quinta-feira, 16 de novembro de 2006

A Europa, sempre a Europa (16/11)

Leio na Folha Online que Espanha, Itália e França têm um plano de paz para o Oriente Médio que não impõe ao Hamas aceitar a existência de Israel. Ou seja, não impõe a um eventual governo palestino de união nacional honrar os acordos assinados até hoje pelos governos palestinos. São grandes ;-) as chances de sucesso desse plano, como se vê. Escrevi, logo no começo da guerra entre Israel e o Hezbollah, o post Divagações sobre o Oriente Médio e os líderes que salvaram a Europa de si mesma. Está valendo. É incrível como a Europa (ou pelo menos a Ocidental) se deixa atrair por teses capitulacionistas. É o espírito de Vichy que insiste em rondar o Velho Continente, como um espectro. O problema do Oriente Médio não está na falta de planos ou de idéias, está num ponto tão simples quanto crucial: só haverá paz quando todos os habitantes da região reconhecerem o direito de todos continuarem ali. Simples assim. Mas tem gente que se dedica a ginásticas intelectuais para fugir dessa verdade. Ontem mesmo um editorial da Folha de S.Paulo propôs que os Estados Unidos convençam Israel a devolver as Colinas do Golan à Síria, em troca de a Síria ajudar os Estados Unidos a controlarem a situação no Iraque. Tive que ler mais de uma vez para acreditar que tenham escrito isso mesmo. Não pedem à Síria que reconheça o direito de Israel à existência em troca do Golan, mas apenas que transforme o Iraque (ou parte dele) num protetorado sírio. Vai ser difícil o presidente Bashar al-Assad receber uma proposta mais atraente do que essa. Ainda bem que a campanha do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU deu em nada. Nossa irrelevância no cenário político internacional nos protege de passarmos vergonha em determinadas situações.

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3 Comentários:

Anonymous Luiz Lozer disse...

acho que essa história dos Palestinos reconhecerem Israel é irrelevante, eles não se aturam, ponto final, acho que politicamente para os Palestinos é melhor parar de bobagem e aceitar Israel logo.

o que eu não aguento mais é ver o estado de Israel, que tinha de minha parte até uma sincera simpatia, oprimir aqueles pobres coitados igualzinho os nazistas fizeram nos territórios invadidos pela Alemanha. é de dar pena.

e não vem me chamar de anti-semita, que isso não cola não. a humilhação dos palestinos atingiu nos últimos meses níveis impressionantes. Tá parecendo spartanos versus hilotas, lembra? lá do segundo grau?

sexta-feira, 17 de novembro de 2006 10:36:00 BRST  
Anonymous arkx disse...

a questão Israel x Palestinos é chave dos nossos tempos. antes da fundação do Estado de Israel "todos os habitantes da região reconheciam o direito de todos continuarem ali". embora Israel tenha sido criado sob o pretexto de segurança para os Judeus, a situação só piorou desde então. os Judeus foram inocentes úteis na II Guerra e hoje também o são (nem tão "inocentes" agora) no Oriente Médio. é um asunto extremamente importante - e delicado. Israel tem tanto ver o com o Povo Judeu quanto são semitas os povos da Europa Central que se converteram ao Judaísmo no século VIII, e, no século XX, lideraram o Movimento Sionista e a emigração para a Palestina.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006 13:53:00 BRST  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon

Hoje de madrugada, quando entrei no botequim, eu estava invocado.

Agora estou mais calmo.

Essa proposta do editorial da Folha dá uma medida muito exata do sentimento nacional e internacional
sobre a questão do oriente médio.

Eu também fiquei chocado com a proposta. Para quem se diz democrata essa questão do oriente médio tem apenas um lado: a defesa intransigente dos direitos do judeus e do Estado de Israel. Qualquer discussão ou proposta devem ter como princípio inegociável o reconhecimento do direito de Israel existir. Não há como e o quê negociar com aqueles que se recusam aceitar esse princípio.

É um absurdo bem brasileiro (mas não só)um jornal que se diz liberal escrever (num editorial!)tamanha bobagem.

Se o editorialista tiver vergonha na cara ele deve (está obrigado) escrever um outro editorial desculpando-se pelas bobagens ditas naquele.

abs

sábado, 18 de novembro de 2006 20:12:00 BRST  

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