sábado, 9 de setembro de 2006

O duplo erro na reforma política (09/09)

Eu sou um otimista, vocês sabem. Agora mesmo, vejo um importante avanço institucional nestas eleições: o assunto do financiamento das campanhas (quanto elas arrecadam e quanto e como gastam) vai caindo pouco a pouco na rotina das pautas que não despertam grande interesse. Um dia, chegaremos à situação dos Estados Unidos, onde arrecadar mais conta a favor, e não contra o candidato. Isso se não aprovarem entre nós o famigerado financiamento (exclusivamente) público das campanhas. É o irmão da lista fechada (preordenada, pela qual os partidos, e não o eleitor, decidem quem serão os deputados) e o exemplo mais acabado de como tudo pode piorar no Brasil, a pretexto de melhorar. Há dois critérios possíveis para distribuir dinheiro público aos partidos: ou dividem-se os recursos igualmente entre todos, ou cada um recebe de acordo com a votação que obteve nas últimas eleições. O primeiro critério é evidentemente absurdo. O segundo parece politicamente correto, mas é completamente antidemocrático. A eleição serve exatamente para submeter a composição das instituições ao julgamento soberano do eleitor. Ele é quem decide quanta força terá cada legenda. Por que um partido que foi bem votado há quatro anos deveria receber nestas eleições mais dinheiro para fazer sua campanha do que outro, que atualmente pode estar em alta na preferência do eleitorado? O Brasil é assim: quando aparecem os problemas, a reação instintiva é sempre pedir menos democracia. O financiamento privado, transparente e legal, é um instrumento da democracia. A lista preordenada e o financiamento público, ao contrário, seriam no Brasil mecanismos destinados a diminuir o controle da sociedade sobre a atividade político-eleitoral.

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3 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

O financiamento público vai ser aprovado porque a "opinião pública" colocou na cabeça que isso vai acabar com o caixa 2. Ilusão, como se sabe.

Quanto à lista fechada, é aquele trade-off: fortalece-se o candidato e enfraquece-se o partido (lista aberta) ou fortalece-se o partido e enfraquece-se o candidato (lista fechada). Isso significa que, ao mantermos a lista aberta, não podemos reclamar da fraqueza dos partidos, já que assim o decidimos.

sábado, 9 de setembro de 2006 16:44:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Legal você comentar o texto do Veríssimo, agora. Pena que o meu post abaixo não mereceu consideração. Acredito que um blog não se faz apenas com a qualidade do seu âncora, mas também por aqueles que prestigiam e fazem comentários. Vamos em frente ajudando a formar opinião e melhorar o Brasil. Com crédito ou sem crédito.
"Prezado Alon: Recomendo fortemente o magnífico e antológico artigo do L.F.Veríssimo no Estadão de hoje."
9/07/2006 04:25:51 PM

sábado, 9 de setembro de 2006 21:13:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Mea culpa. Obrigado pela lembrança.

sábado, 9 de setembro de 2006 21:16:00 BRT  

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