quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Como governos terminam prematuramente (16/11)

Reclamam, por email, que tenho escrito pouco e que ando mal-humorado. Escrevo pouco nos últimos dias porque não sou jardineiro de flores do recesso. Já escrevi aqui que Luiz Inácio Lula da Silva fará um governo de coalizão, que a política econômica não muda (nem os condutores dela) e que o governo vai (tentar) adotar uma solução continuísta nas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Daqui até janeiro, é o que (me) interessa. E recuso o rótulo de mal-humorado. Só acho que estes são dias em que cabe aumentar a pressão sobre o governo, para que ele não saia dos trilhos. Sim, pois eu sou dos que torce pelo sucesso dos governos. Então vou dar um conselho grátis ao presidente. Analise com carinho as eleições de 1986 e 1998. Se for preciso, converse com o senador José Sarney e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vinte anos atrás, o PMDB arrasou na eleição para governadores e para o Congresso, cavalgando a inflação baixa do Plano Cruzado do então presidente Sarney. Oito anos atrás, FHC surfou na força do Real (a moeda) para conseguir mais um quadriênio no Palácio do Planalto. Mas logo depois da eleição de 86 Sarney abriu a porteira para a volta da inflação. E logo depois da sua reeleição FHC deixou a moeda brasileira ser corroída como se tivesse sido atirada num tanque de ácido. Sarney teve que usar toda a sua sabedoria política para não ser tirado da cadeira antes da hora e FHC vagou como um espectro até alcançar 2002. O público não perdoa o rompimento de contratos eleitorais. Ouço falar agora em desvincular o salário mínimo e os benefícios da previdência social, em conter os salários do funcionalismo, em desacelerar os aumentos reais do salário mínimo, entre outras sugestões que levam ao presidente. E vocês não querem que eu fique de mau humor! Pedem a Lula que aplique um programa que nem Geraldo Alckmin teve coragem de defender. Talvez queiram que o segundo governo do PT termine antes de começar. Lula se debate entre fazer um governo relativamente medíocre por quatro anos ou ir para o confronto com a base social dele. Espero que tenha o bom senso de escolher a primeira opção.

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3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Boa Tarde Alon!

Não liga não, seu blog é bom, com análises claras, fatos historicos corretos e opinião coerente com aquilo que vc acredita.

Muitas vezes não concordo com a sua opinião, mas não deixo de ler seu blog por isso. Temos posições diferentes/ideologia, mas gosto do modo como vc coloca sua opinião/posição, sem ofensas ou memosprezo por quem pensa diferente de vc.

Parabéns e sucesso!

Liliane.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006 15:29:00 BRST  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Excelente.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006 22:31:00 BRST  
Anonymous Frank disse...

"O público não perdoa o rompimento de contratos eleitorais".

Alon, Lula elegeu-se para o 1o mandato fazendo justamente isso: rompendo seus compromissos eleitorais. Ou vc acha mesmo que o grosso do eleitorado de Lula tomou conhecimento, leu e aprovou a "Carta ao Povo Brasileiro"? Foi um documento de circulação limitada aos 5%~10% mais informados da população. Lula elegeu-se em razão dos compromissos históricos de seu partido (de 1980 até 2001) e - é claro - por conta de seu imenso carisma.
Aliás, Lula está-se tornado mestre em se eleger combatendo a agenda que termina por adotar quando eleito. Foi assim no 1o mandato, quando combatia a macroeconomia e o superávit primário, e parece que vai ser assim no 2o, com essa inevitável discussão acerca da redução dos gastos públicos - pecha que buscou, durante a campanha, colocar em seu oponente.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006 09:57:00 BRST  

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