sábado, 9 de setembro de 2006

Uma tese que não pára de pé (09/09)

Para quem não sabe, o mídia é aquele profissional das agências de propaganda que programa a veiculação de publicidade. Diz quanto o cliente deve comprar de exposição em cada veículo para atingir os objetivos da campanha. O mídia tem os seus métodos (universalmente padronizados) de medição. Trabalha com conceitos como cobertura (quantas e que pessoas foram atingidas) e freqüência (com que periodicidade). Bem, há uma tese na praça, a de que a suposta timidez verbal da oposição no horário eleitoral seria um dos fatores a explicar a liderança folgada de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas. O trabalho é virtualmente impossível de ser feito, creio eu, mas seria curioso medir o quanto de mídia negativa o presidente da República recebeu ao longo de mais de um ano e meio de crise política. Duvido que em algum momento da história brasileira se encontre algo parecido. Aritmeticamente, o horário eleitoral gratuito é uma gota no oceano. A prova disso é que o aumento da agressividade da oposição na tevê está passando batido. Faz meses que a imagem de Lula vem sendo associada aos principais personagens da crise, sem que isso se reflita na intenções de voto do petista. Mas é a tal história. Quando se buscam culpados por um eventual fracasso, é mais conveniente caçar explicações no que deixou de ser feito. É uma construção em que a responsabilidade sempre pode ser dividida. Discutir quem deveria ter feito o que deixou de ser feito é um debate interminável. Pela razão oposta, é sempre mais doloroso concluir que o erro está no que se decidiu fazer lá atrás. A tese de que Lula é favorito porque não foi atacado mais duramente no horário eleitoral só existe no universo do "eu acho". Ela não pára de pé à luz da aritmética.

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4 Comentários:

Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Realmente, é impressionante os ataques que Lula tem recebido por meio da imprensa por mais de um ano. Nunca em minha vida vi uma pessoa ser atacada do modo e forma com que tem sido Lula. Parte da imprensa não deseja a sua reeleição e cria manchetes negativas contra o candidato.
A sua tese esta correta, que já recebeu tudo que era possivel de paulada, não será o horário eleitoral que vai modificar as intenções de votos. Isto sem contar com a baixa audiência do horário eleitoral.
Chegou a acreditat, que Lula está fazendo um excelente governo.As aprovações nas pesquisas refletem esta realidade.

sábado, 9 de setembro de 2006 09:20:00 BRT  
Anonymous ezequiel vieira disse...

pelo menos na imprensa capixaba, isso não ficou muito claro. Os ataques foram mais dirigidos ao PT e ao governo do que a pessoa de Lula.

terminei um projeto de pesquisa em q foi analisado as noticias de capa no periodo de maio a junho de 2005. Segue o resumo

"A questão fundamental proposta visa a compreender de que forma a imagem do Governo Federal foi construída pela mídia capixaba – tomada aqui pela A Gazeta e A Tribuna – a partir das crises do “Mensalão” e dos “Correios”, utilizando como recurso teórico-metodológico a Semiótica Discursiva. Selecionando as notícias publicadas no período de 19 de maio de 2005 a 30 de junho do mesmo ano, nos baseamos na análise de capa, o discurso vitrina de um jornal, pois acreditamos que os elementos textuais e as estratégias discursivas desse discurso estariam bem mais evidentes em um momento em que o desdobramento das denúncias de corrupção no governo Lula foi sendo noticiado. Mesmo com um discurso midiático ambíguo, podemos afirmar que a pessoa do presidente Lula foi preservada e que ele emerge com um saldo positivo. O mesmo não ocorre com a imagem do Governo - não dissociado pelos jornais do Partido dos Trabalhadores – para o qual a desqualificação por incompetência e corrupção se manteve constante. Ficou bem demarcada a diferença entre Lula e Governo. É este último quem surge como o sujeito que tenta, mas não consegue, impedir as investigações das denúncias que vão surgindo. Identifica-se um discurso moralista quanto ao deve fazer da atividade política, no qual o jornal se posiciona como um guardião de contratos legitimado pela sanção pragmática do leitor operada pela aquisição contínua de um mesmo jornal."

sábado, 9 de setembro de 2006 09:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É mais do que compreensível o Presidente receber críticas diante da extensão da crise em que seu governo se meteu. Assim como o é quando o governo colhe boas notícias diante de bons resultados do governo. Tanto a imprensa incomodou o governo com a cobertura da crise quanto fez também cobertura de toda pedra fundamental que Lula lançava, fazendo clara campanha antecipada. Assim como (para desespero do PSDB) em 2002 não saíram da pauta os saques (eleitoreros) do MST e a crise energética (e não deveriam sair!), também não o devem as crises que agora vivemos. Não só Lula e o PT sofreram com ataques da imprensa, FHC e o PSDB também sofreram em sua época. É preciso sabermos que os políticos lidam com bens públicos e devem ser cobrados quanto a isso. A imprensa deve vigiar e cobrar transparência. Aliás, não só cobrar, deve fazer transparecer. Ou vamos trocar a impensa por assessorias de comunicação?

Rodrigo

sábado, 9 de setembro de 2006 11:39:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Outro dia, falamos sobre coerência. Esse me parece o cerne da questão. A oposição no discurso e na prática tem se mantido coerente aos princípios e teses neoliberais e conservadoras. Obviamente, esse discurso não encontra eco (por fracassadas)entre aqueles que dependem de vender (e valorizar) a sua mão de obra (no caso, a grande maioria da população). Muito simples. E, sinceramente, pelo que tenho observado, pelo menos esse mérito o candidato Alkmin tem. Um abraço.

sábado, 9 de setembro de 2006 12:16:00 BRT  

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