terça-feira, 31 de outubro de 2006

Inaceitável (31/10)

A revista Veja relata em seu site o constrangimento por que passaram três de seus jornalistas que foram depor hoje na Polícia Federal na condição de testemunhas. A PF nega as acusações. A descrição dos fatos publicada no site da Veja mostra um cenário de pressão e intimidação. Coisa inaceitável, no tratamento de jornalistas ou quaisquer outros cidadãos. Mas a minha dúvida é anterior. Por que um jornalista deve ser obrigado a ir à polícia prestar esclarecimentos sobre circunstâncias em que produziu ou editou uma reportagem? Está tudo errado. Se a polícia estiver interessada no conteúdo da reportagem, que a leia. Se estiver interessada em fontes eventualmente omitidas, a Constituição garante ao jornalista o direito de mantê-las em segredo. O endeusamento acrítico da atividade policial leva a coisas assim. A polícia não está acima das leis e do Estado de Direito. Aliás, ninguém está acima das leis e do Estado de Direito.

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18 Comentários:

Blogger Silvio disse...

Lembro aos petistas empolgados com a reeleição do senhor Lula (alguns chegam a achar que o reeleito é deus... aliás ele já blasfemou ao se comparar a JESUS CRISTO) que a soma dos votos dados ao GERALDO ALCKMIN mais os votos nulos (4,8 MI), os votos em branco (1,35 MI) e as abstenções (23,9 MI) representam 67,6 MILHÕES de votos, número superior em 9,4 MILHÕES aos votos que o senhor Lula teve. Lembro também aos iludidos do pt que um candidato eleito, ou mesmo diplomado e até empossado pode ser apeado do poder pela VIA JUDICIAL e quando os depoimentos, na JUSTIÇA, dos envolvidos com o MENSALÃO começarem a acontecer os acusados poderão começar a cantar, do mesmo modo que os envolvidos com o dossiê VEDOIN poderão cantar no TSE e a música com certeza não será agradável aos ouvidos do senhor Lula. E os adeptos do lulismo já começam a combater a LIBERDADE DE IMPRENSA – jornalistas são agredidos por petistas em Brasília e jornalistas da VEJA são constrangidos pela Polícia Federal em São Paulo.

terça-feira, 31 de outubro de 2006 21:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, se vem da revista Veja não tomo como fato. Provavelmente é versão. Somente comentarei despois que houver comprovação do fato porque a revista não tem credibilidade. Por amor ao debate observo que em hipótese a atitude da PF pode desaguar em abuso de autoridade.

terça-feira, 31 de outubro de 2006 21:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nem os jornalistas.....

terça-feira, 31 de outubro de 2006 22:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"...A polícia não está acima das leis e do Estado de Direito..." nem os jornalistas.
Sugiro confrontar as versões dos jornalistas com a versão da Polícia Federal para depois começar a tirar conclusões, assim sugere o bom censo.
Pois ao se tratar só de bom censo a revista veja não se sustentaria, tamanha as reportagens alopradas que tem vinculado, nestes tempos da corrida eleitoral.
Laércio de Araújo

terça-feira, 31 de outubro de 2006 22:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Nem os jornalistas estão acima...sobretudo com o abuso dessa Lei de esconder a fonte...quando ela não existe!

terça-feira, 31 de outubro de 2006 22:55:00 BRT  
Blogger Mariano disse...

Essa questao eh pra la de espinhosa. O q a revista Veja estah querendo com essa defesa da "liberdade de imprensa"? Nao sei, mas tem uns 30 anos que desconfio do q eles escrevem, apesar de achar fundamental a existencia deles. Acho q o fato deve ser esclarecido, mas nao tem nada de anormal um jornalista ser convidado para para colaborar com a policia em cima de fatos q, se verdadeiros (visita clandestina a um preso), sao relevantes. Nesse caso a informacao diz respeito a propria policia e nao vejo pq nao pedir o auxilio dos jornalistas para elucidar o fato, ou, o q acho mais provavel, desmascarar uma farsa.
Gostaria, sinceramente, de entender onde isso fere a liberdade de imprensa?

terça-feira, 31 de outubro de 2006 22:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro, a materia da Veja era puro esgoto, com jeitao de ter sido feita sob encomenda pra sacanear o Lula. Corporativismo nao lhe cai bem, meu caro. Provavelmente o tira que inquiriu os impolutos e inocentes "vejistas" (pra mim, jornalista eh outra coisa) deve ter sido mesmo um escroto autoritario. Mas que o pessoal da Veja jah encheu o saco, ah, isso jah encheu mesmo.

terça-feira, 31 de outubro de 2006 23:02:00 BRT  
Anonymous Ruy Acquaviva Carrano Junior disse...

Ninguém está acima das leis e do Estado de Direito. Nem ao menos os jornalistas. Eu é que estranho essa tese de que jornalista não pode ser investigado. Se houve constrangimento esse abuso deve ser condenado e punido. Mas a tese de que jornalista não deve prestar depoimento eu acho um absurdo. Jornalista não tem mais direitos do que eu, ou qualquer outra pessoa. Vale ressaltar que a PF nega o constrangimento, citando inclusive a presença da da Procuradora da República Elizabeth Mitiko Kobayshi e da advogada da Revista Veja, Ana Rita de Souza Dutra. Essas pessoas devem dar seu depoimento quanto a possíveis abusos. Mas o depoimento em sí não configura abuso coissíssima nenhuma. A imprensa tambem abusa e a Veja tem abusado demais de mentiras e mistificações. Abusam do poder econômico a quem servem usando de recursos que afrontam a ética jornalística.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 00:04:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

É inaceitável e todos sabem. Assim como é inaceitável matar, roubar, etc.

Mas se a reportagem d'O Globo alegou que o depoimento foi acompanhado por uma procuradora e pela advogada da Editora Abril, não entendi o razão do post.

A palavra da Veja contra a da PF deveria, no mínimo, trivializar-se. Guardados os devidos limites constitucionais, a PF deve utilizar todos os recursos possíveis para avançar nas suas investigações, como já deixei claro, isto não inclui coagir e intimidar, mas não exclui um convite para depoimento. Eu sonho com um mundo no qual as obrigações trabalhistas não determinem as posturas éticas, o silêncio da grande maioria dos jornalistas frente a corrupção da (imagem) Imprensa no Brasil - a exemplo do silêncio de grande parte da comunidade muçulmana frente a conversão de uma multiplicidade em unidade sanguinária - é constrangedoramente sintomático. Talvez seja esta a premissa (pressuposta) para o depoimento dos jornalistas.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 01:10:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Esse "endeusamento acrítico", aliás, é patrocinado pela própria imprensa, que muito raramente questiona os métodos da Polícia e do Ministério Público.

As CPIs promovem espetáculos públicos de humilhação dos depoentes, e são raríssimas as vozes na imprensa a se incomodar com isso.

Não gosto de truculência policial, mas seria hipócrita de minha parte dizer que estou compadecido dos pobres jornalistas da Veja.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 01:20:00 BRT  
Blogger Paulo disse...

Espera só um segundo. Eu sou contra qualquer forma de intimidação da imprensa, agora é "O endeusamento acrítico da atividade policial leva a coisas assim." ou é o endeusamento acrítico da atividade jornalística, acrescido de uma certa dose de corporativismo, que leva você a concluir que jornalistas não podem ser nunca questionados ou inquiridos pela polícia?

E mais, temos duas versões. A Veja pinta um cenário de anos de chumbo. A polícia informa que não foi nada disto e que a advogada da Abril e uma procuradora federal acompanharam o depoimento. Onde estão as entrevistas com estas pessoas?

E, sendo a Veja, quem garante que não é apenas a mesmíssima coisa de sempre, qualquer mentira serve se for para atacar o governo? Isto é, porque devemos acreditar em qualquer relato unilateral de uma revista cujo objetivo editorial é distorcer qualquer fato até que pareça ruim para Lula ou o PT? Só porque fazem parte da "imprensa" e a "imprensa" deve estar acima de qualquer suspeita por definição?

Em suma, a Veja já gastou o que tinha da credibilidade alferida pelo mero fato de ser publicada pela Abril. Passou a gritar "Lobo!!" toda semana e contratou os melhores gritadores de "Lobo!!" do país. A dúvida é se agora eles estão realmente sendo intimidados ou apenas gritando "Lobo!!" só porque alguém perguntou algo.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 02:45:00 BRT  
Blogger Marcus Carvalho disse...

Não é por nada não, mas depois destas eleições eu não acredito em nada que a Veja publique.
Isso tem um cheiro de "vamos inventar outro escândalo para que a revista desencalhe".
Aliás, a coisa lá deve estar braba, pois só entem me ligaram três vezes me oferecendo a assinatura da Veja.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 08:40:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

A Policia Federal ou qualquer outro órgão de governo não tem o direito de investigar a imprensa. Ponto Final!
Qual a punição para órgãos de imprensa e jornalistas que cometem abuso, então?
Perda de credibilidade. Simples assim. Pelos comentários, notamos que a Veja carece de credibilidade para muitos leitores. Isso já é punição mais que suficiente.
Estendo esse meu raciocino para outras formas de coação de liberdade de pensamento, como por exemplo, a lei de crime de racismo existente no Brasil. Claro que atos violentos ou discriminatórios, como proibir pessoas de freqüentar lugares abertos a todos não devem ser tolerados. Mas se a pessoa quer fazer um site xingando Negros, Judeus, Nordestinos, deixe que façam. Pelo menos saberemos quem é o inimigo e poderemos combate-los melhor. Se Lula acha que a imprensa tentou derruba-lo, ( E tentou) democratize a imprensa criando mais imprensa.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 09:39:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns pelo comentário, Alon. Ainda resta uma esperança enquanto houver análises críticas e imparciais neste país. Mas cuidado... Não exagere no imparcialismo porque em breve você começará a receber milhares de mensagens chamando-o de "golpista da direita".

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 09:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E os jornalistas?Eles estão acima da lei e do estado de direito?

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 10:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Muito cuidado com esta postura de a imprensa ser a "vestal" impossível de ser tocada!

Se os padres estão acima de tudo no segredo do confessionário, que tal vermos as acusações de pedofilia como uma perseguição religiosa?

Se os advogados estão protegidos de tudo à margem da lei, que tal denunciar a injusta proibição de levarem celulares, drogas e armas para seus clientes do PCC?

E se a imprensa tão acima de tudo não pode ser investigada ou sequer inquirida, que tal se prender os malvados donos da Escola Base, que ousaram inclusive processar esta mesma imprensa?

Ora, ora senhores! Sigilo de fontes é parte do direito democrático da imprensa, a não ser quando a coisa entre na esfera criminal, né?

Além disso, crítica à imprensa também está sendo vista como uma forma de perseguição agora?

Afirmo: a imprensa não é livre porque os donos dela não deixam! A imprensa está cada vez mais subordinada ao poderio econômico e a interesses impublicáveis, ficando muito engraçado essa grita toda por haver uma investigação acerca do que essa pretensa imprensa livre publicou!

É preciso ter muito cuidado com formas sutis de cercear a imprensa, fundamento da democracia, concordo! Mas porque não há essa grita quando um juiz proíbe a veiculação de certas notícias? Porque não há essa grita quando os donos dessa imprensa impedem certas notícias ou distorcem sua edição?

Isso tudo é material para pensar a democracia que temos e que queremos. E a imprensa é parte disso.

Se um órgão mesmo que da imprensa neo-marron, como a Veja, levanta denúncias e a PF vai em busca de sua elucidação, o que está errado? Dizer que o papel da Polícia é ler a matéria e não pode conversar com os jornalistas, é tosco!

Minha opinião pessoal é que a Veja cometeu crimes ao inventar matéria, com finalidade eleitoral. Isso é crime né? Isso atenta à verdadeira liberdade de imprensa né? Isso é papel da polícia e da justiça apurarem né?

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 11:18:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, se um jornalista ou veículo recebe propina para fazer uma matéria false, ele está cometendo crime.
Tal como os governos, a imprensa também está sujeita à corrupção. Imagine se alguma testemunha declara na polícia que subornou determinado veículo ou jornalista. Estariam estes cidadãos acima de qualquer suspeita? Além do bem e do mal só por terem a seu favor a lei de imprensa?
Imagine publicar algo que faça a bolsa ou o dolar disparar e tiver gente por trás da notícia especulando para ganhar dinheiro? É crime contra o sistema financeiro e contra a economia popular. Se o jornalista fez parte de tal complô, ele é co-autor do crime e forma a quadrilha.
Sei o quanto é difícil provar isso, por que a liberdade de imprensa garante o sigilo da fonte, que em última instância seria o perpetrador da fraude. Mas pedir para a polícia não investigar uma denúncia feita pela própria revista, não seria abster do exercício da justiça? Não cabe pressões da polícia para obrigar a citar a fonte, mas sim confirmar do que cada um dos jornalistas foi responsável por cada informação, para separar os fatos das versões, e daí formalizar um inquérito. Tudo dentro da lei, sem qualquer abuso de autoridade.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 13:58:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Que o anônimo do "bom censo" tenha o BOM SENSO de se manter anônimo.
Pelo menos o anonimato lhe garante a impunidade no atentado ao idioma.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 17:58:00 BRT  

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