sexta-feira, 1 de setembro de 2006

O problema não está na reprodutibilidade. Só sobreviverá quem puder fazer algo que não seja copiável (01/09)

Meto o bedelho nesse debate sobre o futuro dos jornais e revistas, diante do avanço avassalador da digitalização e da conectividade. A Associação Nacional de Jornais realizou uma mesa-redonda ontem sobre o assunto. Clique aqui para ler a notícia. Há certa perplexidade, somada à preocupação que decorre de uma assimetria: o mercado publicitário online não cresce numa velocidade que estimule a migração agressiva dos jornais (e revistas) para a Internet. Aliás, o mercado publicitário da Internet no Brasil cresce bem mais lentamente do que nos Estados Unidos e na Europa. Então, os jornais e revistas estão fazendo o seguinte: fecham os seus conteúdos na Internet para acesso apenas aos assinantes do jornal (ou revista). É um movimento só defensivo. O que vai acontecer? As empresas de comunicação vivem uma situação delicada. Seus produtos nobres estão em processo acelerado de commoditização. O que você acha em um lugar, acha também no outro. Não há uma diferença assim tão importante entre os veículos. De novo: eles podem se acertar entre si e bloquear o acesso online a quem não é assinante. Mas aí haverá outro problema: a abundância de conteúdo grátis na rede. É uma sinuca. Meu palpite do que vai acontecer se baseia no que vejo, por exemplo, na imprensa americana. O Wall Street Journal é um sucesso comercial na rede. A versão digital do The New York Times é excelente, um grande salto em relação ao que você encontra no impresso. O pai lê o impresso, o filho lê o digital. Esse é o problema da imprensa brasileira: oferecer produtos que sejam (quase) únicos, insubstituíveis, indispensáveis. Os jornais e revistas no Brasil estão perto ou longe desse objetivo? Eu acho que estão longe.

Clique aqui para assinar este blog (Blog do Alon).
Para mandar um email ao editor do blog, clique aqui.
Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

2 Comentários:

Blogger Sergio Leo disse...

Temos também a pequena disseminação do hábito de leitura por aqui, o que afeta impressos e eletrônicos. Mas é por aí mesmo, Alon, os jornais ficam cada vez mais parecidos, não têm ousadia por medo de perder leitores e por economia, fica difícil manter, quanto mais criar a clientela leitora...
Mas suspeito que mesmo o NYT e o WSJ não estão tirando muita grana das edições eletrônicas não. E olha que eles têm uma política agressiva de marketing, e-mails a leitores, diversificação de serviços.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006 18:29:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

O problema é que a internet brasileira é, em termos comerciais, ainda uma promessa. Falta massa de consumidores, falta criatividade online, falta empreendedores digitais...

sexta-feira, 1 de setembro de 2006 18:42:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home