quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Declarar vitória e cair fora (12/10)

Voltaram os programas de tevê dos candidatos a presidente. Vamos por partes. Começando pelo debate da Bandeirantes. Geraldo Alckmin agiu como foi sugerido por um amigo a Lyndon Johnson, quando o então presidente americano perguntou como proceder diante do crescente envolvimento na Guerra do Vietnã: Declare vitória e caia fora, aconselhou o amigo. Sabe-se que Johnson não seguiu o conselho, mas o tucano fez mais ou menos isso hoje em relação ao debate de domingo. Mostrou algumas perguntas duras dirigidas a Luiz Inácio Lula da Silva, exibiu títulos de matérias de jornal que apontaram Alckmin como vencedor, recorreu a um "povo fala" rápido e mudou de assunto. Já o programa de Lula foi quase todo dedicado ao debate. Declarou vitória e ficou dentro. Procurou enfatizar que o presidente respondeu a todas as perguntas. Usou as respostas presidenciais para defender que Lula está mais preparado para o cargo. Nos dois casos, do PT e do PSDB, tudo a ver com as qualis. Os relatórios das pesquisas qualitativas sobre o debate da Band indicaram o que o eleitor de Lula esperava do presidente: respostas. E que esse eleitor considerou tê-las recebido. Daí ter ficado satisfeito. Já Alckmin, além de ter transmitido uma imagem de certa arrogância, ficou devendo propostas. Uma resposta típica foi "ele não disse o que vai fazer, faltou conteúdo". Provavelmente por isso, o tucano jogou tudo hoje na imagem de administrador eficiente e na promessa de um futuro com muito crescimento, empregos, etc. Os escândalos ficaram meio de lado, como uma parte do passado que é preciso superar. O programa de Lula foi básico, quase um clipping de trechos do debate. O de Alckmin foi tecnicamente mais sofisticado, mas uma coisa me incomodou: não dá para passar de oito a oitenta assim, a seco. Ou de oitenta a oito. Alckmin vinha numa escalada de ataques e acusações, que culminou no debate. Agora, aparece de novo com o jeito que tinha lá atrás. Pode até funcionar, mas também pode causar desconforto, desconfiança. E vamos ver o programa da noite para saber se a linha dura da coligação PSDB-PFL foi mesmo para o ostracismo, ou se é só impressão.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).
Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

4 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

Mais uma vez, está provado que a melhor coisa da campanha do Alckmin é o marqueteiro. Ele foi o único que entendeu que não dava pra bater na mesma tecla do primeiro turno *e* não dava pra ficar na defensiva.

A campanha de Lula está fazendo o tem feito desde o início do segundo turno: botando pressão em cima do adversário.

Agora, off-topic: algum amigo do Bush deveria ter dito esse conselho do "declarar vitória e cair fora" para o caso do Iraque.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 15:27:00 BRT  
Blogger Danilo Marcolin disse...

Alon,

na minha opinião o debate pouco tem haver com a mudança nas pesquisas. Temos que lembrar que houve um processo de empurrar a eleição pro segundo turno com nosso aparelho digestivo (alguns muitos em mal funcionamento ;) ).

Outro ponto foi a questão Garotinho. Boa parte dos eleitores das classes média e alta que migraram de Alckmin para Lula, muito provavelmente são provenientes deste apoio. Mas isso passa, pode ter certeza.

O que me preocupa é a campanha que os que deveriam analisar o debate, fizeram para minimizá-lo. ISSO SIM É PREOCUPANTE, numa imprensa que ao tentar ser imparcial, faz com que esteja sempre pisando na parcialidade. Com esse efeito estufa sobre o debate, a posição dura de Alckmin (que nada mais fez do que representar os 40% de eleitores dele) e o nítido descontrole emocional de Lula foram sumariamente aniquilados, principalmente com a associação da pesquisa ao debate.

Qualquer debate precisa de no mínimo uma semana para mudar votos, principalmente um com baixa audiência.

Essa é minha humilde opinião. O que acha?

Grande abraço

Danilo

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 19:34:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Pausa para uma piada: já saiu o resultado do exame anti-dopping após o debate? O de Alckmin deu positivo?

A edição do debate confirma minha tese de que Lula venceu tecnicamente, afinal mostrou mais alvos conquistados para exibir no horário eleitoral.
É preciso salientar que Alckmin não estava errado em ter que ser enérgico e marcar posição para motivar seu próprio eleitorado e mostrar diferença suficiente de Lula aos demais eleitores mais neutros para justificar uma definição ou mudança de voto. Apenas acho que errou na overdose de agressividade, atingindo a arrogância e insolência.
Após o debate, também avaliei que Alckmin não poderia voltar mais atrás em sua postura agressiva impunemente. Fica com a imagem abalada pela falsidade. Decepciona aqueles que gostaram da postura agressiva, e soa falso para aqueles que se afastaram de Alckmin porque não gostaram da postura arrogante.
Notei também que a estratégia da campanha Alckmin no Horario eleitoral gratuito está em inserir os ataques ("onde está o dinheiro?") nas inserções pequenas, na forma narrativa, sem usar a imagem do candidato. O que significa que a estratégia é voltar a ser "zen".
Acho que o marqueteiro tucano tem uma tarefa herculea: conseguir agradar a maioria, sendo obrigado a abordar temas radicalizados e que dividem a opinião pública. Ganhar votos de uns inexoravelmente implica em perder votos de outros.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006 21:12:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Danilo Marcolin

O "isentismo" faz o seu papel. Rende, e como rende, lucros e dividendos. Sempre que leio ou escuto os comentaristas políticos que militam no "isentismo" coloco ao alcance da mão um "saquinho de vômito"(by Tambosi).

sexta-feira, 13 de outubro de 2006 05:34:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home