quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Henry Shrapnel, Fernando Pessoa e as eleições no Brasil (21/09)

Henry Shrapnel (1761–1842) era um oficial de artilharia no Reino Unido quando inventou a bomba de fragmentação (foto). Tanto que "shrapnel" virou sinônimo desse artefato na linguagem militar, em inglês. Em véspera de eleição, as denúncias políticas funcionam como bombas de fragmentação: o objetivo é causar danos letais, imediatamente, em tudo que estiver a uma certa distância do alvo. Temos assistido nos últimos dias aos lamentos de petistas e tucanos na tevê. Do que se lamentam? Uns choram porque a imprensa adotou a norma de chamar o tal dossiê antitucano de dossiê antitucano (com variações). Não caiu na esparrela de ficar repetindo o tempo todo que há "um dossiê contra o candidato A" ou contra o candidato B. Por quê? Porque colar um nome a um dossiê, sem que se saiba o que há no dossiê, e sem que haja alguma acusação concreta contra A ou contra B (o que impede que A ou B se defendam), é ajudar involuntariamente a aumentar o prejuízo causado por uma pseudodenúncia "de fragmentação". Querem fazer a denúncia? Que a façam e respondam por ela. Não se escondam atrás de dossiês que não são dossiês (o valor monetário da peça foi supostamente caindo na medida que o seu conteúdo ia sendo conhecido). Já outros se lamentam porque a Polícia Federal não expôs o dinheiro, para evitar que pudesse ser exibido à farta no horário eleitoral e nos noticiários da tevê. "Meu Reino por uma foto ou um vídeo para colocar na tevê!" Depois, quando a origem do dinheiro estivesse esclarecida e os responsáveis, identificados, o serviço (político) já estaria feito, as vítimas da bomba de fragmentação já estariam nos cemitérios (políticos) ou nos hospitais (políticos). O caminho do eleitor até a urna parece cheio de minas. Mas, se o político (como o poeta) é um fingidor (e não só na Hungria), o eleitor é um sapador, e cada vez mais experiente. Para tristeza dos fabricantes de minas e bombas de fragmentação.

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7 Comentários:

Anonymous Marcos disse...

Assisti a entrevista do Lula no Bom Dia Brasil. As perguntas foram duras e pertinentes. Não dá para reclamar dos jornalistas. Ninguém está lá para fazer o que os candidatos já tem ao seu dispor com o horário eleitoral gratuito. Desde é claro, essa regra seja para todos.
Lula se saiu muito bem. Talvez até por que, ao contrário da primeira entrevista, já sabia de antemão que viria chumbo grosso.
Lula deveria participar dos debates. Acho que Lula consegue se comunicar muito melhor que seu adversário Alckmin.
Sugiro aos leitores que assistam a entrevista e depois comparem com as opiniões politicas divulgadas na internet.
É bem instrutivo.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 12:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu não diria apenas que Lula se saiu muito bem. lula se saiu otimamente bem. Aliás, Lula está cada vez melhor. Lula só não está melhor do que o PT.
Isso é visível. Dialeticamente falando.
Fui claro?

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 13:12:00 BRT  
Anonymous Simão Dantas disse...

Claríssimo. Mais claro quase impossível. Lula enfrenta, com todas as armas disponíveis, a pressão violenta de uma mídia que não se conforma por ter perdido o papel de Poder Moderador na República. Acabou a época em que os presidentes telefonavam trêmulos para os jornais e TVs pedindo pelo amor de deus apoio político. Mesmo se o Lula não se eleger ele vai ter resistido, vocês não terão conseguido destruí-lo como líder político. Por isso ele está cada vez melhor. Acabou, turminha. Acabou prá vocês.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 13:35:00 BRT  
Blogger me, myself & I disse...

sei não... mas me parece que vc está jogando um fato grave no campo da mera 'politiquice'.

***

sou um pessimista: o eleitor não é essa coisa toda não; ele pode ter até alguma capacidade para desarmar as minas mais imediatas... mas é completamente cego para com as minas mais adiante.

***

Fernando Pessoa não merece aquilo!

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 14:37:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Lula está resistindo. O Bradesco idem e o Itaú ibidem. Sem esquecer dos grotões, é claro.

E a dona dialética também vai bem, obrigado.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 14:59:00 BRT  
Anonymous Alexandre disse...

Não adianta. Depois de 4 (500?) anos, os pefelêtucanos ainda não aprenderam a ser oposição. E a mídia também. Mas eles se ajeitam. Têm mais 4 anos pra passar a lição em casa.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 19:07:00 BRT  
Anonymous Fernando Trindade disse...

Desconfio que a 'inteligência' petista caiu numa arapuca muito bem armada. Quem preparou a armadilha? Acho que dá para inferir, não?

Isso só confirma que a disputa pelo poder político no Brasil está acirradíssima (a calmaria está só na superfície das ruas sem cartazes)se sofistica cada vez mais, ocorre em diversos níveis e significa também que, em qualquer dos níveis em que ocorre, o amadorismo e/ou a incompetência podem ser fatais.

Atenciosamente
Fernando Trindade

quinta-feira, 21 de setembro de 2006 21:39:00 BRT  

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