segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Um paralelo com 1998 (11/09)

Já se disse que esta eleição se parece muito com a de 1998. Assim como hoje, havia um candidato um pouco abaixo dos 50% do total de votos (FHC), um no patamar de 25% (Lula) e dois (Ciro e Enéas) que, somados, ficavam em torno dos 10%. No final, FHC, que tinha nas pesquisas em torno de 56% dos votos válidos, fechou com pouco mais de 53%. Assim, há precedentes para a suposição de que hoje Lula possa estar um pouco abaixo do que lhe atribuem as pesquisas de intenção de voto. Mas o petista ainda teria, mesmo num cenário parecido com o de 1998, gordura para queimar. Veremos nos próximos dias se há sinais de mudanças importantes. Hoje e amanhã, o Datafolha está em campo. O resultado deve ser divulgado amanhã no Jornal Nacional. Saberemos se Geraldo Alkmin conseguiu alguma movimentação no eleitorado ortodoxo de Luiz Inácio Lula da Silva. Sem isso, nem pensar em segundo turno.

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8 Comentários:

Blogger Paulo C disse...

Fevereiro, Alckimin dedica toda sua força e energia cabalando apoios para ser o candidato numa eleição ganha. Lula tinha 35% das intenções de voto e toda a imprensa bem-informada sabia que o Presidente havia atingido seu teto, os eleitores históricos do PT.

Abril, Maio, Alckmin dedica toda sua força e energia viajando pelo país para se tornar conhecido, visando chegar ao horário eleitoral com cerca de 30% dos votos - menos que isto, notavam seus aliados, não iria garantir o apoio do que quer que se entenda por "bases" entre os conservadores. Lula tinha entre 39 e 43% nas pesquisas e a imprensa bem-informada agora sabia mesmo que o Presidente havia finalmente atingido seu teto.

Julho, início de agosto, Alckmin se dedica a abafar as crises em sua aliança e a gravar programas eleitorais - as viagens diminuem e o objetivo de intenções de voto não será atingido. Surgem indícios claros de esfacelamento e os apoios regionais começam a desaparecer. Alckmin fica sem palanque em estados importantes. Lula entra no horário eleitoral com algo entre 45% e 48% da intenções de voto e a imprensa bem-informada, cansada de saber, clamava pelos corredores das redações do país que "Daqui não passa, só sobre o meu cadáver".

Setembro, Alckimin sangra a céu aberto na TV, Lembo volta ao ninho e diz que fica até o fim. Tucanos fazem contas de chegar cada vez mais surreais para garantir um segundo turno, César Maia invoca diariamente o fator PSTU. Na falta de palanques estaduais o candidato persegue ônibus de emissoras de TV e recebe cartas de adeus de ex-presidentes. Gabriel García Márquez liga dizendo que os direitos desta história são dele. Lula cruza o Rubicão: passa a marca de 50% do votos totais em algumas pesquisas, tem mais de 40% de intenção espontânea e seu governo quebra recordes históricos de aprovação. A imprensa bem-informada senta, chora e põe a culpa naqueles malditos pobres, que não lêem o que ela escreve. As pesquisas, entretanto, eximem os pobres da culpa pelas desventuras da imprensa bem-informada.

Mas vamos lá. Falta só tirar uns 6 a 10% dos votos de Lula, torcer por uma abstenção recorde onde Alckimin perde e uma abstenção mínima onde Alckmin ganha e atrair 100% dos indecisos. Para cima e para o alto.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 14:12:00 BRT  
Anonymous Paulo Kautscher disse...

Ninguem se lembra de um outro 11 de Setembro. O assassinato da "VIA CHILENA AO SOCIALISMO".Porque?

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 14:47:00 BRT  
Anonymous Paulo Kautscher disse...

09:03
Rádio Magallanes

Neste momento passam os aviões. È possível que nos alvejem. Mas saibam que aqui estamos, pelo menos com nosso exemplo, pois neste País há homens que sabem cumprir com sua obrigação. Hei de fazê-lo pelo mandato do povo e pelo mandato consciente de um Presidente que tem a dignidade do cargo entregue por seu povo em eleições livres e democráticas.

Em nome dos mais sagrados interesses do povo, em nome da Pátria, clamo a vocês para dizer-lhes que tenham fé. A história não se detém nem com a repressão nem com o crime. Esta é uma etapa que será superada. Este é um momento duro e difícil: é possível que nos esmaguem. Porém, o amanhã será do povo, será dos trabalhadores. A humanidade avança para a conquista de uma vida melhor.
Pagarei com minha vida a defesa dos princípios que são caros a esta Pátria. Caíra uma injúria sobre aqueles que romperam seus compromissos, faltando com sua palavra... rompendo a doutrina das Forças Armadas.

O povo deve ficar alerta e vigilante. Não deve deixar-se provocar, nem deve deixar-se massacrar, mas deve igualmente defender suas conquistas. Deve defender o direito de construir com seu esforço uma vida digna e melhor

9:10
Certamente, esta será a ultima oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas sim, decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem as traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autoproclamou comandante da Armada, mais o senhor Mendoza, general rasteiro que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou Diretor Geral dos carabineiros. Diante disso só me resta dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar!

Colocado num transe histórico, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenham a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares de chilenos, não poderá ser ceifada em definitivo. Eles têm a força, poderão subjugar-nos. Porém, os processos sociais não se detém nem com crimes nem com a força. A história é nossa e é feita pelos povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra no respeito à constituição e à lei, e assim o fez. Neste momento definitivo, o último em que posso digir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes fora ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítima do mesmo setor social que hoje estará esperando, com mão alheia, reconquistar o poder para continuar defendendo suas mordomias e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher modesta de nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube de nossa preocupação pelas crianças. Dirijo-me aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição estimulada pelas associações de profissionais, associações classistas que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e doaram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, pois em nosso País o fascismo já teve presente várias vezes: nos atentados terroristas, explodindo pontes, cortando linhas ferroviárias, destruindo oleodutos e gasodutos, perante o silêncio daqueles que tinham a obrigação de tomar providências.

Eles estavam comprometidos. A história irá julgá-los

Certamente, está Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz já não chegará até vocês. Isso não é importante. Vocês continuarão a ouvi-la. Ela estará sempre junto de vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal para com a Pátria.

O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não pode deixar-se arrasar nem se deixar balear, mas tampouco pode humilha-se. Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens hão de superar este momento cinza e amargo em que a tradição pretende impor-se. Prossigam vocês, sabendo que, bem antes que o previsto, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores!

Estas são minhas ultimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição."

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 14:49:00 BRT  
Anonymous Lucimar disse...

Está na Coluna “Painel de Hoje”, da Folha de São Paulo, comentário do deputado federal Fernando Gabeira sobre a inusitada (pra ficar barato) coligação do PT de Minas, de Nilmário Miranda, com o ex-governador Newton Cardoso. Ontem, em entrevista à mesma Folha, Newton disse que se coligou com o PT, mas com ressalvas, ele disse que se coligou somente com a parte boa e honesta do PT! É mole?

Tiroteio

”Se Newton Cardoso se alia com o lado bom do PT, imagine as alianças do lado mau. O problema será distinguir os detalhes quando eles se reunirem no mesmo banho de sol.”

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Do deputado do PV-RJ FERNANDO GABEIRA , sobre o ex-governador de Minas Gerais dizer que está coligado à parte honesta do PT.
11/9/2006

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 16:11:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Tem gordura e sem-vergonhice sobrando para queimar.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 19:03:00 BRT  
Anonymous Paulo Araújo disse...

Parece cartola de mágico. Quando a gente pensa que acabou, que nada, sai um monte de lebre, pomba, lenço colorido. Cartola dos horrores.
Estou me referindo a essa cabeludíssima história dos 11 milhões. Sei. Vão dizer que é coisa da Zelite.
O que escreverá o jornalismo isento?

segunda-feira, 11 de setembro de 2006 23:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon, na minha opinião Lula vai vencer a eleição no 1o. turno e com uma vantagem maior do que a atribuída hoje nas pesquisas. Esperemos pra ver.
A propósito, só acredito nas pesquisas do Vox Populi, pois a Carta Capital está incluída. O Datafolha é extremamente suspeito principalmente agora que a oposição está completamente desesperada. Vão manipular com certeza, mas o Vox Populi vai desmenti-los depois. Anote: próximo Datafolha, Alckmin "sobe" e desta vez acima da margem de erro. Essa oposição...

terça-feira, 12 de setembro de 2006 00:10:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Parabéns Paulo Kautscher pela lembrança do golpe militar contra a democracia chilena.

Rosan de Sousa Amaral

terça-feira, 12 de setembro de 2006 11:26:00 BRT  

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