quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Cálculo político (04/10)

A gritaria em torno da adesão do ex-governador Anthony Garotinho à candidatura de Geraldo Alckmin tem um pouco de política regional, um pouco de indignação sincera e um pouco de farisaísmo. Alckmin perdeu feio de Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro e luta para recuperar terreno. Seu cálculo político parece claro. Quem já votou em Alckmin no primeiro turno dificilmente votará em Lula no segundo. E o tucano precisa, desesperadamente, entrar no eleitorado cativo de Lula. Ainda com a máquina do governo estadual na mão e com prestígio junto aos mais pobres e aos evangélicos, Garotinho é útil a Alckmin. Para Garotinho, Alckmin é o ponto de apoio onde colocar o pé na tentativa de voltar ao cenário nacional -depois de ser moído, mastigado e digerido pelo PMDB (com a ajuda do governo federal), quando lutava para ser o candidato do partido à Presidência. O quanto esse apoio vai render? Ninguém sabe, mas aritmeticamente parece razoável supor que agrega mais do que faz perder. A não ser que Lula consiga atrair o grupo do prefeito Cesar Maia, o que parece improvável. Sim, há também a indignação sincera e o farisaísmo. Sobre esse último, deixo-o aos que embalam os seus projetos políticos no bonito papel de presente da ética, para assim vendê-los melhor. Conheço gente que abre presentes com o maior cuidado, para não estragar o papel. Eu nunca fui assim. Vou logo rasgando o papel para saber o que tem dentro. No cenário eleitoral, está claro que Lula encontrou pela frente um osso duro de roer. Alguém com a frieza necessária para fazer agora o que havia criticado antes. Sem tal, digamos, qualidade ninguém chega nem a prefeito. Muito menos a presidente da República.

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8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Osso duro de de roer? O Alkmin continua um candidato ruim que só está onde está pq a campanha do Lula errou demais e a imprensa dá uma ajudinha.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 17:09:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Alon, acho que seu cálculo político fura num ponto-chave: Garotinho é uma figura que já foi bem mais forte no estado do Rio, mesmo no interior.

Primeiro, os 8 anos de desgaste natural da administração Anthony/Rosângela Garotinho.

Segundo, o fato de que o candidato do partido dele acabou se bandeando para o Lula. Como o Sérgio Cabral, caso seja eleito, vai ter a caneta na mão, naturalmente vai estar todo mundo no PMDB fluminense pelo menos se escondendo atrás da porta pra não ser notado. Ou então, se sentir que a coisa está para o lado do Sérgio Cabral, sair dizendo que é Sérgio e Lula desde criancinha.

Terceiro, o Alckmin ter demolido a aliança conservadora que levou Denise Frossard ao segundo turno. Cesar Maia e sua base eleitoral na Zona Oeste carioca e Denise Frossard e sua base eleitoral na Avenida Atlântica/Vieira Souto já não vão fazer aqueeeeeeeeele esforço pra fazer campanha pra Alckmin.

Mais uma vez a assessoria do Alckmin faz um trabalho "sensacional". O "núcleo" de "inteligência" da campanha do Lula deve estar morrendo de inveja.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 17:33:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu também acho controverso as vantagens desse apoio. Melhor seria fazer nos bastidores, e Gartoinho trabalhar para descarregar votos em Alckmin regionalmente.
Mas prefiro a tese de que a coalizão Geraldo-Garotinho foi apenas um intecâmbio de troca de know-how para levarem suas políticas de segurança pública nos estados do RJ e SP para o cenário federal.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 17:44:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

[jose carlos lima] [http://abandon.zip.net] [Goiânia - Rio Meia Ponte] [Artista Plástico]
Cont... pois é, a cruela Rapunzel, a dos grampos, sabes? Ela com suas tesouras, seus grampos e falsas notícias de ameaças de morte por emails, emails que ela mesmo resolveu apagar quando deveria passar para a Polícia Federal, pintou e bordou para derrotar Lula. Fiquei pasmo ao constatar que a minha urna estava embaçada. Mal conseguia ler o numero 13. Campos mínimos. Tu me pagas cruela! Tem mais. A esposa de um amigo me disse que ao votar apertou 13 e apareceu a foto do Geraldo 69 CPIs Enterradas Alckmin. Ele disse que isto foi relatado aos mesários, tendo inclusive sido registrado. Sobre isso, acho tão grotesco que precisaria ver se realmente ocorreu. Mas diante da crueldade da Cruela, a Rapunzel, a dos grampos, não duvido de nada.

04/10/2006 16:03



[jose carlos lima] [http://abandon.zip.net] [Goiânia - Rio Meia Ponte] [Artista Plástico]
Eduardo, além do PM do B, Partido da Midiocracia do Brasil, temos também o PJE, o Partido da Justiça Eleitoral. Senão vejamos. Fui fiscal no dia eleição. Vi pessoas reclamando da dificuldade de usar a urna, teclas mínimas. Na tela, os números apareciam bem pequenos. Na hora de votar eu mesmo pude comprovar o quanto o Partido da Jusitça Eleitoral, coligado com Alckmin, dificultou as coisas para Lula. O jornal Correio Brasiliense tirou minhas dúvidas: mais de 1,3 milhão de falsos nulos, ou seja, eleitores que não queriam anular seu voto mas, por conta da dificuldade da urna elitoral, terminaram anulando o voto. No nordeste são mais de 700 mil de falsos nulos.

04/10/2006 14:45

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 17:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O que menos se ve nesta campanha são opções ideológicas. A candidatura situacionista fez várias opções fora do seu eixo político de origem. Graças a isto, teve o governo uma relativa folga na governabilidade, porém, sempre na dependência de intensas negociações, nas quais teve importante ajuda das alianças mais conservadoras, principalmente durante as crises ocorridas e continuadas. Talvez se tivesse a força política necessária, pudesse até prescindir delas. Como, ao que parece, tal força era menor do que se desejava, tais alianças foram mantidas, com importante papel na gestão econômica, na condução política e mantidas para a campanha reeleitoral. Com elas, obteve os resultados finais em São Paulo, para presidente e para o governo do Estado. Pode-se esperar um aprofundamento das mesmas para o segundo turno.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 18:21:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

vivemos mesmo num tempo no qual a política da "mãos na merda" parece vitoriosa.

Não sei se seria melhor esconder o apoio. Se esondesse, ou disfarçasse, Alckmin seria a toda hora cobrado pela imprensa por isso. Escancarando de vez, os "indignados profissionais" escrevem logo o que gostam de escrever (boa a do papel de embrulho) e tudo passará. Amanhã o peixeiro dará um melhor destino para tanta "indignação".

Votarei no Alckmin. Estou menos preocupado com suas alianças do que com o seu programa de governo. Sim. Também quero muito que Lula e o PT sejam derrotados. No meu entendimento, o projeto político dessa turma esgotou-se historicamente. O PT era melhor quando na oposição. Aliás, a esquerda sempre é melhor na oposição.

Espero que no segundo turno a camapnha saiba dosar desmistificação do lulo-petismo e programa de governo. Curto e grosso: tem que aliar porrada no Lula e no petismo com apresentação alternativa de polítca econômica, saúde, educação. Enfim, um conjunto de coisas que efetivamente podem tornar o Brasil um lugar melhor pra se viver.

Talvez eu suma por uns tempos dos comentários. Estou sem tempo. Não aguento mais ficar acordado até tarde e sofrer o diabo pra acordar cedo de manhã. Mas estarei sempre lendo os posts nas horas vagas. Gosto demais do boteco.

abs
paulo

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 19:21:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

A questão é que os "indignados profissionais" têm sempre atuado em favor de Alckmin, e essa indignação farisaica é um motor forte de sua candidatura.

Não tenho como analisar se a aliança tem mais prós ou contras, mas quebra aquela mística do Chuchu perante a classe média, essa miragem de ser um candidato desvinculado dos esquemas clientelistas.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 19:50:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Menos, meu prezado Alon, menos. É óbvio que ninguém se cacifa para uma candidatura à presidente da república sem um conjunto de belos e importantes atributos. Isso, você pegou bem. Por outro lado, já é senso comum que Lula deixou de ganhar no 1o. turno, apesar dos esforços de mídia, por seus próprios erros ou de seu partido. Portanto, ignorar, agora, que o candidato do PSDB somente se viu no páreo por força de uma conjuntura que se construiu, absolutamente, à margem da sua ação direta é nivelar o debate por baixo. Não diria que é “trocar e-mails” com o adesismo, mas, certamente, é, da mesma forma, farisaico descontextualizar episódios de campanha eleitoral em benefício da idealização de pseudo-estrategistas. Um fraterno abraço.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006 22:43:00 BRT  

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