segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Alckmin tentou ser Heloísa Helena (09/10)

O que achei do debate de ontem entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin? Que cada um falou para o seu público, no que ambos fizeram muito bem. E o que ambos fizeram bem. Lula enfatizou as comparações com as gestões tucanas e os resultados do seu governo, quando pôde. Alckmin procutou afogar Lula num mar de ataques e acusações. O eleitor roxo de Alckmin deve ter saído do debate com muito ódio de Lula. O eleitor fechado de Lula deve ter saído do debate com muita raiva de Alckmin. E os indecisos? Há indecisos e indecisos. O problema de Alckmin é que os votos em disputa foram dados no primeiro turno a candidatos identificados com a esquerda. Como alguém de esquerda e que não odeia Lula recebeu o comportamento do ex-governador ontem? Tenho minhas dúvidas. Alckmin lançou mão de uma tática arrojada: abandonou o centro. É não convencional. No fim, ficou parecendo para mim que o tucano tinha incorporado a senadora Heloísa Helena. São as ironias da política. Lula evitou Heloísa ao não comparecer a debates no primeiro turno. Foi encontrá-la "incorporada" a Alckmin no segundo turno. Nesse aspecto, talvez parcela dos eleitores da senadora tenham reforçado sua identidade com o tucano. Mas o debate foi bom. Muito bom. O melhor desde que Lula e Fernando Collor se enfrentaram no segundo turno de 1989. Foi até um pouco parecido, ainda que Lula não tenha ido mal como foi daquela vez. E você, o que você achou?

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34 Comentários:

Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Achei muito bom. Alckmin agiu como candidato que esta perdendo nas pesquisa, livre atirador. Alckmin continua com a mesma conversa, vou fazer, esta gastando mal, disperdicios e etc. Nada de concreto. caso não houvesse o dossiê pouco teria perguntado.
Sou eleitor de Lula e debate confirmou mais ainda o meu voto.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 11:08:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Alckmin teve um momento muito ruim no segundo bloco, quando foi salvo pelo gongo. Aquela ajeitada de gravata que ele deu demonstrou o quanto ele estava nervoso.

Lula teve um grande azar na escolha dos jornalistas que lhe fizeram perguntas. Pegou um Franklin Martins que está tentando provar que o fascistóide Diogo McCarthy Mainardi está errado e o João Paulo de Andrade, enquanto Alckmin pegou o Joelmir Beting e um Fernando Vieira de Mello que lhe levantou uma bela bola.

Alckmin tem uma tática bem interessante de escapar de perguntas indigestas, que é devolver com uma outra pergunta. Pena que a "assessoria" dele o robotiza demais.

Lula é o político brasileiro que melhor usa a ironia e que melhor joga para a platéia. O momento em que ele perguntou por FHC já é um clássico instantâneo da batalha política brasileira.

Sem dúvida, o melhor debate desde os Lula-Collor de 1989, porque teve confronto entre candidatos E regras que não engessam. Pena que a Globo, provavelmente, vai engessar o debate dela.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 11:22:00 BRT  
Anonymous Paulo Adolfo disse...

Lula deixou transparecer que andava meio 'enferrujado' de comparecer a debates, pelo menos no 1o. bloco. Mas, aos poucos, como o jogador que fica sem jogar algum tempo e aos poucos retoma o 'ritmo de jogo', Lula foi equilibrando a parada e o final acabou empatado mesmo. Boa sacada do Lula aquela de comparar o modo de pensar do Alckmin com o do Bush em cima da 'barbárie da guerra do Iraque' (só faltou fazer trocadilho com ALCA e ALCkmin...).
Findo o debate, a repórter da Band entrevistou Alckmin sobre o que achava de Lula fazer comparações com FHC, e o ex-governador respondeu atabalhoadamente: "FHC é um erro...". Claro, quis dizer que comparar ele com FHC não caberia, mas tropeçou na precipitação. Tinha acabado nele a hora da decoreba e da resposta pronta!

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:00:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Pode-se deduzir que houve uma continuidade do final da campanha do primeiro turno. Com novidades: Lula teve de encarar Alckmin como candidato, o que não fez durante o primeiro turno; a agressividade de Alckmin. No cômputo geral, vantagem para Alckmin, que colocou uma ofensiva a qual parecia ter perdido ao longo da última semana. Um visível baque no ânimo do adversário, tal como o foi a votação de mais de 51% contrária a ele em 01/10/2006.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:01:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Alckmin foi muito agressivo e isto vai pesar contra ele. Realmente ele incorporou o tiranosaulo e a Heloísa Helena, que caiu muito no primeiro turno na medida que se percebia seu viés hidrófobo de ser. O Alckmin parecia um cão raivoso e ninguém deseja receber a visita de um na sala de estar.

O nervosismo dele se explica depois de uma primeira semana metralhando a cabeça (foto com Garotinho, visita à Bahia vermelha para abraçar o derrotado ACM, apoio escondido do Ivo Cassol, etc). Auto-pulverizou seu pseudo-discurso ético e moralizador.

Também continuou escondendo que vai privatizar o que puder, se presidente (vade retro). Voltou a botar a culpa em São Pedro pelo apagão (na verdade o que faltou na época foi planejamento e linhas de transmissão que o incompetente FHC não construiu). Ou seja, bancou o mauricinho mimado da Opus Dei que usufrui do bônus de ser oposição sem carregar o ônus de herdeiro decadente do tucanato efeagacista.

Em suma, o Lula desmascarou o Alckmin e mostrou que debaixo do seu esfarrapado tapete neo-pseudo-moralista tem muita sujeira neo-liberal temperada com demagoria. Demonstrou também que o Alckmin não tem condições emocionais de assumir a vereança de Pindamonhagaba, quanto mais a presidência do nosso país.

O Lula passou a régua no Alckmin. Isto está claro nas manchetes insossas dos "independentes" jornais de hoje.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:11:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Eu achei que a Marta estava muiiiiiiiiiito constrangida no momento da sua entrevista. Aliás, a entrevista dela, sobretudo no seus gestos, piscadas e gaguejadas, revelou que ela não estava muiiiiiiiiit satisfeita com o resultado do debate.

O debate foi ótimo. Discordo da aproximação do comportamento do Alckmin ao de HH. São estilos muito diferentes.

Alckmin partiu pra cima porque sabe que Lula acusou o golpe no primeiro turno. Era o que tinha que fazer.

Vamos aguardar os resultados das pesquisas e os próximos debates.

O horário do debate foi perfeito. Espero que os outros sejam no mesmo horário. A Band chegou no pico em 20. Se fosse na na Globo...

abs

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:18:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

A Marta tinha um sorriso contido e uma alegria forçada. Assim me pareceu.

Me pareceu que Lula estava bastante irritado.

Sugiro, Alon, consulta a psicológos treinados nessa arte de decifrar expressões faciais.

Qualquer comentário "frio" nesse momento estará carregado de subjetividade. Então, por que não consultar especialistas em decifrar estados d'alma revelados por expressões? É um ingrediente a mais, claro que também subjetivo.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:30:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Alon não sabia que o JW era da campanha do Alckmin. hehehe
Foi mais um a acusar o golpe:

De Jaques Wagner, eleito governador da Bahia e na coordenação da campanha de Lula, sobre o debate de ontem na TV Bandeirantes:

- Em 2002 fui candidato ao governo (da Bahia) e me disseram: ‘Se o senhor não for na garganta (do adversário), você não ganha a eleição’. O presidente Lula não sabe e não gosta de fazer isso. Se eles (Alckmin e PSDB) escolherem esse caminho, teremos uma vantagem muito maior no segundo turno. Quem vai perder são eles (...) Acho inclusive que ele (Alckmin) perdeu votos na classe média. É muito difícil alguém achar que é sério o ataque que ele fez na questão do avião (aerolula) e em outras questões. É uma pessoa que tem uma visão pequena sobre as questões de estado. É uma pegadinha de debate. Isso não é sério.

(blog do Noblat)

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:35:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Ótima a sua análise. Manter a calma e a honestidade intelectual, nessa hora, é para poucos. O debate, em si, foi esclarecedor. A cara do Brasil, com típicos diálogos entre o capataz e o menino do pastoreio. Um abraço.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:37:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Sinceramente, acho que o debate mostrou, mais uma vez, que o governo Lula é bem intencionado, sensível, porém o nível do seu assessoramento é muito baixo. Nota-se, claramente, que se treina e tenta se ganhar entrosamento durante o jogo. É lógico que essa fragilização implica numa penalidade para o Brasil no que tange à sua gestão e à implementação de políticas e estratégias de governo. Acredito, porém, que dos males o menor. Um abraço.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:47:00 BRT  
Anonymous Sergio Maidana disse...

Achei várias coisas, por isso escrevi lá no "blog menos lido do MS" (http://sergiomaidana.blig.ig.com.br). Agora quanto aos aspecto "debate", tem razão de que este foi um dos melhores dos últimos anos. Acredito que o formato do debate deu chance de renovar o debate político no Brasil. Baixaria, discussão, bate-boca, ironia, deboche, faz parte do mundo político, e dá vida a política. Deixar os candidatos solto apra fazer pergunta, engrandeceu o debate e a Band está de parabéns.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:53:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, você há de concordar que a maior parte de seus leitores são "lulistas". Eu não, não voto no Lula mas acho que independente de minha aversão a ele, foi gritante o mal desempenho do candidato-presidente.
Lula estava nervoso, com muitos tiques faciais ( chegou até a derramar um pouco de água! ) e não soube sair da defensiva. Sem contar o abusivo maltrato com a nossa Língua Portuguesa.
É realmente difícil encontrar quem se orgulhe em votar num candidat ocom tantas acusações de corrupção, que afirma o tempo todo que nada soube e que, apesar de todas as oportunidades que a vida lhe deu, insiste em permanecer sem estudar e aprimorar seus conhecimentos.
O defeido maior de Geraldo é o sem-número de substantivos que usa em suas frases. Confunde o pessoal mais humilde uqe naturalmente já está com Lula.
O certo é uqe Lula e os petistas não contavam ocm um desempenho tão incisivo quanto o adotado por Geraldo. Já GEraldo estava muito preparado para cada passo de Lula no debate. Por isso Geraldo se saiu tão melhor do que Lula.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 12:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alguem podia fazer uma investigação no programa de governo do chuchu pra governador, aposto que lá não tá dizendo que ele iria privatizar SP assim como FHC falou que não ia vender a vale .

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 14:33:00 BRT  
Anonymous Rodrigo disse...

E não é que o chuchu teve a cara de pau de falar que o caso do sanguessugas foi obra do governo Lula?

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 14:47:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A metáfora com o boxe é inevitável: parecia um lépido Muhamad Ali contra um lerdo George Foreman.
A metáfora com o futebol também: Lula parecia o Ronaldo Dentuço na Copa. Fora de forma.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 14:51:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sei que o debate não foi de HH nem do CB contra o REI, que eles tanto contribuirão para que chegasse ao poder, sei que tanto HH e CB, e uma geração lutou para que a ESPERANÇA chegasse ao poder, mas todos que participarão desta luta se sentem traídos e tem constado o grande erro que cometeram.
Este debate foi do XUXU que vestiu a camisa da indignação de uma geração contra o REI que matou a ESPERANÇA, que se escondeu no primeiro turno para não enfrentar HH e CB.
O REI neste debate tremeu, vacilou, gaguejou e tentou atacar, mas contatou que quem estava ali na frente não era o XUXU, mais aquela geração que o fez a ESPERANÇA e por isso o REI não consegue encarar olhos nos olhos.
Triste do REI tem esta lista intermináveis de perguntas sem resposta, pois triste do poder que não tem poder, REI morto politicamente é REI que será deposto.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 15:03:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Debate deste nível, dificilmente se ganha por nocaute. Creio , no entanto, que foi o melhor possivel para Alckmim e vice versa para Lula.
Como isto se converte em votos, ainda é cedo para avaliar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 15:05:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O Lula está decepcionado com o Alckmin. Seria que estava pensando em votar nele?

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 16:56:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Alon, acho que meu comentário não foi enviado, então envio de novo.

Alckmin surpreendeu, sem dúvida. Deve ter levantado o moral de seu eleitorado fiel (tucanos e anti-Lula), num gesto de ousadia, indo para o tudo ou nada. A estratégia foi certa, mesmo correndo o risco de fazer-se de homem-bomba do PSDB, porque ficando onde estava, tudo indica que perderia a eleição. Se perde sem fazer um movimento de resistência, perde parte de seu eleitorado também, diminuindo seu horizonte político para 2006, 2008 e 2010. Se essa ousadia pode levar à vitória agora em 2006, só as urnas dirão. Vamos ao embate:
1) Alckmin teria vencido pela postura corporal por larga margem se não cometesse um erro fatal: denunciou o que todo mundo estava vendo. Que Lula estava lendo as perguntas. Foi a deixa para Lula dar uma resposta desconcertante, de que lia porque não tinha tempo de decorar (firmou-se como o Presidente que trabalha X Candidato desafiante), e todos (salvo os anti-Lula) deixaram de ver uma pior postura de Lula como defeito e sim como uma crítica de Alckmin. O desafiante perdeu a chance de ficar calado, anulou toda a sua vantagem e fez dela uma desvantagem: apresentou-se com uma imagem de arrogante, coisa impensável em Alckmin até ontem. Seu marqueteiro parece ter percebido, pois no final Alckmin parou de chamar Lula de mentiroso e passou chamá-lo de arrogante, aparentemente, para neutralizar um pouco.
2) Lula não deixou nenhuma pergunta sem resposta (o que também pegou Alckmin de surpresa, pela seu também nervosismo). Isso foi suficiente para manter seu eleitorado simpatizante, que aceitam quase qualquer coisa que Lula fale, desde que fale. Nem precisaria se defender bem (mas o fez). No boxe, seria como se Lula tivesse esquivado dos golpes ou mantido a guarda e os socos acertassem na luva. Alckmin queria nocauteá-lo nos 2 primeiros assaltos, mas acabou dando vazão para Lula dar a sua versão dos escândalos e plantar "chifres em cabeça de burro" no caso do dossiê.
3) Alckmin, ao não conseguir encaixar seus golpes, defendidos por Lula, tentava repeti-los seguidamente. O tom de agressividade e denuncia que deveria ter permeado apenas metade do tempo, tomou o tempo inteiro. Não conseguiu apresentar-se como alternativa ainda. Mas talvez tenha sido calculado: haverá outros debates, e o objetivo deste seria desconstruir o adversário. Por outro lado, impôs a si próprio uma postura que não poderá mais abandonar durante o resto da campanha impunemente, sob suspeição de fadiga e/ou falsa imagem.
4) Lula conseguiu aplicar golpes menos duros individualmente, mas bem mais certeiros: expôs as contradições de Alckmin no campo da ética e gestão (CPIs paulistas, Barjas Negri, FEBEM, PCC, privatização), que agora ficaram arrolados aos escândalos já conhecidos que atingem Lula. Lula firmou-se como candidato das políticas sociais e anti-privatizações, empurrando Alckmin para a defensiva, tirando-o do centro e encantoando-o à direita. Carimbou a imagem do governo FHC em Alckmin. Rememorou o apagão e a situação econômica de 2002.
5) Lula saiu-se melhor na questão nacional, elevando a auto-estima de eleitores, por mais prosaico que pessoas mais intelectualizadas possam achar de conselhos de Lula a Bush.
6) Quanto a privatizar até o Aerolula, não sei como o eleitorado reagirá. Tanto pode ter sido um jogada de mestre de Alckmin, daquelas que só Jânio Quadros sabia fazer, como pode virar motivo de piada, se percebido como demagogia, e voltar-se contra o próprio candidato, uma vez que Alckmin é bem diferente de JQ. O tema já foi muito explorado até em programas humorísticos, e o próprio Lula absorveu as críticas, ao chamar, ele próprio, o avião de Aerolula.
Meu voto é Lula, por isso é impossível ser isento. Só dá para tentar ser técnico: acho que Lula ciscou mais votos no terreiro de Alckmin e nas rareadas zonas neutras, do que o inverso.
Acho que Alckmin fez muito barulho com intensa artilharia e acertou menos alvos do que Lula, fazendo menos barulho.
César Maia costuma dizer que debate ninguém ganha, só perde (portanto ganha quem perde menos), e que debate eleitoral é técnica (e não debate propriamente político).
Já vi um debate de Darcy Ribeiro x Moreira Franco, em que acreditei ter visto Darcy ser vencedor por larga margem. Foi essa a percepção de quem gosta e acompanha o noticiário político, mas a percepção nas ruas e nas urnas foi bem diferente.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 17:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 17:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não fico no muro. O Alckmim arrazou o Lula no primeiro bloco - o Lula esteve nas cordas (não estava grogue). No segundo bloco o Alckmim "acusou o golpe" quando gritou e gesticulou trêmulo. Mas não chegou ir às cordas. No terceiro bloco o Alckmim perdeu rítimo e apanhou feio - a sustentação do Lula de sua política externa e a opção pelo diágolo com a Bolívia foi bem fechada com a comparação e igualdade dos estilos Alckmim e Bush. No quarto bloco ambos candidatos retomaram o equilíbrio, e houve ataques recíprocos (Aerolula, NossaCaixa). No quinto bloco o Lula se saiu melhor quando o assunto foi a privatização do Alckmim. Este foi o bloco onde o Geraldo estava mais nervoso. Meu veredicto: se o povão assistiu, gostou do Alckmim; para minha decisão, o Alckmim demonstrou não ter programa (como crescer, como reduzir imposto, cortar despesas e ampliar a bolsa família). O pouco que Lula prometeu fazer (investimento em bio-energia, reformas dos portos, etc) foi goleada diante da falta de proposta do Geraldo. Se os indecisos forem da classe B e C, e não tiverem votado nem no Lula nem no Alckmim, Lula pode ter abiscoitado alguns votos.
Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 17:20:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Luca Sarmento: o problema para Alckmin é que ele precisa vencer por nocaute, porque é aquela história, se o desafiante não nocauteia o detentor do título, os jurados vão manter o título na mão do campeão.

E ficou muito claro que não houve um vencedor indiscutível, aliás o vencedor depende da coloração partidária de quem está comentando o debate. Foi diferente do segundo Lula-Collor de 1989, em que, indepentente do Jornal Mentira Nacional do dia seguinte, Collor indiscutivelmente nocauteou Lula. Chego, inclusive, ao ponto de observar que a própria interpretação do debate é altamente díspar mesmo entre gente da mesma coloração partidária.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 17:35:00 BRT  
Anonymous Tanuz Azar disse...

O debate foi bom, ruins foram os jornalistas, fora Boechat e Franklin, os restantes não disseram a que vieram.
Geraldo, qual desafiante que se considera mais fraco, tentou partir para a luta mais rápida, de pouco contato, à distância. Lula plantou-se no meio do ringue e acertou algumas boas bordoadas que colocaram Geraldo em seu devido lugar. O resto foi clinche e a luta acabou num empate que mantém o cinturão com Lula.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 17:36:00 BRT  
Anonymous arkx disse...

reafirmo: Alckmin perdeu o debate!

apesar de seus eleitores convictos estarem eufóricos, o que está em disputa são os votos de HH e Cristovão. não se esqueçam que os dois alcançaram 22% no RJ.

migração de HH para Alckmin será prejudicada após o debate. Alckmin saiu de seu estilo, se empolgou demais e deixou a nu a cara do conservadorismo.

Alckmin, iclusive, corre o risco de perder votos na parcela do eleitorado que nele votou como um anti-Lula apenas para garantir o segundo turno.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 18:33:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Dúvidas:

Alckmin perdeu o debate para ele mesmo? É isso que devo concluir?
Quer dizer que se Alckmin continuasse na linha de campanha traçada para o primeiro turno ele teria chance maior de ganhar de Lula? É isso que devo concluir?
Se é, por que os petistas ficaram tão bravos? Não deveriam estar exultantes com a "pífia" participação do "boneco de plástico"?

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 19:38:00 BRT  
Anonymous Arlette Chusid disse...

Pois eu fiquei espantada com o autoritarismo do Alckmin. Não sabia que ele era assim. Eu sou, eu mando, eu faço. Tudo eu, eu, eu. Lembrou mesmo o Collor de 1989. Confundiu energia com arrogância. Confundiu indignação com desrespeito. Duvido que ele se comporte assim na frente de um banqueiro. Conheço bem esse tipo de gente. Tiram o sapato em aeroportos dos EUA, mas aqui tratam quem não é da condição social deles como gentinha.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 19:45:00 BRT  
Anonymous Leonardo Bernardes disse...

Paulo Araujo: Há limites éticos para atuação. O que você deve concluir é que o que se afirma, o que se diz, deve ser pautado por uma ordem legal e uma ordem lógica. Alckmin foi onde é mais fácil: na ORDEM PSICOLÓGICA. A força sempre pareceu, aos tolos, coincidir com a violência, por isto ele quis se mostrar forte, quando no máximo foi leviano, como de praxe -- e claro, não respondeu às denúncias de corrupção: "Eu não tenho ministro afastado, processado" MAS É CLARO, como é possível processar alguém quando há um governo empenhado em obstruir a criação de CPIs, é possível? (o que é até 'aceitável', mas com que método, com que artifícios?) É possível que haja processado sem processo?

Quanto a tentativa de personificar HH, nada mais conveniente para ele. Claro, só cairá neste conto quem for ingênuo (para usar um eufemismo) suficiente para negligenciar o abismo que separa os programas e a ideologia entre os dois candidatos -- HH e Alckmin. Tanto que ela, coerentemente, ficou "neutra" em relação ao segundo turno. Só mesmo trivializando as propostas, programas e projetos como critérios para eleição de um presidente se pode passar de HH para Alckmin, algo que, no Brasil, não me surpreenderia.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 20:01:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Alon, agora tenho condições de responder sua pergunta.
Alckmin venceu o debate, mas não levou. O que mais importa não é o debate em sí, mas a repercussão pela mídia. E quando falo mídia,estou me referindo a mídia eletrônica.
DE certa forma Lula teve sorte. Alckmin mostrou suas armas antes do tempo. Agora Lula já sabe como terá que lidar com orival nos próximos debates.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 20:31:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Para José Augusto: Gostei do comentário. Apenas ressalvo que o antológico debate entre M.Franco x D.Ribeiro foi vencido pelo primeiro que utilizou uma abordagem que revelou-se adequadíssima e que ficou famosa ou seja: Ao iniciar suas intervenções após as palavras do Darcy, Moreira estabelecia um contraponto utilizando-se da expressão: “Mas, professor...”. Essa expressão, num tom de voz peculiar, não deixava de reconhecer a intelectualidade do venerando antropólogo porém, ao mesmo tempo, parecia reduzir sua relevância como gestor confinando-o numa visão de Academia. Acredita-se que essa atitude, inteligentemente gentil e respeitosa, somada à promessa de acabar com a violência em 6 meses, deu a vitória à Moreira bem como privou o RJ de saber como teria sido a continuidade de um governo do PDT, haja vista que a reeleição não era permitida e o Brizola não poderia concorrer novamente. Um abraço.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 20:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Isso é o clássico choro de perdedor:

"Quem viu o debate ontem percebeu que o cidadão (Alckmin) é um samba de uma nota só (...) Confesso a vocês que ontem foi o dia mais triste de político que vivi (...) Ontem pensei que não estava na frente de um candidato, pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia" (Lula).

Se tivesse tranqüilo, não falaria isso nunca.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 20:54:00 BRT  
Anonymous paulo araujo disse...

Reli os comentários.
Até agora, a vitória de Lula está garantida.

Alon
Num post meu, que escrevi na hora do meu almoço, esqueci uma vírgula e você virou sujeito da oração:
"Alon não sabia que o JW era da campanha do Alckmin"

Frase correta:
"Alon, não sabia que o JW era da campanha do Alckmin"

segunda-feira, 9 de outubro de 2006 23:32:00 BRT  
Anonymous Paulo Lotufo disse...

Alon, vi o debate, li os comentários acima, quase todos de lulistas, torcedores, não frios analistas. Torcedores como fomos na Copa da Alemanha vendo o desastre acontecer e, achar que seríamos salvo por um lance genial.
Como Lula gosta do estilo, mantenho as metáforas futebolísticas:
(1) o PT parece a seleção brasileira ganhando antecipadamente a Copa e, Lula -triste ironia- está fora de forma como o Ronaldo Gorducho. Incrível, a má performance dele. Faltou treino.
(2) Alckmin parece a seleção italiana. Futebol feio, retranqueiro, mas que na hora decisiva (Brasil em 82; Alemanha em 06) vai para o ataque e faz o gol decisivo.
(3) Essa eleição será vencida nos penâltis.
Abraços e boa sorte ao Santos

terça-feira, 10 de outubro de 2006 09:28:00 BRT  
Anonymous paulo araújo disse...

Leonardo Bernardes 10/09/2006 08:01:00 PM

Você escreveu:

"por isto ele quis se mostrar forte, quando no máximo foi leviano, como de praxe -- e claro, não respondeu às denúncias de corrupção"

Veja, ambos temos juízo de valor. O seu, que coincide com o de Lula, é que Alckmin foi leviano ao "não responder às denúncias de corrupção".

Apenas me responda isto: qual a origem do dinheiro que se destinou para a compra do dossiê?

Vê? Desde aquela entrevista do Lula em Paris (lembra?) o "samba" é uma corruptela "do samba uma nota só": somos todos iguais.

Deveríamos ser? Eu penso que não. E você?

terça-feira, 10 de outubro de 2006 23:21:00 BRT  
Blogger Carolina Vigna-Marú disse...

Fico besta como os fatos se perdem...

1. As CPIs começaram muito antes de Roberto Jefferson, como acusa Alckim.

2. A hidrelétrica "que não saiu" não vai sair, foi recusada pelo impacto ambiental que teria. Hidrelétricas são formas burras de conseguir energia. Devíamos partir para soluções como eólica ou mesmo o biodiesel (já implementado, pelo governo Lula). Criticar a questão energética desse governo, ainda mais no ano em que atingimos a auto-suficiência do petróleo, é dar um tiro no pé.

3. a política externa do governo Lula é excelente e nos abriu vários portos antes fechados. A questão da Bolívia é complexa e não pode ser solucionada com pressa, isso demanda tempo e muita conversa.

4. O governo Lula fez mais pelo software livre e pela inclusão digital do que qualquer outro.

5. A PEC-29 e outras questões da saúde são o grande calcanhar de Aquiles do Lula. Se querem derrubá-lo, o caminho é esse. É inútil debater energia, por exemplo.

6. Educação é outro ponto fraquíssimo do Lula. A base da bolsa-família era a bolsa-escola, essencial e um dos excelentes projetos do FHC. O Lula, ao derrubá-la, praticamente destruiu anos de esforços bons e na direção certa de educação e, pior, não colocou nada de concreto no lugar.

7. Priatizar o aerolula é patético. Se eu estivesse lá, perguntava ao candidato como ele pretendia chegar nas reuniões da ONU... Vasp?

8. O Lula fala errado. Assim como 95% da população brasileira. A educação, realmente, é para poucos. Isso se reverte a longo prazo, entretanto. E faz nenhuma diferença nas questões práticas.

9. A questão do dossiê precisa ser investigada. Eu não tenho dúvidas de que o Lula sabe mais do que diz. Entretanto, ele tem razão quando diz que isso é função da polícia. A verdade é que a nossa polícia nunca esteve, em toda a história brasileira, tão livre. E isto pode ser bom e pode ser ruim. Não é possível, a essa altura, fazer um julgamento sobre esta questão, a população precisa de mais dados.

10. É uma pena o papel ridiculamente parcial que a imprensa está assumindo. Todos tem direito à sua opinião e eu acho que editoriais devem ser opinativos e parciais sim. Agora, matérias fora deste contexto tem a obrigação de serem imparciais. Digo isso tanto pra um lado como para outro. A classe jornalística atualmente me envergonha.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006 10:11:00 BRT  

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