terça-feira, 5 de setembro de 2006

Um pacote cosmético para reduzir o spread (05/09)

O governo deve anunciar hoje algumas medidas para reduzir o spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam ao poupador e cobram do tomador de crédito). Se você estiver interessado, acompanhe pela Internet ou leia nos jornais. Saiba, porém, que as medidas são cosméticas e se destinam unicamente a produzir algum barulho pré-eleitoral. Talvez esse "unicamente" seja um exagero, mas o fato é que o spread, se cair, vai cair bem pouquinho. O problema da espoliação da economia brasileira pelos bancos só será resolvido no dia em que houver uma desconcentração da atividade bancária no país. O CADE tem instrumentos para isso e o governo está careca de saber o que precisa ser feito. Mas vale aqui a velha máxima, que virou chavão e caiu em desuso: falta vontade política de atacar o oligopólio dos bancos. Falta um pouco também de vergonha na cara, dos políticos e da imprensa. Se 1% do espaço editorial dedicado aos escândalos no Congresso fosse redirecionado para o grande escândalo que é a drenagem realizada pelos bancos na economia brasileira já estaria de bom tamanho. Mas isso não vai acontecer. Até que apareça alguém com alguma coragem. Quem sabe em 2010?

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10 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Alon, por isso mesmo que a eleição brasileira foi decidida com a escolha de Alckmin e, não de ad Serra.
O vencedor foi o mercado financeiro. A nós, escolher entre um verborrágico inconsequente e um anódino.
Se eleito, Alckmin poderá inovar e nomear um petista para o Banco Central para dar continuidade ao programa FHC-Lula.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 10:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

E por que não em 2007, já que não haverá mais a perder?

terça-feira, 5 de setembro de 2006 10:42:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

O que não entendo é porque o governo não usa o fantástico arsenal que tem na mão (BB e CEF) pra forçar a concorrência no mercado bancário. (Bom, o atual governo andou ensaiando algo assim, mas parece que só ficou no ensaio). Talvez porque, como banqueiro, também lucre com o spread nas alturas?

terça-feira, 5 de setembro de 2006 11:06:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

O problema é a contradição interna que isto gera - falar contra o spread é bonitinho em discurso de campanha ou editorial ou até em colunas de opinião. Fazer algo a respeito imediatamente gera novos editoriais (nos mesmos jornais) e artigos de opinião (dos mesmos colunistas) acusando os autores de tal sacrilégio de estarem "na contramão da História", de "dirigismos estatal", de serem "anti-mercado", etc.

Em termos simples, a ideologia dominante diz que, sendo o Mercado (com sua mão invisível) uma força da Natureza, você pode falar contra ele, xingá-lo, revoltar-se (como Ahab imprecando contra a baleia branca). Mas fazer algo contra ele é tão anti-natural (e anti-"científico") quanto querer fazer chover com uma dança ao redor da fogueira. Se mesmo assim você tenta, você deve ser e será imediatamente classificado como primitivo e supersticioso por todos os agentes "racionais" da sociedade.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 11:53:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Cesar,

é um pouco disso, mas pricipalmente porque são ambas instituições bancárias estatais, sem a mesma agilidade (especialmente no caso da Caixa) e qualidade de serviços que a banca privada oferece. É fato que o BB melhorou muito na gestão FHC (basta lembrar o que era antigamente nas mãos de Sarneys e Collores), mas ainda assim, não chegam perto de um Itaú ou Bradesco quando fala-se em classe média.
Há também um acordão tácito via Febraban, claro. Afinal, nada explica porque banco no Brasil não funciona em horário comercial. Nada explica porque banco no Brasil não pode divulgar cadastro positivo, não pode premiar seus bons clientes, não permite a migração de bancos com mais facilidade, pode oferecer um atendimento de merda (parafraseando Paulo Betti) sem qualquer tipo de punição etc...

terça-feira, 5 de setembro de 2006 11:57:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Ah, fora que o BB e a Caixa ajudam no superávit primário do governo e servem como forma de transferência de renda dos mais pobres para o caixa do Tesouro.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 11:58:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Simples Cesar, BB e CF não tem poder suficiente para combater oligopólios. Só uma abertura bancária para as grandes corporações mundiais é que poderia resolver. E olha que não acho isso tão complicado. O que os bancos irão argumentar? Concorrência não é o que prega o capitalismo? Já imaginou Banco defendendo reserva de mercado?

terça-feira, 5 de setembro de 2006 12:17:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Desconcentração não significaria abrir as portas para os bancos estrangeiros?

Não sou contra, mas muita gente da esquerda tem urticária a esse tipo de coisa.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 12:45:00 BRT  
Anonymous André Pessoa disse...

Bem, os bancos são um dos assuntos prediletos do blog. Mas eu gostaria, Alon, que um dia você demonstrasse claramente, por A+B, que existe mesmo um oligopólio no setor bancário no Brasil, porque, sinceramente, eu não consigo vê-lo. Nos Estados Unidos, que eu saiba, o setor bancário é muito mais pulverizado porque os bancos não podem atuar em mais de um estado (corrija-me se eu estiver errado). No entanto, o panorama europeu é semelhante ao nosso, ou até mais concentrado. Além do mais, concentração não é necessariamente antônimo de competição; existem setores onde apenas 2 empresas atuam, e a competição é feroz.

Caso você aceite o meu pedido, gostaria também que você explicitasse que "instrumentos" tem o CADE para desconcentrar o setor, e que alternativas teríamos. Internacionalizar mais ainda? Dividir os atuais? Privatizar?

terça-feira, 5 de setembro de 2006 13:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O problema do spread do Brasil só será resolvido no dia que o Estado brasileiro deixar de ser o tomador voraz que é. Banco é mero atravessador de recursos. Para que um banco no Brasil vai emprestar para o Zé da esquina, se o Estado brasileiro é mais confiável e mais constante tomador de recursos? Embora exista uma tendência de oligopolização da indústria bancária a nível mundial, não é isso que explica o spread brasileiro. O spread brasileiro é o que é porque a oferta de recursos para o mercado privado é pequena em relação á demanda. O governo açambarca a maior parte do crédito.

No Canadá existem 5 bancos principais, todos altamente lucrativos (e condenados como aí). O spread, contudo, é extremamente menor do que aí, e ainda assim considerado alto aqui (até 19% no cartão de crédito atualmente; os tipos de crédito, menos).

A propósito, os bancos não são os mais lucrativos negócios no Brasil. Esse papo de ficar condenando banco é conversa vazia , assim como achar que governo tem meios para controlar indústria financeira. Não vai.

Pedro

terça-feira, 5 de setembro de 2006 14:28:00 BRT  

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