sábado, 16 de setembro de 2006

Por que não trato de certos assuntos (16/09)

Há certos assuntos de que não trato. A vantagem de você só escrever no seu próprio blog é essa: você escolhe sobre o que vai discorrer. Como ninguém gasta nada (na verdade, gasta pouquíssimo) visitando um blog, tampouco causo prejuízo a quem chega aqui na esperança de encontrar textos sobre determinados temas -e acaba se decepcionando. Não escrever sobre alguns assuntos é a minha maneira solitária e gandhiana de abordá-los. Não vai aqui juízo de valor sobre quem age diferente, até porque, como diria Ortega y Gasset (foto), eu sou eu e minhas circunstâncias. Felizmente, minhas circunstâncias me permitem esse luxo. Há mais de uma década, o Brasil vem adotando um modus operandi político-jornalístico cuja característica principal é destruir reputações à vista e lamentar-se disso a prazo. Provas? Para que provas no "julgamento político" e midiático? "Está em on?" é a única pergunta que o editor faz hoje em dia. O sujeito é linchado publicamente, mas tem direito àquele boxezinho colorido do "outro lado", que mais lhe serve de mortalha do que para qualquer outra coisa. Confesso que não deixo de me divertir quando os algozes e linchadores de um dia pedem para si no dia seguinte o Estado de Direito. Ora, pois eles também são eles e as suas circunstâncias. Mas me divirto só intimamente, guardo os meus sentimentos para mim. Até porque um erro não justifica o outro. E vou em frente, com a minha cabrinha, a minha túnica e o meu cajado. O único risco é tomar um tiro, como o meu inspirador. Mas não me leve muito a sério, por favor. Não confunda as coisas. Você gosta de Marilyn Monroe? Já viu Nunca fui santa? E, se você chegou até aqui, permita-me um conselho (que se fosse bom as pessoas não davam, vendiam): denúncia é algo que normalmente deve ser comprado com um bom deságio. Em véspera de eleição, então, denúncia é que nem a xepa da feira. Se você quiser levar para casa, problema seu.

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12 Comentários:

Anonymous jose carlos lima disse...

Vivemos sob estado de medo e apreensão. A sós. Qual a saída? Criar uma realidade própria, aleatória, paralela, imaginária? Como praticar o gostar/ser gostado? Este deve ser o parâmetro para uma vida segura, agradável e sem atropelos. Nem sempre tive isto como parâmetro. Descobri isto recentemente, quando encontrava-me de férias em Nova York, o ambiente menor. Na metrópole nós nos ocupamos com tantos apetrechos! Tantas coisas! Tantos penduricalhos no interior de nossos apartamentos! Compramos tantas coisas inúteis, de panelas que jamais usaremos a porta-lápis que ficarão vazios. Nós nos perdemos nesta infinidade de coisas inventadas. Não sobra tempo prá nada. No ambiente menor temos o mínimo de coisas prá nos envolver.
PS: Nova York, homônima da cidade estadudinense, fica no vale do Rio Parnaíba, no Maranhão.

sábado, 16 de setembro de 2006 18:53:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Onde é que eu assino?

Parabéns, seu blog continua sendo o melhor blog de política do Brasil.

sábado, 16 de setembro de 2006 18:56:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Você lembra daquela música velha que dizia assim "É a volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar"? Pois é. Jogam for a Declaração dos Direitos do Homem e a Constituição, depois reclamam.

Mas olha só, lendo certas coisas retrospectivamente fica mais tudo mais claro:

Lula (ontem): "Não sou de condenar ninguém antes do julgamento", afirmou o presidente. "Acho que todo o ser humano é inocente até prova em contrário"

FHC: "Nós não somos iguais a eles"

sábado, 16 de setembro de 2006 19:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Paulo C, um pouco de humor faz muito bem mesmo numa hora dessas.

sábado, 16 de setembro de 2006 19:23:00 BRT  
Blogger Val-André Mutran disse...

O que interessa afinal é que podemos nos dar ao luxo de escrever, criticar...Se prá você tá bom, prá mim idem...afinal moramos na Suécquia!

domingo, 17 de setembro de 2006 02:10:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

domingo, 17 de setembro de 2006 10:12:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Bom... Estado de Direito? Isso acabou no Brasil. Formalmente existe, é verdade, mas na prática foi pro saco faz tempo. Ou só eu que fico estarrecido quando o TRE-RJ critica o presidente do TSE por aplicar um dos princípios básicos do Estado de Direito, que é que todo mundo é inocente até prova em contrário?

Aliás, o que os TREs estão fazendo, de negar candidaturas de acusados que, pombas, ainda são suspeitos, além de uma ridícula usurpação do direito do povo de escolher, é uma submissão perigosa à moral do circo midiático.

Então, para que Judiciário? Deixe a mídia julgar. As pessoas vão ver sangue de ladrões de galinhas. Pena para Pimenta Neves que isso não é verdade, senão ele seria solto - na moral midiática, os jornalistas não têm defeitos.

domingo, 17 de setembro de 2006 11:38:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Gosto tanto do blog que me dou ao trabalho (veja só) de reler não só antigos posts, mas, tb, os respectivos comentários. E quem acompanha o blog como eu desde, praticamente, seu início sabe, inclusive, da sua capacidade, digamos assim, premonitória. Ao ponto, por exemplo, de sacar que a Itália na Copa estava trilhando o caminho da vitória. Mas, como política é o que gostamos de conversar vale lembrar que nada do que está acontecendo é novidade para quem lê o blog. Basta, por exemplo, apenas dar uma busca nas palavras "radicalização" e "México". Um abraço.

domingo, 17 de setembro de 2006 12:01:00 BRT  
Anonymous Paulo Araújo disse...

Boa nota, Alon.

Nesse circo dos horrores da política profissional (nada contra, o profissionalismo é parte constitutiva da demcracia), insisto:

É um chapeu de mágico, quando pensamos que acabou, que nada, saem de lá "mãos na merda" e outras tantas escatologias.

"Rir é o melhor remédio".

Abs

PS: O Estadão de hoje tem excelentes textos sobre o assunto tratado no post do Bento 16. Muito legal o artigo do Martin Amis

domingo, 17 de setembro de 2006 12:03:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

"Sociologia barata:mutações incompreendidas" -título de um post de Tereza Cruvinel no seu blog/portal de o Globo falando acerca da irrelevância da mídia nestas eleições.Diz ela que "uma interrogação ficou no ar quando as pesquisas mostraram o favoritismo de Lula entre os mais pobres e os menos instruídos, contrariando todas
as previsões e todas as análises, tudo o que foi dito e mostrado por todas as mídias e formadores de opinião.A ela soma-se agora outro inusitado:
contrariando a tradição, "os de baixo" começam a
influenciar eleitoralmente "os de cima".Pode ser
novidade na política mas no comportamento e na cultura, há algum
tempo "a periferia" dita moda e faz escolhas por
conta própria."(...)Pelo movimento clássi-
co, as tendências dos setores mais ricos e escolariza-
dos se espalham pelo restante da sociedade.Ao que
parece, nesta eleição ocorre o contrário" disse Mauro
Paulino, diretor do Datafolha, referindo-se à última pes-
quisa do instituto que dirige.(...)

domingo, 17 de setembro de 2006 13:38:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O engraçado é que quando a denúncia é contra o PT, a mpídia fica só na denúncia. Quando é contra o PSDB, vira compra de dossiê.

domingo, 17 de setembro de 2006 13:44:00 BRT  
Anonymous joao x disse...

ué li o post inteiro e esperava ver uma pequena lista de quais são esses asssuntos.
fez falta.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006 16:06:00 BRT  

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