segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Blá, blá, blá (30/10)

Antes de seguir em frente, um balanço rápido das eleições. Se você quer um mais detalhado, percorra este blog de um ano e meio para cá. Está tudo nos arquivos. Você me acha pretensioso? Então me ajude a corrigir esse defeito. Releia o que escrevi e diga onde errei. Com franqueza, acho que errei pouco. Certamente bem menos do que a oposição. O desastre eleitoral de Geraldo Alckmin e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva [vejam que escrevi nessa ordem, aparentemente ilógica; mas o naufrágio do ex-governador é jornalisticamente bem mais saboroso que o "landslide" do petista] tem algumas explicações simples. O PSDB-PFL jamais compreendeu que iria enfrentar nas urnas um bom governo. Não se prepararam para isso. O PSDB-PFL jamais compreendeu que o ponto de equilíbrio da hegemonia cultural hoje no Brasil está à esquerda do centro. Para ganhar uma eleição você precisa ter maioria. Portanto, tentar hoje no Brasil ganhar eleição de presidente com um discurso de viés liberal é um problema de solução não trivial. E que fica mais difícil se você não o enfrenta, se você se esconde. Ou se acredita que vai ganhar a guerra só com a aviação, sem infantaria. Só com denúncias e mídia, sem articulação social. Aliás, o PSDB-PFL demonstrou que não tem a menor idéia de como se forma opinião na era da Internet. É uma vítima do colapso da teoria da pedra no lago. Tomaram um show de bola do PT na Internet. Mas tudo isso é história. O título deste post é sobre o noticiário a respeito de um suposto desenvolvimentismo que, dizem, vai prevalecer a partir de janeiro. Pois eu acho que nada vai mudar na macroeconomia. Até porque Lula é mais esperto e mais competente politicamente do que o entorno. Quando o presidente estava no osso, quem o segurou na sela foram os mais pobres, os maiores beneficiados pela baixa inflação. Achar que Lula vai aceitar mais inflação em troca de um ponto percentual a mais de crescimento é ilusão. Mas, fazer o quê? É preciso ter assuntos novos para fazer girar a maquininha da informação.

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5 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

Agora é a hora das fofocas, Alon. Vão ficar até janeiro fazendo fofoca de todos os tipos e tamanhos.

Do resto, certíssimo. A derrota do PSDB-PFL merece ser estudada. Mas imagino que a nossa grande imprensa vá preferir falar de outras coisas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 10:31:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Há cinco meses, numa conversa com Lula no Palácio do Planalto, perguntei-lhe se ele achava que seria reeleito. Ele respondeu: “Vou, porque o povo está vivendo bem melhor hoje do que antes e sabe disso. A oposição está cometendo hoje o mesmo erro que nós, do PT, cometemos em 1994. Está brigando com os fatos. Naquela época, nós passamos a campanha fazendo o discurso de que o Plano Real era eleitoreiro. Mas, como a vida das pessoas tinha melhorado, elas nos deixaram falando sozinhos. Sofremos uma derrota acachapante. Agora, vai acontecer a mesma coisa com a oposição. Ela vai ficar falando sozinha. E, quando acabar a eleição, vai descobrir que ficou sem discurso e precisa arranjar outro”.
Fonte Franklin Martins

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 11:36:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Também acho que nada vai mudar na macroeconomia.
Quem defende mais heterodoxia, e até poucos meses citavam o sucesso do crescimento da Argentina (em grande parte recuperação da depressão anterior), que continuem observando os lados da Patagônia. Li que o governo Kirchner está congelando preços de alguns produtos para controlar a inflação. Li que, por conta disso, começa a haver desabastecimento, nas prateleiras. Li, por fim, que empresários estão ameaçados de prisão, acusados de esconder estoquer.
Já vi esse filme antes no Brasil do Plano Cruzado, e o final não foi feliz. Desejo melhor desfecho para a Argentina, até porque nova crise no Mercosul, não é bom para o Brasil, mas receio desejar em vão.
Aliás, já defendi aqui que, cada vez mais há consenso de que macroeconomia é técnica e não política.
Política se faz mais na priorização dos gastos, e no dimensionamento dos impostos.
Por falar em fofocas, o que vai "bombar" é a formação do ministério.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 14:04:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

Tenho parentes que sempre foram anti-lula e no começo deste ano quase tiveram um ataque do coração de raiva ao constatarem que o Lula iria ganhar mais uma vez. Aqui em São Paulo, após umas cinco edições do Estadão e uma da Veja, o cidadão sai tinindo, possesso: “maldito PT, maldito Lula” e com este sentimento de indignação colocaram Maluf, Enéas e Clodovil no Congresso Nacional.
Meus familiares não disseram que votriam nestes 3, mas procurando evitar algum velório inesperado na família eu sempre tentava acalmá-los, explicando a teoria do lago e que dali a pouco o Lula cairia nas pesquisas. Sabe aquele jeito em que você faz “ar de inteligente” e que está fazendo uma análise isenta do momento político?
Enfim, apesar de não ser tucano e nem do Pefelê, também sou uma vítima do colapso da tal teoria. Nas próximas eleições nem vão me ouvir...por enquanto ainda não recebi nenhum telefone com uma notícia ruim de algum parente e torço para que os “aloprados do PT” e grande mídia não irritem ainda mais minha parentela.

Alon, concordo, você errou pouco. Não te acho pretensioso. Mesmo se fosse, e daí? Não acha? Entre seus poucos erros, quero destacar as suas observações sobre a condução da economia durante a administração FHC. Acho que falta mais crítica nelas. Afinal, ali, se considerarmos o período que vai da implementação do Plano Real até o final de 2002, muita coisa ocorreu, algumas positivas outras de absoluta incompetência. O plano de estabilização foi bem arquitetado, mas não dá para fazer uma análise séria achando que tudo foi lindo e maravilhoso nos anos seguintes. Enfim, seria interessante você abordar o assunto com mais rigor. Nós, seus leitores, merecemos, você não acha?

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 15:21:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Hoje mesmo a Dilma já recuou. Veja:

30/10/2006 - 15h21
Dilma afirma que governo manterá metas fiscal e de inflação

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá manter a atual meta fiscal durante seu segundo mandato e também não fará alterações na política de metas de inflação, reafirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nesta segunda-feira.

O governo trabalha com uma meta de superávit primário equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), economia que deve ser feita anualmente por União, Estados, municípios e empresas estatais.

"Os 4,25% de superávit primário estão mantidos", disse a ministra em entrevista à rádio CBN.

No domingo, depois de confirmada sua vitória, Lula afirmou que manteria uma política responsável de gastos públicos.

A chefe da Casa Civil disse ainda que a qualidade do ajuste fiscal deve ser aprimorada. "Eu acredito que se aprofundarão reformas. Não é a mesma política do passado, eu acho que nós vamos ter de buscar uma maior eficácia do gasto, uma maior eficiência no ato de gastar", comentou.

"Vamos ter de enxugar bastante a máquina para possibilitar que a gente invista e mantenha os gastos sociais."

Dilma deixou claro que a política de metas para a inflação também não sofrerá alterações. No entender da ministra, a tendência é de que os índices de preços continuem em desaceleração.

Sobre a autonomia formal do Banco Central, Dilma preferiu não fazer comentários detalhados. "Isso não é bem uma decisão que eu possa externar hoje", respondeu a ministra, que também evitou comentar sobre sua permanência no ministério de Lula.

"Todos os ministros entregarão o seu cargo ao presidente, e ficará à critério do presidente a forma pela qual ele vai organizar o governo", disse.

(Por Alice Assunção)

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 16:17:00 BRT  

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