quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Lula em vantagem na batalha pelos votos de HH e Cristovam (11/10)

Trecho do relatório do Datafolha sobre a pesquisa divulgada hoje e que mostra a ampliação para 12 pontos (votos válidos) da vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Geraldo Alckmin. Os comentários entre colchetes são meus:

Se, na pesquisa anterior, os eleitores que declaram ter votado no candidato do PDT, Cristovam Buarque, quarto colocado no primeiro turno da eleição, se dividiam entre Lula e Alckmin (39% para cada candidato), hoje, a maior parte deles (48%) afirma que vai votar no petista no segundo turno da eleição. A taxa dos que pretendem votar no candidato tucano passou a ser de 34% [uma variação de 14 pontos na diferença entre Lula e Alckmin] e a dos que afirmam que vão anular ou votar em branco caiu 11 pontos percentuais, passando de 15% para 4%. Alckmin perdeu nove pontos entre os eleitores que declaram ter votado em Heloísa Helena, do PSOL, terceira colocada no primeiro turno. O tucano passou de 48% para 39%, enquanto a preferência por Lula foi de 32% para 36% entre o eleitorado da senadora [uma variação de 13 pontos na diferença entre Lula e Alckmin].

Lula já vinha aumentando a vantagem sobre Alckmin, como notei no post A teoria dos dois vetores. Esse processo acelerou-se agora. O trecho acima deixa claro que o presidente vai vencendo a batalha pelos votos de HH e Cristovam. Duas razões possíveis: 1) o intenso trabalho petista de vincular a imagem de Alckmin a privatizações e cortes orçamentários (dois anátemas para a esquerda) e 2) o fato de Alckmin não ter se preocupado em cativar esse eleitorado flutuante durante o debate da Bandeirantes. Sobre o debate, o Datafolha detectou empate técnico quando perguntou quem foi o vencedor. Não é mau para Alckmin, já que mesmo entre o público que assistiu ao debate Lula leva larga vantagem nas intenções de voto. Se Alckmin estivesse disputando um campeonato de debates, teria razões para comemorar. Como está disputando a eleição presidencial, tem razões para lamentar as decisões erradas que tomou. Se quiser saber quais foram, basta que leia o relatório das suas qualis. Se é que ele ainda não leu. Não devem ser muito diferentes dos relatórios mostrados ao presidente logo depois do debate. Por incrível que possa parecer, no debate e fora dele a campanha do PT foi e está sendo muito competente para criar uma muralha da China entre Alckmin e o eleitorado mais progressista. O que a campanha tucana tem feito até agora sobre o assunto? Choramingar, espernear e rugir. Ninguém ganha eleição assim.

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14 Comentários:

Anonymous Carlos Montebranco disse...

gostaria de ler um relatorio de uma qualis. Sei que nao eh a proposta de seu blog, mas voce poderia postar um?

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 11:26:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Até ontem minha percepção era de que Alckmin tinha passado a imagem de arrogante. Ontem, conversando com um conhecido, me disse que achou Alckmin, mais do que arrogante, insolente.
Foi exatamente como comentei ontem e ante-ontem. A artilharia de Alckmin fez mais barulho, mas acertou apenas alvos já bombardeados de Lula. A artilharia de Lula fez menos barulho, mas foi certeira no alvos intactos de Alckmin. Só havia faltado dizer que, parece, que Alckmin também teve parte de sua artilharia explodida antes de ser disparada contra o inimigo, dentro de seu próprio paiol, através da insolência e arrogância.
A pesquisa confirma quem infligiu mas danos ao adversário.
Só me causou estranheza o comportamento do staff da campanha de Lula no dia seguinte, pouco profissional na leitura das análises qualitativas, e de pouca tenacidade política, à exceção de Martha Suplicy, que, quer gostem, quer não, dela, fez declarações politicamente adequadas a seu favor diante da situação.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 11:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 11:42:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Coroação natural das trapalhadas em série da "assessoria política" do Alckmin desde o início do segundo turno, Alon. Cometeram um erro primário em se tratando de segundo turno: deixaram o adversário tomar a iniciativa dos temas em discussão, inclusive com ajuda de declarações do próprio Alckmin.

Moral da história: enquanto Lula tem sido vigoroso, mesmo quando "peita o juiz" (a reclamação de que Alckmin não sabe debater), Alckmin tem se limitado a ficar no córner, dizendo que não vai fazer isso, não vai fazer aquilo, e esse tanto de nãos só vai reforçando a tese de que é o candidato que vai privatizar o que falta do Brasil.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 11:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon,

Eu vejo alguns problemas na sua análise e na da Folha.
Observe que Lula subiu 1% e Alckmin caiu 3% em relação à pesquisa anterior. Logo, houve aumento de indecisos, nulos e brancos, pois a variação de Alckimin foi superior à elevação de Lula.
Em uma amostra de aproximadamente 2200 eleitores, o 1% de subida de Lula corresponde a aprox. 22 eleitores.
Os eleitores de Cristovam, por exemplo, foram aprox. 2% (44). Como é possível, em uma amostra por cotas ainda por cima (não aleatória), fazer inferências sobre as motivações de crescimento de 1% de um candidato com base na variação das preferências de um candidato que teve 2% nas eleições?
No caso de HH, o número de entrevistados deve ter sido de 5% (aproximadamente 110 eleitores). É virtualmente impossível explicar a variação de Lula ou um suposto movimento de migração de um candidato para outro com base na variação desse contingente em um subestrato de 5% de uma amostra não-aleatória.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:20:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, divirjo em parte da sua análise. O Lula não cresceu somente pela reposição dos votos da HH e CB. Houve sim reflexo do debate. A região Sul retrata bem o veredicto do debate (Alckmim caiu 3 e Lula subiu 5 = 8 pontos), bem como houve grande variação entre os eleitores de ensino médio e superior. A minha impressão que registrei no seu blog na tarde de ontem pode ter sido uma síntese desta pesquisa:
"Não fico no muro. O Alckmim arrazou o Lula no primeiro bloco - o Lula esteve nas cordas (não estava grogue). No segundo bloco o Alckmim "acusou o golpe" quando gritou e gesticulou trêmulo. Mas não chegou ir às cordas. No terceiro bloco o Alckmim perdeu rítimo e apanhou feio - a sustentação do Lula de sua política externa e a opção pelo diágolo com a Bolívia foi bem fechada com a comparação e igualdade dos estilos Alckmim e Bush. No quarto bloco ambos candidatos retomaram o equilíbrio, e houve ataques recíprocos (Aerolula, NossaCaixa). No quinto bloco o Lula se saiu melhor quando o assunto foi a privatização do Alckmim. Este foi o bloco onde o Geraldo estava mais nervoso. Meu veredicto: se o povão assistiu, gostou do Alckmim; para minha decisão, o Alckmim demonstrou não ter programa (como crescer, como reduzir imposto, cortar despesas e ampliar a bolsa família). O pouco que Lula prometeu fazer (investimento em bio-energia, reformas dos portos, etc) foi goleada diante da falta de proposta do Geraldo. Se os indecisos forem da classe B e C, e não tiverem votado nem no Lula nem no Alckmim, Lula pode ter abiscoitado alguns votos.
Rosan de Sousa Amaral ".

Rosan de Sousa Amaral

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E nisto é que dá ficar seguindo conselhos dos laranjas tucanos do pefelê.

O camarada quer entrar nas casas das pessoa e convencê-las que merece seu voto portando como um cachorro louco (ainda mais sem focinheira). A metáfora do debate ou do programa eleitoral não é de palanque eletrônico, mas sim de uma visitação virtual e quase pessoal.

O pior é ter confirmado o vendilhão que é quando bravateou que vai dilapidar o patrimônio da FAB começando pelo avião presidencial (que o FHC comprou para substituir o Sucatão).

O doutorzinho decoreba anestesiou seu anêmico crescimento eleitoral.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 12:49:00 BRT  
Anonymous arkx disse...

como previsto, apesar da euforia alckmista após o debate, o tucano perde intenção de voto em várias frentes.

quanto mais Alckmin agradar a seu eleitorado cativo, mais perderá p voto que precisa disputar para vencer a eleição.

creio que ainda teremos mais emoções e cambalhotas à frente.

seja como for, o Brasil amadurece e se move. por isto era necessário o segundo turno: a grande vitória política destas eleições. ganharemos todos.

abraços

(veja o Paulo Bernardo...)

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 13:18:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Impecável sua análise, Alon. O PT, campeão de spinning de mídia, ainda põe os tucanos e pefelistas no chinelo quando se trata de martelar idéias (geralmente falsas ou distorcidas - como a tal da agressividade de Alckmin, sendo que Lula foi muito mais agressivo e cínico, como o próprio resultado do DataFolha mostrou).
Ou seja, a limonada que Alckmin fez com Lula no debate, se transformou em refresquinho no dia seguinte pela incompetência da oposição em contra-atacar a fúria midiática petista.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 14:00:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

A postura do candidato da oposição no debate foi correta. Bateu de frente contra o mito do não questionamento direto ao candidato adversário, num assunto sério. Foi direto ao ponto. Se houve erro, foi temporal. Resolveu iniciar tal questionamento depois do primeiro turno. Natural que a reação seja no mesmo diapasão, sinal de que o golpe encaixou. Isto ainda deixa a situação no terreno da indefinição. Duas coisas ficaram definidas: o candidato à reeleição teve de assumir que o seu adversário nunca foi o presidente anterior; foi a maioria do eleitorado que levou o oposionista ao segundo turno em 01/10/2006. Insolência foi de quem cantava vitória antes do tempo e se considerava imbatível.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 14:22:00 BRT  
Blogger alberto099 disse...

Há algo surpreendente na última pesquisa Datafolha que me parece estar passando batido. Nas faixas superiores de escolaridade e renda Lula teria levado uma surra no debate da bandeirantes. Ensino superior 45 x 25, renda acima de 10 mínimos 54 x 23 (na verdade a vitória de Alckmin cresce com a renda e a escolaridade. Tabela p11 no último conjunto de tabelas).
Mas é justamente nesses extratos que Lula cresce relativamente! Como se explica? A pesquisa não permite (estatisticamente) afirmações sobre esses sub-universos?
Caro Alon, sou leigo em estatística e estou tentando usar seu blog para levantar essa bola, claro, se lhe interessar. E de repente aprender algo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 09:18:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 10:08:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Talvez, apenas talvez, o que as pesquisas captaram situe-se em algo anterior ao debate. O espaço entre o final do primeiro turno e o início da campanha para o segundo, foi muito longo. Permitiu a geração de fatos que favoreceram o candidato à reeleição. A oposição deu uma boa cochilada e perdeu na batalha da comunicação e geração de fatos positivos. Os efeitos do debate, capazes de gerar alguma alteração, a meu ver, deverão ser captados nas próximas pesquisas. Ou mesmo espraiar-se até 29/10/2006. Notadamente os da vitimização do candidato à reeleição (que podem já ter sido captados em maior grau, pois, são uma continuidade de toda a campanha) e os da postura do candidato da oposição, fato novo que depende de mais tempo para ser apreendido.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 10:11:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Mais de 51% de eleitores, torcedores de outros times, levaram o jogo para a prorrogação. Não da arquibancada, mas de dentro do campo. Não gostam de ver comparado com tapetão o que fizeram dentro das regras do jogo. E o jogo chama-se Democracia. Demora, mas logo logo todos vão entender que, na Democracia, existem derrotas e vitórias, com a vantagem de que os perdedores sempre aceitam o resultado, sem ameaças de hecatombes. Pois, a Democracia, também têm regras para contê-las.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 12:09:00 BRT  

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