terça-feira, 3 de outubro de 2006

Uma solução genial (03/10)

Sou tomado pelo enfado quando entra em discussão o tema da imprensa. Penso que há poucas coisas mais inúteis do que ficar debatendo conceitos subjetivos e abstratos como isenção e equilíbrio. Debates apaixonados sobre questões de ordem subjetiva são como máquinas ruins: geram muito calor e produzem pouca energia aproveitável. Mas eu decidi tomar uma posição nessa polêmica e vou começar por uma advertência: este blog não é isento e só demonstra algum equilíbrio quando o autor (eu) consegue fingir que não está nem aí para determinado assunto, quando consegue se equilibrar na corda-bamba. Só que eu finjo mal e não sou tão bom assim como equilibrista, porque nesta altura das coisas eu percebo que você já conhece -ainda que por cima- minhas opiniões sobre quase todos os assuntos abordados no blog. Eu noto isso pelos comentários. E em geral agradeço aos que pensam diferente e mesmo assim se dispõem a engrossar as magras fileiras deste que será, um dia, o mais importante veículo de comunicação política do Brasil. Espere e verá. Bem, mas eu disse que iria entrar no debate sobre a isenção e o equilíbrio. E vou entrar propondo um critério, minha contribuição a uma possível "lei geral do isentismo e do equilibrismo". Penso que ela deveria incluir um conceito assim:

Só poderá ser juiz da isenção e do equilíbrio alheios quem puder provar que no período anterior, a ser definido por lei complementar, teve ele próprio um comportamento isento e equilibrado diante dos temas em pauta. Essa prova deverá ser baseada em medições estatísticas e poderá incluir a análise psicológica do candidato a juiz.

Acho que isso resolveria o problema. Como ninguém conseguirá provar, por critérios objetivos (nem subjetivos), a própria isenção e o próprio equilíbrio, ninguém poderá pedir isso dos demais. E passaremos a outros assuntos mais importantes. E eu terei contribuído para a libertação espiritual de milhões de seres humanos que hoje vivem escravizados, enfeitiçados pela miragem de um mundo sem conflitos. Não é genial? Você pode não achar, mas eu acho. Porque a minha falta de isenção começa pela maneira como avalio a mim mesmo. Ainda bem que você é diferente, não é?

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

terça-feira, 3 de outubro de 2006 18:42:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Já disse muitas vezes, o problema não está situado particularmente na isenção, mas nos meios empregados para o diálogo.

O problema da isenção só ganha contorno quando há uma tradição de distorção e manipulação de informação. Por tradição a democracia sempre foi e sempre será um terreno de debate, onde o pluralismo é a condição de possibilidade da representação dos mais variados setores que compõe o corpo social. O problema é que quando um setor que domina um instrumento de forte penetração e composição da opinião pública resolver manter um discurso sob uma base que não respeita mínimos requisitos lógicos (sejam objetivos ou prováveis, pois, em ambos os aspectos é possível aferir o que se diz, com necessidade ou probabilidade) ou jurídicos, ele torna a sua imparcialidade uma arma a serviço dos seus interesses. É a partir daí que a parcialidade torna-se nefasta, quando não se está comprometido como o discurso, com a pretensão de estabelecer termos numa ordem lógica, passíveis de serem verificados por QUALQUER ser humano racional, mas com os PRODUTOS do discurso, que em geral são favoráveis àqueles que os produzem e que, na ausência destes requisitos e deste comprometimento, qualquer meio através do qual seja possível alcançá-lo, é por consequência justo e válido (lá se vai a ética).

Bem, esta é apenas uma observação para fazer notar que este tema se bifurca em dois: a parcialidade como pressuposto do debate democrático e plural e a parcialidade como finalidade que determina TODOS OS MEIOS em relação ao fim.

A minha posição por fim é: sejamos parciais mas tenhamos sempre em mente que há condições para o debate e sobretudo para a sucesso do discurso e ainda que estas condições devem ser respeitadas sob pena de confundir o interesse democrático e político na base da proposta do diálogo com o interesse particular de quem se furta a fundamentar suas idéias, apelando invariavelmente para falácias, ligações psicológicas e afetivas ou ainda para a autoridade que alguns lhe atribuem.

terça-feira, 3 de outubro de 2006 21:32:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Não se preocupe, esse enfado tem nome: Corporativismo. Só não tem cura. Um abraço.

terça-feira, 3 de outubro de 2006 23:03:00 BRT  
Anonymous Vera disse...

Sr. Leonardo Bernardes, meus cumprimentos pelo bom senso, integridade e racionalidade de sua argumentação.

terça-feira, 3 de outubro de 2006 23:25:00 BRT  
Anonymous Artur disse...

Isenção e equilíbrio jornalísticos - ou no opinar, o que é o mesmo em trajes de gala - assemelham-se a celacantos ou dodôs.
Não se torturando os fatos&dados, evitando-se o lysenko-azevedismo, tudo mais é permitido, penso.
Ou bem o leitor exerce seu livre arbítrio ou bem digere joio, trigo e Tordon, direito humano que lhe assiste.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 06:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Augusto:

A verdade liberta. Aceite que os veículos têm lado (cada um o seu). Isso é anticorporativismo. Perceba que a ficção isentista e equilibrista é uma forma de dominação. Tenha a coragem de abandonar e deixar para trás o que não agrada a você.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 06:56:00 BRT  

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