terça-feira, 28 de novembro de 2006

De amigo a inimigo (28/11)

Mais uma semana longe, com longos períodos desconectado. Então farei posts múltiplos, para tangenciar assuntos. No Equador, deu o candidato nacionalista Rafael Correa. Na Venezuela, parece que Hugo Chávez caminha para a vitória. Fora o México, que gravita na órbita americana com sua NAFTA, e a Colômbia, em que uma parte da esquerda está fora da disputa eleitoral (está na guerrilha), o nacionalismo com viés de esquerda dá as cartas na América Latina. A exceção é o Peru, onde a direita derrotou o nacionalismo apoiando um candidato social-democrata. Com cara própria, a direita não emplaca uma. No Brasil, o mundo político se agita para saber quem serão os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Eu aposto que serão quem Luiz Inácio Lula da Silva apoiar. Você vai me achar acaciano, mas é melhor ser acaciano do que escrever bobagens. E o mais interessante na conjuntura pós-eleitoral é que Lula começa a entrar em rota de colisão com certos movimentos sociais que não têm base social (uma aparente contradição em termos, mas só aparente) mas têm poder suficiente para impedir que o Brasil se desenvolva. É uma turma bem articulada internacionalmente e de quem o PT se serviu para chegar ao poder. Mas que hoje representa um obstáculo a que o PT permaneça no poder. Santa dialética! Sim, ela funciona! Se Lula não entregar um crescimento decente nestes quatro anos vai voltar para casa sem deixar saudades. E a turma dele vai ter que amargar um longo inverno: sem um líder, sem penetração política nacional e sem perspectivas eleitorais de curto prazo. Como eu acho que não é isso que vai acontecer, se eu estivesse no caminho de Lula, se eu fosse um obstáculo a que ele atinja o objetivo de terminar bem o governo dele, eu colocaria as barbas de molho.

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12 Comentários:

Anonymous André Pessoa disse...

Muito chato falar as coisas sem dar nome aos bois.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 02:18:00 BRST  
Blogger Vera disse...

Podia ser mais explícito: que movimentos?

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 10:55:00 BRST  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Em pleno século XXI os economistas, seguidos pelos formadores de opinião, valorizam demais esse número do PIB. Ele é importante? É, mas não é que o que determina a popularidade de um Governante na população, mas sim a melhoria no poder de consumo. E esse dado pode não ser ditado pelo PIB. Este é determinado mais pelos investimentos industriais e o Brasil tem uma grande capacidade para melhorar a capacidade de consumo sem grandes investimentos.

Aliás, isso seria colocar a carroça na frente dos bois, já que os investimentos sempre aparecem depois do aumento de consumo e nunca antes. A renda pode aumentar ainda com outros ganhos, com uma grande capacidade não instalada ainda, do crédito, das importações etc. Precisamos perguntar é porque há 3 anos o consumo cresce mais que o dobro dos investimentos.

Veja que estamos crescendo pouco, mas as taxas de desmprego caem há 3 anos, o CAGED bate records, o crédito cresce a taxas asiáticas, o varejo vendeu 10% a mais em outubro (e o PIB, próximo de 3%).

FHC não foi releito pelo PIB, nem perdeu as eleições em 2002 por causa dele, mas porque depois da euforia dos dois primeiros anos do plano Real, tivemos 6 anos seguidos de perdas salariais e desemprego crescente.

Lula tb não foi reeleito por causa do PIB, mas porque estamos terminando o terceiro ano seguido de aumento na massa salarial e no consumo. Muitos economistas já há tempos não consideram o PIB um indicador sério para a qualidade de vida. Precisamos nos reciclar.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 12:27:00 BRST  
Blogger Carlos disse...

Achei que era só eu que tinha "boiado". Que movimentos? (3)

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 13:47:00 BRST  
Blogger Sergio Leo disse...

Exceelente essa ´lembrança dos "movimentos sociais que não têm base social". Não me lembro de quem disse que desconfia de todo aquele que lucra com o próprio ideal. Nos últimos anos proliferaram ONGs auto-nomeadas defensoras de segmentos sociais, cujo maior êxito foi na captação das polpudas verbas oficiais e internacionais que vicejam no terceiro setor. Quem boiou deveria ler mais jornal. É só ver como se comprtam certas agremiações sindicais, ongs e quejandos, com poder de vocalização inversamente proporcional a sua presença real nos segmentos da sociedade que diz representar.
boa cotovelada, Alon.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 16:47:00 BRST  
Blogger Paulo Lotufo disse...

Alon, seja explícito:
The Green & Wildlife International?
The Native & Remote People International??
The Leftist Catholic Initiative???
The

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 17:43:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

"Você vai me achar acaciano, mas é melhor ser acaciano do que escrever bobagens", diz você num certo momento.

Cara, é por isso que gosto deste seu blog. O universo dos blogs é o futuro da verdadeira liberdade de opinião, mas tem lá seus percalços: o que pinta de bobagem, meu irmão, é uma grandeza. Se da quantidade costuma sair a qualidade, sai também a bobageira.

"Se Lula não entregar um crescimento decente nestes quatro anos vai voltar para casa sem deixar saudades (...) Como eu acho que não é isso que vai acontecer...". Pois é, pouca gente tem se animado a colocar as coisas nesses termos. Talvez ignorem (ou não queiram admitir em Lula) que os erros podem ser uma fonte de inspiração. Por exemplo, a de sacar que tudo é uma questão de tempo, lugar e circunstância. O que era bom ontem, talvez hoje não seja mais.

Como muito do que vai acontecer daqui para a frente vai depender das eleições das presidências do Congresso, fico aqui tentado a arriscar que está pintando a permanência do camarada Aldo na Câmara, que parece ser o desejo de Lula. Ou seja, você foi ao ponto.

cid cancer
mogi das cruzes - sp

quinta-feira, 30 de novembro de 2006 00:34:00 BRST  
Anonymous Edmundo Adôrno disse...

Caro Alon, vc acaba de inaugurar, salvo lapso de memória, o jornalismo de mistérios. Homem, tenha pena de nós, aqueles que não tem assento nas reuniões com temas privilegiados. Pare com esse suspense, afinal este é um blog de notícias ou novelas, faça-nos o favor: nomei os bois já.
Abraço.

Em tempo: Gostei do estilo apesar da sensação de vazio que me proporcionou.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006 14:02:00 BRST  
Anonymous Marcus disse...

Estou ansioso para ler seus comentários a respeito da decisão do presidente, de não fazer a reforma da previdência.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006 19:14:00 BRST  
Anonymous Virgilio disse...

Alexandre, Gostei do seu comentário sobre a relação entre PIB e outros indicadores, talvez mais apropriados, para explicar a satisfação da população. Como não sou especialista e não conheço como tais índices são calculados, sempre me intrigou tantos indicadores positivos de crescimento (exportações de carros, consumo etc.) virem junto com previsões de PIB medíocres. Ainda não sei a verdadeira explicação para isto. Se o crescimento no consumo é tão alto, indica maior produção; no entanto, deve existir algum componente da medida do PIB que está muito negativa, para diminuir este valor, será verdade? Oou tais indicadores de mais vendas, mais exportações, não entram na mensuração do PIB?

quinta-feira, 30 de novembro de 2006 21:18:00 BRST  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Virgílio,
várias coisas influenciam o número do PIB. Investimentos, importações X exportações, câmbio etc, etc. Eu tb não sou especialista e os números do IBGE são bem doidos.

o que eu tentei foi desvincular crescimento do PIB com qualidade de vida da população e por consequencia, popularidade de um Governante.

Inflação controlada, com ganhos reais no salário, aumento da massa salarial e emprego são mais populares que o número do PIB.

Não que ele não seja importante, até porque para manter os ganhos é preciso que o país cresça, mas a relativa melhora na vida da população brasileira nesses últimos 3 anos não necessariamente serão transferidos para o PIB.

EX:

Importação de bens de consumo me favorece, pois aumenta o leque de produtos e baixa meu preço, mas tira pontos do PIB.

Os sumermercados venderam mais em volume, mas por conta dos preços menores perderam faturamento. Isso é bom para vc, mas é pessimo para o PIB.

Os dados do IBGE sobre varejo, sempre sobre o mesmo mês do ano passado.

Jul- 2,3%,
ago- 6,3%,
set- 10,1%.

Como esses números podem resultar no aumento do consumo em 3,4% no trimestre, tb frente ao mesmo trimestre de 2005?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006 13:22:00 BRST  
Blogger Sidarta disse...

Também queria saber quais movimentos seriam esses.

Abraços

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006 16:48:00 BRST  

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