segunda-feira, 16 de outubro de 2006

O nordeste, espalhado (16/10)

Ainda sobre o assunto tratado no post anterior, vale a pena recordar a importante reportagem de Fernando Canzian [não vai ganhar prêmio nenhum de jornalismo, mas é um dos mais relevantes trabalhos jornalísticos do ano], enviado meses atrás ao nordeste do Brasil pela Folha de S.Paulo, para relatar os efeitos das políticas governamentais voltadas para os mais pobres. Saiu em 11 de junho de 2006. O lide:

O "crescimento chinês" na renda da parcela mais miserável da população brasileira vem provocando um novo dinamismo econômico nas regiões mais pobres do Brasil. Entre 2001 e 2004, os 10% mais miseráveis do país viram sua renda subir 23,3%. Os 20% mais pobres, cerca de 15%. A tendência, embora com menos força, persistiu ao longo de 2005 e neste ano eleitoral.

Clique aqui para ler a reportagem completa ("Renda chinesa" aquece a economia e ameaça contas)

Lula vai bem no nordeste. Mas vai bem também nos "nordestes" que rodeiam os principais núcleos urbanos. O pequeno varejo dos grandes centros é o termômetro mais sensível à variação da renda dos mais pobres. E o Brasil tem muitos nordestes. Ainda que eles pareçam invisíveis de vez em quando.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).
Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

9 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Deve ser por esta razão que as Casas Bahia frearam os investimentos. Ou que Alckmin bateu Lula nos bolsões também do Sul e Sudeste... Ou seja, não sustente sua teoria.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:09:00 BRT  
Anonymous Bruno Fadel Gravas disse...

Teoria? Que teoria? O cara tá falando de fatos, medidos pela Federação do Comércio, que é uma entidade de empresários. E o Lula foi bem votado na Grande São Paulo e nas periferias. É só olhar no site do TSE.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:12:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Os tucanos têm uma grande dificuldade em entender a realidade para além dos Jardins. Casas Bahias já é uma conquista econômica enorme para esta massa citada no post. O pequeno varejo não é do tipo que aparecere nas estatísticas dos, como diria Nassif, "cabeças de planilha".

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Isso sem contar que o Lula conseguiu livrar o Brasil da dependência externa do petróleo e também debelou a inflação.
É verdade! Eu li no site do PT.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:27:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu acho que aconteceu o que de melhor poderia acontecer. O Lula foi para o segundo turno em função de os seus apparatchiks e gorilas terem sido pegos "em função". Quem quis enxergar, enxergou.
Como se viu ameaçado, soltou logo na segunda´feira passada seus dobermans ideológicos: demonização de privatizações, demonização da racionalidade econômica, acusações infundadas, tudo aquilo que o PT é mas tenta esconder nos últimos tempos: um caldeirão de incoerência e pragmatismo no pior sentido do termo.
Vai ganhar, mas ajoelhou no milho.
Isso vai ter um custo mais à frente para ele. Vai ser interessante.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:38:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Ricardo, quando parar perto de uma favela paulista, abra os vidros do carro, nem que seja por uns 10 segundos, e tente refletir um pouco
sobre a realidade que o cerca.
Na maioria das vezes, a imagem real é melhor que os números.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006 18:49:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

a miopia popular é natural. E ela pode ser magnificada pelos intelectuais orgânicos. No fundo, eu acho que esse é o papel que Gramsci imaginava para eles.

"Enquanto o fluxo global de investimento estrangeiro direto cresceu 29% em 2005, ele recuou 17% no país [Brasil], diz Unctad"

"sic transit gloria mundis". (hoje foi em latim)

terça-feira, 17 de outubro de 2006 06:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Uma das vantagens de ser dialético é que se pode usar o único método irrefutável: o ad hoc cismo. Ontem, tudo se explicava por um suposto "problema regional". Hoje, quando saíram dados sobre o varejo na periferia de SP, "o Nordeste" se espalhou.
Ainda bem que a gente não temos compromisso com a coerência!
A gente temos muita preguiça... aquela preguiça andradiana.

terça-feira, 17 de outubro de 2006 08:00:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Acredito haver um certo exagero no emprego de "tudo" em seu texto, anônimo. Já que falamos em dialética, lembremos também que a realidade é produto de múltiplas determinações. Foi o que tentei, modestamente, refletir. Há a questão social e há a questão regional. Em certos lugares, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (infelizmente não temos os dados do Amazonas, já que as pesquisas ali acabaram, pois não há segundo turno para governador) o segundo fator parece predominar sobre o primeiro. Não são estados pequenos nem pouco importantes, concorda? E, sobre o espalhamento do nordeste, vamos recorrer ao próprio programa televisivo de Geraldo Alckmin (volto a meu método Paulo Freire para argumentar com adeptos do tucano): vocês já repararam no número de moradores de São Paulo de origem nordestina que aparecem na telinha do PSDB? Pois é. Ah, sim. A preguiça. Depois de investir tanto tempo neste blog, de passar tanto tempo escrevendo aqui sem ganhar nada por isso, ser chamado de preguiçoso dói. Fazer o quê?

terça-feira, 17 de outubro de 2006 10:31:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home