terça-feira, 17 de outubro de 2006

3 para 2 (17/10)

Datafolha hoje: Lula 57%, Alckmin 38%. Nos votos válidos: Lula 60%, Alckmin 40%. Você vai desculpar meu cabotinismo [Houaiss: Cabotino - (...) indivíduo presunçoso, vaidoso, que (...) alardeia as qualidades que pretensa ou realmente possui], mas vou aqui recordar um trecho de Mitologia e autopiedade, de quatro dias atrás:

O eleitorado parece que vai se reacomodando entre os candidatos numa proporção próxima de 3 para 2. Ou um pouco menos. Porque Lula tem resiliência. Como aquelas bolinhas de borracha que você deforma e elas sempre voltam ao formato original. E qual é a origem da resiliência de Lula? É que a candidatura dele está apoiada num bloco político-social majoritário na sociedade brasileira.

3 para 2 é o número. 60% a 40%. Clique aqui para ler Mitologia e autopiedade. E Muito barulho por (quase) nada, de setembro. O que está acontecendo neste segundo turno? Luiz Inácio Lula da Silva está reagrupando o bloco histórico que lhe dá sustentação. Bloco alicerçado em dois pilares: o social e o regional. Geraldo Alckmin está no momento ilhado nos cerca de 40% de votos válidos que recebeu no primeiro turno. Por que? Porque os eleitores progressistas ou de esquerda que optaram por Heloísa Helena e Cristovam Buarque no primeiro turno não têm, na sua maioria, identidade com o candidato do PSDB e do PFL. E no eleitorado da senadora e do senador o voto dito ideológico pesa muito. Pois em nenhum dos dois casos o eleitor tinha qualquer esperança de eleger o candidato. Esquerda, direita, progressista, bloco histórico, divisões sociais, divisões regionais. As categorias da ciência social ajudam a compreender a realidade, mesmo nesta era da marquetagem.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).
Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

7 Comentários:

Anonymous Marcos disse...

Agora entra a segunda fase da campanha. Pode fechar o nariz Alon.
Vai ser lama fedida para tudo quanto é lado.

terça-feira, 17 de outubro de 2006 21:53:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Ou seja, independentemente do governo Lula ter sido neoliberal, ter feito todas as lambanças possíveis com a escumalha dos coronéis nordestinos, o voto fica com ele.
Aliás, a falha na sua análise está em que Lula hoje se concentra no grotão, e perdeu o Sul/Sudeste para sempre.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 00:58:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Puxa Alon, depois dizem que você não é um jornalista isento, na medida do possível. Você praticamente está fazendo consultoria aos tucanos (felizmente tarde demais, espero). Como eleitor de Lula, vinha resistindo a comentar aqui parte do que você disse: outro dia comentava com amigos Lulistas que Alckmin precisava dizer que iria privatizar algo (nem que fosse IRB ou o Infraero), para adquirir credibilidade ao dizer que não iria privatizar a Petrobrás, CEF, BB e Correios.
Mas ainda acredito que Alckmin, se eleito fosse, seria bem capaz de cindir a Petrobrás em 2 ou 4 empresas, e deixar de privatizar apenas aquela que ficasse com a marca original para semanticamente dizer que não descumpriu promessas.
Também poderia vender agências do BB e da CEF a bancos particulares, reduzindo sua participação no mercado sem necessariamente privatizá-los.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 02:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Na minha opinião, tudo está ocorrendo naturalmente como esperado. Quem achou que o eleitor de Heloísa Helena iria votar em Alckmin desconhece completamente a mente do esquerdista.
Lula está gerando um Mateus interessante. Está menos "paz e amor". Vamos ver como vai embalar a criança nos próximos 4 anos...
O dado novo é que o PT está criando novas fanstasmagorias na agenda: agora puseram na pauta e estão açulando um suposto ódio do Brasil a São Paulo. Quero ver esse negócio parar em pé.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 05:48:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ricardo, leia a pesquisa: Lula cresceu muito no Sul, está com 47% contra 53% do seu candidato, e superou em muito seu candidato no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte. E também supera seu candidato na faixa de 5 a 10 salários mínimos. Estas são as novidades dessa pesquisa.Quer dizer: tirou votos de seu candidato, e tem uns 20 milhões de votos de diferença, pelo menos nas intenções.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 07:57:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Calma José Augusto. O pessoal do Lula também lê o Blog do Alon. Ele tem batido muito na questão regional e nos "nordestes" espalhados pelo país. Veja o que a Folha traz hoje:

SUDESTE: PT FARÁ ATO COM NORDESTINOS EM SÃO PAULO
Na tentativa de reduzir a vantagem eleitoral de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, os coordenadores da campanha do presidente Lula (PT) decidiram apostar no eleitorado nordestino que vive no Estado. Está planejado um grande ato público na capital paulista, em São Miguel Paulista. A idéia é que Lula compareça ao evento, acompanhado de governadores do PT eleitos no Nordeste.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 10:19:00 BRT  
Anonymous Artur disse...

Alon,

parabéns pelo teu blog. Só questiono o seguinte (no sentido de um debate): tenho dúvidas a respeito do seu uso da noção de "bloco histórico"; caso seja no sentido gramsciano, acredito que o esteja utilizando de forma precipitada. Penso que não há um bloco histórico à esquerda, bem como não há uma hegemonia da esquerda - o fato do PT (e de Lula) estar no governo e, provavelmente, ganhar a próxima eleição não caracteriza (ainda) uma hegemonia, assim como a composição político-social de seus eleitores e de suas alianças políticas não caracterizam (ainda)um bloco histórico. Valeu!

quarta-feira, 18 de outubro de 2006 18:48:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home