quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Onde cortar, professor?

O professor Yoshiaki Nakano é um economista tucano respeitado, um intelectual que goza de justo prestígio na academia e fora dela. Em parceria com seu amigo Luiz Carlos Bresser-Pereira, tem uma trajetória vitoriosa. Nakano está sendo malhado porque teve a coragem de vir a público dizer coisas em que acredita. Disse que o país precisa fazer cortes orçamentários, segundo ele na casa dos 3% do PIB, se quiser crescer aceleradamente. E que o dólar precisa flutuar acima do que está hoje se quisermos ser mais competitivos no comércio internacional. Foi o que bastou para que o mundo caísse na cabeça de Nakano. Esse negócio de artista e intelectual se meter na política em geral dá errado. Por quê? Porque o sujeito acaba perdendo o controle da língua e dizendo em público aquilo que ouviu em ambientes privados. Mas o objetivo deste post é outro. Eu quero mesmo é fazer uma pergunta. Como cortar do orçamento federal 3% do PIB sem 1) cortar investimentos na Assistência Social, 2) cortar investimentos na Saúde, 3) arrochar o salário dos funcionários públicos ou 4) cortar benefícios (ou aumentar as contribuições) da Previdência Social. Enquanto o PSDB não responder a essa pergunta, não adianta ficar reclamando do "terrorismo" verbal do PT. Como disse no post anterior, lamúrias, esperneios e rugidos não ganham eleição.

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20 Comentários:

Anonymous Frank disse...

Que tal reduzir a conta Pgto de Juros do Balanço?

Basta baixar juros. Está provado que a dose está alta - a inflação foi abaixo da meta. E mesmo a meta de inflação não é para ser interpretada com rigor cirúrgico - desvios em relação ao alvo, mesmo para cima, não são preocupantes.

A dose de juros está excessiva e não há paralelo em nenhum outra economia no mundo.

No entanto, isso não é desculpa para deixar de lado a revisão de outras linhas do custeio do Governo, que podem e devem ser melhoradas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:05:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Nakano nada mais fez que um discurso eleitoreiro para aquele público que já vota em Alckmin. E por isso a campanha tucana pulou. Nakano desautorizou o discurso do "terrorismo petista".

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:32:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Ué, pelo modo como o tal Geraldo insistiu no debate, só o Aerolula deve ter custado uns 5% do PIB. Será que mesmo usado ele não vale ainda uns 3%? Então está resolvido, não precisa cortar nada, é só vender o avião e o Chuchu passa a andar de ônibus pelo país.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:55:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Crescimento econômico significa aumento de produtividade.

Para isto antes de mais nada é fundamental pensar no elemento humano. Nenhum país conseguiu crescer sem qualificar sua população. Ou seja, não dá para pensar em redução de gastos sociais e revertê-la em investimentos em infra-estrutura considerando as carências sociais do Brasil. É preciso investir em educação, em saúde, em segurança. Isto é verdade mesmo no estado menos pobre do país que é São Paulo.

Pensar o contrário é desperdiçar o escasso dinheiro público. O resto a gente corre atrás depois.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:57:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Alon, essa é fácil: juros. Até para dar conta do crescimento do câmbio, precisa-se desarmar a armadilha cambial que o PT nos armou.
Só nisso, numa redução para patamares civilizados (6% de juros reais ao ano), ganha-se 2% de PIB. Só que precisa-se ter coragem e competência para aguentar o chororô das viúvas monetaristas. Certamente isso não virá num segundo desgoverno de Lula.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 14:02:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Ao menos alguém tem a coragem de chegar, nesta altura em que as coisas estão e falar a verdade. O Ministro do Planejamento também falou algo parecido. Propostas semelhantes já haviam sido feitas ao Palocci, que depois começou a falar em pacto para ajustar as contas públicas. Não haverá outro jeito a não ser ajustar as contas, seja quem for o eleito. Os cortes serão sobre as rubricas de sempre. Nem precisa perguntar e também ninguém precisa responder. Não há milagres, muito menos milagreiros. O que está havendo de acusações à oposição não passa de mistificação. Depois terão de vir à público, mais uma vez e se vencerem, dizer que pela sapiência, não cortaram em tal momento, mas que depois que arrumaram a casa (outra vez), decidiram cortar para garantir a estabilidade. Conversa batida, mas que vai ser repetida como nunca. Tanto quanto outras, há quase quatro anos.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 14:08:00 BRT  
Anonymous carcamano disse...

Vamos ser jsutos: Nakano falou também em uma queda forte da taxa de juros e, por isso, foi malhado pelo fundamentalista Alexandre Schwartsman e o Malan já se apressou a colocar na mesa nomes para a Fazenda. Parece que o Nakano é um dos melhores quadros do PSDB, responsável pela gestão eficiente do Covas. Por isso já está fora de um governo que preserva gente como aquele Saulo. Pena que a gente não posso combinar Nakano com Dilma, não é mesmo?

Agora, é engraçado ver tucanos com o Ricardo do post acima reclamar de câmbio e juros. Deve ter achado ótimo o anos FHC...

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 15:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Esse post é a prova da parcialidade do seu blog. Quem nunca teve coerência entre discurso de palanque e prática de governo foi o PT. O Lula agiu no governo negando todas as suas teses. Você deve achar isso bonito, deve achar isso profissionalismo de político, uma vez que chama o Prof. Nakano de "intelectual ou artista". Pois Nakano não é intelectual ou artista. É político. Foi o Secretário da Fazenda que realizou o melhor e mais racional ajuste primário da história recente no Brasil. Pela primeira vez, não se fez corte linear no orçamento.
Interessante que se cobre do Nakano uma definição, e se deixe o PT fazer o papel de cobrador de coerência. Exatamente o PT, que passou vinte anos demonizando a reforma da previdência e os juros do BC e, no dia seguinte, fez o contrário do que dizia.
O mais interessante é que na primeira canetada do Lula, você escreverá um post elogiando a habilidade e o senso de realpolitik de Lula e do PT.
É assim que se constrói o cinismo coletivo.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 15:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É inacreditável. O Alon elogia o Nakano e toma porrada por ser "petista"

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 15:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Alckmin não conhece nem o programa dele. Vejam aqui

http://g1.globo.com/Noticias/Eleicoes/0,,AA1307128-6282,00.html

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 18:49:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

O Nakano está apanhando porque falou, talvez quem sabe numa situação absolutamente necessária e sem saída, em controle cambial, esse palavrão para a direita da América Latina. O resto é obviedade.

E mais uma vez se confirma a minha tese: quem tem uma "assessoria" como a do Alckmin, vai ficar dependendo de petista trapalhão pra arrumar alguma coisa.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 19:14:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Primeira Leitura reuniu três economistas para debater alternativas à ortodoxia monetarista, a mesma que Lula levou ao paroxismo no seu governo.

PL reuniu Nakano, Mendonça de Barros e um terceiro que não lembro o nome. Valeria a pena recuperar essse debate. São três visões distintas para a mesma questão. Tenho a revista. Vou reler.

O problema desse debate é que hoje (aliás, sempre esteve) ele está interditado, como você, Alon, observou num post anterior. Interditado por banqueiros e seus "orgânicos", numa ponta, e pela esquerda, na outra (estatismo).

Eu não tenho dúvida que se Lula ganhar o novo governo terá que encarar de frente as questões apontadas por Nakano.

Pelos elogios rasgados que fez ao Delfin Neto no clube Tietê em SP, parece que Lula já escolheu um novo conselheiro para o assunto. Lembro que Delfin já esteve prontinho para a ser chamado oficialmente por Lula ao Planalto. A coisa parou, ao menos no âmbito oficial, quando estourou o caso do mensalão.

Recuperar as entrevistas e escritos de Delfin Neto dessa época pode ser interessante. Outro que nessa mesma época fez elogios às idéias de Delfin foi o Mercadante.

Delfin trocou de partido. Foi para o PMDB governista. No clube Tietê, Delfin sentou-se na primeira fila e ao lado de Marta. Como na política nada é por acaso...

O fato é que o PT não produziu um pensamento consistente sobre política econômica (mais um ingrediente para o post do "acidente" prometido para depois do término das eleições, Alon). O que o PT tem, e aos montes, são ideólogos do estatismo.
Não por acaso, portanto, Delfin foi acionado.

O petismo está domado, Alon. Lembra das vaias ao José de Alencar quando Lula selou de público a aliança com o PL? Pelo que li, nessa vez, não ouvi vaias.

Sábia ponderação aquela sua:

"Desconfie sempre dos políticos, especialmente em períodos eleitorais. É um exercício saudável. Não compre incondicionalmente as idéias que tentam lhe vender. Pense, raciocine, pondere. (...) Pratique a ponderação (troquei propositalmente. Você escreveu
"moderação"). Se não por outro motivo, para não se sentir um idiota quando o seu líder decidir que é mais conveniente para ele fazer exatamente o contrário do que disse a você (e a todo mundo) que iria fazer.

abs

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 20:13:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

anota ai Alon,(não precisa publicar) a calmaria na campanha eleitoral está chegando ao fim. Vem bomba ai. Ponha o nariz para funcionar. Tem cheiro de polvora no ar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 21:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O que é Marcos?

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 22:08:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

De acordo com matéria na Agência Estado o programa do Alckmin prevê cortes ainda mais rigorosos para o ajuste fiscal. Seriam 4,4% e não os 3,4% sugeridos pelo Nakano:

http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/eleicoes2006/noticias/2006/out/11/350.htm

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 22:36:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Algumas diferenças entre o governo Lula e os tucanos estão sendo esquecidas no calor eleitoral. A notícia de que Furlan está negociando com a Argentina mecanismos no Mercosul para contratos de comércio exterior em Reais (e em Pesos), em vez de dolar. Se bem sucedida, o modelo pode ser estendido a mais países da América Latina (hoje o bloco é o maior parceiro comercial do Brasil).
Sair da ortodoxia monetária seria retrocesso. A Lei da Gravidade também é ortodoxa, não permite ao engenheiro interpretações para manter um edifício em pé.
O Banco Central intervir no Mercado para comprar dólares (fazer a cotação subir) para melhorar a rentabilidade das exportações, seria subsidiar as exportações com dinheiro do tesouro (dos impostos).
Desvalorização do dolar por intervenção governamental, faria as taxas de juros subirem para rolar a dívida e não cairem (se você é um investidor estrangeiro e aplica US$ 10 em títulos brasileiros, quererá receber US$ 11,45 daqui a 1 ano, portanto se o dolar se desvaloriza, o investimento só se tornará atrativo se a taxa de juros for acrescida pelo valor da desvalorização cambial).
Aumento do superavit primário costuma ajudar ao dolar cair, e não valorizar-se.
O dolar hoje está acima do que estava em 2001. Parte da reclamação de exportadores é devido à outros fatores, como a própria queda de preços em dolares de commodities agrícolas e outras, pela maior oferta no mercado internacional. No caso da carne, há o embargo sanitário (casos de aftosa). São fatores sazonais.
Acho que o governo Lula está administrando bem a política monetária, com seu gradualismo, e evitando sobressaltos na economia, o que garante a estabilidade. Saimos de uma espiral negativa para uma espiral positiva, que não devemos abandonar.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 02:47:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

A economia não foi estabilizada por milagres. E não continuará estabilizada por transubstanciação de água em vinho. O foi pela manutenção e aprofundamento da ortodoxia e o será depois de novamente ajustada e fortemente. Portanto, crescimento acima da faixa de 3 a 4% pode ser descartado para o próximo período. Também pode ser esquecido qualquer aspecto heterodoxo, em busca de crescimento mais robusto. Não haverá espaço político para tanto. As regras para a economia no próximo quadriênio estão dadas a tempos. Não haverá plantão de milagreiros que saiam da ortodoxia. Além de cautela e canja de galinha, só não se sabe se com chuchu ou sem chuchu, a preocupação deve ser para proteger o bolso raso. Faria melhor o candidato que operasse o mea culpa por tentar fazer entender que não será assim. Mas ai, é pedir demais. O mapa eleitoral depois de 29/10/2006 é que ditará os rumos e o ritmo do ajuste. Maior força política, ajuste mais forte, caso para estadistas. O contrário será o que temos hoje. Menor força, menor o ajuste e mais discurso de esperança no futuro. Não fugirá disto. O resto é campanha eleitoral, que poderá ser estendida para todo o próximo mandato.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 09:54:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Esta pergunta deve ser respondida pelos dois candidatos. O ministro de planejamento lulista, Paulo Bernardo, tem defendido a tese do deficit operacional zero para a próxima gestão, o que implica na mesma redução proposta pelo professor de Alckmin, ou seja 3%.
Portanto aqui temos dois aspectos semelhantes entre as candidaturas: O primeiro é do tamanho do corte proposto e o segundo é o desconforto em explicar com clareza onde cortar.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 11:12:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Swamoro Songhay

Não sei se você leu a entrevista do Olavo Setubal na FSP, acho.
Lá ele diz que para ele tanto faz Lula ou Alckmin, pois ambos defenderiam programaticamente a mesma política econômica que ele, Olavo Setubal, defende.

Esse é o ponto. Minha questão (são várias) é a mesma de muita gente: por que a crítica a atual política econômica está interditada? Por que a ousadia de gente séria, que tenta fazer essa crítica, é logo classificada e desqualificada com os sufixos de sempre?

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:07:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Só para responder ao anônimo: acho que FHC foi muito bem ao criar o Plano Real, teve acertos ao enfrentar as crises externas, mas fez uma política econômica péssima no segundo mandato (piorada no petismo) que condena o Brasil ao não crescimento eterno.
Só que, diferentemente dos petistas, tenho liberdade para pensar além do partido e não ser tucano. Votei em Serra porque ele teria desarmado essa bomba, diferentemente de Lula, que piorou o que já era ruim e datado.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 21:03:00 BRT  

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