domingo, 29 de outubro de 2006

Sarney, FHC e Lula governaram para os pobres (29/10)

Arrisco-me a dizer que o PSDB nunca mais vai ganhar eleição para presidente da República se não der um jeito de conseguir defender o governo Fernando Henrique Cardoso. Claro que é uma previsão. Previsões definitivas são sempre arriscadas, mas se essa minha estiver errada já terá passado tanto tempo que você nem vai lembrar do dia em que a fiz. De todo jeito, fico sempre espantado com o grau de intimidação de tucanos e pefelistas quando o assunto "governo FHC" entra na pauta. Aliás, a indigência intelectual da candidatura PSDB-PFL nesta eleição alimenta-se, entre outras coisas, de uma dupla covardia: falta-lhes de coragem para defender teses que cheirem a liberalismo e falta-lhes coragem para defender o que fizeram quando estiveram no poder. A foto de Geraldo Alckmin envergando boné e camiseta com dísticos de estatais é uma espécie de símbolo dessa dupla capitulação. Eu não sou tucano nem pefelista, mas defendo FHC mais do que todos eles somados. Faço-o pela pretensão de ser honesto intelectualmente e também para pôr um freio nas mistificações. Dizer que a Era FHC foi essencialmente negativa para o Brasil é tão verdadeiro quanto afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva nomeou 40 mil petistas para cargos de livre provimento ou que o provavelmente reeleito presidente vá privatizar a Amazônia. As proibições materiais desta eleição vão aliviar a vida dos garis, mas o trabalho de limpeza realizado pelos profissionais das idéias terá que ser redobrado, tamanho o volume de lixo intelectual despejado pelos dois candidatos [uma coisa boa de esta eleição ter terminado é que amanhã ficaremos livres das mistificações de um deles]. Voltemos a FHC. Uma crítica ao tucano é ter aumentado a dívida pública. Nem vou perder tempo com a bobagem de que sob o PSDB a dívida aumentou mais de dez vezes. Até quem diz isso sabe que é mentira, que a dívida federal no final do governo tucano não pode ser comparada com a do começo, pela simples razão de que entre 1995 e 2002 a União consolidou no seu passivo diversos esqueletos de outros. Mas é verdade que a dívida mais ou menos triplicou. E por que isso aconteceu? Por uma razão simples: foi o preço que o Brasil pagou ao longo dos anos 90 para matar a hiperinflação sem ter que fazer um fortíssimo ajuste fiscal. Em outras palavras, para matar a hiperinflação sem mergulhar o país na recessão. O Brasil tinha capacidade de endividamento e se endividou. Qual era a alternativa? Quero ver alguém do PT ter a desfaçatez de defender, por exemplo, que FHC deveria ter apostado todas as suas fichas num aperto fiscal já em 1995. Seria uma cara de pau excessiva, até para os padrões da política atual. Como o PT pode cobrar de FHC que tivesse aderido à responsabilidade fiscal em 1995 se ele próprio, PT, só aderiu em 2002, movido pelo medo de perder a eleição presidencial? A verdade é que o país só aceitou a responsabilidade fiscal depois de quebrar em 1999. Ali se viu que não tinha mais jeito, que o paciente não mais poderia fugir da mesa de operação. O Plano Cruzado morreu no final de 1986 porque o presidente José Sarney não dispunha de apoio para fazer uma política fiscal dura. Pesquisem sobre uma tal reunião de Carajás em meados daquele ano. Pelo mesmo motivo também morreram os Planos Bresser e Verão. Foram-se os planos mas Sarney sobreviveu, está aí firme e forte. Depois veio Fernando Collor, que promoveu o maior enxugamento de liquidez da História do Brasil [saudado na época em prosa e verso por muitos que hoje execram o ex-presidente pelo "confisco da poupança"]. A inflação mergulhou, mas poucos meses depois já punha a cabeça de fora. Por que? Por causa da frouxidão fiscal. Collor não teve a mesma sorte (ou competência) de Sarney. Acabou impichado. A seguir veio Itamar Franco, que foi espremido como uma laranja até aceitar passar o poder ao seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Que por sua vez evitou a eleição de Lula em 1994 cavalgando o consenso da elite, uma ampla coalizão partidária e o sucesso do seu Plano Real. Tudo isso já é História. O Plano Real foi uma grande conquista do povo brasileiro, especialmente da população mais pobre. Assim como tinha sido o Cruzado. Assim como é a política econômica de Lula, que nos dá inflação baixa com crescimento. Poderíamos crescer mais? Sim, poderíamos, mas o pobre não troca o certo pelo duvidoso, como ficou claro neste segundo turno. A causa primeira da gigantesca concentração de renda no Brasil é uma inflação crônica que durou quase meio século. Presidentes que combateram a inflação governaram principalmente para os pobres. Os que não o fizeram governaram principalmente para os demais. Sarney, FHC e Lula [sem esquecer de Itamar Franco, mas acho que posso encaixá-lo na Era FHC] governaram principalmente para os pobres. O resto é (má) ideologia (existe a boa?).

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16 Comentários:

Anonymous Fernando Trindade disse...

Alon, uma vez amenizado o viés meio economicista da sua análise, no atacado ela está correta. E parabéns pela coragem de incluir Sarney, a 'bête noire' da intelectualidade elitista (composta por muitos tucanos, mas também por certos petistas). Talvez seja interessante você depois escrever algo (ou abrir um link) sobre a reunião de Carajás para os mais novos e para os não tão jovens, mas de memória curta.Aquela reunião é um exemplo interessante sobre aquela velha questão: estar no governo não é estar com todo o poder.

At. Fernando Trindade

domingo, 29 de outubro de 2006 09:48:00 BRT  
Blogger luizgusmao disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

domingo, 29 de outubro de 2006 10:56:00 BRT  
Anonymous Márcio disse...

Caro Alon, concordo plenamente com vc. É muito fácil para a maioria desses políticos fazerem de conta que o passado não existiu, que a dívida pública cai por um acaso, ou que ela subiu nos anos FHC por simples assalto, como muitos insinuam que foi feito com o dinheiro das privatizações. Eles se esquecem de décadas de passivos "monetários", tais como FCVS, BNH, FGTS, Poupança... Fica bem simples fazer de conta que nada disso existiu e que a responsabilidade fiscal é coisa que nasceu como por encanto. Você está certíssimo, o PSDB deveria perder a vergonha e defender o que foi feito em seu governo, até porque o Lula tem o hábito de inventar que ele criou o que pegou pronto, como os 100 milhões de telefones e a maioria acredita nisso.

domingo, 29 de outubro de 2006 11:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

domingo, 29 de outubro de 2006 11:53:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Alon

Abusarei do espaço.

"O resto é (má) ideologia (existe a boa?)."

M. S. C. Franco tem uma resposta certeira:

Veja – A senhora é conhecida por distribuir críticas a pensadores tanto do PT quanto do PSDB. Há alguma diferença entre um intelectual petista e um tucano?

Maria Sylvia – No PT, há dois tipos de intelectual. O primeiro é correto, mas tem um fanatismo exacerbado. São pessoas que não tiram vantagem nenhuma de apoiar o PT, às vezes dão de si e do próprio bolso, sem receber nada em troca. Mas são capazes de cortar relações com você só porque você faz críticas ao PT. É um apego ideológico, e IDEOLOGIA EMBURRECE. O segundo tipo é o intelectual de um oportunismo atroz, como Marilena Chaui. Uma pessoa com a formação dela não pode dizer que, quando Lula abre a boca, o mundo se ilumina. É uma professora universitária que diz que o mundo é iluminado por alguém que faz a apologia da ignorância, que é capaz de dizer "minha mãe nasceu analfabeta". Alguns membros do PT fazem essa apologia.

http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/ideologia_emburrece.htm

Para que se tenha uma noção correta do pensamento da professora sobre o assunto, é preciso ler a entrevista. A "resposta", deslocada do contexto original, serve apenas como comentário.

Li hoje uma entrevista do Demétrio Magnoli ao Roldão, no ESP

http://www.estado.com.br/editorias/2006/10/29/pol-1.93.11.20061029.5.1.xml

Uma análise muito lúcida (não ideológica e , portanto, inteligente) sobre as eleições.

Como o senhor vê o processo eleitoral que termina hoje?

O primeiro turno foi um plebiscito sobre o governo Lula - e ele saiu derrotado, com o resultado de 52% a 48%. No segundo, conforme as pesquisas, os eleitores que tinham votado contra Lula não se viram representados pela opção Geraldo Alckmin - o que revela que sua campanha não conseguiu apresentar um visão do País e do futuro claramente distinta da visão de Lula. Nesse sentido o País PERDEU A OPORTUNIDADE DE DISCUTIR A SI PRÓRIO, de conectar a discussão sobre os escândalos do governo Lula a uma discussão mais geral sobre o lugar do Estado, da sociedade, das políticas públicas.

A quem atribuir a culpa?

À OPOSIÇÃO. LULA NÃO TINHA INTERESSE NENHUM EM DISCUTIR SEU GOVERNO, TANTO QUE FALOU O TEMPO TODO DE FERNANDO HENRIQUE. ALCKMIN, QUE DEVERIA POLITIZAR O DEBATE, NÃO DEFENDEU SEQUER O QUE SEU PARTIDO FEZ EM OITO ANOS DE PODER Ele se apresentou como um bom administrador, o administrador da Empresa Brasil. Só que o Brasil não é uma empresa, mas uma nação, e ele não esteve à altura desse debate.

Sobre privatizações, o arigo do L.C.M. Barros

http://www.e-agora.org.br/conteudo.php?id=4548_0_3_0_C

“O objetivo principal desse movimento estratégico era dotar as empresas de capacidade financeira e gerencial para expandir suas atividades e enfrentar a crescente competição mundial, com benefícios para o país.

Como subproduto desse programa (privatizações), o governo poderia obter uma redução da dívida pública do governo federal, parte dela criada no passado para sustentar os grandes prejuízos dessas mesmas empresas (...).

Essa é a receita de bolo que serviu para que antigas estatais, criadas quando não havia condições para uma empresa privada assumir essa responsabilidade, transformassem-se em empresas fortes e competitivas, mudando o rumo de nossa economia e contribuindo para o desenvolvimento nacional. A privatização foi a última e crucial etapa desse ciclo.”

PS: Na série "o que o blog tem de melhor", penso que este post é exemplar. Um post não ideológico e, portanto, inteligente

abs

domingo, 29 de outubro de 2006 12:01:00 BRT  
Anonymous Maria L Pacheco disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

domingo, 29 de outubro de 2006 12:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"taxas baixas de crescimento, preocupação neurótica com inflação, sem pensar em distribuição de renda e crescimento, isso terminou",

Genro classificou como "monetarista e conservadora" a política econômica do primeiro mandato de Lula.

É claro que palavre de petista não vale um vintém. Mas é essa a avaliação do "primeiro ministro e refundador do PT, Tarso Genro". É claro que ele só falou isso hoje.

domingo, 29 de outubro de 2006 16:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A força do povo

Durante mais de 18 meses este país foi bombardeado com mentiras daqueles que desprezam o povo brasileiro (chegam a dizer isso), na tentativa de impedirem a reeleição do presidente Lula. Esses sentinelas da mentira chegaram a se arvorar em porta-vozes da "opinião pública", que, com o resultado da eleição, agora se sabe que é apenas a opinião publicada dos magnatas da grande mídia. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com uma enorme maioria dos votos válidos. Foi reeleito graças à força do povo, que esmagou a força do dinheiro.

domingo, 29 de outubro de 2006 19:39:00 BRT  
Blogger Sergio Leo disse...

Alon, você está ficando populista. Ideologia é ideologia, ponto. Como até o Cazuza notou, todos precisamos de uma para viver. Fizeste bem, porém, ao apontar que também o outro lado é ideológico. Seu texto está ótimo, como sempre.

Ultimamente, a direita e os desinformados classificam como "ideológico" apenas o que se baseia em idéias e conceitos comumente atribuídos à esquerda. O que é liberal, ou de acordo com o consenso dominante não é ideológico, é natural. Daí aparecerem comentários como o do Paulo, acima, que classifica as opiniões do demétrio magnoli de "não ideológicas", como se isso fosse possível. A questão não é ser ou não ideológico, é ser consciente da própria ideologia e não deixar que ela o impeça de aceitar fatos e opiniões divergentes.

Não li ainda o demétrio (tenho enorme resistência a ler esses personagens que, de uma hora para outra, tornam-se as fontes ao lado do telefone, os queridinhos da imprensa transformados em autoridade intelectual por sua disponibilidade para artigos e entrevistas). Mas digo, sem medo de erro, que você seria capaz de apontar trechos e trechos de ideologia pura nas resposta do ilustre e brilhante sociólogo.

grande abraço

domingo, 29 de outubro de 2006 19:46:00 BRT  
Anonymous Frank disse...

"Quero ver alguém do PT ter a desfaçatez de defender, por exemplo, que FHC deveria ter apostado todas as suas fichas num aperto fiscal já em 1995."
Alon, vc deve estar de brincadeira. Há limites para a desfaçatez dos petistas?

domingo, 29 de outubro de 2006 22:22:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

No final das contas, o Geraldinho teve MENOS votos hoje do que há 4 semanas atrás.

Parabéns à "assessoria" e aos "brilhantes" gênios tucanos pelo feito! Eles fizeram por onde, depois de cometer quase todos os erros possíveis e impossíveis nesse segundo turno, com a chave de ouro do laranja podre dando entrevista para a falsa jornalista.

domingo, 29 de outubro de 2006 23:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Meu colega de anonimato aí em cima precisa estudar Economia antes de sair falando besteira: que história é essa de que o Plano Real foi formulado em Washington por Reagan e Thatcher? O plano foi formulado a partir de idéias (de grande teor de originalidade, aliás) que foram elaboradas desde antes do Cruzado, principalmente por Persio Arida, André Lara Resende e Chico Lopes (faz uma pesquisa no Google, ou no Departamento de Economia da PUC-Rio). Acho que ele está confundindo Consenso de Washington com Plano Real. Se estiver, esclareço-lhe que o Consenso não foi inventado por Reagan e Thatcher, mas reflete uma visão consensual entre economistas (os de verdade, não os de Campinas) à época. Outra coisa: com exceção dos deficientes mentais e dos intelectualmente canalhas (ele escohe em qual grupo quer se inserir), todo mundo sabe que o dinheiro das privatizações foi utilizado para abater dívida, e por favor ninguém venha me dizer que isso não é verdade porque a dívida subiu, como se fosse impossível uma dívida subir apesar de se fazer pagar uma parte dela. O fato de vários outros países terem conseguido reduzir a inflação nesse período não elide o fato de que quem o fez no Brasil foi o governo FHC, aguardo os dado que mostram que os outros o fizeram com custos menores (e mais: que mostram que os problemas do Brasil e deles eram exatamente os mesmos, e, portanto, permitem esta comparação. Sobre esquerda e direita, lembro-lhe que a professora Maria da Conceição Tavares declarou, após Palocci dar um chute no traseiro dos economistas do PT e continuar com as idéias do Consenso de Washaington: "não existe macroeconomia de esquerda".
Quanto ao Alon, erra ao dizer que a política econômica de Lula promove o crescimento. A parte verdadeira do crescimento brasileiro se deve, acima de tudo, à boa conjuntura internacional.A parte falsa se deve a políticas que não são sustentáveis.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 00:24:00 BRT  
Anonymous sergio disse...

Desprovido de toda a densidade histórica e dos devidos conhecimentos de macro economia que seria necessário para contestar seu artigo eu gostaria de partilhar com vocês um fato que me ocorreu nesse dia 29. Fui à praia com amigos e por volta das 3 horas da tarde passou um vendedor. Pobre, mal vestido, praticamente embreagado, quase um mendigo. Compramos da sua mercadoria e aos poucos começamos a conversar. Perguntei se ele tinha já tinha votado. Ele me respondeu que tinha sido em Lula. Então repliquei e por qual motivo. Ele me respondeu de forma categórica: Como eu poderia fazer diferente. Minha mãe tem bolsa família, minha irmã também. E eu consegui um emprego. Amanhã começo a trabalhar em uma construtora. Tudo isso Lula me deu." Entendi porque o povo reelegeu Lula. Será que os senhores entenderam? Afirmar que FHC fez politica para os mais pobres se contrapõe a sua thèse de que o governo FHC privilegiou os mais os pobres.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 02:21:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, Médici também governou para os pobres (não é nenhuma ironia, houve muitas conquistas de fato naquela época, muito mais para a classe média, e muitos passaram de pobres à classe média - mas havia também uma clara regra de ascenção social para os pobres: estude e trabalhe que sobe na vida, e funcionava).
Sobre os esqueletos de FHC para justificar o aumento da dívida, já cansei de ouvir isso qualitativamente, mas nunca vi ninguém, nem nenhum tucano, que me mostrasse os números convincentemente. A soma dos esqueletos sempre ficaram longe do aumento da dívida, menos o valor do patrimônio vendido pelas privatizações.
Por fim, FHC, nas regras dos contratos de privatização foi bem mais generoso com os investidores do que com os pobres, no que diz respeito a regras de reajustes de tarifas e obrigações das concessionárias.
Discordo que Itamar Franco não tenha sido protagonista do Plano Real. O Plano real começou quando Marcílio Marques Moreira, ainda no governo Collor, acumulou reservas para servir de lastro à URV. Itamar Franco estava no comando do governo, trocou 3 ministros da fazenda, e teria trocado FHC para outro ministério também se necessário. Henrique Haergreaves teve papel importante na construção da base parlamentar que votou o plano no congresso, e manteve a austeridade fiscal necessária a não emitir dinheiro, o que comprometeria a nova moeda. Dorotheia Werneck e Walter Barelli foram importantes nas negociações salariais e no pacto automotivo, e no controle de preços.
Negar o plano real de Itamar seria semelhante a negar a CLT de Getúlio Vargas, creditando-a apenas a seu ministro do trabalho.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 03:42:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Concordo inteiramente com a importância que você dá à austeridade fiscal para a estabilidade de preços, mas me parece exagerar as dificuldades do governo Fernando Henrique Cardoso em promover um ajuste fiscal logo em 95. A comparação com o plano Cruzado poderia ser útil.
1. O plano Cruzado não dispunha das amplas reservas de dólares no BC de que dispôs o Real. Um ajuste fiscal que permitisse manter a inflação baixa teria de ser muito mais severo, e a recessão de fato grave. Tanto que o Real sobreviveu quatro anos com uma política fiscal totalmente frouxa, apesar das elevadíssimas taxas de juros necessárias para sustentar a âncora cambial (com a implicação óbvia sobre a dívida do governo).
2. No plano Cruzado não havia clareza, sequer da equipe econômica, sobre a necessidade de esfriar a economia. Relatos do encontro de Carajás dão conta de divergências. Fernão Bracher, presidente do Banco Central, foi defenestrado ao ensaiar uma elevação dos juros. O contrário no plano Real: os documentos da equipe do então ministro Fernando Henrique mostram que estava clara a necessidade de disciplina fiscal para estabilizar a economia. (os documentos estavam disponíveis no site do Ministério da Fazenda, em área dedicada ao plano Real).
Por que não foi feito? Por que foi necessário esperar o esgotamento da ancora cambial em 1999? Eu, particularmente, atribua à pura irresponsabilidade.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 09:00:00 BRT  
Anonymous Antonio Carlos disse...

Prezado Alon,

Concordo com a sua "previsão" de que o PSDB não ganha mais eleição para presidente enquanto não exorcisar o FHC.
Há porém um atenuante: se ele morrer. No Brasil, até os mais cafajestes viram santos depois da morte.

Antonio Carlos

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 11:45:00 BRT  

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