quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Cuidado com os amigos, presidente (02/11)

Tirem o cavalinho da chuva. Enquanto a imprensa (ou parte dela) estiver sob ataque do poder, não contem comigo para fazer ataques à imprensa. Você sabe que eu defendo a absoluta liberdade de cada veículo veicular o que quiser. Quem estiver insatisfeito, que deixe de ler (ou de assistir). Quem se sentir ofendido, que entre na Justiça pelos seus direitos. Quem quiser mais pluralidade, que abra seu jornal ou blog. Sabem por que eu resisto a descer a lenha em jornais, revistas e tevês, ainda que muitas vezes eles mereçam? Porque duvido, sinceramente, de que as coisas andariam melhor caso alguns dos atuais críticos da mídia assumissem o controle absoluto da informação no Brasil. Talvez viéssemos a ter uma ditadura de sinal trocado. Então o mais adequado, acho eu, é defender quem está sob ataque. Prefiro sempre trabalhar pelo equilíbrio. Quando a imprensa teve o seu surto ditatorial, quando jornalistas fizeram as vezes dos generais do AI-5 e produziram listas de cassações, quando qualquer apelo ao Estado de Direito era rejeitado como ameaça de que tudo pudesse acabar em pizza, fiquei aqui, quixotescamente, repetindo que cassar um parlamentar sem que houvesse provas contra ele era um atentado às liberdades democráticas. Quando a denúncia do Procurador-Geral contra os petistas foi acolhida pela imprensa como uma condenação transitada em julgado, eu rejeitei esse comportamento. Muitas vezes, tive que recorrer ao silêncio para combater a intolerância, mesmo correndo o risco de ser acusado de passividade. Então não me peçam para que participe agora da cruzada dos vitoriosos contra os vencidos. Estou fora. A oposição foi derrotada, junto com o setor da imprensa que se engajou na luta político-eleitoral para remover o PT do poder. Luiz Inácio Lula da Silva e o PT venceram. Que governem para o bem do país. É o meu desejo sincero. Mas que não cometam o engano de achar que receberam do eleitor brasileiro um mandato para esmagar as vozes contrárias. Esse equívoco, eu sei bem, não condiria com o temperamento do presidente. Lula é um democrata convicto. Também por isso se reelegeu com apoio maciço dos brasileiros. Cuidado com os amigos, presidente. Até porque os seus inimigos -como se viu- não são tão perigosos assim.

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17 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Com o Brasil coalhado de Viscondes de Sabugosas, que têm a casaca e os óculos dos intelectuais, mas são sabugos empalhados, é sempre alentador ver que há gente como Maria Sylvia de Carvalho e Franco, que não silencia e nem tergiversa. E faz tão bem seu métier que nem precisou descer a minúcias técnicas: a conta dos juros são de 9% do PIB e a bolsa família custa 0,5%. É essa a distribuição de renda lulista. Também ontem, uma notícia comprovava o caráter populista deste governo novo-peronista: 85% dos estudantes foram reprovados no exame da OAB de São Paulo. Mas têm um belo diploma para pendurar na parede e um bom motivo para ter gratidão eterna a Lula. Grande Prouni! E não se vê um intelectual de esquerda comentando sobre esse descalabro.

"Lula recolheu esses métodos, que mobilizou com eficácia, ocultando (como é próprio a ideologias) o sentido exato do controle social. Exemplo: recente pesquisa levanta, no mesmo universo, juízos excludentes: vida melhor e escassez de emprego. Tais registros medem opiniões cuja inconsistência explica-se pela propaganda e assistencialismo, evidenciando crenças que invertem o real: em nível de cidadania, não há vida boa sem trabalho; em nível econômico, não há deflação capaz de suprir o salário inexistente; os empregos restantes conjugam-se a menor renda. Mas nem todos caem na cilada. Modestos eleitores indecisos, no debate da Globo, não discutiram caridade, mas emprego, educação, saúde, escola, casa, ambiente, crédito".

"A prosápia do triunfo -o andar de baixo venceu o de cima- inverte-se ao ser exposta a carga ideológica construída no marketing: ao revés do velho jargão, Lula conota a direita ortodoxa, INCLUSIVE NO USO DA POLÍCIA CONTRA A IMPRENSA. O Benefactor superou o oligarca."

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 14:05:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

você é meu esquerdista preferido, tomara que tenha razão quanto ao Lula.
jv

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 14:24:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

A questão não é de assumir o controle. A Imprensa deve ser um espaço em branco, não um lugar a ser preenchido. E aliás, essa observação não tem a menor relação com o objeto do debate.

Cruzada dos vitoriosos contra os vencidos? Ah, Alon, você tem se comprometido nesses últimos posts.. essa redução maniqueista não dá conta da complexidade do que é um jogo político, ainda mais no caso em questão, extraviando-se dos contornos institucionais para misturar se aos interesses privados representados pelos órgãos de Imprensa. Aliás, pensando bem, aceita a proposta maniqueista de vencedores e perdedores NESTE contexto é ligar o Governo ao PT como vencedor e o PSDB-PFL, como perdedor, aos veículos de Imprensa relacionados -- o que já fornece razão para reclamar, na orientação teleológica do artigo 54. Agora, se você acha que esta mistura de interesses é inofensiva, você está nos devendo um LONGO post sobre..

Volto a sugerir a leitura da nota da Procuradora Elizabeth Kobayashi. Se você tem alguma coisa a dizer sobre caso, acho que só faz sentido fazê-lo depois de entender toda a circunstância. Depois de lida a nota, qual é a inconstitucionalidade da convocação? Qual foi a intimidação sofrida pelos jornalistas? A Procuradara está mentindo?

O nosso bom anônimo acima, depois do elegante e sutil ad hominem que tempera o argumento de quase todos os que não tem nada a dizer, passa a citar números convenientemente interpretados. Como a relação entre vida melhor e escassez de emprego que ignora tanto os dados de emprego do próprio governo quanto o progressivo e natural aumento da oferta de novos trabalhadores registrado todos os anos. Além é claro, de converter a taxa de reprovação nos testes da OAB, que sempre foi exponencial e motivada por N fatores dentre os quais evidentemente o PROUNI pode ter contribuído, num índice exclusivo do populismo do governo.

Caro anônimo, como você parece rico em expedientes furtivos, comente também a nota da Procuradora. Eu gostaria de uma boa razão para acreditar, diante da nota, no USO DA POLÍCIA CONTRA IMPRENSA -- que não fosse um apelo aos sentimentos dos mais humildes diante da pretensa falência democrática.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 15:21:00 BRT  
Anonymous Marcelo Pinlto disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 16:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 18:00:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Se dependêssemos dos amigos do Lula para "disciplinar" a imprensa, é provável que o erro de nosso controle aéreo que autorizou a altitude de 37 mil pés para o Legacy, de S. J. dos Campos até o destino, jamais viesse à tona. A PF e o comando da Aeronáutica ocultaram o fato até depois das eleições.
O script oficial seria a responsabilização exclusiva dos pilotos Americanos pela tragédia que custou 154 vidas.
Viva a liberdade de imprensa!

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 18:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Lula é uma figura pública, e clomo tal sujeita a sátiras que o cidadão comum pode se achar no direito de reclamar, ele não. Só para dar um exemplo, quem sofreu mais na mão de chargistas, Bush ou Lula? Resposta óbvia, que foi o Bush. E quem reclama menos dos chargistas? O Bush ou o Lula? Quem reclama menos é o mais tolerante, o que ama a liberdade de expressão e vive num país democrático e civilizado.
Um ditador não tolera a sátira e o humor justamente porque seu ridículo fica evidente.
Por tudo isso, a Veja tem a obrigação de sacanear o Lula e o Lula tem o direito de ficar quieto.
Otherwise, ditadura de novo, só que com sinais trocados.
JV

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 18:20:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

É claro que eu não vou querer que você ataque a imprensa. Você faz parte dela, e entendo que prefira dar mais importância ao lado "democrático" que ao lado golpista.

O problema é que a imprensa não está "sob ataque do poder". Está sob ataque, sim, dos leitores críticos, o que é bem diferente.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 18:40:00 BRT  
Anonymous Ricardo Melo disse...

Espere um pouco, Alon. Você está falando de governo "esmagando" a imprensa?
Alguém calou jornalistas?
As bancas não recebem mais jornais e revistas (quase) todos oposicionistas?
Prenderam as famiglias Civita e Marinho?
Ou eu perdi alguma notícia no caminho ou você está exagerando a dose.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 18:59:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Não entendi ao certo o motivo da censura, não lembro de ter dado precedente a processos, de ter falado mal de alguém, enfim..

Luca, de onde você tira essas idéias?
Seria proveitoso para todos nós caso você se desse ao trabalho de, ao conclui sobre o possível comportamento dos amigos de Lula caso dependesse deles a "disciplina" da Imprensa, explicitar as bases para a sua conclusão. Talvez acusar alguém de falar bobagens ou leviandades seja ato passível de processo, mas não deixo que meus medos me impeçam de usar os vocábulos em conformidade com suas prescrições semânticas. Você deveria pressupor que as pessoas que te lêem não são tolas, assim, quem sabe, talvez fosse mais rigosoro nos comentários

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 20:22:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A imprensa deve ser implacavel, investigativa, fazer o meio de campo entre o publico e o privado, e é a garantia do cidadão contra os poderes constituidos, pois, ela que denuncia os mandos e desmandos de governantes que ainda não sabe ao certo distinguir o publico do privado.
Salve a livre imprensa.
Yoshio - Japão

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 21:46:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon,
quer dizer que a liberdade de expressão está em jogo? Eu não posso meter o pau na imprensa sem ser acusado de ditador?

Queria eu que a imprensa brasileira tivesse metade dos direitos e deveres que têm nos EUA e em muitos países da Europa.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006 23:02:00 BRT  
Anonymous Marcelo Pinto disse...

Alon no meu comentário te fiz algumas perguntas, será que elas não merecem uma resposta? Ou você ainda está pensando a respeito?

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 01:34:00 BRT  
Anonymous Richard disse...

Democrata onde, Alon?!?!?! O cara não saberia procurar num dicionário o que significa ser "democrata"... talvez se vc perguntar à Heloísa Helena ela te diga o tipo de democrata que Lula é!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 11:37:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 11:39:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon,
Existe um antigo ditado popular que diz "cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça".
Compreendo que quem viveu a censura, o AI5 e Lei de Segurança Nacional, tem calafrios toda vez que há qualquer intersecção entre a imprensa e a polícia.
Mas precisamos entender que a democracia só é forte e completa, quando as instituições funcionarem. E para que funcionem, um de seus braços, a polícia, precisa exercer suas atribuições constitucionais, tanto quanto a imprensa tem todo o direito de exercer as suas.
Se houver desvios destas atribuições constitucionais de um lado ou de outro, o judiciário e o Ministério Público, está em pleno funcionamento para corrigir isto.
No caso da Veja, entendo que fazer uma queixa nas páginas da revista, sem a correspondente reclamação nas instituições de direito (Ministério Público e/ou Judiciário e/ou Corregedoria da PF), caracteriza simples politização e/ou intriga (nem por isso deve receber qualquer censura que não seja de seus leitores, mas acho que deveria ser tratada como intriga pelos próprios colegas de profissão, ou, pelo menos, com a devida irrelevância de um queixume, e nunca como um conflito entre instituições).
Lembro que a imprensa também não está livre de corrupção. E sua intocabilidade por pressão política, à revelia da lei, poderia abrir portas para servir a instrumentos de crimes como especulação financeira através de falsas notícias que manipulem mercados, alarmes sobre doenças e epidemias para vender remédios e vacinas, etc.
Tudo o que peço como cidadão é que os pratos da balança da justiça mantenham-se equilibrados, entre a necessária liberdade de imprensa, que deve respeitar o direito de opinião, por mais estapafúrdia que seja, e de veicular notícias em sua totalidade. Mas entendamos que assim como qualquer cidadão não pode incitar crimes, a imprensa também não deve estar acima da lei para veicular fatos sabidamente inexistentes a serviços escusos (estou generalizando, não estou fazendo juízo de valor no caso da reportagem da Veja), e quando houver indícios suficientes neste sentido, precisa aceitar ser investigada como qualquer cidadão.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 13:32:00 BRT  
Anonymous Edison Rabello disse...

Alon, parabéns pelo post. Vejo que você é mais um dos que acredita que a atual postura político-partidário e político-midiática (?!) virou uma briguinha de torcidas, de egos feridos - ou seja, coisa de quem tem cérebro de minhoca.
A imprensa briga com a Polícia Federal e minimiza o papel do Ministério Público (no caso da Veja); a turma do Congresso faz e acontece e tudo fica na mesma; senador processa professor por expressar seu livre pensamento...
Ôrra, meu, tá todo mundo acima ou se achando dono das leis neste país ?

sexta-feira, 3 de novembro de 2006 17:26:00 BRT  

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