quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Uma piada anticomunista num post enigmático (12/10)

Quanto mais você escreve, maior é a probabilidade de escrever alguma bobagem. É estatisticamente acaciano. Ou acacianamente estatístico. Fica a seu critério escolher. Mas o melhor mesmo é relaxar, porque o desafio tem ficado mais difícil com o passar dos anos. Principalmente depois que inventaram esse negócio de blog. Comentar e analisar em tempo real é esporte perigosíssimo. Mais ainda se você fica excessivamente preocupado em mostrar, todo o tempo, que você esteve certo o tempo todo. O melhor, acho eu, é relaxar e agüentar o tranco. Até porque uma coisa é inevitável: a história será sempre escrita pelos vencedores. Não vai ser diferente nesta eleição. Também entre os jornalistas haverá ao final vitoriosos e derrotados. E os primeiros terão o privilégio -conquistado nos campos de batalha- de distorcer os fatos pretéritos de acordo com a sua conveniência. Mas, se os vencedores levarão as batatas, o que restará aos vencidos? Depende. Se mantiverem suficiente força militar ao final das hostilidades (cenário de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva), poderão iniciar uma nova etapa do conflito, de baixa intensidade. Uma guerra fria. No outro desfecho (cenário de vitória de Geraldo Alckmin), deverão dar-se por satisfeitos se lhes for concedida a graça de sobreviver. Corto para uma velha piada anticomunista. O americano está conversando com o soviético e vai logo disparando. "Nós somos uma democracia plena. Qualquer um pode ir na frente da Casa Branca e falar o diabo sobre o presidente dos Estados Unidos. Nada vai acontecer a ele." O soviético não se dá por achado. "Se for por isso, não vejo muita razão para você contar vantagem. Qualquer soviético também pode fazer a mesma coisa. Pode ir na frente do Kremlin e falar o diabo sobre o presidente dos Estados Unidos. Nada, absolutamente nada, vai ser feito contra ele." Você deve estar estranhando que eu tenha recorrido ao anticomunismo para ilustrar essa digressão. Logo eu. Calma, e só a minha maneira particular de usar o método Paulo Freire para mandar um recado. Espero que você compreenda. E desculpas pelo jeito enigmático deste post.

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9 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Prezado Alon eu gosto(ava) muito de seu blog, porem ultimamente tenho observado que ele não é analitico e informativo.Releia os seus ultimos textos. O Que está acontecendo? Cansaço, stress....vamos dar uma melhorada!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 11:54:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Hm. Vamos ver se meu tradutor está funcionando.

Podemos dizer, então, que se Alckmin vencer, os jornalistas que apoiaram Lula deveriam arrumar outro ofício, já que a grande massa da imprensa (incluindo aí os donos dos jornais) está com o homem de Pinda?

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:07:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Pelé, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho. Todos já passaram por alguma má fase. Caro anônimo, obrigado pela crítica. Vou procurar trabalhar para melhorar sempre.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:18:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Fui ao link do Paulo Freire

"A conscientização:
um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social."

Aqui uma livre adaptação na tentativa de "solucionar" o enígma:

A informação e/ou análise jornaliística:
um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das informações pesquisadas. Para o jornalista, informar e/ou analisar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da informação e/ou análise jornalística é promover a busca da verdade acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.

Você fala do ponto de vista do blogueiro, sobre os riscos que ele corre. Certo. Mas há também o lado dos comentaristas. Correm riscos semelhantes.
Também é certo que alguns, pelas mais variadas razões, ocultam-se no "Anonymous said..." Estes, escolhem não correr riscos. Não questiono. Apenas quero deixar bem claro que é escolha.

Alon, não faria o menor sentido, mas seria muito engraçado, um "Blog do Anônimo" que só publicasse os comentários de anônimos.

Para mim, que adoro comentar no seu blog, vir aqui é sempre um grande prazer. Você não errou numa coisa que é a mais importante de todas: criou o blog. Abriu e construiu este espaço interativo com a sua cara e a sua coragem.

Deus conserve.

abs

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:33:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Agora, todos já sabem que paulo araujo acentua erroneamente a palavra enigma. E dai?

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O anti-comunismo foi a única atividade política moralmente defensável no século 20. O resto foi abobrinha.

JV

(dá para colocar "menas" letrinhas no word certification?)

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 13:20:00 BRT  
Blogger Fisica no CP2 Engenho Novo disse...

Olá Alon!

Se isso serve de conforto, teu blog tem dado "de dez a zero" na chamada "grande imprensa"...na cobertura destas eleições!

Sem contar os comentários dos teus leitores!

Se as pesquisas se confirmarem vamos ter os conflitos de baixa intensidade... considerando que manterão a improvável força militar!


[]'s

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 21:48:00 BRT  
Anonymous Román disse...

Antes do governo Lula, a crítica política era feita pelos "desafetos" e basicamente pelo PT (acusado desde sempre de "radicais", "xiitas", "patrulha"), portanto não universalizada. No governo Lula, mesmo aqueles que se declaram detestando a política, inclusive na imprensa (vide Cora Ronai, que além de fotografar bichinhos com a sua mais nova câmera digital, confessa: "nunca gostei dessa turma do PT"), criticam, exclamam, tripudiam, espinafram, achincalham sem pudor. Eis uma virtualidade da democracia em que o espaço público se alarga e se manifesta.
A imprensa vai ter que fazer uma bela aggiornada...

sexta-feira, 13 de outubro de 2006 10:22:00 BRT  
Anonymous luiz lailo disse...

"Também entre os jornalistas haverá ao final vitoriosos e derrotados".

É como está no comentário do cesar cardoso.
E eu digo mais, como naquela modalidade do jôgo damas, às vezes quem perde ganha.

sábado, 14 de outubro de 2006 10:02:00 BRT  

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