segunda-feira, 30 de outubro de 2006

As ações de Alckmin e uma corda balançando longe demais (30/10)

Se a candidatura Geraldo Alckmin fosse uma empresa de capital aberto, poderíamos concluir que suas ações estavam artificialmente infladas ao final do primeiro turno e voltaram para um preço realista no segundo turno. Afinal, essa proporção de 3 para 2 entre os votos dados a Luiz Inácio Lula da Silva e ao tucano é antiga e relativamente constante. Leia Muito barulho por (quase) nada. No fim do primeiro turno abriu-se uma janela de oportunidade para Alckmin, que a desperdiçou. Ele cometeu algum erro muito grave no momento mesmo em que o eleitor flutuante começava a pensar mais seriamente em apoiá-lo. Cada um tem a sua opinião sobre qual tenha sido esse erro. O que eu acho? Penso que Alckmin foi como uma corda que balançou longe demais do eleitor que não rejeitava a possibilidade de abandonar Lula. Quando o eleitor flutuante pensou em agarrar a corda, não conseguiu. A volta do eleitor flutuante ao ninho petista/lulista começou ainda antes do primeiro turno. Lembrem-se de que a primeira pesquisa do segundo turno já mostrou Lula numa posição razoavelmente confortável. A corda de Alckmin estava balançando muito à direita. O debate na TV Bandeirantes foi emblemático dessa opção do tucano. Alguns classificam aquele como o melhor momento de Alckmin. Pois eu acredito que tenha sido o seu maior equívoco. Os que já eram entusiastas da candidatura dele adoraram. E daí? É muito amadorismo você passar quatro semanas chamando Lula de ladrão e acreditar que o eleitor de Lula vai achar isso bonito. Lula, que não é bobo, aproveitou a chance e jogou a corda de Alckmin para mais longe ainda, ao introduzir na pauta as privatizações e o corte de investimentos sociais.

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10 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Discordo de sua análise simplista sobre o debate da Band. A verdade é que Alckmin venceu o debate, mas foi inábil em utilizá-lo politicamente, algo que o PT foi muito mais competente. Contra a visível vitória de Alckmin, o PT inventou a tal arrogância e a pimentinha do Chuchu, que literalmente pautou a mídia nos dias seguintes, como se isso fosse mais relevante do que o conteúdo do debate. O PT transformou a vitória de Alckmin numa derrota.
O impacto da união co Garotinho foi muito mais importante para a perda de votos do que o debate. Foi ali que Alckmin passou para a classe média a idéia de que todo mundo era igual. E o restante da errática campanha de segundo turno, que não desconstruiu o GOVERNO Lula e não defendeu o óbvio (que FHC deu de mão beijada tudo que funcionou no governo atual), foi isso que vimos.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 11:59:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 13:19:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Garotinho deve ter prejudica a ascenção de Alckmin no RJ, mas não acredito que tenha escandalizado quem já o viu ao lado de ACM e de Roriz, por isso o "dano" Garotinho é fator superestimado.

No dia do debate da Band (9/10), enquanto todos os oposicionistas comemoravam e os Lulistas estavam atordoadamente surpreedidos, afirmei que Lula vencera o debate com um comentário (semelhante à sua análise) aqui no bolg:
"4) Lula conseguiu aplicar golpes menos duros individualmente, mas bem mais certeiros: expôs as contradições de Alckmin no campo da ética e gestão (CPIs paulistas, Barjas Negri, FEBEM, PCC, privatização), que agora ficaram arrolados aos escândalos já conhecidos que atingem Lula. Lula firmou-se como candidato das políticas sociais e anti-privatizações, empurrando Alckmin para a defensiva, tirando-o do centro e encantoando-o à direita. Carimbou a imagem do governo FHC em Alckmin. Rememorou o apagão e a situação econômica de 2002."

De resto os fatos se encarregaram de confirmar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 14:23:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

josé augusto: uma coisa é o Alckmin aparecer com ACM e Roriz, que estão "lá longe" do Sul-Sudeste, portanto, como acredita a classe média do eixo Rio-SP, "normal, porque no Norte-Nordeste só tem ladrão". Outra coisa é aparecer com o Garotinho, que está no Rio e bem mais perto. Olha a questão regional aí de novo...

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 14:52:00 BRT  
Anonymous Fernando Trindade disse...

Alon e colgas comentadores, creio que no fundamental foi isso mesmo. Alckmin deslocou-se para a direita, mas a maioria do eleitorado flutuante - desconfiada - não o acompanhou. E Lula, com inteligência, 'ajudou' o adversário nesse deslocamento e subseqüente isolamento. O grande erro da oposição foi achar que a grande mídia pode tudo. Pode muito, mas não tudo, como restou comprovado. Mas não vejo como poderia ter sido muito diferente: o conteúdo de classes, por assim dizer, de qualquer candidatura tem um limite para a manipulação. O marketing não pode tudo, para o bem e para o mal.

A propósito recomendo a todos o excelete artigo de avaliação das eleições do Marcos Coimbra, publicado no blog do Noblat ontem à noite. Atenciosamente, Fernando Trindade

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 16:06:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O nosso blogueiro já desistiu da pauta aristotélica de sábado e já fala em esperteza e na "isca" lançada por Lula.
É assim a nossa esquerda platônica. A sua corda balança, balança, mas não cai.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 18:01:00 BRT  
Anonymous valtinho disse...

Alon, não vi ninguém destacando um elemento que considero muito importante nessa eleição: apesar de tudo o PT ainda é um partido. Isso faz uma enorme diferença. Por mais que exista briga interna ou mesmo fragilidade de indivíduos, na hora H sempre há um grupo com uma unidade e inteligência suficientes para gerar diferenciação. É só comparar como se "agrupam" as estrelas no PSDB e o que acontece no PT.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 18:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Valtinho tem razão.
Mesmo diante dos maiores descalabros, o PT não entrega o ouro. Ninguém abre o bico.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006 20:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Duas coisas:

1. A idéia de que a internet foi o diferencial nesta eleição é errada. Olhem o mapa desta eleição. Os Estados onde Alckimin ganhou são os mais ricos e com maior penetração da internet, onde a população "depende" menos da mídia imprensa e da mídia eletrônica. Cá prá nós, vocês imaginam seriamente o sertanejo de Caicó, com seu cartãozinho do bolsa família no "borso", lendo a internet e se inteirando das versões alternativas sobre os fatos? Wishful thinking serve para um monte de coisa, menos prá análise política.

2. O que elegeu Lula é o modelão imbatível no Brasil, ao qual a esquerda se entregou com a mesma volúpia das virgens cinquentonas de antanho quando se cansavam de refrear suas pulsões - mesmo sabendo que "sexo era pecado".
Troque poder por sexo na frase e veja que foi exatamente o que fez o Lula para satisfazer sua imensa pulsão. O modelo de dar filé para os ricos e migalha para os pobres, à la Roriz, funciona maravilhosamente do ponto de vista eleitoral no Brasil. Quanto maior o bolsão de pobreza disponível, mais bem sucedido.
Para felicidade do Lula, ao contrário de Roriz, ele não tinha uma oposição à esquerda para condená-lo e demonizá-lo, mas uma tropa de choque "de esquerda" fazendo justamente sua defesa ideológica. Ou seja, ele hoje é um Roriz anabolizado, com salvo conduto ideológico.
Basta ver o que o PT dizia do getulismo há dez anos atrás e o que Lula diz hoje.
Não tem um intelectual petista prá fazer essa avaliação.
Viraram todos umas viúvas porcinas cheias de amor prá dar. Não têm mais tempo prá pensar.

terça-feira, 31 de outubro de 2006 06:16:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Discordo do Anonymous

"Os Estados onde Alckimin ganhou são os mais ricos e com maior penetração da internet, onde a população "depende" menos da mídia imprensa e da mídia eletrônica."
Lula ganhou no DF (maior domícilios com Internet no Brasil), no RJ, MG. Nos estados em que perdeu foi bem votado. A Internet por si só não teria vencido a eleição (claro que há outros fatores), mas certamente teve seu peso.
A esquerda nunca condenou políticas sociais consistentes, sejam feitas por Roriz, por Garotinho, por FHC ou por Alckmin.
Compreendo e respeito o inconformismo do anônimo ao ver o dinheiro dos impostos serem usados para outros que aparentemente não tragam benefícios a si. Para mim esta qustão é ideológica (tamanho e função do Estado). Se para ele é apenas clientelismo, temos que respeitar a diversidade de opinião. Foi bom o governo Lula ter mais 4 anos para podermos ver os desdobramentos da política de distribuição de renda e sabermos quem está com a razão.
Bolsa escola e renda mínima estão no programa de governo do PT há muito tempo. O bolsa família é a reengenharia dos 2 programas.
Se o governo Lula tivesse sido populista, teria abandonado a ortodoxia econômia no final do mandato, produzindo crescimento de curto prazo, o chamado vôo de galinha.

quarta-feira, 1 de novembro de 2006 13:12:00 BRT  

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