terça-feira, 12 de setembro de 2006

Duas habilidades diferentes (12/09)

Leia isso:

A Management & Excellence [afirma que] apesar do Brasil ter, "o nível mais elevado de governança corporativa no setor privado, o país sofre com os dados deficientes em termos sociais e de corrupção. O Brasil é o segundo pior em segurança, seu desemprego é um dos mais elevados e apresenta o segundo maior número de presos (169/1000 da população). O desempenho do Brasil em educação é o segundo pior de todos".

Esse é um trecho de reportagem da Agência Estado, sobre um "ranking elaborado pela Consultoria Management & Excellence, com sede em Madri, em colaboração com a revista mensal Latin Finance". O estudo, segundo a AE, "apontou o Chile como o país mais sustentável e ético da América Latina. A classificação levou em conta 50 indicadores econômicos, sociais, ambientais, políticos, jurídicos, de governança corporativa e de corrupção, comparando os oito principais países latino-americanos. A Argentina ficou em segundo lugar, a frente do México e Brasil."
O que pensar do Brasil nessa análise? A conclusão mais simples e imediata: nosso empresariado e nossos executivos são ótimos; os políticos, péssimos. Mas será isso mesmo? Por que uma elite que produz ótimos empresários e executivos não fabricaria também bons políticos? Talvez porque os skills (artes, habilidades) sejam diferentes. O objetivo de uma empresa é dar lucro ao acionista, enquanto o objetivo do país é (deveria ser) melhorar a vida das pessoas que moram nele. Outro dia, numa conversa com empresários e consultores americanos (por isso a palavra em inglês), um deles me disse exatamente isso: que tinha ficado impressionado com a qualidade dos homens e mulheres que comandam as grandes empresas brasileiras. E que seria (na opinião dele) necessário liberar a energia empresarial contida na elite e no povo brasileiros. Eu estou de acordo, com um detalhe apenas. Qual é a diferença entre a visão que o investidor estrangeiro tem do Brasil e a que nós temos? Para eles, aqui é um lugar para ganhar dinheiro. Para nós, é o único que temos para morar. A explosão do empreendedorismo precisa ser feita de uma maneira que traga os pobres junto para o caminho do progresso. E esse tipo de pensamento estratégico a elite brasileira tem dificuldade para produzir na mesma escala em que produz os seus executivos. Daí o mercado eleitoral para a esquerda.

Para ler a reportagem completa da Agência Estado, clique aqui.

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2 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Besteira. A tal elite empresarial brasileira é mínima, se considerarmos o tamanho do mercado nacional. Tratam-se de 200 executivos (no máximo) de grande exposição. O resto ou é tão corrupta quanto os políticos (porque vivem deles e vice-versa) ou são os achatados e vilanizados pequenos e médios empresários cujo Estado suga tudo que for possível e, se ainda não bastasse, o atrapalha em seu dia-a-dia.
Aliás, para também ilustrar a tal não-existência de empresários de sucesso x políticos corruptos, basta lembrar que no Brasil, o que mais se vê é empresário rico com empresa falida (Semler, Mansur etc...). Lá fora, as empresas são ricas, e o empresário/executivo só fica rico com a valorização da mesma. Aqui, os papéis se invertem, por culpa de uma estrutura cartorial, que privilegia os amigos e as promiscuidades entre público e privado (vide o encontro entre juízes e a Febraban em Comandatuba).

terça-feira, 12 de setembro de 2006 19:24:00 BRT  
Anonymous Gabriel disse...

A explicação, e a razão pela qual a UNE e o Tarso Genro são cúmplices disto está no link abaixo:
"Brasil Gasta mal em Educação...", matéria do Estadão.


http://www.estado.com.br/editorias/2006/09/13/ger-1.93.7.20060913.1.1.xml

quarta-feira, 13 de setembro de 2006 10:52:00 BRT  

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