais gente olhando para a tela de um notebook (geralmente conectado à Internet por uma rede sem fio) do que para uma página de jornal. E juntos notamos que não conhecemos ninguém de menos de 20 anos que leia jornal impresso. E percebemos que a Internet brasileira já tem, por baixo, uns 40 milhões de usuários, ao passo que o maior jornal do país continua tirando por volta de 300 mil exemplares em dias de semana e 400 mil no domingo -mais ou menos o que tirava uns quinze anos atrás. Faltam apenas dois anos para que o prazo dado por Nielsen se esgote. Pelo menos em relação aos jornais impressos, ele parece estar mais perto de ser confirmado do que de ser desmentido.

Leia também: Weblog Usability: The Top Ten Design Mistakes (17.10.2005)

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3 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

É, Alon, Nielsen tinha razão. Mas estamos no Brasil, né?

Aí você vê os grandes portais, para onde a massa interneteira vai, e vê lá os donos de alguns deles: Folha, Abril, Estado de São Paulo, Globo. Nomes familiares demais.

Aí vê os que têm como donos as telecoms e vê que o Terra produz pouquíssma coisa inhouse, só o site do Bob Fernandes; a Oi repete a nulidade do grupo Telemar pra qualquer coisa que exija cérebro; e só as da Brasil Telecom (IG/iBest) estão investindo em serem uma alternativa.

Fora isso... nada, ninguém.

Ainda bem que existem os blogs.

domingo, 19 de novembro de 2006 12:54:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Vou começar por onde o cesar cardoso terminou: ainda bem que existem os blogs. Sim, porque se a questão é "relevância", esta só tem sido encontrada na blogosfera. A menos que a reprodução mecânica on line dos conteúdos dos jornais impressos esteja sendo acessada por um número maior de leitores, o que é algo a ser confirmado. Afinal, grande parte dos usuários da internet é de jovens - e bota jovem nisso -, que não lê jornais impressos e muito menos sua versão eletrônica.
Portanto, e se "relevância" significar capacidade de influir, talvez ainda demore um pouco para a mídia impressa perder seu atual status. Mas a expansão e a importância dos blogs vão continuar crescendo, e a diversidade de opiniões, nem sempre existente na imprensa escrita, estará garantida no grande foro democrático da web.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

segunda-feira, 20 de novembro de 2006 00:30:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Vejam essa do www.bluebus.com.br de hoje (22.10):

Crise | Receita publicitaria dos jornais dos EUA caiu 1,5% no 3o trimestre 11:00 A receita publicitaria dos jornais americanos (ediçoes impressas e online) caiu 1,5% no 3o trimestre do ano, para U$ 11,8 bilhoes. É a 1a vez que a receita combinada registra queda desde 2004, quando a Newspaper Association of America começou a medir de forma consolidada. Enquanto o faturamento das ediçoes online cresceu 23%, a receita dos impressos caiu 2,6%. Noticia da Reuters diz que as versoes na web respondem por menos de 6% do total do faturamento publicitário dos jornais, mas as empresas esperam que este percentual aumente e no futuro compense as quedas nos impressos. 22/11 BBI

quarta-feira, 22 de novembro de 2006 13:15:00 BRST  

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