domingo, 26 de novembro de 2006

Cortem-lhe a cabeça! (26/11)

Vou tocar num assunto que costumo evitar. É o caso da morte em 2002 do então prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). Na verdade, este post não é sobre o caso Celso Daniel. É sobre o tratamento dado ao trabalho da polícia e dos promotores. Quando o resultado das investigações atende a determinados propósitos políticos, é apresentado ao público como se fosse decisão judicial definitiva, da qual não cabe recurso. "Cortem-lhe a cabeça!", clamam, como em Alice no País das Maravilhas (na imagem, o desenho de Walt Disney). Quando não atende aos propósitos aludidos, o que se ouve são reclamações, resmungos e insinuações. A turma que gosta de produzir listas de cassação de deputados e senadores contra os quais não há provas -e depois passa o tempo esbravejando sobre a "pizza" que seria ousar absolver algum dos infelizes colhidos na contramão da "opinião pública", agora quer também puxar para si a prerrogativa de escrever relatórios de inquéritos policiais ou da promotoria. Menos, pessoal, menos. Por duas vezes a polícia do governo paulista concluiu que a morte de Celso Daniel não teve motivação política. O Ministério Público discorda e quer continuar a investigar. Que se investigue o tanto que for necessário e o tanto que a lei permitir. Mas o pessoal habituado a jogar nas manchetes qualquer coisinha que vaza de inquéritos ainda em andamento precisa tomar um simancol e perceber que essa dicotomia no tratamento da informação está pegando mal.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).

Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.

Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

14 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

Mas no mundo de fantasia em que a nossa imprensa se embrenhou, Alon? Fica difícil.

domingo, 26 de novembro de 2006 12:32:00 BRST  
Blogger jose roberto disse...

"Para PF, Berzoini ordenou a petistas compra de dossiê". Manchete de hoje da Folha de São Paulo.Sem mais comentários. Boa tarde de domingo!

domingo, 26 de novembro de 2006 15:45:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E à manchete sucede um extenso artigo de Kennedy Alencar. Ao pé do mesmo um "outro lado" que, se comprovado, exigiria da FSP e do articulista um mea culpa daqueles: o delegado, segundo o advogado do dirigente petista, DESMENTE a informação de inclusão de Berzoini no relatório, razão de ser da manchete e do artigo.
Notar, por favor, que grafei EXIGIRIA. Afinal, trata-se de matéria em um daqueles veículos "acima do bem e do mal e a serviço do Brasil (sic)".

Artur Araujo

domingo, 26 de novembro de 2006 19:35:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Este é um vício nosso que vem de muito antes e, indiretamente, já foi abordado neste blog. O caso da Escola Base em São Paulo, e, nesta última semana, o homicídio que vitimou um casal de idosos e a polícia apressou em apontar o filho do casal como provável autor do crime - dias depois o crime foi solucionado com a confissão de uma terceira pessoa. Não se reportou a inocência do filho da mesma forma como se reportou a sua "condenação" da véspera. O que está errado não são os fatos isolados, mas o princípio que se repete.

Rosan de Sousa Amaral

domingo, 26 de novembro de 2006 21:38:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

José Roberto, para PF, Berzoini não ordenou nada

segunda-feira, 27 de novembro de 2006 08:04:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E agora, Srs. Alencar e Frias? Como ficamos?
"O relatório não deve apontar, porém, o mandante da operação, nem desvendar a origem do dinheiro - R$ 1,75 milhão - apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha num hotel de São Paulo, no dia 15 de setembro, supostamente destinado à compra do dossiê. Segundo a PF, não existe ainda nenhuma prova ou confissão que incrimine o presidente licenciado do PT, deputado Ricardo Berzoini. Apesar de comprovada a participação de subordinados deles na operação, o direito brasileiro não prevê a figura da responsabilidade objetiva, pela qual o dirigente de um órgão responde pelos erros dos subordinados. “As investigações até agora realizadas não nos permitem concluir que ele é o mandante”, disse o superintendente da PF em Cuiabá, Daniel Lorenz.” (OESP, 27/11)

Artur Araujo

segunda-feira, 27 de novembro de 2006 09:35:00 BRST  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Concordo contigo. Mas só pode haver silêncio se for silêncio recíproco. Ouvir acusações descabidas antecipadamente e não reagir quando oportunidades ensejam uma reação, igualmente descabida, é oferecer a outra face. Cristianismo demais para quem ver viver de política.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006 13:23:00 BRST  
Anonymous Alberto disse...

Alon, concordo plenamente!

segunda-feira, 27 de novembro de 2006 18:35:00 BRST  
Anonymous Izabel disse...

O sr. José Roberto parece ser mais um desavisado que embarca nas leviandades(?) de nossa imprensa. O delegado Curado da PF desmentiu que Berzoini tenha ordenado a compra do famigerado dossiê....

segunda-feira, 27 de novembro de 2006 18:39:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

E agora, como fica? Berzoini não foi denunciado - nem citado - no relatório e nas plagas da FSP reina puro silêncio... Que jornalismo!

Artur Araújo

terça-feira, 28 de novembro de 2006 08:51:00 BRST  
Anonymous Cristiano Torres disse...

É por essas e outras, Alon, que sou a favor do Conselho Federal de Jornalismo. Discordando de você. Abraços.

terça-feira, 28 de novembro de 2006 12:26:00 BRST  
Anonymous thomaz magalhães disse...

Temos, por seu lado, o da esquerda espumante, a estratégia de usar "nomes" para as coisas, a fim de ajeitar-lhe significados. O termo crime político aí e um exemplo. Outros exemplo é "origem" do dinheiro dos petitas presos no hotel: sem ela, essa origem, nada mais tem importância. Ora, esse termo crime político aí é para dizer que o crime nção foi cometido pela turma do proprio Celso Daniel. O Sombra, seu amigo, amigo mesmo, no duro, amigão amigão, sabem?, então, foi visto ao celular com uma arma na mão assim que o Celso foi levado pelos seqüestradores. Eu entendo, por exemplo, que esses seqüestradores sejam políticos, não no sentido de prejudicar o PT, mas que todos eram amigos do Sombra, amigo do Celso. Que por algum motivo político, na política desse pessoal, foi sequestrado.

terça-feira, 28 de novembro de 2006 15:58:00 BRST  
Anonymous Anônimo disse...

Fato novo no mesmo tema. Ontem o Conselho de Ética, que há 08 meses atrás era o bastião de moralidade no Parlamento brasileiro, absolveu 03 senadores, dentre eles Ney Suassuna da Paraíba. O relatório do senador Jeferson Peres reconhecia que não havia prova de participação do Suassuna com a máfia dos sanguessugas mas pedia a cassação com base em omissão por ter delegado determinados poderes a seus assessores. O conselho de ética o absolveu e as manchetes da mídia, bem como o comentário político de um cineasta o denominem como membro da máfia do sanguessuga. Ora, onde está a verdade factual a embasar tal rótulo. Estes certamente respondem: Para que a verdade factual, cortem as cabeças e pronto.

Rosan de Sousa Amaral

quarta-feira, 29 de novembro de 2006 22:23:00 BRST  
Blogger Cid disse...

Alon

Além de estar pegando mal, está se tornando ridícula. Porque a impressão que passa é que estamos num círculo vicioso: desmascamos aqui, eles reagem lá; desmascaramos/reagem, e assim vai. Parece birra. Depois do resultado categórico da eleição, foi o que sobrou para esse jornalismo vagabundinho que vemos por aí.

cid cancer
mogi das cruzes -sp

quinta-feira, 30 de novembro de 2006 01:03:00 BRST  

Postar um comentário

<< Home