segunda-feira, 4 de setembro de 2006

A guerra entre São Paulo e o nordeste (04/09)

O desafio do momento para Geraldo Alckmin (PSDB) é levar a eleição presidencial ao segundo turno. Se não conseguir, ficará com a marca de ter tido um desempenho pior que seu correligionário José Serra em 2002. O Valor Econômico diz hoje que o tucano decidiu concentrar forças em São Paulo. Talvez faça sentido. A pregação central de Alckmin (menos gastos, menos impostos) cai como uma luva para a classe média paulista. Mas os números são duríssimos para o ex-governador. São Paulo tem 22,3% do eleitorado. Se, por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva tiver apenas 40% dos votos válidos no estado, esse déficit de 20 pontos em relação aos demais concorrentes representará nacionalmente um déficit de quase 4,5 pontos percentuais. Uns 4,5 milhões dos cerca de 100 milhões de votos válidos que deverá haver no primeiro turno. Mas, segundo a última pesquisa Ibope, Lula tem 75% dos votos válidos no nordeste, um superávit de 50 pontos sobre os concorrentes somados. O nordeste tem 27,1% dos eleitores brasileiros, o que proporciona a Lula uns 13,5 milhões de votos de vantagem na região. Essa é a raiz da diferença numérica mínima, desde o começo do ano, entre o petista e eventuais concorrentes de segundo turno, um colchão de cerca de 10 milhões de votos que os tucanos nunca conseguiram reduzir. No norte/centro-oeste (14% do eleitorado) e no sudeste (43,7% do eleitorado) há empate entre Lula e adversários, enquanto a frente anti-Lula dá de 58% a 42% no sul. Tudo, vale lembrar, de acordo com a última pesquisa do Ibope. O mundo gira, a Lusitana roda e o problema dos tucanos e pefelistas está parado no mesmo lugar: a incapacidade, até o momento, de fazer o seu candidato ter um desempenho ao menos razoável no nordeste. Nunca, desde a redemocratização, um candidato se elegeu presidente perdendo em São Paulo. Nunca, desde a redemocratização, um candidato se elegeu presidente perdendo no nordeste. Eis o enigma que devora o candidato Geraldo Alckmin enquanto o tucano tenta decifrá-lo: desta vez, "paulistas" e "nordestinos" estão em campos antagônicos, sendo que Lula consegue rachar o eleitorado de Alckmin, enquanto a recíproca está longe de ser verdadeira.

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Se não houver alteração no índice de aprovação ao Governo Lula, nem houver alteração no índice da pesquisa espontânea para presidente, estaremos enchugando gelo neste "debate" (mais para torcida).

Rosan de Sousa Amaral

segunda-feira, 4 de setembro de 2006 17:22:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

"
04/09/2006 - 17:42
Transparência: Banco Mundial elogia governo pelo combate à corrupção



O diretor do Bird (Banco Mundial) no Brasil, John Briscoe, afirmou nesta segunda-feira (4) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou importantes mecanismos de combate à corrupção e que o país não está na lista dos que terão financiamentos cortados devido a esse tipo de crime.

"O Brasil não é um país corrupto. Todos os países possuem problemas de indivíduos corruptos. Temos uma relação fantástica com o governo para que o dinheiro público seja bem gasto", afirmou Briscoe, que esta tarde se reuniu com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Briscoe citou iniciativas positivas adotadas no país, como a implantação do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal) que disponibiliza os gastos do governo federal na Internet.

"Não existe nenhum país sem corrupção. Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentaram esse grave mal após o furacão Katrina", disse.

O diretor afirmou que o banco vai discutir em outubro, durante reunião anual do Bird em Cingapura, a política de combate à corrupção que será adotada pelo órgão.

Durante reunião com o presidente do Senado, Briscoe discutiu a agenda que o Bird pretende implementar no Brasil nos próximos quatro anos. A expectativa do diretor é que o banco mantenha o atual índice de financiamento ao país, que este ano foi de R$ 1,7 bilhão."

www.pt.org.br

segunda-feira, 4 de setembro de 2006 19:25:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Isso só reforça o que escrevi há alguns posts atrás: ou Alckmin tem uma vitória devastadora no Triângulo das Bermudas ou a fatura fica liquidada dia 1º, provavelmente com uma vitória que nem FHC, com toda a mídia e o Real a seu lado, conseguiu.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006 20:27:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Não existir nenhum país sem corrupção, não significa aval para justificar tal mal. Não foi isto que disse o relatório do BIRD. Ele avalia medidas e se as há por aqui, bom. Mas ele não diz que perdoa todos os crimes de assassinato, pois, foi Caim quem o iniciou. É preciso acabar com esse duplipensar e com essa novilíngua perniciosa. Contudo, insistir nelas, tem o mérito de avivar a memória do eleitor.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 10:27:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Não vejo nenhum duplipensar, e nem justificativa da corrupção na notícia do BIRD republicada pelo site do PT.

É fato que este governo tem sido combatido mais a corrupção do que os anteriores -- apesar do envolvimento de figuras ilustres do PT com ela.

terça-feira, 5 de setembro de 2006 12:49:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

O BIRD não justifica a corrupção. Nem justifica o sacrifício da ética em nome do atingimento de quaisquer fins. Tanto é que gradua, também, em relatório, as dificuldades na realização de negócios por aqui. A tentativa de utilização, por qualquer lado, dos relatórios como aval, significa, sim, duplipensar pernicioso.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006 11:19:00 BRT  

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