quinta-feira, 14 de setembro de 2006

O custo de entrar na trilha errada (14/09)

Não pára de aumentar a confusão com a Bolívia. Clique aqui para ler sobre os últimos movimentos do governo de Evo Morales que agravaram a crise entre La Paz e a Petrobrás. Da reportagem de Sergio Leo, do Valor Econômico:

O governo boliviano decidiu adquirir o controle das refinarias da Petrobras sem nenhum pagamento, por considerar que a estatal brasileira já teve "ganhos extraordinários" no mercado boliviano. A decisão está em resolução divulgada pelo ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz-Rada. Segundo Soliz, a Petrobras teria lucrado pelo menos US$ 320 milhões acima do que permitiria a lei, valor superior ao que a estatal pagou pelas refinarias e ao preço atual de suas duas instalações na Bolívia, estimado entre US$ 180 milhões e US$ 250 milhões.

Parece interminável a conta de um erro estratégico cometido pelo Brasil: terceirizar para a Petrobrás a condução de nossas relações com o país vizinho. A direção da Petrobrás deve se preocupar, em primeiro lugar, com a lucratividade da empresa. Quem cuida dos interesses do Brasil são o Itamaraty e o Palácio do Planalto. Se acharam que iam dobrar Morales cozinhando-o em fogo brando, enganaram-se. O Brasil tem duas posições possíveis em relação à Bolívia. Ou será um vizinho parceiro ou será um vizinho imperialista. Dividida entre os interesses imediatos da Petrobrás e os interesses estratégicos do Brasil, nossa diplomacia dá a impressão de estar paralisada. A Argentina foi mais rápida e mais esperta. Absorveu algum aumento no preço do gás boliviano e pavimentou suas relações com La Paz. Não deu bola para meia dúzia de gritos e tirou o assunto da pauta. Ponto para Néstor Kirchner.

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5 Comentários:

Blogger Fernando disse...

Alon,

Vale acompanha o blog do Sergio Leo. Nao posta muito, mas tudo bem.

http://sergioleo.blogspot.com

Sobre o "banho maria", cara acredito que a Petro e o Itamaraty estavam contando os dias até 1º de Outubro.

Mas pra variar, o Evo pegou eles de calça arriada, again.

Sacanagem.

Asta,

quinta-feira, 14 de setembro de 2006 15:16:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Alon, as relações da Argentina com a Bolívia são muito mais simples que as do Brasil com o país de Evo. Essa sua comparação não se sustenta. O Brasil montou um base energética dependente da Bol'\ivia e a Petrobrás tem investimentos enormes no país.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006 15:55:00 BRT  
Anonymous André Pessoa disse...

Existe alguma empresa argentina no setor de hidrocarbonetos da Bolívia? A resposta a essa pergunta faz toda a diferença ao se analisar a diferença do abacaxi de Brasil e Argentina.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006 18:46:00 BRT  
Blogger Sergio Leo disse...

Alon, meu caro, perdão por discordar, mas a Argentina negociou rapidamente porque passou a encrenca para o Chile. Estão brigando até agora por causa disso.
A maior fronteira do Brasil é com a Bolívia, onde o narcotráfico ainda não ganhou o poder que tem na Colômbia, ou o Paraguai, por exemplo. Não dá para simplesmente dar as costas aos caras. Mas que o tom com o Evo foi errado, isso foi, como demonstram os acontecimentos.

não dá pra postar muito lá do meio da fogueira, Fernando, releva, vai.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006 20:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Até agora a atuação tem sido bem profissional. E já caiu o Ministro dos Hidrocarbonetos. O que o pessoal quer mais? Um pouco mais de realismo em geopolítica, por favor.

sábado, 16 de setembro de 2006 11:48:00 BRT  

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