quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Papéis invertidos e o efeito Orloff no espelho (07/09)

Os programas noturnos de tevê de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin no Dia da Pátria foram uma síntese das razões que explicam a atual posição de cada um na corrida presidencial. Lula falou sobre a independência nacional propriamente dita. Relacionou-a às conquistas do país e a nossas relações internacionais (que segundo ele vão bem). Ou seja, tratou do assunto. Já Alckmin procurou "traduzir" o tema para aproximá-lo de questões "mais relacionadas" ao dia-a-dia do eleitor. Lula colocou-se com um homem "do povo" e apresentou realizações de seu governo e suas próprias como conquistas "de todo o povo". Já Alckmin, paradoxalmente, recorreu a uma modalidade de pensamento sustentado na velha lenga-lenga pseudoesquerdista de que o Brasil não será um país independente enquanto não forem resolvidos os problemas fundamentais do povo, enquanto for um país injusto, etc. Claro que é bobagem. O Brasil é um país politicamente independente desde 7 de setembro de 1822. É um país independente com graves problemas sociais. Na tevê, Lula jogou a auto-estima do brasileiro lá para cima e tratou cada um como cidadão. Alckmin veio depois e pareceu um pouco fora de tema, um pouco lateral -meio petista, aquele velho petismo doutrinário e economicista que se recusava a comemorar o 13 de maio, o 7 de setembro e o 15 de novembro. Aliás, quem resgatou integralmente essa tradição nas aparições de hoje foi Heloísa Helena, no Jornal Nacional. HH é o efeito Orloff visto no espelho: eu sou você ontem. Voltando a Lula e Alckmin, um se apresenta como "o povo no poder", enquanto o outro diz que será bom "para o povo". Quem vocês acham que o dito cujo (o povo) vai preferir?

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3 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

Noooooossa... Geraldo se apresentando como uma versão light da Helô? Entrou em parafuso de vez a campanha tucano-pefelê, é isso?

sexta-feira, 8 de setembro de 2006 00:07:00 BRT  
Anonymous Jose Augusto disse...

Apostei com amigos, que até o fim da campanha, ainda verenos Alckmin atacando as elites. Só não chego a apostar num discurso contra as elites brancas, contundente como o desbunde do Lembo (até porque Alckmin não parece ter a mesma bagagem intelectual), mas algo como trabalho x capital, algo como as elites que estão dando palanque aos ataques de FHC, e coisas do gênero. Meu desafio para ganhar a aposta é que a crítica seja perceptível o suficiente.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006 01:38:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Eu achei o programa de Lula no 7 de Setembro tão superior, mas tão superior ao de Alckmin, que fiquei até com pena do chuchu. Ele nunca vai ganhar voto desse jeito.

Lula não fugiu do tema, e mostrou a importância do país ter uma posição altiva no cenário internacional -- Alckmin, aliás, já deu a entender em entrevistas que voltaria à velha subserviência aos Estados Unidos, na forma de "acordos bilaterais".

Já Alckmin apenas se aproveitou do tema para a velha lenga-lenga autocontragulatória. O programa dele parece de político do interior, abraçando gente, eleitores chorando, etc. Vai ver, está certo aquele outro leitor do blog, que disse que ele está acumulando forças para a campanha Pindamonhangaba 2008.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006 11:17:00 BRT  

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